Vamos de Trem das Lives!

No dia 20 de setembro fizemos nossa primeira live. Uma viagem deliciosa que vai longe e perto, sempre em frente. Os registros de cada encontro permanecem online e podem ser revistos nas nossas páginas do Instagram. Basta clicar aqui para ver ou rever.

Um carinhoso abraço aos nossos companheiros de viagem, Cris Bucco, Marisa Schmidt, Octavio Cariello, Rosângela Maschio, Nando Cury e aos demais viajantes, nossos companheiros de jornada.

Siga-nos nas redes sociais e acompanhem o Trem das Lives. Todos os domingos, 18h00.

Até mais.

Mestres, professores e amigos

Sem muito lero-lero. Apenas desculpas pelas ausências! E uma explícita declaração de amor.

Parabéns! Feliz dia!

Até mais!

Dia do Professor no Trem das Lives

Professores!!! Somos, não estamos. Brengel e eu…

Não estamos, mas podemos viajar no Trem das Lives para homenagear os que são, os que estão… ou não (diria o grande Caetano Veloso). Assim, no próximo domingo, comemoraremos antecipadamente o nosso dia (Dia 15 – quinta-feira – quantos estarão trabalhando?). Brengel, que é um fofo, escreveu:

“É com muito carinho que o Trem das Lives está preparando uma edição especial alusiva ao Dia dos Professores. Educadores de regiões distintas do país contarão um pouco do seu dia a dia, das suas realidades e sonhos. Lições de vida emocionantes. Não falte”.

Eu… Bem, não vou citar o nome de ministro que menosprezou os profissionais da educação. Insisto, todavia, no dever de respeitar toda e qualquer profissão. Não se trata de colocar umas sobre as outras, mas de ordená-las segundo sua inserção na vida do ser humano. Pai e mãe, avós, tios, irmãos e primos não são profissionais, mas familiares do ser que, para aprender metodicamente, criteriosamente, qualquer coisa além do universo doméstico precisa de um PROFESSOR!

Não se pode esperar muito de alguém (Ministros e similares no poder) que não consegue reconhecer a própria caminhada e o que foi necessário vivenciar para dar cada passo . Por isso eu desafio qualquer um (Ministros e similares no poder) a entrar em uma sala e, sem a FORMAÇÃO ADEQUADA, sem polícia armada na porta ou dentro da sala, tentar dar aula para trinta, cinquenta, cem alunos ou mais. FORMAÇÃO ADEQUADA em negrito e maiúsculas, pois nosso ensino, em qualquer circunstância e mesmo com dificuldades, acontece com preparação detalhada, planejamento sério, consistente e responsável. Do contrário, seria aventura, irresponsabilidade.

Fiquem tranquilos. O Trem das Lives vem com muita tranquilidade e delicadeza viajar com professores legais (por legal entenda: devidamente formados, capacitados e experientes no que fazem), simpáticos, agradáveis, o que nos permite garantir uma hora de viagem agradável, com informação e diversão.

ANOTE: Trem das Lives – Domingo – 18h – No instagram.com/tremdaslives

Aguardamos todos vocês.

Obs. A foto é de antes da pandemia. Por isso, estamos bonitinhos. O Brengel, sempre sorridente, esbanjando simpatia; Euzinho, com meu jeito meio ranzinza ( – meio? Alguém irá exclamar). Meio. Reafirmo. Era dia de festa.

Até mais!

Pequeno Memorial para o Doutor Fernando de Melo

Estou escrevendo porque alguém consertou o meu braço. Uma queda e um cotovelo esfacelado. Pronto atendimento, procedimentos iniciais e a cirurgia marcada. Seria algo para, no máximo, uma hora. Dado à gravidade do problema foram mais de três. Uma semana após a cirurgia, já no consultório, o médico não conseguiu disfarçar a ansiedade: – Você consegue mover os dedos? Mexa os dedos. Observando, concluiu: – Graças a Deus. Deu certo, disse-me o Doutor Fernando de Melo.

Hoje fui surpreendido com a notícia do falecimento do ortopedista, Doutor Fernando de Melo, ocorrido no último dia 06 de setembro. Mais um acontecimento neste triste 2020. Enquanto conversava sobre o ocorrido, não deixei de pensar na ironia de um mundo com imensas possibilidades de comunicação. Não pude dar adeus ao meu amigo, pois foi assim que nosso relacionamento se desenvolveu e cresceu em mais de 10 anos de convivência.

