O Inventor de Histórias

Terceiro dos cinco textos do projeto Arte na Comunidade 2 que estou publicando neste blog, “O Inventor de Histórias” faz referências e singela homenagem a Monte Alegre de Minas. O intérprete da história foi MARCELO RIBAS e as imagens são de THANERESSA LIMA e do meu arquivo pessoal.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, peço a gentileza da citação da origem.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 foi patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e contou com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata.

O Inventor de Histórias

Original de Valdo Resende

MÚSICA SUAVE. O CONTADOR ENTRA EMPURRANDO SUA MALA-BIBLIOTECA MANUSEANDO UMA MATRACA ENQUANTO PREPARA O AMBIENTE PARA CONTAR SUAS HISTÓRIAS. ABRE A MALA PARA SI, PROCURANDO OCULTAR O INTERIOR DA MESMA. TOCA A MATRACA E PARA, ABRUPTAMENTE, TIRANDO DA CAIXA UM “COLAR” COM DIFERENTES NARIZES.

 

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas e sua coleção de narizes em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

– Ah, olá! Todos estão bem? Olhem o que achei hoje nos meus guardados. Parte da minha pequena coleção de narizes. Eu coleciono Narizes! Esse aqui, por exemplo, é de Cyrano de Bergerac, um cara muito feio, mas muito feio mesmo! Escondia-se da moça que amava, com vergonha do nariz, mas conquistou a moça com poesia. Poesia! (pega outro nariz, de palhaço) Este seria um simples nariz de palhaço, não tivesse pertencido ao Arrelia, o melhor palhaço de todos os tempos. E este (pegando um terceiro, enorme) é o de Pinóquio. O boneco que virou menino, de quem todos sabem a história. Esse nariz bem que poderia ter sido de Alfredo, um garoto meu amigo, que conheci quando estive não faz muito tempo, em Monte Alegre de Minas.

(VOLTA A MÚSICA)

Senhoras e senhores, meninas e meninos de Monte Alegre! (PARA DE TOCAR A MATRACA E FAZ MESURAS, ENQUANTO PROSSEGUE A AUTOAPRESENTAÇÃO) Meu nome é Murilo Rosa Dourado! Obrigado pela simpática acolhida! Estou feliz com a atenção e o carinho de todos. Com grande prazer quero apresentar a vocês a verdadeira fortuna de um ser humano: uma biblioteca! (PEGA UM LIVRO DE AVENTURAS) Com Júlio Verne percorri as Vinte Mil Léguas Submarinas e após descansar com Monteiro Lobato (MOSTRA O SEGUNDO LIVRO) no Sítio do Pica-pau Amarelo voltei para minhas queridas viagens, dando a volta ao mundo em oitenta dias. Conheço todos os grandes heróis (SEMPRE MOSTRANDO LIVROS): Ulysses, Robin Wood, Batman e Macunaíma! E é, claro, nosso pequeno Alfredo. Aquele que poderia ter recebido o nariz de Pinóquio, mas não por mentir, por inventar histórias!

Detalhe da Praça Nicanor Parreira. Arquivo pessoal.
Detalhe da Praça Nicanor Parreira. Arquivo pessoal.

Imaginem o menino Alfredo, no coreto da Praça Nicanor Parreira, encarando toda a cidade. Veio de casa já vestido de índio e foi contando esse fato: (IMITANDO O MENINO, CONTA RAPIDAMENTE) “- Sou um Índio Tupi, irmão de Mani, a menina que tinha a pele mais branca de toda a tribo. Mani era uma menina feliz, mas ficou doente. O pajé não curou, nenhum ritual curou e, para tristeza de todos, Mani veio a falecer. Meus pais resolveram enterrar minha irmãzinha dentro da oca; passado alguns dias, a cova sendo regada a lágrimas, nasceu uma planta. A raiz da planta era marrom por fora e branquinha, muito branquinha por dentro, como Mani. Os índios da nossa tribo passaram a usar a raiz para fazer farinha. A raiz branquinha é a nossa mandioca, uma junção de Mani – minha irmãzinha – com oca, a nossa casa.”

