A Casa das Rosas e o Borba Gato

A Estátua do Borba Gato em foto de Lucas Martins.

Incendiada por um grupo que se identifica como Revolução Periférica, a estátua de Borba Gato causou debates acalorados nas redes sociais. Opiniões contra e outras favoráveis, muitos, mas muitos comentários equivocados… Tive saudade dos tempos de aula e do que diria para propor reflexão, o que poderia dizer a respeito? Iria sugerir PESQUISAS, rever DADOS, lembrar CONCEITOS, mais REFLEXÃO e… começaria a falar sobre o assunto! COMEÇARIA, não CONCLUIRIA… a situação está em movimento!

Começo lembrando que História é Ciência. E como tal, cabe lembrar métodos científicos de coleta, catalogação, classificação, análise para atingir a finalidade do trabalho científico, buscar RESULTADOS e SOLUÇÕES. Preste atenção, caro leitor, para ir além da narrativa do era uma vez… e tomar muito cuidado com conclusões do tipo que a história é contada pelos vencedores. Principalmente pelo fato de que, aqui na terrinha, “os vencidos” estão aí e, portanto, poderão reagir a qualquer momento. Indígenas não foram totalmente exterminados, negros são a maioria da população.

Segundo passo que quero sugerir é pensar em monumentos (a palavra vem de Memória!) e minha proposta supõe comparar dois conhecidos monumentos da cidade de São Paulo, ambos presentes no título deste singelo texto. A Casa das Rosas e a estátua do Borba Gato.

Conheci São Paulo quando a Avenida Paulista era tomada por casarões que, diante da notícia de tombamento para o Patrimônio Histórico, foram destruídas pelos seus proprietários. Estes, já previam o valor que seria atribuído ao metro quadrado na Avenida Paulista. Restou, com a mesma aura, charme e beleza dos antigos casarões, a Casa das Rosas. Quem construiu o local foi o arquiteto Francisco de Paula RAMOS DE AZEVEDO, um dos mais notáveis da cidade, já que também são dele obras como o Theatro Municipal e a Pinacoteca do Estado.

Construída na década de 1930, a Casa das Rosas nos conta uma época da Avenida, quando tomada por residências dos antigos barões do café. Locais imensos, com dezenas de cômodos (no caso, 38), mais jardins e pomares. Era assim que viviam e que hoje, tornada bem público e centro cultural, tornou-se “minha”. Frequento os jardins, tomo café em confortáveis mesas no quintal, assisto saraus de poesia, vejo exposições… tudo MEU e de toda a COLETIVIDADE.

Não há nenhum motivo para derrubar ou incendiar a Casa das Rosas. A história que ela me conta é real, a narrativa foi minimamente alterada (na sala não tem sofás, tem objetos de exposição). Ela foi construída para habitação de uma família rica e, hoje, é propriedade de todos os que quiserem usufruir do que ela oferece.

Detalhe da Casa das Rosas. Arquivo pessoal.

Vamos ao Borba Gato. Uma estátua em homenagem ao Bandeirante Borba Gato, construída em argamassa, mármore e pedras coloridas, totalizando 13 metros de altura, inaugurada em 1963. Quem passa pela Avenida Santo Amaro, circunda uma praça onde está um homem retratado com vestes europeias do Século 19. Ops! Os bandeirantes existiram do século 16 ao 18, portanto… Também a pose é estereotipada, um “chavão” constantemente repetido em manequins de loja, o que é possível afirmar não haver esmero na composição.

A estátua, não é difícil constatar, importa pela representatividade, pela simbologia, pela identificação. Para o tradicional paulistano o Bandeirante foi aquele ser arrojado, desbravador, que buscou o progresso e enriquecimento de si e dos seus, tendo importância vital na expansão e integração territorial. Importante na construção da identidade do paulista, o Bandeirante foi amplamente utilizado em 1932, quando se fez necessário unir a população do Estado contra Getúlio Vargas. Acontece que… há outro lado!

A história avança e especialistas propõem novas visões sobre o nosso passado. Também as gerações mais jovens têm estudado o tema – Bandeirantes – sob outros prismas. Por força de lei (e foi necessário Lei para isso!) entrou no currículo escolar a História e Cultura Afro-brasileira e Indígena. Um avanço para uma visão crítica. Sem contar que as gerações mais jovens acompanham, e se posicionam via internet perante ocorrências em outros países.