O Doutor Fernando era um sujeito expansivo, alegre, extrovertido. Invariavelmente levantava-se de sua mesa, no consultório, para vir alegremente buscar o paciente da próxima consulta. Nesse ínterim, saudava os demais, brincava com os colegas, tomava um café. Éramos recebidos com alegria e sem nenhuma pressa. Isso implicava em atrasos, mas quem iria reclamar por saber que o médico estava interessado em tratar-nos como indivíduos, como amigos, não como mais um paciente. Creio que todos são gratos por esse tratamento, por esse comportamento afetivo, profundo, interessado.

Dentro do consultório a primeira pergunta: – O que você me conta? E eu, chegado a uma boa conversa, falava de viagens, de teatro, da família… trocávamos informações e colocávamos a conversa em dia, antes de outra pergunta: – O que está acontecendo, por que você veio aqui? Seguia-se um atendimento atento, detalhado. E ao longo dos anos ele cuidou dos meus joelhos, da coluna, do braço quebrado. Este foi o mais trabalhoso!

– Vou conversar com as meninas para que elas não peguem leve com você. Precisa trabalhar, cara! Você está novo. Toma aí, mais dez sessões de fisioterapia. Volta depois e pode ter certeza que vai receber mais. Temos muito o que fazer para consertar esse braço – disse-me ao longo de meses. As meninas eram as fisioterapeutas do CAP – A Clínica Dr. Alberto Pastore. No meu caso, a menina, Claudia Collado. Eu fazia estrepolias ao acertar sessões para ser atendido por ela. – Um anjo, dizia ele. Acho que ela está te mimando demais. Precisa pegar pesado!

Doutor humano, um dia me falou da doença, do tratamento, de como as coisas estavam. Mantinha uma postura positiva, elogiava os colegas dos quais, naqueles momentos, havia se tornado paciente. – Vou conviver com isso. Ficar atento. Seguir em frente. A gente tem que se cuidar.

A doença voltou, traiçoeira, fatal. Guardarei todas as lembranças desse médico, com muito carinho, com toda a minha gratidão. Em um de nossos últimos encontros presenciais (agora tem essa expressão entre amigos) eu estava com duas, das minhas três irmãs. Ele nos recebeu com o sorriso largo e sincero de sempre, o jeito brincalhão que fez minhas irmãs elogiarem e perceberem o ser humano integro, sem deixar a simpatia de lado, contando a elas: – Vocês não imaginam como ele ficou! Os ossinhos todos quebrados! Tiramos e montamos em cima de uma mesa, como quebra-cabeça. Depois colocamos no lugar. E já tirou os parafusos! Virando-se para mim, já escrevi neste blog, ele concluiu, sobre os tais parafusos: “– Vai no hospital! Pega! Faça um chaveiro! São seus. Significam o quanto você está melhor”.

Para o Doutor Fernando de Melo fiquei devendo um almoço, feito por mim, com o braço consertado por ele. Veio a pandemia e não cumpri minha promessa. Mais que uma refeição, expresso minha gratidão eterna por estar aqui, com meu braço direito funcionando direitinho, como ele previu.

Aos familiares meus profundos sentimentos de pesar e consternação. Todas as homenagens são pequenas para esse grande médico. Que Deus o receba e que ele possa seguir além, feliz e sorridente, amigo como sempre foi.

Futebol! Deus guarde nossos atletas.

Foto: Flávio Monteiro

Jogadores do Goiás não entraram em campo neste domingo por dez atletas do time estarem contaminados com o COVID_19. Os trâmites demoraram o suficiente para a televisão iniciar a transmissão e só depois informar a suspensão do jogo. Outro time, o Imperatriz, do Maranhão também não jogou, pois doze jogadores também receberam diagnóstico positivo para o vírus. O alagoano CSA, time da série B do Nacional substituiu oito atletas e jogou contra o Guarani. SUBSTITUIU! (Esses atletas substituídos horas antes do jogo não estavam em contato com os companheiros?).

Jogadores de futebol são atletas que contam com apoio jurídico na formulação de contratos, na administração da imagem e das atividades com publicidade, entre outros possíveis empreendimentos. Esse departamento jurídico de atletas, empresários e das próprias agremiações não conseguem barrar os interesses financeiros envolvidos nos campeonatos de futebol e aí está o imbróglio. E mais uma pergunta cabe aqui: a pandemia está sob o controle de quem? Dos interesses de quem?

