Tags

, ,

DSC07309

E seguimos em frente, tudo esquecendo…

.

Talvez esteja entre os vizinhos,

Morador do mesmo bairro, na mesma cidade.

Pode ser o cara tranquilo que diz bom dia a todos,

O trabalhador correto, pontual e competente,

O estudante compenetrado, disciplinado,

O temente a Deus, o religioso abnegado.

Um homem qualquer

O ser – humano? – comum,

Indivíduo entre milhões.

Chegado o momento.

Sem alteração física, sem mãos trêmulas, sem incertezas.

Um tipo já conhecido repete o triste ato:

Meticulosamente prepara as armas, averigua a munição.

Criteriosamente escolhe um alvo,

Deliberadamente mata um, dois… Cinquenta pessoas!

O assassino tinha família, trabalho, religião.

Um passado com sinais, agora, constrangedores.

Recolhidos e identificados os corpos

Mães choram irreparáveis perdas.

E o roteiro – já conhecido – é seguido à risca:

Por que venderam armas ao assassino?

Qual a ligação do mesmo com grupos extremistas?

Como ele vivia, com quem, de onde veio tal absurdo?

Veja o passo a passo do acontecido!

Outro roteiro – também conhecido – merece repetição.

Somos os fabricantes e os compradores de armas.

Sossegamos a consciência cobrando do governo,

Clamamos por educação, por mais religião,

Moldamos Deus aos nossos míseros anseios,

Alimentamos preconceitos, seguimos discriminando…

E seguimos em frente, tudo esquecendo por mínimas distrações:

Um jogo de futebol, um capítulo de novela, um enlatado qualquer.

No entanto,

Talvez esteja entre os vizinhos,

Morador do mesmo bairro, na mesma cidade.

Pode ser o cara tranquilo que diz bom dia a todos,

O trabalhador correto, pontual e competente que,

Deliberadamente,

Mata um, dois… Cinquenta pessoas!