Ando frequentemente pelas ruas de São Paulo. Deixei de dirigir e passei a usar transporte público, além de ser beneficiado pela carona de amigos muito gentis. Ao abandonar o carro redescobri a paisagem paulistana. Percebi a beleza da arquitetura da cidade – evidenciada por lei que limitou a utilização de placas e similares – que nos permite ver a passagem do tempo que vai do Pátio do Colégio, passa pelo Edifício Sampaio Moreira até chegar aos grandes blocos de vidro de construções mais recentes.
Foi caminhando pelas ruas de São Paulo que percebi a grande quantidade de flores que há pelas ruas da capital. Em 2015, durante vários meses publiquei diariamente fotos de flores dos jardins e, principalmente, das ruas da cidade. Constatei na época que “a dura poesia concreta de tuas esquinas” é suavizada criteriosamente pelos responsáveis pelo ajardinamento da cidade, já que – é fato! –nossas ruas estão arborizadas de tal forma que nos permite usufruir da beleza das flores durante todo o ano.
Desde as minhas primeiras viagens nos trens metropolitanos – estou lembrando final dos anos de 1970 e começo da década de 1980 – que descobri os incríveis trabalhos de inúmeros artistas, na época anônimos, quebrando a monotonia de muros descoloridos, prédios abandonados, suavizando a dura viagem de quem leva cinquenta minutos e até mais para chegar ao destino. Depois o mundo descobriu nossos artistas de rua, valorizando devidamente gente como Eduardo Kobra e OSGEMEOS (Gustavo e Otávio Pandolfo). Se fossem apenas esses… Há muitos outros entre nossos artistas e não posso deixar de citar Eduardo Saretta, Carlos Dias, Zéh Palito, Paulo Ito e tantos mais.
Pelas ruas da cidade há manifestações diversas e categorias distintas em duas grandes e notórias vertentes: o grafite e a pichação. Antes de qualquer coisa é bom salientar que o ato de grafar todo e qualquer tipo de superfície remonta à pré-história. O homem pintou cavernas na Europa e paredões no Piauí e não se contentou em criar objetos; desde os primórdios inseriu grafismos diversos nos mesmos registrando manifestações místicas, estéticas ou criando símbolos de poder. Penso que essas manifestações culturais sinalizam estarmos diante de algo que merece estudos e discussões aprofundadas, muito além do mero gosto pessoal.
De repente vem um sujeito enfeitado de faxineiro. Sob o discutível mote “cidade linda” o sujeito esconde moradores atrás de tapumes, alardeia vassouras em espaços já limpos, promete escovas de dente – e não dentistas – para outros e… decide apagar grafites em espaços da cidade. A imprensa enfatizou o “repúdio” do faxineiro aos pichadores enquanto o mesmo apagava desenhos da Avenida 23 de Maio.
Grafites e pichações costumam carregar na expressão, aqui entendida como ênfase nos sentimentos do artista, tal como descrito por Emil Nolde ao criar as obras “Ceia” e “Pentecostes”. Apresentam críticas, denúncias, manifestam descontentamento. Estão longe das pinturas de guardanapos aprendidos em estúdios das ligas das senhoras católicas. Os grafites quebram o discurso comprometido das grandes empresas de comunicação e propiciam reflexão, questionamento, denotando e conotando a realidade em que vivemos.
Há, é certo e sem pedir licença, garotos que picham diferentes superfícies urbanas. Reforço a ideia do quanto é inato ao ser humano o expressar-se e pergunto: quais são as possibilidades de expressão artística dentro de nossas escolas? Quais as possibilidades de manifestação de adolescentes e pré-adolescentes em nossas cidades? Devo pedir ao opressor licença para gritar meu descontentamento?
Por trás das ações do simulacro de faxineiro (longe de mim, ofender profissão tão nobre! O rascunho e a depreciação são tão somente para o sujeito em questão) está uma firme determinação em impedir manifestações contrárias a seus desmandos e às sujeiras de si e de seus correligionários no governo do Estado. Se o sujeito tivesse estudado um pouquinho mais de história saberia da inutilidade de seus atos. Quem pode calar o homem? Quem pode emudecer o poeta? Quem pode impedir o artista de expor suas inquietações ao mundo?
Houve um papa que cobriu as pinturas de Michelangelo. Outrora queimaram livros em praça pública. O Impressionismo ganhou notoriedade no Salão dos Excluídos. Graças aos céus, o que ficou foi Michelangelo, Shakespeare, Monet e milhares de outros artistas, de todas as áreas, sobrevivendo acima e além das mesquinharias dos mandantes de cada tempo. O tempo de faxina vai passar e o rascunho de faxineiro irá para o limbo merecido. Enquanto isso não ocorre haverá resistência. E se o dito cujo resolver apagar posts escreverei cartas ou qualquer outro meio que manifeste meus pensamentos.
Os cartazes anunciavam liquidação total; tudo com 50% de desconto! A loja chamando a atenção de poucos consumidores e o fim, melancólico, provocou-me angústia, desalento. Na Avenida Paulista, quase esquina com a Avenida Brigadeiro Luis Antonio, ocorre os momentos finais de uma loja de discos. Não posso precisar a quanto tempo era a única, posto que os tais produtos, além da solitária portinhola, só são encontrados em seções também decadentes de grandes lojas.
