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Eita, mundo lindo!

Que ninguém fique chateado por estar no nosso velho planeta. Cair fora desse mundo já é possível para qualquer mortal com saúde e alguns milhares de dólares para gastar. A viagem é curta, apenas uma hora de duração. A distância também não é nenhum exagero: apenas 100 quilômetros. A questão é que essa horinha será no espaço e os quilômetros serão percorridos para cima. Quem topa?

Há sempre uma adrenalina maior quando sobrevoamos nosso amado chão. Nossos costumeiros vôos raramente ultrapassam dez, onze mil metros. No alto, ficamos tensos ante a menor oscilação da aeronave. E aposto que a maioria das pessoas raramente pensa em acidentes quando entram no carro e pegam uma estrada, mas se o avião dá uma balançadinha… Então, só de imaginar que estou subindo, passando os dez, vinte, trinta, cem quilômetros… A vontade já começa a misturar-se com o medo. Deve ser uma viagem e tanto!

Segundo a notícia que li (inteirinha aqui) a nave, cujo nome é Lynx decola com um avião convencional e, no ar, se posiciona “com uma inclinação a 90 graus para alcançar sua velocidade máxima e sair da atmosfera terrestre. Uma vez no espaço, a aeronave flutuará em gravidade zero durante cinco minutos a uma altura de 100 quilômetros e depois planará em círculos até retornar a seu ponto de partida”.

O melhor da viagem, com frequência, é o antes e o depois. O “durante” é tão rápido e intenso que levamos grande tempo para digerir tudo o que vimos; tudo o que sentimos. Por isso não vejo nenhum problema em esperar até 2014, quando efetivamente ocorrerão as primeiras idas da Lynx para o espaço. Parece que a procura é grande e pode ser que a minha viagem ocorra só em 2015. Sem problemas; assim terei tempo para arranjar os US$ 107 mil da passagem.

Arranjar US$ 107 mil! Olha só que viagem! Eu, um professor; brasileiro e honesto. “sem parentes importantes; e vindo do interior” (e não sou caloteiro, como indicam as recentes notícias sobre Belchior, o autor do verso musical). Como arranjar US$ 107 mil?

Não creio que, na minha idade, vá surgir um casamento com alguma ricaça. Pela mesma razão, a idade, mais uma barriguinha que insiste em chegar aos locais antes que o dono, fica descartado a remota possibilidade de comercializar o corpinho. Resta, portanto, a esperança de todo cidadão comum: a loteria. Ou então um acaso, mas tão acaso, que não dá pra prever qual seja.

Minha amiga, quase carioca, disse-me que de tanto ver despachos em uma encruzilhada próxima, já pensa em colocar o santo de cabeça para baixo, dentro de um copo com água, até conseguir o que deseja. Enquanto voltava do final de semana fiquei pensando na viagem, na encruzilhada e se eu colocaria alguém na tal posição para conseguir viajar ao espaço. Em casa, bem ao lado do meu computador, a pequena escultura do Papai Noel… Ele que se cuide e que trate de me trazer os tais US$ 107 mil. Vou dar um prazo para esse velhinho. Enquanto isso, eu irei atrás de um copo que caiba o danado de cabeça para baixo…

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Boa semana!

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