O pessoal ficou olhando Alfredo e, lógico, duvidaram do menino, dizendo-se irmão de Mani “- Isso é mentira! Que mentiroso” é o que murmuravam. E o menino, com toda convicção do mundo respondeu: “- Eu afirmo que é verdade!”. O mestre de cerimônias, que estava conduzindo a apresentação, percebendo que Alfredo estava contando uma lenda como se fosse história dele, resolveu ver até onde o menino chegaria, perguntando: “- Pois então, senhor Índio Tupi, irmão de Mani; e agora, hoje, onde o senhor mora?” Alfredo, não titubeou! “- Eu moro no poço sem fundo!”

A biblioteca ambulante. Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima. (divulgação)
A biblioteca ambulante. Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima. (divulgação)

A praça caiu na gargalhada com a mentira do menino, que assegurou a todos: “- Eu afirmo que é verdade!”. Como que alguém pode morar em um poço onde nunca foi encontrado o fundo? Que mentira! E Alfredo, ali, sempre com convicção: “- Eu afirmo que é verdade!”. O mestre de cerimônias exigiu: – Você pode nos explicar como é isso, Sr. Alfredo?” E o menino: “- Alfredo, não, homem branco. Sou Quati, irmão de Mani.” Quati é um bichinho, parente do guaxinim, que tem um narigão! Quati! Como alguém pode se chamar Quati? “- Quati afirma que é verdade!”. Pois o Alfredo, digo, Quati, continuou sua história:

Detalhe do monumento em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai. Foto arquivo pessoal.
Detalhe do museu em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai. Foto arquivo pessoal.

“Há muito tempo vieram parar nessas terras muitos soldados. Vinham da guerra e estavam muito doentes. Era a bexiga. Mais tenebrosa que arma de guerra, a doença matou dezenas de soldados”. E o mestre, alimentando a história: “- Então, Quati viu os soldados da Retirada da Laguna, durante a guerra do Paraguai quando passaram por aqui?”. Alguém do público não se aguentou, falando baixinho, “- Que mentira” e antes de responder ao mestre, Quati, olhando para o dito cujo: “- Quati afirma que é verdade! Vi todos eles. Um por um e não peguei a doença porque sou protegido de Tupã. Mas muita gente da tribo foi infestada por doença de branco. Não podíamos ficar por aqui. Passou o tempo, acabou a guerra, e o homem branco foi tomando posse da terra, transformando mata em lavoura. A caça ficou escassa. O povo de Quati teve que buscar proteção, moradia em outro lugar”. A plateia era puro riso e burburinho. Que mentira! Aquilo era uma festa do folclore e não um festival de mentira. E Alfredo, mantendo a fé:  “- Quati afirma que é verdade!”.

O cemitério onde enterraram soldados vitimados pela varíola. Parte do monumento em memória à Retirada de Laguna. Foto arquivo pessoal.
O cemitério onde enterraram soldados vitimados pela varíola. Parte do monumento em memória à Retirada da Laguna. Foto arquivo pessoal.

“- Meu caro Quati, disse o apresentador da festa, como a tribo se protege da invasão do homem branco? Não seria melhor conviver? Onde seus irmãos foram morar?” E o menino: “- Estamos na floresta, que o homem branco pensa ser amaldiçoada! Somos nós que iluminamos a mata, para fazer que o homem branco pense em fantasmas, almas penadas. Assim ficam longe da floresta que nos resta e assim nos deixam em paz”.  Um menino gaiato, amigo de Alfredo, não se conteve: “- Escuta aqui, Quati, vocês usam lanterna ou luz elétrica na floresta?” E Quati, sério: “- Usamos tochas, pequeno bacuri. Apenas tochas!”.

Aos poucos, a plateia foi rendendo-se à história de Quati, quer dizer, de Alfredo, ou é de Quati? Bom, a história de Quati contada por Alfredo, reunindo algumas das mais gostosas histórias de Monte Alegre em uma única história. Do poço sem fundo, das luzes na floresta assombrada… e até histórias reais, como a passagem dos soldados na Guerra do Paraguai. Uma boa história, a gente sabe, tem que ter lógica. Não pode ser assim, sem pé nem cabeça. Tem que ter começo, meio, fim. E foi buscando toda a lógica da história de Quati, que uma pergunta se fez necessária: “Quati, onde fica o poço sem fundo? Ninguém mais diz onde ele está!” O menino, em tom de confidência, contou: “- Fica no meio, bem no meio da floresta amaldiçoada”. E em tom ameaçador: “E não adianta procurar que ninguém achará esse poço. Só pode ver quem é da família de Quati. E para evitar que alguém descubra, nunca entramos pelo poço, mas por outras entradas que há na região.”