Mudanças são inevitáveis. Sem que eu percebesse as máquinas de escrever desapareceram do mercado e, da mesma forma, os discos 78rpm foram embora, assim como os Compactos, os Compactos Duplos, os LPs… Todavia, a lojinha da Paulista estava ali, guerreira, enfrentando com galhardia as possibilidades do ciberespaço. Eu compro CDs como quem comprava, um dia, os discos de vinil. Tenho quase certeza que após “desaparecerem” das lojas voltarão como objetos Cult, caríssimos, como são agora os velhos conhecidos LPs. A constatação dos últimos dias da loja me deixou triste; mais uma perda entre as tantas deste ano e o medo de vir a me sentir mais deslocado, envelhecido… “- Meu tempo passou?”.
Final da tarde, a lembrança do fim da loja estava presente sobre a mesa, com a caixa de discos de Maysa adquirida no local. Fui em frente (isso significou ir ao “sacolão”, supermercado, açougue…) e eis que reencontro antigo porteiro que trabalhou durante muitos anos no condomínio em que moro. Aquele papo de final de ano, mais a soma de quem não se vê há tempos e constatamos que já se foram mais de dez anos que ele foi trabalhar em outro lugar.
O rapaz (dou-me o direito de preservar a identidade) era curioso e vivia consertando coisas. Orgulhava-se de mexer em rádios, telefones, chuveiros e tudo quanto é coisa, sempre se apresentando como vitorioso ao mostrar o objeto funcionando por suas artimanhas artesanais. Um pai de família, aqui era porteiro no período noturno e, durante o dia, somava outro trabalho para garantir melhor vida para os filhos.
Nosso porteiro tinha umas coisas típicas das pessoas simples. Por exemplo, ele acreditava piamente que a ligação dele excluiria um desafeto BBB. Eu voltava da faculdade e ele, com a expressão mais séria do mundo me dizia: “- Sr. Valdo, hoje tiro o fulano. Ele vai ver se amanhã está ou não no olho da rua. Acabou!” No dia seguinte, antes de abrir a porta me dizia, por entre vidraças: “- Eu não disse! Botei ele pra fora.” Um dia retruquei: “- Não foi só você” E ele, com a alegria daqueles que descobrem pontos comuns em amigos: “- Então o senhor também votou?”.
No açougue ele foi atendido antes, comprando dois tipos de carne, visivelmente feliz. Continuando o papo perguntei das crianças; dez anos passados, seriam dois jovens. “- Pois então, Sr. Valdo, meu menino tá chegando de Campinas. Estuda na Unicamp. Está fazendo engenharia. Uma dessas engenharias em que ele poderá trabalhar em quase tudo!” As carnes eram pra comemorar a chegada do moço, com um jantar mais caprichado. “– Que maravilha, meu amigo, na Unicamp!” E ele, orgulhoso: “-Pois então! Não teve pra playboy. Meu menino foi lá e conseguiu. A gente dá um duro lascado pra manter ele longe, mas vai valer a pena”.
Mudanças no mundo tais como o desaparecimento das lojas de CDs. Mudanças no nosso país onde, por múltiplas razões, o garoto humilde consegue vaga em uma universidade de ponta, entre as melhores do país. Eu poderia continuar o papo e ir além, assinalando mudanças políticas e sociais que permitiram tal fato. Bobagem. Seria invadir a vida de alguém que só estava interessado em comemorar a volta do filho com um jantarzinho caprichado.
Adeus loja de CD da Paulista. Boa sorte, futuro engenheiro, filho do meu amigo! A vida segue. Cacarecos vão e voltam, ou são definitivamente substituídos. O melhor de tudo, em um país tão desigual quanto o nosso, é ver que devagar e sempre haverá alguém subvertendo o destino – ou o sistema – para trilhar oportunidades de melhores chances.
Sou o que é memória e conhecimento. Uma não existe sem o outro e, às vezes, gostaria de ter apenas instinto. E fico matutando, dentre tantos que há por aí, o que sente cada ser instintivo. A memória é estimulada por tantos pequenos fatores! Penso naqueles que se abrigam em drogas permitidas – pílulas! – e em outros que apelam para alucinógenos, buscando os devaneios coloridos psicodélicos. Tenho certeza, e por isso não me entregarei a isso, que entre um transe e outro ela volta. A saudade. E resta encarar. Quando aperta, o jeito é rezar. Hoje, estou rezando com Elizeth Cardoso, cantando Vadico e Marino Pinto, no distante 1957.
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Quem duvidar que duvide A saudade em meu peito reside Sem querer fui querer Novamente Já fiz tanta oração Ao Senhor eu pedi Proteção, inutilmente Eu rezei minha prece Saudade vai e me esquece.
As eleições na metrópole elegeram o atual “homem mais poderoso do mundo”. Trump e Putin são citados em listas frequentes e, entre muitos outros “mais poderosos do mundo” não há um único capaz de fazer chover ou, como ao que tudo indica para o próximo feriado, parar a chuva para que possamos passear no parque, caminhar na avenida, manter os pés secos.
Mais rico, mais poderoso, mais forte… Em nenhuma categoria encontra-se um sujeito capaz de impedir a queda de um raio, evitar terremotos e, obviamente, é raro ver tais indivíduos derrubados por uma gripe, um “piriri” ou qualquer outro situação corriqueira entre humanos já que se escondem, pois não ficaria nada bem mostrar a impotência que todos temos perante uma dor de dentes.
