“Feliz, mais Valdo do que nunca!”

Ontem foi um dia abençoado. Quero registrar aqui meu sincero e profundo agradecimento por todo o carinho, e pelas mensagens afetivas recebidas pelos diferentes meios. Como aprendi com meus pais: Deus lhes pague! Obrigado. A vida é belíssima.

Quando cheguei pela manhã, no trabalho, presenciei em pleno saguão da universidade a exibição de um vídeo, iniciativa da Professora Regina Cavalieri e feito pelo Luis Antonio Francisco, o Luisinho…

Ao londo do dia recebi inúmeras outras manifestações de carinho. Período de exames, trabalhamos normalmente, ainda fui agraciado com um delicioso bolo, “feito pela Claudia Bouman” e novamente aquelas coisas absolutamente simples e, por isso mesmo, extraordinariamente profundas, dando-nos certeza do quanto é bom ter amigos.

Além desses vídeos desejo compartilhar um belo texto escrito pelo Fernando Brengel sobre os meus 60 aninhos:

“60 anos! Mania da gente valorizar as décadas, mas como deixar de fazê-lo? Parece que a cada década sentimo-nos mais fortes, plenos, uma sensação de conquista da vida, do tempo, um lançar-se à eternidade. Algo que, no seu caso, ganha outro contorno. Afinal, você demonstra todos os dias o respeito e carinho pela vida. Dá graças não às décadas, mas a cada minuto que o faz melhor, mais criativo, exigente sim!, e por que não? Valoriza cada segundo que o torna mais sensível, feliz, mais Valdo do que nunca. Aproveite, porque nesses próximos dez anos virão muitos textos, amigos, viagens, amores, sorrisos e algumas necessárias dores. Porém, a existência o brindará com aquilo que você a comemora: você mesmo, que é tudo para nós que te amamos, que é muito para nós, amados por você. Bjs bro. Muitas felicidades hoje e sempre (Fernando Brengel).”

Penso que este texto do Brengel seja bastante representativo de todos os textos, desejos, afagos, preces, felicitações, congratulações, etc. recebidos. Milhões de agradecimentos e minha eterna gratidão.

Enquanto isso, minha amiga de infância, a Eulália, lá em Minas, continua com seus eternos 36 anos… É meu sincero desejo que ela continue assim, com a idade que quiser, sempre feliz. E desejo 60 milhões de anos felizes para todos os meus amigos, parentes, familiares.

Até!

Aniversário

(Os versos abaixo são do poema “Aniversário” – Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma…

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…

Atrás: (esquerda para direita) Hugo, Albino, José (filho), Felisbino, Laura, Ulisses, Isaura.  Meio: (Esquerda para direita, de pé) Valdonei, Waldênia, Walcenis, Dilma. Sentados: Olinda, Maria, José, Manoel. Os menores: Luiz Roberto (no colo), Walderez, Valdo, José Luiz
Atrás: (esquerda para direita) Hugo, Albino, José (filho), Felisbino, Laura, Ulisses, Isaura.
Meio: (Esquerda para direita, de pé) Valdonei, Waldênia, Walcenis, Dilma.
Sentados: Olinda, Maria, José, Manoel.
Os menores: Luiz Roberto (no colo), Walderez, Valdo, José Luiz

Que me perdoem os outros, pois há outros, mas quando entendi o conceito de “família” eu vivia com todos esses ai dessa preciosa foto. Haviam os parentes mais próximos, outros mais distantes. Ainda outros nasceram depois, ampliando o grupo. Mas foi por aí, nesse TEMPO, que entendi esses conceitos fundamentais da vida: pai, mãe, irmãos, avô, avó, tio, tia, primos. Só mesmo Fernando Pessoa para sintetizar o que sentimos em frase curta e extremamente verdadeira: “Eu era feliz e ninguém estava morto.” Agora sou feliz e reverencio todos os meus familiares.

Até mais!

Viagem ao Brasil

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Ao centro, Staden com as pernas amarradas.

Pura magia literária! Estamos no século XVI. O extenso litoral brasileiro é totalmente dominado pela mata atlântica e nele habitam diferentes grupos indígenas; aos milhares. São guerreiros e lutam bravamente contra os invasores europeus. Um branco consegue escapar vivo, sem ser devorado por antropófagos selvagens; é Hans Staden, o autor da narrativa das duas viagens que fez ao Brasil.

Ao longo de muito tempo li resenhas, resumos,  vi o filme ( produção de 1999) de Luiz Alberto Pereira e li pequenos trechos de “Duas Viagens ao Brasil” cujo título original, de 1557, é imenso:  “Descrição verdadeira de um país de selvagens nus, ferozes e canibais, situado no Novo Mundo América, desconhecido na terra de Hessen antes e depois do nascimento de Cristo, até que, há dois anos, Hans Staden, de Homberg, em Hessen, por sua própria experiência, o conheceu e agora a dá a luz pela segunda vez, diligentemente aumentada e melhorada”.