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

Como? Então há outras entradas para o poço sem fundo? “- Quati afirma que é verdade!”. Segundo narrou Quati, essas entradas ficam em uma das cachoeiras do município. Pode ser a Cachoeira do Rio Piedade, a Esperança, ou a cachoeira da Usina Velha no Rio Babilônia. Por trás da queda d’água fica a entrada que conduz ao acampamento da família de Quati.

 

Acontece que revelando o segredo, Quati colocava a família em apuros. É claro que todo mundo iria tentar encontrar os índios que iluminam a floresta nas noites escuras, sem lua. Muita gente iria atrás desse poço, desses índios, saber como é que vivem lá, distantes de todos. Houve até quem propôs irem todos imediatamente. “- Nunca!” Gritou Quati, ameaçador! “-Nosso segredo está garantido e ninguém, nunca, encontrará o poço, nem chegará perto das luzes da floresta! Nem mesmo as almas penadas que vagam por essa cidade. Ninguém! Adeus! Vocês nunca mais encontrarão Quati!” E Quati, jogando uma bomba de fumaça, desapareceu do palco na frente de todos.

Quati saiu do coreto e nunca mais voltou. Quem voltou, rapidamente, já sem as roupas de indiozinho foi o Alfredo. Imenso aplauso ecoou por toda a praça Nicanor Parreira. Sem dúvida aquela era a melhor história contada na praça. Alfredo era justo merecedor do grande prêmio para contadores de histórias. Alguém, entre brincalhão e invejoso, não se aguentou: “Como esse Alfredo conta mentira! Merecia um nariz de Pinóquio!” E é claro, que Alfredo respondeu: “- Eu afirmo que é verdade!”.

 

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

(O CONTADOR TOCA A MATRACA E ENCERRA SUA APRESENTAÇÃO COM UM AGRADECIMENTO. VOLTA A MEXER NOS LIVROS, ANTES DE CONTINUAR SEU TRABALHO).

A Batalha do Conhecimento

“A batalha do conhecimento” é o segundo dos cinco textos do projeto Arte na Comunidade 2 que estou publicando neste blog. A segunda cidade, aqui o critério é alfabético, é Ituiutaba. “A batalha do conhecimento” foi interpretado por RONAN VAZ. As imagens são de THANERESSA LIMA e do meu arquivo pessoal.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, peço a gentileza da citação da origem.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 foi patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e contou com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata.

A Batalha do Conhecimento

Original de  Valdo Resende

O CONTADOR ENTRA EMPURRANDO SUA MALA-BIBLIOTECA. DESTA SAI O SOM ALEGRE DE BATIDAS DE TAMBORES. TOCA UM “TAMBOR DE CONGADA” ENQUANTO PREPARA O AMBIENTE PARA CONTAR SUAS HISTÓRIAS. BATE NO TAMBOR E DIZ, APRESENTANDO UMA BANDEIRA DE CONGADA, COM A IMAGEM DOS DOIS SANTOS.

ITUIUTABA 1
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

– Salve São Benedito! Salve! Nossa Senhora do Rosário que Abençoe a todos nós! (PEGA UM BANQUINHO E SENTANDO-SE NO MESMO, PROSSEGUE) Não custa nada pedir proteção aos santos. Nada mesmo! E a gente nunca sabe o que vai acontecer logo ali, não é mesmo? Há muitas formas de pedir proteção e cada pessoa pede para quem acha que deve. Mas que ninguém nunca deixe de contar com a proteção do alto!