Embora não faça mais do que repetir atos de seus antecessores, o sujeito que nos chamou de “Porcos Latinos” deve achar-se acima do bem, do mal e até da própria morte. Ok, ele está em situação vantajosa. Seria estúpido ignorar a possibilidade de tal sujeito iniciar uma pinimba aqui, uma rusga ali e por conta de supostos perigos para com seus compatriotas o digníssimo iniciar uma guerra, impor embargos, jogar mísseis sobre cabeças inocentes; sendo assim, há que se tomar cuidado e, se possível, providências singelas, dado à pequenez de todos nós perante o “homem todo poderoso”.
Nesta semana, no Facebook, compartilhei um texto que vi na página de uma ex-aluna, Amanda Oliveira Jacon, e o lance viralizou com centenas de curtidas e dezenas de compartilhamentos. O texto que repliquei diz:
“Para quem vai comprar seus presentes de Natal, vai aqui uma sugestão: comprem os presentes de pequenas empresas. Da vizinha que vende por catálogo ou trabalha com pronta entrega, das mulheres e mães empreendedoras, de artesãos, das lojas do bairro, da doceira que faz doces artesanais, do rapaz que tem uma banca no mercado… Façamos o dinheiro chegar às pessoas comuns que também trabalham duro. Assim haverá mais gente a ter um melhor Natal. Apoiemos! Se acha que é uma boa proposta, copie e cole no seu mural”.
A ideia é ótima. Comprar dos pequenos. Sendo ou não de Amanda, é algo que pode ir além e – sonho? – fazer tremer até a “maior potência capitalista do planeta”. Imaginem se conseguíssemos a adesão de milhões para boicotar os produtos e serviços da metrópole? Xenofobia não é atitude boa para ninguém, mas deixar de consumir as quinquilharias da metrópole poderia dar ao “homem mais poderoso do mundo” a medida do poder dos pequenos. Nossa força, minúscula, tem o preço de um refrigerante, um par de sapatos ou qualquer outro bem de consumo; somando ações… É quase utopia pensar em um imenso boicote à metrópole; com certeza, ingenuidade; todavia, comprar de pequenos neste natal já pode ser um bom começo para olhar o mundo sob outro prisma.
Após levar montagens com textos que abordam a história e as características de cada cidade o Projeto Arte na Comunidade volta aos mesmos locais com um segundo texto. “Cantos e contos do Rio Paraíba do Sul” é a montagem, como o próprio título indica, sobre a região visitada e o mesmo texto foi apresentado nas cidades contempladas pelo projeto.
Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira voltaram a Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz, onde verificaram os resultados da primeira visita (Quando solicitaram dos alunos narrativas próprias sobre as cidades) e também convidaram os mesmos para o encerramento, ocorrido em locais públicos de cada município.
“Cantos e Contos do Rio Paraíba do Sul” resgata lendas, fatos históricos e culturais da região, além de alertar para a necessidade da preservação ambiental. Escrito e dirigido por Valdo Resende, a direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos de Carol Badra.
Idealizado por Sonia Kavantan, o Arte na Comunidade 4 foi patrocinado pela Alupar, Taesa e apoiado pelas Usinas Queluz e Lavrinhas. Uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, é necessária a citação do motivo pelo qual o texto foi escrito e a autoria do mesmo.
CANTOS E CONTOS DO RIO PARAÍBA DO SUL
Original de Valdo Resende
Luciana Fonseca e, acima, Rodolfo Oliveira e Conrado Sardinha. Foto: Atelier da Fotografia
(CARACTERIZADO BASICAMENTE TAL QUAL NA APRESENTAÇÃO ANTERIOR O ATOR ENTRA CANTANDO A MÚSICA DE ABERTURA; CAMINHANDO POR ENTRE O PÚBLICO DEVERÁ SEMPRE QUE POSSÍVEL RESGATAR ELEMENTOS DA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO).
Vamos brincar de teatro…
Luciana Fonseca e a letra da música de abertura. Foto: Atelier da Fotografia
Meus amigos: Voltei! Que bom estar novamente com vocês. Fazer teatro na própria cidade para os parentes, os amigos, os conhecidos é muito bom. Eu andei por toda a cidade, em várias escolas. Vou repetir meu nome; gosto que guardem o meu nome. Sou… (ADRIANO, CHICO ou PEDRO) e desta vez estou de volta para contar outros fatos, outros contos e cantos, agora da nossa região. Vamos brincar de teatro e o tema da nossa apresentação é o Vale do Paraíba, a Serra da Mantiqueira, as outras cidades do Vale. Vai ser muito legal. Vamos nessa? Quem já aprendeu a canção pode cantar comigo:
(CANTA APENAS O REFRÃO)
Vamos brincar de teatro…
Eu já andei muito por aí, nesse mundão de Deus. Fazendo peças de teatro, escrevendo e recitando meus versos. Vi muitos lugares bonitos, cidades encantadoras, regiões inteiras de uma beleza intensa, exuberante. Viajei pelo planalto, pela caatinga, pelo serrado, por florestas fechadas… Conheci as chapadas de Minas Gerais, o pantanal de Mato Grosso, nossas praias de norte a sul! Mas, nada supera o meu vale. O nosso Vale do Paraíba! É bem verdade que minha opinião é tendenciosa; como dizem por aí, cada um puxa a sardinha para a sua lata, não é mesmo? Mas, como não gostar daqui?
