O Bilac que não conheci na escola

(Um poeta bem-humorado, divertido; outra face do Príncipe dos Poetas que relembro abaixo).

bilac

Velho conto

Rita, mocinha, faceira,

Passeia com o namorado

E, descendo uma ladeira,

Dá um tombo desastrado.

Que tombo! Quase desmaia…

E o noivo, que o tombo aterra,

Vê coisas por sob a saia

Mais do céu do que da terra.

Nem acode a levantá-la:

Contempla, mira, remira,

Fica tonto, perde a fala,

Bate palmas e suspira.

Levanta-se ela sozinha…

Vendo do moço a surpresa,

Murmura rindo a Ritinha:

“Viu a minha ligeireza?”

E ele, logo: “Sim, senhora!

Vi, mas sem que suspeitasse

Que aquilo que vi de fora

Também assim se chamasse…”

Olavo Bilac, Velho Conto, em Os Melhores Poemas

Autor: valdoresende

As formas de expressão dominam minha vida. E aqui, neste blog, pretendo escrever sobre elas, sobre meu cotidiano, as coisas e pessoas que curto. Sou professor, escritor, diretor teatral, mestre em artes visuais pela UNESP e um pouco mais. Frutos de uma vida, graças a Deus, intensa.

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