ITUIUTABA 2
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

(BENZE-SE E ACOMODA A BANDEIRA)

Senhoras e senhores, meninas e meninos de Ituiutaba! (TOCA O TAMBOR E FAZ MESURAS, ENQUANTO FAZ A AUTOAPRESENTAÇÃO) Meu nome é Autran Guimarães Cardoso! Muito Prazer! Estou agradecido pela carinhosa recepção. Quero, prioritariamente, apresentar a todos vocês o melhor lugar do mundo: Minha biblioteca! (PEGA UM LIVRO DE HISTÓRIA) Sou descendente direto de Chico Rei e guardo toda a história dos nossos antepassados que vieram do Congo! (PEGA OUTRO LIVRO) Conheço e posso contar a história de nossas tribos; suas lendas, seus costumes…  Construo com minha imaginação aquilo que está só nas entrelinhas da história e por isso naveguei com o capitão Gancho e seus piratas, lutei ao lado de Robin Wood e descobri os mistérios das escolas de Harry Potter! (PEGA MAIS UM LIVRO)… Neste livro aqui aprendo coisas, sobre quase tudo! Até sobre… Leite!

(APONTA PARA O LITRO DE LEITE; FOLHEIA O LIVRO, ANTES DE PROSSEGUIR)

ITUIUTABA 5
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

Para os nossos queridos professores o leite é um líquido branco, opaco, segregado pelas glândulas mamárias da fêmea dos mamíferos!(FAZ EXPRESSÕES DE ESTRANHAMENTO E PROSSEGUE). Para a grande maioria o leite é o líquido mágico que se transforma em… (BATE O TAMBOR) Pudim de leite! Chocolate ao leite! Doce de leite! Iogurte e Queijo! Ah! Muitos queijos! Prato, brie, camembert, muçarela, provolone, gorgonzola, roquefort, mascarpone, ricota, gruyére, parmesão e o mais querido, o mais amado, o mais gostoso: o queijo mineiro!

Aprendi tudo sobre queijos com um menino de Ituiutaba, o Camilo! Camilo! Um menino esperto, inteligente! Nunca teve uma vaquinha, mas sabia de leite porque colocou na cabeça que ia saber tudo de Ituiutaba. Se o leite é historicamente um dos principais produtos da cidade, Camilo sabe tudo sobre leite e seus derivados. E sabe também sobre arroz, sobre cana! Cana de açúcar! Cana de cadeia, não sei se sabe; cana de cachaça, acho que não, não sei. O certo é que Camilo sabia tudo de Ituiutaba e foi dele que ganhei esse tambor de congada, feito especialmente para celebrar a festa na cidade (BRINCA DE DANÇAR A CONGADA). Camilo é apaixonado pela cidade onde nasceu.

Camilo estudava na Escola Estadual João Pinheiro quando a professora, Dona Marília, inventou de fazer uma batalha dentro da sala. Uma batalha de conhecimento! A sala foi dividida em cinco grupos que deveriam estudar tudo sobre a cidade: geografia, história, folclore, economia, enfim, tudo! Em dia marcado pela professora os alunos passariam por uma batalha oral. Quando uma equipe não soubesse, aquele que acertasse ganharia os pontos. E o melhor, a equipe vencedora iria ganhar um monte de prêmios: Doces, livros, brinquedos e o prêmio maior: um final de semana inteirinho hospedados na fazenda Haras Barreiro, curtindo as belezas do maravilhoso museu da família Drummond.

Ninguém duvidava que Camilo fosse peça fundamental para a vitória de sua equipe. O menino sabia tudo e certamente sairiam vencedores, exceto por um problema. Um problema! Um único e seriíssimo problema (O ATOR DIRÁ GAGUEJANDO TODA A PRÓXIMA FRASE). Ca-mi-lo  e-ra  ga-go. To-tal-men-te  ga-go.  Ga-go!

Essa era uma grande preocupação do grupo de Camilo. A professora colocou como regra o tempo de 15 segundos para cada resposta. Imagine só! 15 segundos para Camilo responder, por exemplo, o que aconteceu de triste para a cidade em novembro de 1938? Marquem o tempo! (FINGE SER O MENINO E GAGUEJANDO, RESPONDE:) – No di-a 31 de ou-tu-bro de 1-9-3-8 um  vi-o-len-to  in-cên-dio  des-troi a Ma-triz de São Jo-sé!