Eu sempre gostei de contar as histórias da nossa cidade e da nossa terra. Sempre que me perguntavam: – Onde fica a sua cidade? E pra fazer mistério, para acentuar a magia da nossa região eu respondia: – Sou das terras da A-man-ti-kir! Ninguém entendia nada e eu completava: A-man-ti-kir, a serra que chora. E escolhi contar tudo através do teatro. Em teatro, já sabem, não é, a gente pode ser tudo o que quiser!
(VINHETA. O ATOR CONTARÁ A LENDA DA MANTIQUEIRA INTERPRETANDO VOCALMENTE TODAS AS PERSONAGENS. CHAMARÁ QUATRO CRIANÇAS E ENTREGARÁ, A CADA UMA, ADEREÇOS MÍNIMOS PARA CARACTERIZAR AS PERSONAGENS. O ATOR DISTRIBUIRÁ AS QUATRO CRIANÇAS PELO PALCO, FACILITANDO O ENTENDIMENTO DO PÚBLICO).
Para contar a história da A-man-ti-kir, vou precisar de quatro crianças. Dois meninos e duas meninas. Quem quer brincar comigo? (APÓS ESCOLHER AS CRIANÇAS). Bom, fiquem atentos, cada um aqui é um personagem e eu vou contar a história e vocês ilustrarão, com o corpo e as expressões de vocês. Vamos começar.
(ENTREGANDO ADEREÇOS PARA CADA CRIANÇA)
Conrado Sardinha prepara criança para brincar de teatro. Foto: Atelier da Fotografia
(UM PEQUENO COCAR PARA UMA MENINA) – Você é uma indiazinha. (PARA A PLATEIA). Guardaram? Ela é uma índia da tribo tupi.
(UMA TESTEIRA DOURADA PARA UM GAROTO) – Você será o sol. O nosso rei dos astros. Um sol brilhante e forte!
(UMA TESTEIRA BRANCA PARA UMA MENINA) – Você será a Lua! Nosso satélite que enfeita o céu deixando-o claro, bonito.
(UM PEQUENO COCAR VERMELHO PARA UM MENINO) – E você, com esse cocar vermelho, será Tupã, o Deus poderoso dos índios. Deus tupã!
“O sol” observa “Tupã” sob o comando de Rodolfo Oliveira. Foto: Atelier da Fotografia
Agora, vamos começar a história. (APROXIMA-SE DE CADA CRIANÇA, NA MEDIDA EM QUE CRIA AS VOZES DE CADA PERSONAGEM. O TOM DA CENA DEVE SER FARSESCO, ACENTUANDO A BRINCADEIRA DO FAZER TEATRAL. O ATOR, SEMPRE QUE POSSÍVEL, ORIENTARÁ AS REAÇÕES E EXPRESSÕES DE CADA CRIANÇA).
ÍNDIA – Olá! Eu sou uma indiazinha tupi. Sou muito linda e gosto de brincar com as flores e com os pássaros. Ultimamente tenho ficado um pouco triste. É que estou apaixonada. Muito apaixonada. Super apaixonada! #apaixonada!
(O ATOR VOLTA A SER ELE MESMO ENQUANTO CAMINHA PARA O SOL)
ATOR – #apaixonada! Será que essa indiazinha tem whatsApp? Eu, hein. Vai saber, não é? Vamos ao outro personagem, o sol!
SOL – Olhem para mim! Vejam como sou… Amarelo como o ouro, gostoso como o amarelo mel! Todos admiram minha grandeza e ficam amarelados perante minha força. Meus raios são amarelos fantásticos!
Conrado Sardinha orienta criança que faz “o sol”. Foto: Atelier da Fotografia.
ATOR – (VOLTANDO PARA A ÍNDIA) Esse sol é modesto como ele só!
INDIA – Oh, como sou infeliz! Oh, de que me adianta ter os cabelos negros lindos, boca carnuda linda se o sol, por quem estou apaixonada, nem me enxerga. Oh! Estou apaixonada pelo sol e ele nem me percebe, não sabe que eu existo. Oh, mundo cruel!
Conrado Sardinha observa menina que faz “a lua”. Foto: Atelier da Fotografia.
ATOR – Coitadinha! A menina passava horas e horas olhando para cima e nada de o sol percebê-la! Que bobo! Uma indiazinha tão linda! Acontece que, um dia – sempre tem um dia nessas histórias – o sol percebeu a menina e… Ficou ligado na garota! Enfeitiçado pela doce indiazinha. Ficou tão apaixonado que resolveu não sair mais do alto do céu, só pra permanecer olhando a menina. Imaginem! O sol, parado no centro do céu, lá de cima namorando a menina! Os outros índios da aldeia, os animais, os seres todos não entendiam a falta da noite? Onde a noite tinha ido parar? Acontece que mais alguém estava apaixonada pelo sol! A lua! (APROXIMA-SE DA CRIANÇA QUE FAZ A LUA).
LUA – Ai que ódio! Que ódio, que ódio, que ódio! Esse solzinho ousa me desprezar! E pior, me trocou por essa indiazinha borocoxô.
ATOR (QUEBRANDO A CENA). Borocoxô? Que palavra antiga, dona lua! Assim a senhora entrega a sua idade. Ninguém mais por aqui sabe o que é borocoxô (VOLTA RAPIDAMENTE PARA A MENINA QUE FAZ A LUA).
