“Desfaze-te da vaidade triste de falar”

“Desfaze-te da vaidade triste de falar”, diz Cecília Meireles em “Não digas onde acaba o dia”; e a poetisa conclui: Pensa, completamente silencioso, Até a glória de ficar silencioso, Sem pensar.      

Medos

O vírus assombra o planeta, Assusta, deixando-nos no devido lugar. Somos frágeis, indefesos, Meros mortais. O vírus avança lá, Recua acolá, aparece por aqui O bicho-papão da infância Volta em forma de realidade. O medo antecede o vírus O terror televisionado Anônimos infectados Anônimos mortos. E as bolsas caem! Feito ratos astutos Feito baratas treinadas…

O Bilac que não conheci na escola

(Um poeta bem-humorado, divertido; outra face do Príncipe dos Poetas que relembro abaixo). Velho conto Rita, mocinha, faceira, Passeia com o namorado E, descendo uma ladeira, Dá um tombo desastrado. Que tombo! Quase desmaia… E o noivo, que o tombo aterra, Vê coisas por sob a saia Mais do céu do que da terra. Nem…

Aceito a minha idade

(No poema de Carlos Nejar encontro as palavras que gostaria de dizer para esse momento em que a poesia é o exercício agradável para continuar). Aceito a minha idade e a que me completa a face padecida e conquistada as derrotas caladas no meu sangue os amores poentos e chovidos e este amor que me…

Do poema para vozes

(Excerto do Auto do Frade, de João Cabral de Melo Neto, que um dia dirigi e sonho voltar a montar). Acordo fora de mim como há tempos não fazia Acordo claro, de todo, acordo com toda a vida, com todos cinco sentidos e sobretudo com a vista que dentro desta prisão para mim não existia….

Desejo de Regresso

(Entre vidas e sonhos, a ilusão do renascer, o desejo de reviver. E a vida que penso e quero é a que expressa o verso alheio tomado emprestado nesse exercício para retornar). Deixai-me nascer de novo, nunca mais em terra estranha, mas no meio do meu povo, com meu céu, minha montanha, meu mar e…

Poema

(Manhãs nubladas sob infinito céu azul. Irreversível, inesquecível. Entre cimento e asfalto, mantenho a poesia alheia nesse exercício para retornar). Oh! aquele menininho que dizia “Fessora, eu posso ir lá fora?” Mas apenas ficava um momento Bebendo o vento azul… Agora não preciso pedir licença a ninguém. Mesmo porque não existe paisagem lá fora: Somente…