A Matriz de São José, restaurada, é um dos pontos turísticos da cidade
A Matriz de São José, restaurada, é um dos pontos turísticos da cidade

O mais preocupado e apreensivo era o próprio Camilo. Tinha vergonha de gaguejar. Alguns colegas riam, outros pediam que respondesse depressa; o que o deixava mais gago ainda. Em casa, deixou de comer e começou a dormir mal. Quanto mais se aproximava o dia da batalha, mais o menino se angustiava. Com muito custo Dona Tereza, a mamãe do Camilo, conseguiu que ele falasse o que estava acontecendo. Muito custo mesmo! Gaguejando, Camilo levou mais de uma hora pra contar tudo! (IMITA O MENINO). – Va-mos ter u-ma ba-ta-lha de co-nhe-ci-men-to na es-co-la e eu es-tou com medo de falar na frente dos meninos! E chorou copiosamente no colo da mãe.

Dona Tereza, a mãe, foi falar com Dona Marília, a professora. (IMITANDO A MÃE) “Escuta aqui, Dona Marília, meu filhinho Camilo está sofrendo muito com receio de falar na frente da sala. Falar, não! De gaguejar!” A professora, antenada com tudo que há de bom nesse mundo, respondeu: “Não posso excluir o Camilo, minha senhora. A participação de todos é um fator preponderante na nossa escola…”

Aquele lero-lero não convenceu a mãe do menino, preocupada em proteger o garoto. E o dia da batalha chegando. Camilo, mesmo com medo de ga-gue-jar na fren-te dos co-le-gas, estudava mais e mais. Aprendia mais sobre os Rios Grande e Paranaíba, sobre os ribeirões São Lourenço e São Vicente e gostava especialmente de ler sobre os índios caiapós, tupis-guaranis, aratus… Estudou tudo do rio Tejuco! Seu potencial hidrelétrico e as possibilidades de melhorias na transformação regional. De vez em quando se imaginava na frente dos colegas. Na cabeça do menino a professora perguntava e a resposta vinha, fácil, fluente! (IMITANDO PROFESSORA E ALUNO). “- Camilo, quais são nossos municípios limítrofes?” e o menino: “- Gurinhatã, Ipiaçú, Capinópolis, Canápolis, Santa Vitória, Monte Alegre de Minas, Prata e (GAGUEJANDO) Cam-pi-na Ver-de (CHORA NO FINAL, COMO SE FOSSE O GAROTO)”.

(O ATOR BATE O TAMBOR DA CONGADA, RETOMANDO A CENA)

Chegou o grande dia! O dia da grande batalha do conhecimento. Quem sabe mais sobre Ituiutaba? Antes de sair de casa, Camilo tremia como se a batalha fosse de espadas, bombas atômicas; Dona Tereza, concordando com as atitudes da professora, sabia que o filho precisava de estímulo e antes que o menino saísse de casa, lembrou-lhe: (IMITA A MÃE) “- Meu filho, Winston Churchill, o grande estadista inglês gaguejava, assim como o cientista Charles Darwin! Isaac Newton gaguejava também! Vai lá e mostre o que você sabe. Gaguejando ou não!”

ITUIUTABA 4
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

A batalha foi emocionante. A sala de Dona Marília virou um grande campo onde o conhecimento era a principal arma. O grupo de Camilo foi derrotando os demais por um estratagema simples: quando a professora fazia uma pergunta para outro grupo, Camilo gaguejava, quer dizer, respondia para os colegas de sua equipe. Assim, os adversários não sabendo a resposta, era a equipe de Camilo a primeira a levantar a mão e a responder corretamente!.

Acontece que a professora exigiu, pelo regulamento, um rodízio dos alunos respondentes. Assim, na última pergunta, não teve como. Camilo teria que dar a resposta perante a sala ou sua equipe perderia. Grande tensão! Grande expectativa! Camilo tremia, ameaçava cair no choro quando dona Tereza lascou a pergunta: – Camilo, qual o significado de ITUIUTABA? Quinze segundos! Silêncio mortal e o nosso querido gaguinho não pestanejou:

(IMITANDO O GAROTO)

“-I, I, I, I, I rio. Tuiu, tuiu, tuiu, tu-iu… tijuco. Ta-ba, ta-ba, ta-ba, al-deia, ci-da-de.” A sala permaneceu muda e Camilo, vitorioso, respirou fundo e repetiu: (SEM GAGUEJAR): “ –  I – TUIU-TABA. Cidade do Rio Tejuco!” (O ATOR FAZ GRANDE COMEMORAÇÃO). Camilo é o maior! Camilo é o maior, Camilo é o maior!