LUA – Indiazinha chata foi o que eu quis dizer. E agora tenho que ficar aqui, no canto, porque o sol bobão não sai do alto do céu. Vou reclamar para Tupã, eles vão ver o que é bom pra tosse! (APROXIMANDO-SE DO MENINO QUE FAZ TUPÃ). Tupã, vê se pode, ele fica lá no céu, aquela indiazinha na terra, um chove não molha, e acabaram-se as noites, todas as noites! Como os animais vão descansar? Como as pessoas poderão dormir? Está tudo secando. Esturricando de tanto sol! Ah, eu tentei falar com ele e ele disse que nem Tupã, nem você, Tupã, tira ele de lá!
ATOR – Luazinha ciumenta. Venenosa. Tupã não deixou por menos.
Um “tupã” feliz ao lado de Rodolfo Oliveira. Foto: Atelier da Fotografia
TUPÃ – Acordem nuvens negras! Acordem raios enraivecidos! Escureçam todo o céu. Tirem o sol para lá! Vou criar, com minhas mãos de Deus, a montanha mais alta que já existiu! Apareça! Grande montanha! Enorme, imensa!E vou colocar essa indiazinha lá dentro, longe dos olhos do sol. E resolvo essa situação.
ATOR – (REUNE AS QUATRO CRIANÇAS PERTO DE SI) Pobre indiazinha! O que poderia fazer contra Tupã, a Lua? Lá, dentro da imensa serra criada por Tupã só fazia chorar. Chorou tanto, mais tanto, que suas lágrimas alcançaram o topo da serra e desceram, formando rios e mais rios por todo o vale. Foi assim que surgiu A-man-ti-kir, a serra que chora. A-man-ti-kir, que todos chamamos Mantiqueira! E assim termina nossa história. Palmas para nossos atores! (AGRADECE AS CRIANÇAS, CONDUZINDO-AS DE VOLTA A SEUS LUGARES).
Linda a lenda de como surgiu a Serra da Mantiqueira, vocês não acham? Nas minhas apresentações teatrais essa lenda interessa a todos, pois todos ficam encantados com a grandiosidade e beleza da nossa Mantiqueira.
Vocês sabiam que a Mantiqueira tem 500 quilômetros de extensão? E que dos dez pontos mais altos do Brasil, quatro estão aqui, na nossa serra? Todavia, esses números todos que dizem respeito ao complexo imenso da Mantiqueira não são mais importantes que um único pôr de sol. Nós, que somos daqui, somos presenteados constantemente com imagens mágicas, fantásticas, o melhor show que a natureza pode oferecer.
Eu já estive lá em cima, à noite, acampando em noite de lua cheia. O nosso vale é tão lindo e as nossas cidades, iluminadas, parecem o céu na terra, cheio de estrelas reunidas em grupos, cada grupo indicando uma localidade. Cruzeiro, Lavrinhas, Queluz, Lorena, Aparecida, Taubaté…
Uma noite de lua muito clara, lá de cima, todos nós conseguíamos ver o Rio Paraíba, serpenteando pelo Vale. Nosso belo rio Paraíba do Sul não nasce na Serra da Mantiqueira; ele vem de outro lado, a Serra da Bocaina que, por sua vez, é parte da Serra do Mar. Para que os colonizadores chegassem até aqui tiveram que subir a Serra do Mar e para irem atrás do ouro, em Minas Gerais, tiveram que atravessar a Mantiqueira. Nosso Vale do Paraíba ali, entre duas serras.
A história do Vale do Paraíba ganha dimensão mundial, mundial mesmo, no período em que o Brasil não só exportava café para o mundo todo; nosso país era o maior produtor de café e as primeiras fazendas mais importantes estavam aqui, no Vale do Paraíba. O nosso ouro, a nossa riqueza veio primeiramente do café.
(CANTA A CANTIGA “O CAFÉ”)
Cantiga de roda e também de trabalho: “O Café” foi um dos resgates do Arte na Comunidade.
Uma reviravolta mundial ocorreu em 1929, quando a bolsa de valores de Nova York caiu, fazendo cair os preços das mercadorias em praticamente todo o mundo. O café, que valia ouro, passou a valer muito pouco e como tínhamos grandes estoques tivemos que queimar o café que não conseguimos vender. Muitos fazendeiros ficaram arruinados, mas logo em seguida se levantaram, extraindo madeira das encostas da serra, cultivando cana de açúcar e, depois, com o passar dos anos, valorizaram a pecuária leiteira, da qual fomos grandes produtores. Café, madeira, cana, leite! É muita riqueza!
Se a gente prestar atenção vai perceber que toda a riqueza da nossa região está ligada aos nossos rios. Todo o nosso vale é amplamente irrigado por água doce.
Podemos dizer que a vida das pessoas, habitantes do Vale do Paraíba, está intimamente ligada aos rios, cachoeiras, córregos; há histórias, muitas histórias envolvendo nossa gente e os rios. Há verdadeiras, aquelas que estão registradas nos livros e na lembrança das pessoas e há também outras, que aconteceram no imaginário de alguns criadores que, contando fábulas e lendas para os filhos, netos, amigos, enriqueceram a imaginação de todos.
É daqui, do Vale do Paraíba, que as histórias do Saci, do Caipora e da Cuca, entre muitos outros seres, saíram para ganhar páginas de livros, as telas do cinema e da televisão (PEGA O LIVRO CONTOS E LENDAS DE UM VALE ENCANTADO, DE RICARDO AZEVEDO). Algumas estão aqui, neste livro. Histórias contadas pelas avós, pelos tios, que foram recolhidas por um autor legal, o Ricardo Azevedo. Eu gosto muito da história que ele chama de Sopa de Malandro.
