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Agosto é tempo de festa no Bexiga. Aqui na Bela Vista a Achiropita é local de peregrinação e de visita obrigatória. Há quem busca as delícias da festa feita pela colônia italiana, com todos os quitutes que São Paulo herdou e, em vários itens, até mesmo superou os pratos da culinária dos antepassados. Há outros que buscam um encontro com Nossa Senhora da Achiropita, padroeira do bairro, mãe de todos nós. Moro próximo da igreja da Rua 13 de Maio e mais perto ainda da basílica de Nossa Senhora do Carmo. Nada como a mãe de Cristo para garantir a paz em nossas ruas e casas. Nesse aspecto, o velho Bexiga vai muito bem.

Durante a festa, que acontece em todos os finais de semana de Agosto, é difícil entrar na igreja, sempre lotada, e muito difícil ter calma e tranquilidade para observar a arquitetura, com seus arcos romanos, o teto que remete ao barroco, com uma planta cheia de sinuosidades, ou os detalhes da nave central abrigando os nichos com as imagens dos santos venerados pelos fieis. Assim, a  ideia neste post é mostrar um pouco da igreja para quem ainda não teve a oportunidade de visitá-la.

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Em dias de agosto, a Rua 13 de Maio só fica tranquila assim, como nas imagens acima, antes do início da festa. O ambiente fica mais alegre por conta da música italiana. Predominam as canções antigas, folclóricas, e os grandes sucessos da década de 1960, quando Gigliola Cinquetti e Gianni Morandi eram os maiores ídolos, junto com Rita Pavone, Mina, Pepino di Capri e tantos outros. Deixe as canções do lado de fora e entre, a Achiropita nos aguarda.

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A iluminação da nave é difusa, propiciando a penumbra tranquila que nos conduz ao silêncio e à contemplação. As pinturas no teto têm como função propiciar a união entre o céu e a terra. Através da igreja somos levados a contemplar o bem que Deus propiciará aos eleitos. Para não ficar viajando, é tradição fazer o fiel lembrar o motivo de estar ali, com várias frases escritas no teto, nos induzindo à oração. Ou seja, não viaje; reze!

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Festa da achiropita 2012

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Só mesmo em horas tranquilas para que possamos nos aproximar do altar principal e observar, nas capelas laterais, as belas pinturas com temas bíblicos. A Ceia de Emaús e o Batismo de Cristo estão entre os temas presentes. A disposição das pinturas, as molduras com temas geométricos orientais sugerem tapeçarias que valem a visita pela beleza e, principalmente, para que possamos olhar maiores detalhes da técnica utilizada. Na foto maior, percebam que a berlinda central está vazia. Na época da festa, a imagem principal vem para baixo, ficando mais próxima dos fiéis que oferecem flores e preces.

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Achiropita significa “não pintada por mãos humanas”. Diz a história que em uma gruta, na Calábria, em tempos remotos, a própria Virgem Maria teria pintado a imagem em um templo construído pelo Imperador Maurício. Os detalhes da história da santa podem ser conhecidos clicando aqui. A imagem acima, venerada pelos habitantes do bairro da Bela Vista foi baseada em cópia da pintura original, que está na Calábria.

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Fotos by Valdo Resende

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Antes de sair da igreja é bom dar mais uma olhada, de outro ângulo. Quando entramos não temos a mesma visão dos vitrais que estão nas portas principais. É com a luz que vem da rua que as pinturas ganham vida. E, manda o hábito, que aqueles que visitam a Igreja devem registrar a presença e levar um pouco da visita para todos. Resolvi reforçar o hábito. Não escrevi sobre fogaças, pizzas, polentas… Minha contribuição é esta: Um pouco da Achiropita vista de dentro. Que a santa abençoe a todos nós!

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Boa semana para todos

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