Deus nos livre, só mesmo Ele. Estive ontem em uma farmácia, dessas de rede nacional. O teste para verificar como estou em relação ao vírus fica por R$ 140,00 e a profissional de plantão, simpaticíssima, informou que o mesmo tem 97% de probabilidade de acerto. Você paga na verdade de otário, pois em seguida, caso a doença se manifeste, estão aí os 3% para garantia jurídica de quem está vendendo a coisa.

Deus livre nossos jogadores! A CBF – Confederação Brasileira de Futebol, contratou o Hospital Albert Einstein que identificou erro na coleta de material e, pedindo novo material, atrasou a entrega de resultados. Essa foi a explicação para o ocorrido entre Goiás X São Paulo. Quem coletou esse material? Segundo o noticiário, o hospital (UM DOS MELHORES DO PAÍS!) já forneceu “diagnóstico positivo equivocado” de 26 jogadores do Red Bull Bragantino. O que nos leva a, mais uma vez, apelar pra Deus. Se até hospital do nível do Einstein está cometendo equívocos… Deus livre a todos nós!

OUTRA SITUAÇÃO: A do simples funcionário que, todo dia, precisa atender aos interesses de patrões desnaturados, em um país sem Ministro da Saúde e onde o Presidente, em relação à pandemia, não passa de propagandista ordinário, tentando enfiar goela abaixo dos brasileiros um remédio que, se válido, não nos teria levado a ultrapassar a marca de 100.000 óbitos.

Dá para entender as razões da morte atingir principalmente as pessoas mais vulneráveis? Precisa desenhar?Não custa refletir: mesmo errando ou atrasando o diagnóstico de um jogador de futebol, este, caindo nas garras do COVID terá o próprio Einstein para onde buscará a cura., ou outra instituição de excelência no tratamento médico. Têm dinheiro e convênio médico daqueles que cobrem até unha encravada. Aos demais, aqueles que precisam de tomar ônibus, metrô ou trem, às vezes carecendo dos três meios para chegar ao trabalho, cabe… rezar: Para que esses transportes não estejam lotados, para que consigam viajar e – milagre! – não serem contaminados. E caso sejam, que consigam pelo menos um leito vago, um tratamento digno.

MAIS OUTRA SITUAÇÃO: A dos pais empregados que, sem apoio governamental, são pressionados pelos patrões e precisam deixar os filhos na escola. Ora, se em um jogo de futebol, com 22 atletas em campo (sem contabilizar os demais) a proporção de infectados beira aos 50% (se contabilizarmos os demais essa proporção pode subir) como é que fica a cabeça de um pai, de uma mãe ao ter que encaminhar o filho para a creche, para a escola? Quem garante a saúde da criança que permanecerá em grupo durante tempo maior, bem maior, que uma partida de futebol? Não há humano que garanta imunidade e, caso o faça, está mentindo. Deus guarde e cuide das nossas crianças!

O que me leva a escrever este texto é o fato de perceber pouca atenção dada ao fato ocorrido hoje: Jogadores de futebol! Pessoas que, por definição, têm ótima saúde e, por isso mesmo, sendo profissionais de ponta do futebol nacional teriam guardado quarentena e ficado longe de possível contaminação. Atletas com altos salários, suporte jurídico, influência na mídia, se submetem aos interesses financeiros de agremiações, da própria CBF e até das empresas de comunicação, que lucram horrores com as transmissões. Será que é por isso, pela grana, que os meios não dão a real dimensão do absurdo que é constatar em atividade tantos jogadores infectados? Deus guarde nossos atletas.

Deus guarde todos nós!

Para quem quiser ver a matéria do jornal, na íntegra, clique aqui.

Até mais!

O dia de Dona Luiza Erundina

Se aos cinquenta, sessenta anos já convivemos diariamente com preconceitos em relação à velhice, sendo alvos de piadinhas e brincadeiras idiotas, imaginem Luiza Erundina aos oitenta e cinco anos! E, convenhamos, a maioria de nós, os velhos, não temos o protagonismo dessa senhora; logo, somos infinitamente menos incomodados. Em entrevista recente (clique aqui) Dona Luiza Erundina ensina, entre várias lições, esta: “Minha vida não deve ser muito longa mais, mas vivo cada dia como se fosse o primeiro, e como se fosse o último”.

Viver cada dia como se fosse o primeiro é coisa de criança, de gente que tem muito amor pelo mundo, pela vida, pelas pessoas. É ter sede por descobertas, novidades e, se vivemos problemas nos dias anteriores, o novo dia é uma chance pra melhorar, consertar, seguir em frente. Para viver cada dia como se fosse o primeiro é preciso coragem, força, fé, esperança, energia, vontade… É alimentar sonhos, reforçar a luta, arregaçar as mangas para enfrentar o trabalho árduo que é melhorar as relações entre as pessoas, a missão fundamental do trabalho político.

É essa postura de viver cada dia como primeiro que leva Dona Luiza Erundina a dispensar a empregada, mantendo o salário da mesma, e assumir o trabalho doméstico. Fico imaginando a primeira mulher Prefeita de São Paulo, com vários outros mandatos na carreira, lavando roupa, louça, cozinhando feijão, fazendo faxina… E, entre uma e outra tarefa, participando de reuniões da Câmara, no Congresso, ou de dezenas de outras na campanha para as próximas eleições, onde volta a concorrer à Prefeitura como vice de Guilherme Boulos. Quantas vezes ouvimos expressões de gente com bem menos idade tais como “Estou cansado”, “Está difícil”, “Não aguento mais”…

Lendo as duas entrevistas dela publicadas recentemente (a outra está aqui) fiquei envergonhado de estar deprimido com meus 65 anos. Essa autopiedade doentia que nos coloca como centro do planeta, sendo os únicos a ter problemas de saúde, rugas e várias outras limitações. Tive, até agora, uma vida bem mais suave que Dona Luiza Erundina. Há 32 anos, quando ela assumiu a prefeitura da cidade de São Paulo, presenciei inúmeros comentários preconceituosos sobre o fato de ela ser nordestina, mulher, solteira. Não bastasse toda a discriminação e essa mulher ainda teve que conviver em seu trabalho político com algumas pessoas, para não baixar o nível nos adjetivos, no mínimo, complicadas. E lá vem Dona Luiza Erundina com mais uma lição notável, diante de um país dividido por opiniões contrárias: “Adversário político não pode ser inimigo. Ele é apenas um adversário que tem ideias muitas vezes opostas, antagônicas”.

Mas Dona Luiza Erundina também vive cada dia como se fosse o último. Não com a inconsequência dos porras-loucas, mas do ser humano que conhece e reconhece seus próprios limites. E se esses limites estão no físico com 85 anos, a inteligência leva a conviver, administrar esses e compensar as limitações com… o cérebro! As análises são mais eficazes, as conclusões são embasadas nos anos vividos e no conhecimento acumulado – esse nunca ocupa espaço – e, sem ilusões, saber que se antes o fim poderia ser inesperado, causado por acidente, crime ou doença, agora pode ocorrer por consequências naturais… Se me permitem, não deixa de ser irônico ler o noticiário contar que fulano de tal faleceu aos 90, 100 anos de causas desconhecidas. A idade nos leva a perceber a proximidade da morte. Só nos resta escolher como viveremos nossos últimos anos, nossos derradeiros dias.

Eu espero viver como Dona Luiza Erundina. Procuro me espelhar em pessoas como ela, ou como o Eduardo Suplicy. Há quem pensará que são raros, são únicos. Isso funciona inclusive para que desculpemas nossas próprias falhas, para que não tenhamos que viver de forma similar. Só que eles não são raros; tornaram-se conhecidos nacionalmente, são notáveis. Todavia, há muitos por aí, e só não citarei outros nomes porque aqui quero prestar homenagem a Dona Luiza Erundina.

E, se alguém acha estranho o “Dona” precedendo o nome, quero deixar claro que é minha mais profunda expressão de respeito e admiração por essa mulher simples, cheia de fé, garra e força, que ostenta um passado impoluto em meio ao constante lamaçal no qual frequentemente se afunda a política brasileira. Dona Luiza ignora o lodo e, em nome do amor a sua família e ao seu povo – que somo nós! – segue combatendo o bom combate.

Obrigado, Dona Luiza Erundina. Siga em frente. Estaremos juntos.

Até mais!