É amanhã! Veja alguns dos locais e endereços abaixo.
É urgente!
Por nós, por todos os que aqui estão, pelos que virão.

Até lá!
É amanhã! Veja alguns dos locais e endereços abaixo.
É urgente!
Por nós, por todos os que aqui estão, pelos que virão.

Até lá!

65 aninhos! Vivas ao aniversariante do dia. O Parque do Ibirapuera é o meu lugar preferido em São Paulo. Meu e de milhares, talvez milhões de paulistanos. Do guarani ypi-ra-ouêra a palavra é expressão para “árvore apodrecida”, desde quando a área original era alagadiça. Vou lá com frequência e, quase sempre, sozinho. Sinto-me então em essência o sertanejo, daqueles mineiros taciturnos e quietos, matutando… bobeiras.
Tá para nascer o dia que o parque me deprima, ou me leve a filosofar, questionar a situação atual, ou coisa e tal. Gosto mesmo é de divagar, deixar o pensamento correr e ser feliz, que é para isso que o Parque foi feito. Das bobeiras que penso enquanto caminho selecionei algumas entre aquelas possíveis de compartilhar.
1 – Quantas folhas tem por aqui? Será que eu conseguiria olhar para cada uma delas nessa vida, ou precisaria de outra encarnação?
2- O cheiro é bom, o silêncio é bom. Malditos celulares ! O que essa gente faz aqui? 3) São Paulo é onde pouca gente olha para as flores que a cidade tem.
4) Esses peixes… amanhã vou comer sashimi na Liberdade.

5) O que Laocoonte tá fazendo aqui? Bem que eu gostaria de dar uma aula de arte nesse jardim.
6) Adoro a Bienal, mas prefiro o Museu Afro Brasileiro. Tem tanta porcaria na Bienal.
7) Me acho o tal, mas esses patos idiotas sabem nadar e eu… nada.
8) Terra é bom. Falta terra nessa cidade impermeabilizada.

9) Não suporto gente quando o parque está cheio. Desculpa! Quero ouvir os pássaros.
10)Vou tomar água de coco, na próxima volta…
…e caminho, caminho,até a hora vir embora. Feliz da vida. Adoro o Ibirapuera.
Vivas ao Ibirapuera!
Até mais.
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Neste final de semanas demos o start ao lançamento do curso de Criatividade e Inovação no Ambiente Corporativo, através da Competency do Brasil. Volto a lecionar uma matéria que adoro e que, há muito, venho pesquisando, estudando e buscando aperfeiçoamento. Escolhi imagens de 1998 para ilustrar este post, quando já dava aulas práticas e teóricas de criatividade na Unip, no curso de Propaganda e Marketing.

O melhor livro que conheço sobre o assunto só sairia quatro anos depois, quando Domenico de Masi publicou La Fantasia e la Concretezza. A edição brasileira saiu no ano seguinte com o nome Criatividade e Grupos Criativos entregando, já no título, um dos aspectos caros ao autor: a criatividade enquanto fruto de uma coletividade.
Penso no indivíduo criativo como aquele que, frente aos problemas, sabe buscar soluções, criá-las e, quem sabe, até inovando aspectos antes não percebidos ou registrados. Fundamentalmente, quando se trata de ensino da criatividade, acredito que o educador deve respeitar a evolução do aluno (o que é novidade para este pode ser algo já manjado para alguém experiente), alertando o mesmo para a necessidade contínua de ampliar e aprofundar o próprio repertório.
O indivíduo criativo raramente trabalha só, daí a importância do grupo, do ambiente, da sociedade na qual ele está inserido. Todos nós precisamos de parcerias, imprescindíveis em todas as épocas, para todo e qualquer ramo da atividade humana. Qual a real importância do Papa Júlio II na vida e obra de Michelangelo? Quem foi a figurinista responsável pelo vestuário de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa durante o Tropicalismo? Quem foi o editor que leu com atenção devida a obra de Guimarães Rosa?
Sobram exemplos no estudo da criatividade enquanto fato coletivo, resultado de parcerias. Ecoam até hoje os efeitos dos 18 anos de parceria entre a inglesa Margot Fonteyn e o russo Rudolf Nureyev. Os indivíduos que olham o futebol com a frieza profissional necessária sabem da importância de médicos, massagistas, treinadores, além dos próprios parceiros de gramado no reinado de Pelé. E, outro aspecto não menos importante: a fundamental contribuição de pedreiros, engenheiros e demais profissionais da construção civil na concretização dos fantásticos projetos de Oscar Niemeyer.
É pensando nesse tipo de situações que busco exercitar e ensinar a criatividade, via algo que Domenico de Masi colocou em palavras e que sigo com dedicação e seriedade: “EDUCAR UM JOVEM OU UM EXECUTIVO PARA A CRIATIVIDADE HOJE SIGNIFICA AJUDÁ-LO A IDENTIFICAR SUA VOCAÇÃO AUTÊNTICA, ENSINÁ-LO A ESCOLHER OS PARCEIROS ADEQUADOS, A ENCONTRAR OU CRIAR UM CONTEXTO MAIS PROPÍCIO À CRIATIVIDADE, A DESCOBRIR FORMAS DE EXPLORAR OS VÁRIOS ASPECTOS DO PROBLEMA QUE O PREOCUPA, DE FAZER COM QUE SUA MENTE FIQUE RELAXADA E DE COMO ESTIMULÁ-LA ATÉ QUE ELA DÊ LUZ À UMA IDÉIA JUSTA”.
O mundo de hoje não está fácil. Só pra se ter uma ideia do que me ocorre a partir da proposição de De Masi: IDENTIFICAR A VOCAÇÃO AUTÊNTICA implica em refletir sobre muitas variáveis que vão desde o aspecto financeiro, passando pela região geográfica em que se está inserido, ou as implicações sociais de nossas escolhas. Ensinar alguém a escolher PARCEIROS ADEQUADOS envolve desde interesses, tempo e lugar, quanto família, igreja, negócios e por aí vai, sendo que os demais aspectos sugeridos (CONTEXTO, FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO PROBLEMA, RELAXAMENTO E MEIOS DE ESTIMULAR A PRÓPRIA MENTE) deverão merecer abordagem semelhante para o exercício da criatividade individual e coletiva.