O livro é um dos primeiros sucessos de venda que se tem notícia, tendo sido publicado em diversos países e em diversos idiomas. A imensidão americana era novidade misteriosa e descrições farsescas e fantasiosas de viagens eram comuns. A viagem de Hans Staden foi real e o autor preocupa-se em dar veracidade ao relato. A grande atração do livro é ter sido o autor preso pelos índios Tupinambás que tinham por hábito, literalmente, assar os inimigos e devorá-los em cerimônias singulares. O grande valor literário está em que este é um dos primeiros relatos consideráveis de como era o Brasil em 1500.

O Guarujá era apenas a ilha de Santo Amaro e nela foi construído um forte. Deste Hans Staden foi artilheiro e saindo do mesmo em expedição de caça foi aprisionado pelos Tupinambás, inimigos dos portugueses, mas amigos dos franceses. Essa amizade com franceses denota o quanto a costa brasileira era frequentada por navios de diferentes procedências, principalmente das potências marítimas do período. Foi só pela ameaça de outros navegadores que Portugueses resolveram tomar posse definitiva das novas terras, criando a primeira vila, São Vicente, vizinha à ilha de Santo Amaro no hoje litoral paulista.

As descrições de Staden tornam a viagem emocionante; sabemos como eram as casas dos Tupinambás, temos noções precisas de como caçavam, como adoravam seus deuses… Situações que pareceriam absurdas ao observador comum ganham outro sentido na narrativa do autor alemão: as mulheres “ao catarem os piolhos uma de outra, vão os comendo. Perguntei-lhes muitas vezes porque assim faziam, e me responderam: – São nossos inimigos que nos comem a cabeça, e por isso nos vingamos deles”.

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Abaixo, detalhes do esquartejamento de um Carijó, executado pelos Tupinambás.

Nos pequenos detalhes há descobertas intrigantes. Os Tupinambás comem apenas inimigos. O autor nada diz sobre matar e comer mulheres ou crianças. Os índios vingavam-se do inimigo devorando o corpo do mesmo. Resta saber por que não fizeram o mesmo com o alemão. Há discussões intensas por aí.  No livro o autor quer fazer crer o leitor em sucessivas interferências divinas livrando-o da morte. Alguns críticos afirmam que nossos índios não se alimentavam de covardes e que as intensas orações de Staden, pedindo auxilio aos céus, podem ter sido interpretadas como fraqueza.

Gostei e recomendo a viagem (Obrigado, Waldenia, pelo presente!). A edição que ganhei é da editora Martin Claret e, além do texto integral, conta com reproduções das ilustrações originais que, por si, constituem-se em outro imenso atrativo.

Sorte nossa que Hans Staden não tenha se tornado refeição para os Tupinambás. Ganhamos não o herói, nem o abençoado por Deus que o texto quer induzir, mas sim, um retrato precioso de nosso país. O Brasil que temos não começou na atual gestão, nem na gestão da oposição. Fomos uma grande terra, povoada por vários grupos humanos. De repente, vieram invasores europeus e tudo mudou; chegamos aos dias atuais. No entanto, quanto mais desvendarmos o passado maiores possibilidades teremos de entender o presente e, quem sabe, possamos até pensar em um futuro melhor.

Até mais!

Quintana pra seguir em frente

Fazer o que, se a vida me ensinou a gostar de poesia? Ave, Mario Quintana! Obrigado pelo socorro na hora certa:

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Até mais!

Duas canções para Laura

aniverMAMA

Há canções que me levam para a infância; uma delas é “colcha de retalhos”; minha mãe enfrentando bravamente a dureza do dia a dia com música nos lábios. A voz de minha mãe é de soprano, bem suave e doce. Como a voz de Inhana que casa tão bem com os graves de Cascatinha.

Sussuarana é canção muito antiga. Traz de volta a Uberaba da minha infância, dos programas de rádio sempre na voz de Nhô Bernardino ou Jesus Manzano. Maria Bethânia e Nana Caymmi não cantaram nos programas de então; a interpretação de ambas remete à um Brasil tão antigo quanto perene, imutável, por mais que o tempo e o progresso avancem.

Duas canções para minha mãe. Para todas as mães. Laura, nossa mãe, ainda gosta de Cascatinha e Inhana e, com certeza, vai adorar as interpretações de Bethânia e Nana. Espero que outras mães, passando por aqui, recebam com ternura as canções que escolhi.

Até mais!

Gracias a la vida!

Há momentos em que se faz necessário buscar em outros aquilo que não conseguimos dizer. Violeta Parra criou e Mercedes Sosa imortalizou. Através de “Gracias a la vida” agradeço a todos por mais um momento inesquecível em minha vida.

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Palestra: O Homoerotismo na Literatura Brasileira. Saraiva, shopping Pátio Paulista

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Palestra na Saraiva e noite de autógrafos de “dois meninos – limbo”

Obrigado a todos!