Naquele dia, Dona Marília ensinou a maior lição que toda e qualquer pessoa deve saber: não há limite para o conhecimento. Não há limites para quem estuda e aplica aquilo que sabe, independendo de quais características a natureza deu ao indivíduo.

ITUIUTABA 3
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

(O CONTADOR ENCERRA SUA APRESENTAÇÃO COM UM AGRADECIMENTO. FECHA A SUA MALA BIBLIOTECA E SAI DE CENA).

Monte Alegre de Minas e Canápolis Recebem Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 2

CONHEÇA A PROGRAMAÇÃO DE ENCERRAMENTO DO PROJETO ARTE NA COMUNIDADE 2:

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Ronan Vaz e Marcelo Ribas em “Histórias do Pontal de Minas”, foto by Thaneressa Lima

MONTE ALEGRE DE MINAS

Conheça as atrações do dia 5 de setembro sexta, às 18h00, na Praça Nicanor Parreira, em Monte Alegre de Minas.

Apresentação da Banda Municipal Maestro Victal Reis, sob a regência do Maestro Leonardo Reis, e da dupla Zé Bicho de Pé e Diva Bela.

Espetáculos
A peça “Histórias do Pontal de Minas”, de Valdo Resende, foi criada exclusivamente para compor o projeto Arte na comunidade 2. É o próprio autor quem dirige os atores José Luiz Filho, Marcelo Ribas e Ronan Vaz e a atriz Lilia Pitta.
“Balaio Popular”, do Grupontapé de Uberlândia, mostra as tradições populares e a religiosidade com enfoque no universo mineiro.

CANÁPOLIS

Em Canápolis, dia 7, domingo, às 16h00, na Praça 14 de Julho, uma tarde divertida, cheia de arte e histórias. Conheça a programação:

Apresentações de artistas locais: 
Roda de Capoeira
Banda Municipal José Alexandre da Silva
Dança: “Minha 1º Valsa” e “A Boneca Encantada” – 2º colocada no 14º DANÇARAXÁ (Araxá/ MG), com os alunos da Oficina de Ballet da Casa de Cultura

Espetáculos
A peça “Histórias do Pontal de Minas”, de Valdo Resende,  criada exclusivamente para compor o projeto Arte na comunidade 2. É o próprio autor quem dirige os atores José Luiz Filho, Marcelo Ribas, Ronan Vaz e Lilia Pitta.
Já “A História da Menina que Falava Muito e…” descobrimos com Falância – uma menina de nove anos como outra qualquer, com seus sonhos, vontades e uma energia típica dessa faixa etária e que não gosta de estudar – a importância da leitura e da busca pelo conhecimento.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 é patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com o apoio das Prefeituras de Canápolis, Monte Alegre, Ituiutaba e de Prata. Para mais informações, acesse a página no Facebook http://facebook.com/artenacomunidade e fique por dentro de toda a programação.

 

Aguardamos todos vocês!

Histórias do Pontal de Minas

O projeto ARTE NA COMUNIDADE 2, após realizar ações nas escolas dos municípios de Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata, está em fase final. A conclusão das atividades será através de Mostra Teatral que percorrerá os quatro municípios mineiros; das atrações constam a participação de grupos de Belo Horizonte, Uberlândia, além de artistas das cidades envolvidas.

O primeiro evento será no Prata. Na programação a peça “Histórias do Pontal de Minas”, com atores participantes do ARTE NA COMUNIDADE 2, o show “Concerto em Ré” do Grupo Maria Cutia, de Belo Horizonte, mais apresentações de artistas da cidade e sorteio de prêmios. Buscando incentivar novos talentos, também serão apresentados os trabalhos realizados pelos estudantes das escolas durante as atividades de contação de histórias que ocorreram entre os meses de abril, maio e junho. 

A peça  “Histórias do Pontal de Minas” será mostrada, pela primeira vez ao público de cada uma das cidades. O elenco é composto por José Luiz Filho, Lilia Pitta, Marcelo Ribas e Ronan Vaz. Com texto e direção de Valdo Resende, Histórias do Pontal de Minas é realização da Kavantan & Associados, para o projeto Arte na Comunidade 2 que é patrocinado pela Alupar e Cemig  por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura.

Aguardamos a presença de todos. Veja detalhes do evento abaixo.

 

cartaz mostra PRATA

 

Esperamos toda a população da cidade. Aqui, em breve, as informações sobre os detalhes dos eventos nos demais municípios. Acompanhe outros detalhes em https://www.facebook.com/artenacomunidade .

 

O cinema na sala de aula para escola que tem TV

tv antiga

País que valoriza as artes é outra coisa! Vejam essa: entrou em vigor no final do mês de junho lei que determina a exibição nas escolas de um mínimo de duas horas de filmes produzidos no Brasil. Documentários, roteiros originais, adaptações… Tudo para contribuir na formação das nossas crianças. Detalhe interessantíssimo: 43.000 mil escolas não têm televisão! 48.000 escolas não têm DVD!

Nosso país nunca deixou de preocupar-se com o ensino das artes; o problema é que primeiro entram com o bolo, para depois pensar no que comemorar. Também é possível pensar que primeiro oferecem a casa, agora quanto ao terreno para a construção da mesma… Tudo parece um jogo político onde vale o que é dito; a realidade é outra coisa. É fácil arrotar grosso e afirmar que “garantimos duas horas mensais de exibição de filmes para nossos alunos”; omite-se a falta de aparelhos e tudo bem.

Que nenhum mal informado de plantão venha creditar tal postura ao PT. A história está aí, para lembrar, por exemplo, que em 1961, foi instituída a Educação Artística em nosso país. Nesse ano estava saindo Juscelino Kubitschek de Oliveira, entrando o Sr. Jânio da Silva Quadros que, renunciando, deu o lugar para João Belchior Marques Goulart. Na lei de então ficou determinado que um único professor entraria em sala de aula para ensinar música, teatro, artes plásticas, dança, enfim todas as modalidades artísticas. A Educação Artística, por decreto, criou o professor polivalente. O resultado pode ser comprovado por aí… Temos uma população que sabe tanto de arte quanto de física quântica.

A Lei de Diretrizes e Bases vigente para a educação nacional, de 1996 (Senhores, nesta data nosso presidente era Fernando Henrique Cardoso), acabou com a Educação Artística ao determinar a volta do professor especialista em determinada forma ou expressão artística. Lindo! Se antes não tínhamos professores com formação adequada para o ensino da Educação Artística, agora não temos professores suficientes para ensinar cada uma das formas artísticas. O cálculo é interessante: temos mais de 190 mil escolas no país. Não dá para afirmar que temos 190 mil professores de música, outro tanto de dança, mais outro tanto de teatro ou artes plásticas.

Tudo indica que há uma turma que se perpetua no alto escalão da educação nacional, determinando bobagens. Não temos quantidade suficiente de professores de arte, mas temos uma lei que determina o ensino por especialista de cada uma das formas artísticas. Não temos aparelhos de televisão (olha só que precariedade!), mas temos lei que obriga a exibição de filmes.

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Em passado recente diríamos: – É este o país que pretende sediar a Copa? Pois é; sediou com sucesso e, com certeza, fará uma belíssima Olimpíada. Então, enquanto aguardamos o próximo evento mundial fica determinado: Assistirão filmes na escola os alunos cuja escola tem TV. Os outros ficarão sem tal atividade. Simples assim. Afinal, é provável que esses mesmos alunos ainda não tenham tido um professor de história e cultura afro-brasileira. É! Não entendeu? Pois bem, a legislação vigente também determina um professor de história e cultura afro-brasileira nas salas de aula do país! Este é ou não é o país da Copa?

Até mais!

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Quatro vezes “Arte na Comunidade 2”

Dois dias intensos. Tanta atividade que 12 e 13 de abril passaram como se em dois segundos. Vi tucanos anunciando um sábado alegre na Praça XV de Novembro, em Prata, Minas Gerais. Seria uma manhã ensolarada e logo nossa equipe chegou com uma parafernália simples, mas vistosa. Tecidos coloridos, banners, panfletos, música…

Arte na Comunidade 2 - Cidade Canápolis - Fotos - Thaneressa Lima  (24)

O ambiente transformado, o som testado e Lilia Pitta contou como foi “O ataque dos Titanossauros” para adultos e crianças. A abertura do projeto “Arte na Comunidade 2” foi suave, mineiramente mansa.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Prata - Fotos - Thaneressa Lima (7)

A primeira manhã transcorreu como previsto. Gente contando histórias no palco, gente contando histórias na praça. Mães lendo para os menores e crianças, já alfabetizadas, explorando os livros propiciados por nossa produção. Ambiente desmontado, a praça voltou ao seu cotidiano.

Almoço farto, mineiro! “Saco vazio não para em pé!”. E tomamos estrada rumo a Canápolis. A bela praça, acolhedora, recebeu as cores do projeto.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Canápolis - Fotos - Thaneressa Lima  (23)

Nuvens carregadas, para nosso alívio, foram para longe e a tarde permaneceu ensolarada. José Luiz Filho subiu ao palco para desvendar “O enigma”.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Canápolis - Fotos - Thaneressa Lima  (17)

Com nossa pequena biblioteca ambulante, com nossos tapetes coloridos para um pic-nic literário, contamos histórias para que cada um conte a sua, ou as suas histórias. O dia terminou sem muito tempo para avaliações; apenas a sensação de que tudo estava indo bem, dentro do previsto. A estrada estava aberta e tínhamos que prosseguir.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Canápolis - Fotos - Thaneressa Lima  (4)

Noite de pizza, cama de hotel, café da manhã e o domingo em Ituiutaba chegou após uma madrugada chuvosa. Palco, som, caixas com fitas, tecidos, banners…

Arte na Comunidade 2 - Cidade Ituiutaba - Fotos Thaneressa Lima  (2)

Nossa produtora, Sonia Kavantan, abriu os trabalhos do dia. Foi nesse momento que pude observá-la melhor. Na primeira cidade, Prata, fiquei distante; assim como em Canápolis. A Praça Getúlio Vargas é um local bonito, permitindo-me ver também a entrada de Ronan Vaz.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Ituiutaba - Fotos Thaneressa Lima  (3)

“A Batalha do Conhecimento” foi nossa terceira estreia nesse final de semana. Quem está habituado com teatro pode ter a noção do que seja isso. Tudo semelhante e nada é igual. Adrenalina pura.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Ituiutaba - Fotos Thaneressa Lima  (8)

Todas as imagens deste post foram feitas por Thaneressa Lima.  Bom contar com uma fotógrafa que, além do registro de cada momento, ainda nos brinda com composições peculiares, fixando e fazendo-nos rever belos momentos.

Arte na Comunidade 2 - Cidade Ituiutaba - Fotos Thaneressa Lima  (10)

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas… A chuva caiu sobre nossos veículos quando ainda estávamos na estrada, rumo a Monte Alegre de Minas. Nossa produção foi ágil e rapidamente tínhamos outras possibilidades para a cidade.

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A chuva não passou e Marcelo Ribas levou “O Inventor de histórias” em local fechado. O público da cidade não se abalou com a chuva e nosso ator inseriu a mudança de local na encenação.

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Pela quarta vez repetiu-se a cena: crianças lendo histórias, descobrindo autores e livros. Começava ali a concretização do objetivo primordial do projeto “Arte na Comunidade 2”: estimular a leitura e, principalmente, a contação de histórias.

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Dias assim, intensos, nem sempre tem registros completos. Minúcias, centenas de detalhes, outros acontecimentos… Pipoca, algodão doce! As araras com seu colorido espetacular enfeitando um pouco mais a Praça Nicanor Parreira; o sol, tão esperado, brindou-nos com um final de tarde maravilhoso.

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Da esquerda para a direita: Thaneressa Lima, Sonia Kavantan, Thays Quadros, Letícia Teixeira, Marina Kavantan, Valdo Resende, Fredy Abreu (agachado), Erre Salviano, Marcelo Ribas, Lilia Pitta e Eduardo Bordignon.

A foto acima marca o final do evento de abertura do “Arte na Comunidade 2”, patrocinado pela  Alupar e Cemig por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura. Já tínhamos as malas fechadas; os veículos prontos.

Dias intensos! Apenas o começo! Nossos atores estão por lá, continuando o projeto, agora com apresentações nas escolas municipais. Outras histórias para escrever, para contar.

Até mais!

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