Conrado Sardinha exibe o livro de Ricardo Azevedo. Foto: Atelier da Fotografia
Essa história é do tempo quem que Pedro Malazarte, um caboclo esperto andava por todo lado. Ele gostava de correr mundo e um dia veio passear por aqui, no Vale do Paraíba. Subiu um pouco da serra, cansou, voltou, atravessou rios, córregos, boa parte do vale e, claro, teve uma hora que sentiu muita fome. Mas, muita fome mesmo! Sabe aquela fome que parece que está destruindo a barriga da gente? Pois então, quando Pedro passou por uma casa, em uma das tantas fazendas por aqui, sentiu cheiro de comida… Esperem! Vou interpretar os dois; o Pedro e a dona de casa. Foi mais ou menos assim:
(VINHETA. O ATOR PREPARA-SE PARA INTERPRETAR PEDRO MALAZARTE E UMA COZINHEIRA DO VALE. UM CHAPEU PARA PEDRO E UM LEQUE PARA A DONA DE CASA SÃO OS ELEMENTOS MÍNIMOS SUGERIDOS).
Duas personagens e um ator. O Projeto priorizou o jogo teatral. Foto: Atelier da Fotografia
PEDRO – Ai, que fome! Como é duro caminhar quando a gente tem fome. Esperem, mas que cheiro de comida é esse? Hum; que delícia! Não resisto, vou pedir um pouquinho dessa comida.
ATOR – Pedro bateu palmas (FAZ A AÇÃO) e apareceu uma mulher, com cara de poucos amigos. (FAZ UM PEQUENO JOGO, SIMULANDO OS DOIS PERSONAGENS)
MULHER – O que o senhor quer?
PEDRO – Boa tarde, Dona. Andei a manhã inteira, a tarde toda, venho de longe e não tenho nada para comer. Estou com tanta fome! A senhora poderia me arranjar um pouquinho de comida?
ATOR – E a mulher, com cara de deboche e de poucos amigos respondeu:
MULHER – Moço, não tenho comida. Aliás, eu nem vou jantar. Outro dia, quem sabe!
ATOR – O cheiro de comida que se espalhava pelo ar dizia que a mulher era mentirosa. Pedro fingiu acreditar e, de repente, teve uma ideia. Vejam o que ele fez!
PEDRO – Tudo bem, dona. Não faz mal. Eu dou um jeito. Já que a senhora não pode me dar comida eu vou preparar uma sopa de pedra.
MULHER – Sopa de quê?
PEDRO – Sopa de pedra! A senhora nunca experimentou? É uma das melhores sopas que tem. Aprendi com minha mãe. A mãe da senhora não ensinou como fazer sopa de Pedra? É melhor que sopa de batata, cenoura, sopa de feijão, de milho.
MULHER – Nunca ouvi falar.
PEDRO – Se a senhora me emprestar um tacho, eu faço a sopa pra matar a minha fome e, ao mesmo tempo ensino-a como fazer uma deliciosa sopa de pedra.
As versões de Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira para o Pedro Malazarte.
ATOR – Já ouviram dizer que a curiosidade matou um burro? Pois então; e não é que a mulher emprestou um tacho para o Pedro? Ele, espertíssimo, arrumou alguns gravetos, fez uma fogueira, encheu o tacho de água e colocou pra ferver, enquanto saiu por ali, bem em frente à mulher, escolhendo as pedras para a tal sopa.
PEDRO – (PEGANDO SUPOSTAS PEDRAS) Hum; essa pedra é boa. Substanciosa! Essa aqui também; essa, não. É dura demais. Nossa; essa é das mais gostosas que tem. E essa daqui? Delícia!
ATOR – A mulher olhando e Pedro catando pedras. Limpou todas e já foi jogando dentro do tacho. Quando a água começou a ferver ele, com a voz mais macia do mundo, pediu:
PEDRO – Não daria pra senhora me arrumar uma colher e um tantinho assim de manteiga? Por obséquio!
ATOR – A mulher atendeu arrumando a colher e a manteiga, curiosa para ver como era a tal sopa. Pedro começou a mexer a sopa e voltou a pedir, com a mesma voz macia.
PEDRO – E um tiquinho de sal, tem?
ATOR – A mulher atendeu e o Pedro emendou:
PEDRO – E um pouquinho de cheiro-verde? E uma rodelinha de cebola? Uma batatinha e um chuchu, tem? Essa sopa vai ficar muito boa!
ATOR – E a mulher, só indo buscar coisa por coisa que o Pedro pedia. O cheiro começou a ficar bom e foi então que Pedro fez o pedido final:
PEDRO – Por favor, a senhora não tem um pedacinho de linguiça e um punhadinho de arroz? É só pra dar gosto.
ATOR – A mulher voltou com a linguiça e o arroz. Pedro terminou de fazer a sopa e ainda pediu um prato e uma colher para a mulher que, ali, curiosa, viu ele tomar toda a sopa. E lá se foi o cheiro-verde, a cebola, a batata, o chuchu, a linguiça e o arroz. A mulher até sentiu vontade de tomar um pouco da sopa, mas Pedro tomou tudo, deixando as pedras no fundo da panela. Só as pedras. A mulher, olhando aquilo e já se sentindo otária perguntou:
MULHER – Mas… e as pedras?
ATOR – Pedro pegou as pedras, guardando-as no bolso e se despediu, rindo da cara da mulher.
