O Troféu Nota 10 faz 15 anos. Pelo segundo ano tenho a honra de estar entre os jurados do premio oferecido pelo jornal Diário de São Paulo. 19 estatuetas serão destinadas aos melhores sambistas de São Paulo.
No Troféu Nota 10, julgarei alegoria. Na “minha mais fina companhia” estarão: Mauricio Lima (Bateria); Jose Alves de Oliveira Filho (Comissão de frente); Nanci Franggiotti (Enredo); Andre Toffani (Evolução); Thilda Ribeiro (Fantasia); Marcio Michalczuk (Harmonia); Neide Gomes (Interprete); Marizilda de Carvalho (Mestre-sala e porta-bandeira) e Luizinho SP (Samba-enredo).
Suplemento do Diário de São Paulo
Neste domingo, 3 de fevereiro, o Diário de São Paulo publicou o “Especial Carnaval 2013”. No suplemento todas as informações fundamentais para o carnaval de São Paulo. Além disso, em destaque, uma síntese de cada escola de samba, com fotos exclusivas das musas do carnaval; um primoroso trabalho produzido por Jussara Soares.
O Troféu Nota 10 já distribuiu 235 estatuetas para 20 escolas. Os 19 prêmios deste ano serão divulgados na edição do jornal do dia 12; a entrega será no dia 14, no Bar Brahma Aeroclube.
Estou feliz e agradecido aos produtores do Troféu Nota 10 pelo convite. Vamos fazer um lindo carnaval.
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Boa semana para todos!
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Obs. Quem gosta de samba sabe: “Na mais fina companhia” é parte de um verso de QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ do mestre Chico Buarque.
Com Lisa Yoko e Marta Marin, nesta sexta, na Vila Mariana.
Uma tarde tranquila na sexta-feira chuvosa com duas amigas muito queridas. Lá pelas tantas, a matemática levou-nos a computar quase trinta anos de amizade. A relação iniciada nos bancos da universidade só fez amadurecer sem perder a autenticidade, a espontaneidade, a capacidade de rir e chorar da própria vida. Uma grande e verdadeira amizade que dispensa encontros diários; todavia, cada momento de convivência é pleno em intensidade.
Obviamente dividimos tristezas, alegrias, frustrações, acertos, vitórias, perdas… Celebramos, sobretudo, a durabilidade e a profundidade do nosso afeto. Obviamente que sentado ao lado de duas gatas fiquei todo “pimpão”. Também dividi, com Lisa e Marta, a felicidade de ter muitos amigos de longa data. E pensei em comemorar essa longevidade neste post, onde reverenciarei prioritariamente aqueles com os quais ostento mais de duas, três, quatro décadas de amizade.
Vania Maria Lourenço Sanches e Márcia Lorenzoni
Lá do Rio de Janeiro, Vânia e Marcinha. Nada é descartável quando a distância é mera geografia.
Eulália Cristina Afonso, Alair Celso, Angélica Leutwiller e Nei Rozeira
Eulália, sendo minha amiga há mais de trinta anos, continua com 25 de idade… Alair transita pela poesia e Angélica pelo canto. Nei está no litoral, mas comigo todo dia pelo Facebook.
Com Sonia Kavantan e Marise de Chirico
Não há nada melhor do que estar feliz com Sonia e Marise. Afeto pouco é bobagem, logo a gente esbanja carinho, aqui fixando momentos especiais.
Fátima Borges, Octavio Cariello e Agostinho Hermes dos Reis.
Quando eu era criancinha, lá em Minas, Fafá estava comigo. Em São Paulo, Octávio está comigo o tempo todo. Quando em Uberaba, divido o tempo com o Gugu. Ou seja…
Treze pessoas! Todos meus amigos há mais de 25 anos! Se essas fotos falassem! Se fosse possível computar tanta afeição!
Constato, com orgulho e felicidade, que tenho muitos outros amigos; alguns há mais tempo, outros que vieram depois; todos somando em minha vida. Nesse mundo do descartável cabe celebrar a longevidade, a fé no afeto possível. O que resta dizer? – Viva nóis! Viva tudo! Viva o Chico barrigudo!
Nos momentos mais difíceis resta-nos o silêncio e a prece. Diante da impossibilidade do entendimento, da compreensão e da aceitação do que muitos denominam destino, resta-nos o consolo da mãe maior.
Ave Maria Cremos em vós Virgem Maria Rogai por nós Ouve as preces, murmúrios de luz Que aos céus ascendem e o vento conduz Conduz a vós Virgem Maria Rogai por nós. (1)
Amigos, parentes, irmãos, pais, mães… Por todos os que ficaram, por todos os que se foram, cabe-nos pedir em oração:
Maria de todas as vidas Maria de todas as horas Maria nossa senhora Mãe do menino Jesus Cuida de tudo Que tudo é teu! (2)
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Uma semana de paz, para todos!
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Notas:
1 – Ave Maria – Vicente Paiva e Jayme Redondo 2 – Ladainha de Santo Amaro – Mabel Veloso
São Paulo é a segunda cidade de milhões de pessoas que migraram, como eu, em busca de uma vida melhor. E, de “segunda cidade” passa a ser a primeira no coração de toda essa gente. Eu, pelo menos, não consigo pensar minha vida fora de São Paulo e sei de muitos migrantes que também pensam assim. É um sentimento às vezes carregado de culpa quando se coloca a cidade onde nascemos (Uberaba, meu amor!) em segundo plano.
Pra quem vem do Triangulo Mineiro, o Pico do Jaraguá anuncia São Paulo.
Foi complicado conhecer São Paulo, entender a cidade. Foi difícil aceitar que Santo André, São Caetano, fossem outras cidades. Todas próximas, sem fronteiras visíveis, sem os campos que separam as cidades da minha Minas Gerais. Os primeiros foram tempos de aventura, com dificuldades, descobertas estranhas: Uma mesma rua, por exemplo, a Rua Augusta, muda de nome quatro vezes! Tive, naquele período, algumas alegrias e muita saudade.
Augusta,
Graças a Deus,
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Meu primeiro endereço foi a Avenida Paulista. Contei minha chegada, detalhadamente aqui (é só clicar!). Estava perto da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, avenida por onde passo todos os dias já que moro em uma travessa da mesma. Todavia, naquela época, durante o dia eu procurava emprego e, entre uma caminhada e outra, ia conhecendo a cidade onde, um dia, havia sido turista.
Augusta, que saudade,
Você era vaidosa,
Que saudade,
E gastava o meu dinheiro
Que saudade,
Com roupas importadas
E outras bobagens.
O primeiro trabalho foi em uma empresa que fica na Rua Abdo Chaim, uma paralela da Rua 25 de Março. Desde então mantive minha definição para o que via por lá: a imensa capacidade humana de criar objetos obsoletos. De dia trabalhava como auditor. Saia da empresa sempre correndo – aprendi rapidamente a andar como paulistano, às pressas! – para ir ensaiar peças teatrais. Nos finais de semana cantava em botecos. Foi em uma tarde, no trabalho, que ouvi pelo rádio, sem acreditar, que Elis Regina estava morta.
Tom Zé, migrante apaixonado por São Paulo, autor dos versos que colocam poesia neste post
Bom ser jovem. Eu vivia comendo salgados feito por chineses, descobri o pastel de feira, o caldo de cana, milho verde em cumbuca, e, volta e meia, tomava refeição dentro de um vagão lotado do trem suburbano. Via grandes ratos transitando pelo parque D. Pedro e presenciei três assaltos em um único momento, na fila aguardando o ônibus. Dormia três, quatro horas por noite, alimentando-me mal, valendo-me da saúde obtida na vida tranquila de Uberaba.
Angélica, que maldade
Você sempre me deu bolo,
Que maldade,
E até andava com a roupa,
Que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica.
Meu primeiro apartamento ficava “nos fundos” do Mosteiro de São Bento. Tinha todas as horas marcadas pelos sinos, com uma musicalidade sóbria, grave e, simultaneamente suave. Minhas sessões religiosas aconteciam ao som do canto gregoriano dos frades beneditinos. Após grandes viravoltas, o segundo apartamento foi no bairro da Liberdade, onde aprendi a gostar de sushi, temaki, sashimi entre tantas outras comidas japonesas.
Antes de parar na Bela Vista contabilizei mais moradias que anos de vida. Vila Mariana, Higienópolis, Ipiranga, Cerqueira César… Fui atropelado, fui assaltado… Um batismo no folclore da grande metrópole.
Quando eu vi
Que o Largo dos Aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na Estação da Luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.
Das lembranças todas suscitadas em datas como a do aniversário da cidade, gosto de comemorar a imensa galeria de amigos. De todos os matizes, raças, origens… De agradecer pela carreira profissional múltipla, a cidade permitindo-me realizações concretas no magistério, no teatro, no jornalismo, nas artes plásticas, nas letras…
Quantas histórias similares a esta. Quantos milhões de pessoas beneficiadas pela graça do Santo, São Paulo, que nunca castigou-me por ser Palmeirense. Há mais de 30 anos por aqui, trago Uberaba no meu peito; sou Minas Gerais. Jamais abdicarei disso por crer que esta é uma condição essencial para perceber e agradecer aos céus tudo o que,como migrante, tenho recebido em São Paulo. Dia 25 sempre foi, no meu entendimento, dia pra comemorar e agradecer.
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Parabéns, minha capital querida!
Obrigado, São Paulo!
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Notas:
1 – O título deste post é o primeiro verso do poema “Inspiração”, de MÁRIO DE ANDRADE in Paulicéia Desvairada.
2 – Os versos que intercalam o texto são da música de TOM ZÉ (Augusta, Angélica e Consolação), onde o compositor sintetiza a alma de três, das principais avenidas da capital. Para ouvir a canção, clique aqui.
Hoje recebi uma solicitação com cheiro de ameaça, de recriminação. Algo tipo “quero só ver até quando você deixará de opinar sobre o BBB”. Revidei, quase asperamente, que meu silêncio sobre o tema já é uma tomada de posição. E pensei em repetir as ladainhas costumeiras tipo “desligue a televisão”, “mude de canal” e etc.. O poeta José Régio,que admiro, escreveu: “só vou por onde me levam os meus próprios passos…”. Portanto, posso começar pedindo para que deixem o BBB em paz.
Para criticar um “reality show” o correto é estabelecer um padrão (do que seja um bom programa desse tipo), ou buscar uma base que sustente comparações. Sabemos que um programa é ruim, porque temos noção do que seja um programa bom. No caso do BBB, me parece que a Rede Globo dá de dez a zero na concorrência e até na matriz, de onde veio o programa. Ou seja: o programa é bem feito, bem editado, bem comercializado, bem apresentado e, evidente, cheio de gente bonita.
Se tecnicamente o programa é bem feito, resta ir buscar o motivo de tantas críticas. Parece que o conteúdo e o comportamento, expresso pelos participantes concorrentes, seja o maior problema. Aqui cabe lembrar alguns versos de Caetano Veloso:
Quando eu te encarei frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho…
Acontece – e está aqui o maior problema – que o programa é espelho sim. Um perturbador espelho de um tipo de jovem que anda por aí. Os participantes buscam de tal forma o prazer que só não são totalmente hedonistas por enfrentarem provas que provocam desconforto e não são, nem um pouco, prazerosas. Até parece que nossos jovens, fora dos espaços televisivos não saem, vorazes, buscando prazer a qualquer custo…
O que vemos é algo muito semelhante a nós mesmos.
Pelo programa já passou gente de todo tipo. Semianalfabetos, alfabetizados, ricos, pobres, bonitos, feios, certinhos, desbocados, comportados, irresponsáveis… Jovens exatamente iguais aos que encontramos por aí. Nem mais, nem menos. E sendo eles mesmos concorrem ao grande prêmio que será conquistado após festas, namoros, algumas brigas, banhos de piscina, sessões de ginástica…, enfim, muito prazer e vida boa.
O indivíduo denominado BBB poderia estar entre as pessoas das relações de qualquer um de nós: irmão, sobrinho, filho, amigo, conhecido… Essa proximidade, essa semelhança, está entre o que incomoda aos críticos ferrenhos do programa?
Os concorrentes do BBB participam de festas, ganham carros e, entre outros, o prêmio máximo, “sem fazer nada”. E há um montão de outros, aqui de fora, que também não fazem nada, exceto críticas ferrenhas, às vezes indelicadas. Resta perguntar, para cada crítico do programa, quais ações pessoais cotidianas estão sendo realizadas. Certamente leem livros, muitos livros. Nunca bebem, pois estão sempre nos cultos religiosos esperando o casamento para realizar atos sexuais para procriação. Trabalham, nas horas vagas, em asilos, orfanatos e, enfim, jamais assistem ao BBB porque desligam a TV, ou mudam de canal. É isso?
A semana está começando. Gente comum pode sonhar com a loteria. Gente jovem e bonita sonha em participar do BBB. Uns poucos estão lá e um sairá com uma bela grana. Todos os que não estão no programa podem fazer um milhão de outras coisas, inclusive ver televisão. Certo que continuarão as críticas; mas, qual a base? Qual o padrão comparativo? O que fazemos, realmente, no nosso cotidiano que nos torna diferentes de um BBB?
O novo Maracanã estará em funcionamento já neste ano.
Prestem atenção na data da notícia abaixo. Foi em janeiro de 2012!
“04/01/2012 18h13 – Seis municípios decretam situação de emergência, diz Defesa Civil do RJ – Em Itaperuna, a BR-356, foi interditada e o hospital da cidade está alagado. Em Italva, bancos e hospitais estão interditados.” (Reveja toda a notícia clicando aqui.)
Não colocarei nenhum link para os problemas da chuva, neste janeiro de 2013. Basta ver os noticiários na tv, os jornais, a internet. Vamos atentar para onde é que anda parte do dinheiro público neste janeiro de 2013:
“Estádios da Copa do Mundo já estão 62% mais caros que o previsto – 02 de Janeiro de 2013 • 16h47 – O valor para a construção e reforma das arenas que serão utilizadas na Copa do Mundo de 2014 já está 62% mais caro que o previsto em 2010, quando foi assinada a primeira matriz de responsabilidade. Durante as obras, o custo subiu de R$ 5,3 bilhões, para R$ 8,7 bilhões, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do governo federal. (Veja aqui a notícia completa.)
Ou seja, é simples! Vamos transferir a Copa do Mundo para a baixada fluminense. A FIFA vem, exige a infraestrutura necessária e teremos brasileiros com uma vida mais digna.
Uma questão de escolhas; de estabelecer prioridades! Ou não?
Os lírios da paz, presente da amiga Lisa, enfeitam minha casa.
Lírios da paz são plantas de fácil cultivo. Um pouquinho de terra, água, sol e a plantinha nos presenteia com flores durante todo o ano. Mais uma passagem de ano e a palavra paz sendo incalculavelmente pronunciada. Como a plantinha, carecemos de outras coisas para que tenhamos paz. Pra não ficar uma idéia vaga, cabe lembrar que…
Sem saúde, não há paz! Não há a possibilidade de sossego sem trabalho, sem dinheiro. Um amorzinho bem delícia, então, nem se fala! Tudo isso e mais um montão de outras coisas que nos propiciam paz, tranquilidade é o necessário. O fundamentalmente necessário. Portanto, ao desejar paz para alguém, estejamos cientes que queremos tudo o que há de bom nesse planeta para nossos familiares, amigos, conhecidos… e os outros, todos os outros seres do planeta. Nossa paz depende muito desses outros! Assim, paz para todo mundo.