Para um grupo considerável de habitantes da cidade de São Paulo, o Borba Gato lembra o Bandeirante que escravizou índios e negros, violentou mulheres, saqueou e queimou aldeias… Vamos a dois exemplos atuais: Indígenas das aldeias próximas ao Jaraguá, vizinhos das Vias Anhanguera e Bandeirantes, sofrem pressão terrível do mercado imobiliário e os conflitos permanecem, com o embate sobre a terra iniciado quando Pedro Álvares Cabral invadiu o país. Negros são assassinados em frequentes confrontos com a polícia e constituem a maioria da população carcerária do país…

Segurar a ansiedade e buscar a reflexão! Um primeiro olhar (e podem espernear à vontade!) não altera o fato de que continuamos com uma média de 1.105 mortes diárias pelo COVID. Há tempos que essa informação deveria levar à comoção maior que uma estátua queimada. Será que alguém, em sã consciência, pode erigir estátua ao atual Presidente? Quantos milhões de índios foram dizimados pelo invasor europeu? Um outro aspecto: A cidade lembra que o atual Governador ordenou que cobrissem de cinza uma série de grafites da Avenida 23 de Maio? Ele pode? A ação dele não foi chamada de vandalismo…

Penso ter estabelecido um critério – e há vários outros – para que possamos refletir sobre monumentos e História. Espero ter indicado caminhos para reflexão, aprofundamento. O que é conclusivo é a necessidade de buscar soluções que atendam a TODA A SOCIEDADE. A nós, mais uma reflexão absolutamente necessária: Como promoveremos a união de nossa gente, sabendo que para isso é necessário solucionar problemas vitais de imensa parcela da nossa população?

Até mais!

De quem será o Espaço Sideral?

Sem lenga-lenga, o espaço sideral, aquele ainda não ocupado pelo homem, será de quem puder pagar por ele. Simples e tenebroso futuro para os pobres que habitam o planeta Terra.

Uma sequência de matérias do Jornal Nacional, edição deste 20 de julho, é basilar:

Primeiro, um grupo de bilionários vai ao espaço. A passagem do mais jovem tripulante custou US$ 28 milhões, ocupando o lugar de “quem não pode ir”.  Detalhe a mais para pensar: o dito jovem, com 18 anos, esteve na companhia de outros três, tripulantes, destaque para uma senhora com 82 aninhos. Ou seja, não importa a idade, desde que você tenha grana para pagar.

Segundo tema apresentado pelo jornal. Na Alemanha e na Bélgica (parecendo país pobre da América Latina) enchentes destroem cidades e matam centenas de pessoas. Grande alarde para as mudanças climáticas. Em 80 anos não se via coisa assim na Europa… Aquilo que em todo o mês de janeiro ocupa manchetes brasileiras. O morro que despenca em consequência do avanço imobiliário desenfreado e sem qualquer planejamento, parece, nunca afetou europeus.

Terceira reportagem da sequência, o desmatamento criminoso da Amazônia que levou toneladas de madeira ilegal para o exterior, em ação que foi denunciada por Americanos ante a irregularidade dos documentos da exportação brasileira. Tem um Ministro que, suspeito, abandonou o cargo no eterno imbróglio da política nacional.

Voltando ao motivo que me leva a escrever, denunciar, lamentar nossa triste situação de terráqueos pobres: nesta terça-feira, a viagem espacial foi possível graças ao homem mais rico do mundo, um certo Jeff Bezos, com fortuna estimada na casa dos US$ 200 BILHÕES.  A viagem anterior, há dez dias, foi feita por um sujeito que atende pelo nome de Richard Branson que, segundo consta, é o 40º homem mais rico da terra.

Note, caro leitor, a preocupação dos bilionários terráqueos: Em meio a uma pandemia mundial disputam quem vai mais alto, acima dos 70km ou dos 100km aí pra cima (o céu que minha mãe contou, lá quando eu pensava que o ser humano era bom, é bem mais longe…).  É óbvio que essas viagens ditas turísticas, que os âncoras do jornal da telinha anunciam orgulhosamente como feito de pioneiros, é uma etapa a mais do longo processo que levará o homem (Rico) a dominar o universo.

Uma singela ironia não pode ser esquecida. O primeiro ser lançado ao espaço, para quem não sabe e para aqueles que recordam, foi a simpática cadelinha russa, a Laika… que morreu por conta de superaquecimento da nave. Vários cães foram lançados ao espaço. Poucos, cinco, voltaram vivos. Depois dos animais, foram os astronautas. Possivelmente, esses notáveis tripulantes não são descendentes de famílias bilionárias, que, cá para nós, não perderiam tempo fazendo testes que, em alguns casos, resultaram em morte. A viagem desta terça-feira foi conduzida por máquinas… Ou seja, esqueça a possibilidade de ser comissário de bordo. É muito caro.

Resumo da ópera: enquanto nos calamos e nos mantemos estáticos, grandes empresas, propriedades desses bilionários, tiram tudo o que podem do planeta. E danem-se os terráqueos, nós, já que eles se preparam para viajar e, lógico, posteriormente ocupar o espaço. Sendo pobres, também é óbvio que não dá pra encarar essa gente. Mas, adepto de D. Quixote, me atrevo a sugerir algo, extraído da página do meu amigo Dema, o Valdemar Jorge. É pouco? Sem dúvidas que é! É pobre? É claro que sim. Mas dá para imaginar o efeito dessas pequenas ações feitas por 7 bilhões de terráqueos?