PEDRO – Vou levar as pedrinhas comigo, para a próxima sopa! Tchau! (CORRE EM VOLTA DO PALCO, COMO SE FUGINDO DA MULHER)
ATOR – Não adiantou nada ser ruim e não dar comida para o Pedro. Ele, esperto, levou a melhor! Há muitas outras histórias aqui e em outros livros do Ricardo Azevedo. Este livro chama “Contos e Lendas de um Vale Encantado”, o nosso vale do Paraíba. A gente pode ler as histórias e contá-las para outros, brincando de fazer teatro, como fizemos agora. Mas, não são só lendas que tem aqui. Há ditados populares da região, quadrinhas, receitas, crendices e adivinhas. Quer saber, vamos brincar de adivinhas?
Vou convidar algumas crianças para brincar de adivinha!
(O ATOR CONVIDA CRIANÇAS, COLOCANDO-AS AOS PARES PARA TENTAR ADIVINHAR AS RESPOSTAS DAS PROPOSIÇÕES. UMA PRANCHETA E LÁPIS OU CANETA SERÃO OFERECIDOS PARA QUE AS CRIANÇAS REGISTREM AS RESPOSTAS. O ATOR DIRÁ A ADIVINHA, REPETIRÁ A MESMA E DARÁ TEMPO PARA AS RESPOSTAS).
ATOR – Prestem bastante atenção que esta é fácil. Vamos lá. Ninguém fala a resposta, anota no papel pra que a gente veja quem adivinhou. Não vale assoprar. Lá vai:
O que é; o que é?
Luiz tem na frente
Miguel tem atrás
Solteiro tem no meio
E casado não tem mais?
(O ATOR REPETE A ADIVINHA E ESTABELECE O TEMPO PARA A RESPOSTA. APÓS UM TEMPO MÍNIMO DÁ A RESPOSTA E INICIA A PRÓXIMA ADIVINHA).
A adivinha estimula a memória e a interpretação de texto. Foto: Atelier da Fotografia
ATOR – Muito bem, agora vamos para a segunda adivinha. Muita calma, atenção e vamos adivinhar. Não se esqueçam, não é pra falar, é para escrever a resposta.
O que é; o que é?
É verde, mas não é planta,
Não é bule, mas tem bico.
Conversa, mas não é gente,
Vergonha não tem um tico?
ATOR – Palmas para quem acertou! Agora, a última adivinha! Vamos ouvir, adivinhar e anotar a resposta. Atenção! Essa adivinha é das boas!
O que é; o que é?
É ave, mas não tem bico.
É ave, mas ninguém caça.
É ave sem asa e sem pena.
É ave cheia de graça.
(O ATOR DÁ A RESPOSTA, PEDE APLAUSOS PARA OS PARTICIPANTES, AGRADECE E CONDUZ AS CRIANÇAS A SEUS LUGARES).
ATOR – Ave-maria! Maria, a Aparecida. Nossa região ficou muito famosa por conta da aparição da imagem de Maria no Rio Paraíba. A mãe do Cristo não só teria aparecido, mas também feito vários milagres. O Vale do Paraíba abriga todas as religiões, mas é impossível negar a importância de Aparecida no cenário católico nacional.
Todo mundo sabe ou ouviu falar de como a imagem apareceu. Um fidalgo português com fome, exigindo comida e a saída foi pescar para atender o homem. Três pescadores encontraram a santa ao jogarem a rede para pescar. Acharam o corpo, sem cabeça, em seguida pescaram a cabeça da imagem e por fim, conseguiram pescar muitos peixes. Ok! Acharam a imagem dentro do rio. Mas, cá pra nós, quem foi que jogou a santa dentro do Paraíba?
Quem foi que jogou a santa dentro do Paraíba?
Diz a lenda, e aí, é lenda, que no tempo de antigamente apareceu uma gigantesca e monstruosa cobra no rio Paraíba. Era tão grande, mas tão grande, que quando a cabeça estava em Queluz, o rabo ainda estava em Cruzeiro! Dizem que ela devorou muitos pescadores e que fez buracos imensos, pra se esconder, em toda a extensão do rio. O povo tinha medo que as cidades despencassem, caindo nos buracos feitos pela cobra gigante e vivia assustado pelas constantes mortes de pescadores. O buraco feito pela cobra ia longe, tão fundo, que diziam que chegava até ao inferno. Um terror! Até que um dia, o povo resolveu pedir ajuda à santa:
Rodolfo Oliveira diz versos inspirados em Ariano Suassuna. Foto: Atelier da Fotografia.
Valei-nos, Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!
Não há bode, não há cobra, ninguém que pode com a fé,
Afaste do rio essa cobra, mande-a pra onde puder,
Valei-nos, Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré.
E jogaram a imagem no rio, bem na frente da cara da cobra. É, foi isso sim. A imagem foi boiando rio abaixo e a cobra foi seguindo, seguindo, até desaparecer pra nunca mais voltar. O monstro foi embora e a imagem acabou se partindo nas pedras do Paraíba, indo para o fundo, só sendo encontrada muito tempo depois. Como diz Chicó, aquele amigo de João Grilo, que por sua vez é amigo da Compadecida, tudo gente do Ariano Suassuna: “- eu não sei, só sei que foi assim”!
Esse tempo de santos e lendas, de índios e colonizadores ficou na história, lá longe. O Vale do Paraíba, como todo bom lugar, foi se transformando com o crescimento do país, com a chegada das grandes empresas, grandes indústrias que favoreceram o crescimento das cidades mudando tudo por aqui. Só aqui, no Estado de São Paulo, são 39 municípios sediados no Vale do Paraíba. Alguns se tornaram grandes metrópoles, mudando totalmente a economia da região.