Esse assunto me apaixona. E penso que seja do interesse geral e, especificamente, daqueles que frequentam este blog. Pretendo um post semanal – SEMPRE DE DOMINGO PARA SEGUNDA – sobre o assunto. Comente, envie sugestões, dúvidas. Vamos ter uma ideia mais ampla do assunto e de como penso tratar o mesmo em situação de ensino. Sugestões são bem-vindas!
Para quem estiver interessado no curso, entre e veja possibilidades no site www.competency.com.br.
Até mais!
PS: Aos meus alunos, do curso cujas fotos estão acima, meu forte abraço e a lembrança carinhosa que levarei enquanto estiver por aqui!
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Lá se foi Peter Fonda, vítima de câncer. Ao lado de Dennis Hopper e Jack Nicholson marcou minha adolescência, fazendo-me sonhar com motos e viagens “Sem Destino”, ou, no mínimo buscando o prazer e a alegria de viver sem amarras. Dos filmes que a gente carrega pro resto da vida, Easy Rider foi a utopia de uma geração que sonhou viver “o dedo em V, cabelo ao vento”, celebrando o rock e a liberdade. O filme é lembrança, e a vida segue, agora também sem Peter, pois Dennis Hopper, o ator e diretor do filme faleceu há bastante tempo. Sem mais lero-lero. Uma sincera homenagem!
Até mais!

Domingo à noite. Acompanhando um convalescente ao Hospital do Servidor, pela quarta vez em uma semana, me levou a refletir e compartilhar a experiência. O pronto atendimento é expressão irônica para quase todos os que estão precisando de cuidados médicos. Nosso recorde nesta semana foi de nove longas horas para completar os procedimentos.
Agora, enquanto aguardo, não deixo de notar que nesta noite a maioria dos profissionais de plantão são mulheres. Uma delicada deferência de médicas, enfermeiras e atendentes aos colegas pelo dia dos pais. Também confirmo o já presenciado anteriormente… Há cinco consultórios médicos, dois permanentemente fechados. Não há profissionais em quantidade suficiente para suprir a demanda.
Na sala de espera, corredor e no espaço onde aguardam triagem há muitas pessoas. Gente de quase todo tipo. Há quem comeu demais e outros, visivelmente subnutridos. Pessoas com dor e outras, dificultando perceber quem é doente e quem é acompanhante. Há os que se comportam como se a reunião fosse festiva e outros gemem, exageradamente, clamando por urgência no socorro.
Atrás dos consultórios fica um corredor que dá acesso a salas de exames e outras dependências. O cenário é assustador. Macas substituindo camas e, alguns doentes, em camas improvisadas no chão. Não há leitos em quantidade suficiente para suprir a demanda.
Há raros surtos de impaciência sublinhados com frases costumeiras: “- Falta de respeito”, diz um, para alguém rebater: “- Somos tratados feito cães!” Bobagem, penso eu, cães têm tratamento melhor, exceto pela gritante falta de pronto atendimento para os amigos caninos.
Há que se registrar o considerável esforço da maioria dos profissionais deste hospital em atender dignamente aos que deles contam com atenção e competência. Há até manifestações de carinho e consolo diante das circunstâncias de um serviço carente.
Estou em São Paulo. O Hospital do Servidor é conceituado, está em região central, há poucos quarteirões da Avenida Paulista. Entre este hospital e a famosa avenida estão outros prontos atendimentos, para quem pode pagar imensas quantias ou desfrutar de convênios, previamente pagos. Bem que os milhares de Servidores Públicos na capital mais abastada do país merecem bem mais, todavia…
A médica que atendeu meu doente está inequivocamente cansada. “- Depois dos sessenta, o dia inteiro aqui…”. Examinou, orientou e prescreveu medicação, dada neste momento, enquanto aguardo e escrevo. Uma bênção! No entanto…
Como não pensar naqueles que não contam nem mesmo com um serviço precário? Como estão outros doentes de agora, sem hospital, ambulatório ou pronto atendimento? Se no centro de São Paulo é assim, como será nas pequenas e pobres comunidades brasileiras?
Em nome do meu amigo posso agradecer ao atendimento recebido. Em nome do Pai e de todos os santos, peço por melhores condições de saúde, educação… peço, não. Exijo! Faço deste uma denúncia: Essa situação tem que mudar!
Até mais!
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Trabalhar nos idos de 1981 na Rua Abdo SChain, paralela à Rua 25 de Março, deu-me nova visão de São Paulo. Eu dividia atividades entre um grupo de teatro em Santo André, no ABC Paulista, e durante o dia era auxiliar de auditoria em uma companhia têxtil. Gostava das lojas de decoração infantil, com vitrines que lembravam grandes cenários, seguia minha vida obedecendo aos sons do relógio do Mosteiro de São Bento e já então ficava meio aturdido com tanto cacareco oferecido para consumidores ávidos para vender para seus clientes.
Na calçada da Ladeira Porto Geral vi inúmeras pessoas escorregando e se estabacando na calçada. Além da descida, íngreme, os escorregões ocorriam na porta de uma lanchonete de pasteis duvidosos (um ano antes houve um surto de pasteis com recheio de comida para cachorro… uma outra história.). Todos os dias o piso da lanchonete era lavado e a água escorrida ladeira abaixo. Sabão e óleo, os vilões de transeuntes incautos.
Da Rua Constituição, uma ladeira similar à Porto Geral, guardo a imagem de alguns assaltantes descendo a passos brutalmente largos – tentem descer a ladeira fugindo de perseguidores e entenderão a expressão – enquanto lojistas gritavam um inevitável “- Pega ladrão!”. Da vizinha Rua Barão de Duprat vi relógios voadores, saindo de algum dos andares da galeria Pagé. Certamente um lojista preferiu jogar boa parte de seu estoque janela abaixo evitando o flagrante da fiscalização. O mais hilário foi ver o dono do carro sobre o qual caíram os relógios agir com a rapidez dos espertos: primeiro desceu do veículo com visível ódio; ao olhar para a mercadoria, pegou tudo o que pode, jogou dentro do carro e saiu em alta velocidade.
Uma colega de trabalho, Neusa, era leitora assídua da Revista Sétimo Céu, da extinta editora Bloch. A garota sabia que eu escrevia para teatro e, na cabeça dela, achava que escrever um conto para a tal revista seria a mesma coisa. Mostrou-me o anúncio da seção Conto Premiado que informava: “Escreva um conto usando, no máximo, cinco páginas com vinte e cinco linhas datilografadas. Se ele for premiado, você receberá Cr$ 2.000,00…”. Uma quantia legal quando me lembro das dificuldades de então.

“A mulher que eu amo” surgiu em pensamento e o conto transcrito e reelaborado em horários de almoço. Com alguma noção de público-alvo e já com a mania de escrever na primeira pessoa, narro aventuras triviais com uma moça urbana, socióloga, em contraste com o eu do discurso, um rapaz vindo do interior de São Paulo.
Voltando de Uberaba logo após as festas de final de ano retomei meu trabalho, sem muito tempo para lembrar do concurso. Era ainda principiante na vida de cuidar de casa, ganhar salário como funcionário e, nas noites e finais de semana, batalhar no teatro, sonho que me trouxera para a capital. A moça que assinava a revista prolongou férias e quando voltou, recordo bem que ainda estávamos perplexos com a morte de Elis Regina. Minha colega deixou a revista sobre minha mesa, como quem não quer nada e só na hora do almoço soube que tinha meu primeiro conto publicado. Da praia, como era comum referir-se à Baixada Santista, dias depois recebi uma mensagem de Maria Elza Sigrist, a quem considero minha primeira leitora. Alguém que, sem que eu pedisse, dedicou alguns minutos de suas férias para ler o tal conto.

A sucursal da Bloch, em São Paulo, ficava em uma mansão, denominada Casa Manchete, construída pelo industrial Horácio Lafer, foi moradia da família proprietária da Bloch. Segundo consta por aí, atualmente a tal casa está avaliada em R$ 96 milhões. Isto importa, pois na época o local era tão valorizado quanto hoje. Cheguei alegrinho ao local, ressabiado com toda a riqueza da Avenida Europa, mas cheio de planos para o dinheirinho que… ironia, veio com um considerável desconto destinado ao imposto de renda!
Irritado com o desfalque, não tenho a menor lembrança do destino do tal dinheiro. Guardei a revista que depois desapareceu em uma enchente. Dona Laura, minha querida mãe, guardou um exemplar e é este, aqui registrado, documento da primeira publicação de uma carreira que, sonho ainda, venha a ser exclusivamente literária.
Até mais!
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Há documentários que são perfeitos para momentos de relaxamento, viagem tranquila ao universo escolhido pelos idealizadores do filme. Democracia em Vertigem, de Petra Costa, é o inverso do que se pensa do cinema enquanto entretenimento, diversão, passatempo. É puro e forte estímulo à indignação, revolta, tristeza e dúvida, muita dúvida. Para onde vamos?
Democracia em Vertigem pode ser a história de uma geração. Os fatos inerentes àqueles que, um dia, sonharam com um mundo possível, onde o destino do país pudesse ser conduzido por operários, por gente de origem humilde, distante das tradicionais e ricas famílias que tradicionalmente dominaram o país.
A ditadura militar colocou outro tipo de gente no poder, e a industrialização estimulada a partir do anterior governo de Juscelino Kubistchek possibilitou novos sonhos para funcionários que um dia descobriram a força dos braços parados, também chamada de greve.
Petra Costa, criadora e diretora do documentário, optou pelo viés pessoal quando, nascida junto com o processo de mudanças no país, com os militares voltando à caserna, olha para a história dos pais, a própria história, e desenha o Brasil de esquerda resultando num país dividido após o golpe que derrubou Dilma Rousseff e, na sequência, colocou o Presidente Lula na cadeia.
A narrativa privilegiada da diretora, que transita pelos espaços de poder com invejável proximidade, permite um olhar raro facilitando aos simpatizantes algo tipo apropriação pessoal do que é narrado, antes conhecido apenas por fartos relatos via fontes duvidosas – a mídia de massa – ou esparsos relatos de fontes digitais feitas à esquerda e à direita, essas também transitando entre o falso e o verdadeiro. O documentário Democracia em Vertigem conta a minha história, aquela que sonhei para o meu país e para que o sonho se tornasse possível dediquei tempo e trabalho.
Um pensamento passou a dominar minha percepção já enquanto via o documentário, segurando a raiva, contendo a indignação e a revolta: o olhar de Petra Costa, de tão particular, beira ao universal e o outro lado, daqueles que festejaram a derrubada de Dilma ou a prisão de Lula, carece de fantasia, pura ficção engendrada na ânsia de poder e nenhuma, mas nenhuma poesia. O outro lado também carece de estripulias que, inúteis, não convence quanto aos motivos do golpe contra Dilma. Ainda precisa de retórica torta para convencer sobre uma prisão, a de Lula, que até aqui não apresenta provas concretas quanto à propriedade do triplex e do sítio.
Espero que “Democracia em Vertigem” ganhe as salas de cinema do planeta. Acredito mesmo que os atuais fatos, do que estamos conhecendo como “#vazajato”, contribuam para o êxito do documentário. Poderão criticar, poderão notar a falta deste ou daquele fato, daquela personagem. Todavia, a diretora não faz história, faz cinema. E conta, como se fosse uma brasileira sonhadora, os rumos que o Brasil tomou. Pelo mundo afora, quando as pessoas se perguntarem os motivos que norteiam as ações de um certo juiz, poderão ter uma série de respostas nos acontecimentos documentados pelo olhar de Petra Costa. Um olhar sincero. Não é sonho, é possibilidade.
Veja o trailer:
Até mais!