Obs: ignorei os quebrados desses bilhões de seres humanos, que certamente são

 os ricos, poderosos e bilionários.

Dia Internacional da Mulher Negra com Cecília Calaça

Artista visual e pesquisadora da Arte afrocentrada, Maria Cecília Félix Calaça, também é Mestre na área de Artes Visuais pela UNESP e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará.

Coautora dos livros: “Afro Arte Memórias e Máscaras” e “Arte Africana & Afro-Brasileira” , nossa convidada para o próximo Trem das Lives é a personalidade ideal para abordar temas que permeiam o Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latino-americana e Caribenha.

As situações que escancaram nossos problemas sociais, as condições da mulher negra na sociedade brasileira e a força da ancestralidade feminina nas religiões de matriz africana estarão no próximo domingo, na conversa que preparamos com Cecília Calaça.

Esperamos você.

Trem das Lives
Domingo, 18.07.21, 18h00
Instagram

Semibreve com Angélica Leutwiller

Imagem: divulgação da página da OSESP.

A próxima convidada do Semibreve está na OSESP desde a fundação do Coro, em 1994. O bate-papo desta sexta-feira é com a mezzo soprano Angélica Leutwiller — e quem faz as perguntas é você, na caixa disponível nos Stories da página da Osesp, no Instagram. Você acessa diretamente neste link: https://www.instagram.com/osesp_/

Angélica começou seu caminho musical no piano, aos seis anos, por recomendação médica: o especialista acreditava que o instrumento poderia ajudá-la com sua timidez. Mas foi apenas na faculdade, quando começou a cantar em coral, que descobriu o prazer de fazer música em grupo.

Formada pela Universidade Estadual Paulista, a Unesp, Angélica integra também o Grupo Mawaca e o Duo Fogueira das Rosas.

É professora e idealizadora do projeto Voz & Batuques, com o qual desenvolve um trabalho de técnica vocal, ritmos e percussões do mundo para crianças, jovens e adultos através de um repertório multicultural.

Angélica esteve conosco no Trem das Lives (para ver a live clique aqui), quando fez uma bela retrospectiva da sua carreira. Conheça e saiba mais sobre essa excelente cantora.

Até mais.

Marcelo Abud no Trem das Lives

Apaixonado por rádio, tanto que se tornou roteirista de RTV, locutor, podcaster e professor, Marcelo Abud também leciona na FAAB e, há dez anos leva ao ar podcasts para o Instituto Claro.

Semanalmente mantém um quadro no Olá Curiosos, programa de grande sucesso. E ainda arranja tempo para tocar o blog Peças Raras.

Dono de uma voz potente, digna de locutores de primeira grandeza, Marcelo Abud trabalha em prol da educação e cultura, utilizando os meios de comunicação como forma de disseminá-las.

Inteligente, elegante e antenado, hoje vamos recebê-lo para um gostoso bate-papo. Esperamos você. @abudmarcelo

Trem das Lives Domingo, 27.06.21, 18h00 no Instagram.com/tremdaslives

Trem das Lives no YouTube

O Trem das Lives está construindo um belo acervo de vídeos que abordam diferentes faces da cultura brasileira. Entre no YouTube, siga-nos, ative o sininho sobre notificações de novos vídeos!

Embarque na cultura brasileira!

O Santo e os astros

No Dia de Santo Antônio, o Trem das Lives viaja pelo mundo dos astros, revelando qual o seu par ideal e quais as simpatias que você pode fazer para fisgar o seu amor.

A convidada, Marta Marin, explica em detalhes as combinações entre signos com mais chances de sucesso no amor. Astróloga, artista plástica, terapeuta vibracional, reikiana, estudante de psicanálise e operadora de mesa radiônica, há 25 anos Marta dedica-se à astrologia, numerologia e realização de mapas astrais.

Eu e Marta somos amigos desde a faculdade, ambos estudantes no Instituto de Artes da Unesp. Esta foto, de antes da pandemia, marca o último encontro presencial do grupo do IA. No próximo domingo, o encontro será virtual.

Conheço Marta e acompanho seu trabalho há mais de 35 anos! A sensibilidade artística faz dela uma pessoa delicada e suave. As pesquisas e estudos astrológicos deixaram-na sábia. Sem impor aos outros suas crenças, sem proselitismo.

Quero dizer mais: Convidar Marta para o Trem das Lives, em um dia tão cheio de significado – Santo Antônio, o santo casamenteiro – é promover o encontro de duas faces da nossa cultura: crença em santos e astros, caracterizando-nos como povo cheio de fé”.

Venha conosco nesse domingo para, com leveza e alegria, celebrar a esperança que a fé nos dá e, certamente, encontrar uma dica para engatar um belo romance.