Outro dia estava olhando e descobri que temos, em todo o Vale, mais de dois milhões e duzentos mil habitantes! Mais de dois milhões! É gente demais, não é? Gente que precisa trabalhar, que precisa de energia elétrica pra manter usinas siderúrgicas, a indústria aeronáutica, indústria bélica além, é claro, da agropecuária. Uau! Muita coisa!
Quando há muita coisa os problemas aparecem. Por isso devemos estar sempre atentos para garantir a qualidade de vida do nosso vale. Quando visitei as escolas, quando estive aqui, ensinei origami para algumas crianças.
Luciana Fonseca com o origami, feito junto com os alunos de cada cidade.
Fizemos um peixe, lembram-se? Para quem não se lembra, ou para quem não sabe, a ideia é fazer um peixe com dobradura, a arte do origami e, com isso, alertar as pessoas para que não sujem nossos rios. Vamos fazer o peixe? Vou ensinar a vocês.
Momento de fazer origami para lembrar de preservar o rio.
(APÓS FAZER O PEIXE, PROSSEGUE) Desta vez, além de fazer o peixe – sim, porque essa é uma campanha que devemos manter, sempre! – vou cantar pra vocês uma música! Mas, eu gostaria de não cantar sozinho. Quero algumas crianças que façam o coro, cantando junto comigo. Quem gosta de cantar? Quem vem cantar comigo?
(O ATOR DEVE ESCOLHER UM MÍNIMO DE CINCO CRIANÇAS, NO MÁXIMO DEZ, EVITANDO ENCHER DEMAIS O ESPAÇO CÊNICO. DEVE ENSINAR O REFRÃO E, SEMPRE QUE POSSÍVEL, UMA COREOGRAFIA BÁSICA).
ATOR – Atenção que primeiro vamos aprender o refrão:
Limpe a água
Limpe o rio
Piraquara quer pescar!
ATOR – Piraquara é o pescador, o homem do campo que vive da pesca. Vamos lá, de novo, vamos aprender a cantar e a dançar, vamos fazer um som legal.
Limpe a água
Limpe o rio
Piraquara quer pescar!
ATOR – E agora que estamos com o refrão na ponta da língua vou fazer o meu som, que lembra muitos peixes de água doce e alguns dos principais rios do nosso país. Vamos lá!
(A MÚSICA DEVE SER ACOMPANHADA, NO MÍNIMO, POR PALMAS FAZENDO O RITMO E DANDO ANDAMENTO APROPRIADO. O REFRÃO É DITO PRIMEIRAMENTE PELO ATOR QUE, NO BIS, PEDE O ACOMPANHAMENTO DAS CRIANÇAS).
Cadê tilápia, traíra?
Onde tem tucunaré?
Piabuçu nunca vi!
Nem jundiá, nem mandi!
Limpe a água, limpe o rio
Piraquara quer pescar
Pra onde foi surubim?
Piau-palhaço vai voltar?
Não vejo mais lambari
Piabanha onde é que tá?
Limpe a água limpe o rio
Piraquara quer pescar
Bagre-guri tem ali?
Ximboré, curimbatá?
Corvina do outro lado?
Dourado veio pra ficar!?
Limpe a água limpe o rio
Piraquara quer pescar
Paraíba, Rio Doce,
Amazonas, Paraná
São Francisco, Beberibe,
Araguaia, Japurá,
Rio Madeira, Tietê,
Rio Purus, Juruá,
Tocantins, Solimões,
Brasileiro quer pescar!
Limpe a água limpe o rio
Brasileiro quer pescar (REPETE DUAS VEZES)
(O ATOR AGRADECE E CONDUZ AS CRIANÇAS A SEUS LUGARES, PREPARANDO-SE PARA ENCERRAR A APRESENTAÇÃO)
ATOR – Cantar é bom, porque dá um clima de festa. E essa festa é válida para que nós fiquemos atentos para as coisas do nosso Vale do Paraíba. Para os problemas, buscaremos soluções e para tudo o que há de bom por aqui vamos preservar e celebrar, meus amigos…
(CONFORME A CIDADE, O RESPECTIVO ATOR DIZ OS VERSOS ABAIXO)
Luciana Fonseca esteve em Queluz
Violeta é meu nome!
Sendo pobre nunca passei fome,
Pois nasci em belo vale
Onde aprendi a pescar,
A carpir, fabricar!
Senhores, sou de Queluz
Devo me despedir,
Agora vou terminar.
Além de Lavrinhas, Rodolfo Oliveira também foi Pedro Menestrel, em algumas escolas de Cruzeiro
Adriano, este é o meu nome,
Sendo pobre, nunca passei fome,
Pois nasci em belo vale
Onde aprendi a pescar
A carpir, fabricar!
Senhores, nascido em Lavrinhas!
Devo me despedir,
Agora vou terminar.
Conrado Sardinha apresentou-se em Cruzeiro.
Pedro Menestrel é meu nome
Sendo pobre, nunca passei fome,
Pois nasci em belo vale
Onde aprendi a pescar
A carpir, fabricar!
Senhores, nascido em Cruzeiro!
Devo me despedir,
Agora vou terminar.
(APÓS OS VERSOS O ATOR DESPEDE-SE CANTANDO)
E agora, quem se lembrar da canção que cante comigo: