São Paulo feito gente

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Aniversário da cidade como aniversário de gente.

Vontade de manifestar carinho

Desejo de abraçar gostoso

Estreitar laços, reforçar sentimentos.

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Canções e versos alegrariam São Paulo;

Bolos e doces saciariam a cidade.

Flores suavizariam seus imensos cinzas…

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Muitos sonham São Paulo limpa

Outro tanto, silenciosa;

Sem congestionamentos.

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Aniversário da cidade como aniversário de gente

Quem ama a cidade só pode desejá-la feliz

Não hoje, mas sempre. Feito gente.

– Feliz aniversário, São Paulo!

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Valdo Resende, Janeiro de 2014

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Um laptop no agreste

Educação e informação são complementares. Não é possível educar sem informar. Com o advento da Internet a humanidade vive uma brutal transformação e, assim, é fundamental que todos possam acessar a rede. Foi com imensa alegria que encontramos Felipe, um garoto que vive no agreste pernambucano, usando seu laptop sob a sombra de um cajueiro.

Um menino em contato com o mundo.
Um menino em contato com o mundo.

Felipe mora a 90 quilômetros de Recife, na região de Limoeiro. Geograficamente a cidade é o marco onde o Capibaribe toma a forma de grande rio, que é como todo recifense o conhece. O menino mora em um sítio, distante da cidade, mas foi agraciado com um computador e está em contato com o mundo através de um sistema que possibilita o acesso diário.

Não pretendo, aqui, fazer apologia de qualquer governo que seja; registro sim, minha esperança em um Brasil melhor com milhares de “Felipes” inteirados do mundo que os cerca.  Já vi outras crianças beneficiadas com computadores em Uberaba, Minas Gerais. Não sei se essas têm acesso gratuito à web. Fiquei encantado por encontrar um computador em pleno agreste, no meio do que um sujeito urbano como eu costuma denominar “nada”. Pois bem, no “meio do nada” Felipe poderá ler até este post!

O agreste é região de transição para a caatinga. Se há certo grau de aridez no agreste, fica bem mais seco no vizinho Piauí. Pois foi naquele estado, no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato onde vi, pela primeira vez, um sistema simples de coleta de água que aproveita as raras chuvas da região para garantir reserva do precioso líquido para a população. Esse consiste em colocar calhas ao redor do telhado das casas, canalizando a água para um “caldeirão”, que é como chamam o recipiente por lá.

Na casa de Felipe e na maioria das casas dessa região rural de Pernambuco encontramos sistema similar. A diferença é que a água ficará armazenada em grandes tanques de borracha, assentados ao lado de cada casa. O poder público fornece as calhas, o tanque e faz a montagem dos coletores. Aos moradores cabe cavar o buraco onde é fixado o grande tanque.

As calhas que coletam a água e, no detalhe, um poço aguardando o tanque.
As calhas que coletam a água e, no detalhe, um poço aguardando o tanque.

Um dia sem abastecimento de água coloca-nos à beira de uma crise. Os apagões causam imenso transtorno para todo mundo. Pois a família de Felipe viveu sem luz elétrica até o ano de 1996, e só agora chega um concreto sinal governamental para minimizar o problema de água. As coisas tendem a mudar; e muito!

O antigo e o atual sistema de armazenamento.
O antigo e o atual sistema de armazenamento.

Muitos “Felipes” descobrirão outros mundos através da rede; outros sistemas de governo, de coleta de água, de saneamento, assim como outras formas de administração. Se grupos políticos dominam os meios de comunicação locais, nossos pequenos “Felipes” poderão saber da verdade por outros veículos, até mesmo de outros países.

É fato que um dirigente garante votos ao propiciar bolsas disso e daquilo. Por outro lado, o dirigente que facilita a informação sabe que promove um caminho sem volta: o da consciência de mundo; um mundo que vai muito além dos interesses de pequenos grupos. Felipe com seu laptop é o retrato de um pequeno brasileiro que somado a inúmeros outros fará deste o país que sonhamos. Um lugar bom; aquele que nos dá o prazer de dizer que Deus é brasileiro.

Até mais!

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Banzo

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Diante desse marzão que assusta
Com seus mistérios e movimentos constantes,
ondas incertas sob sol escaldante
penso nas montanhas de Minas
nos chapadões da minha terra.
Não sendo daqui, sabendo que não voltarei para lá
sinto-me estrangeiro em todo canto
e trago constantemente na bagagem
Um pouco de tristeza, nostalgia e saudade.

Recife, verão de 2014

Verão interrompido

Duas meninas:

Ana Clara com seis anos

Iris Stefanie, apenas oito.

Jogaram combustível e atearam fogo em Ana

Esfaquearam Iris, lavaram o corpo e assim foi encontrada.

Duas meninas, um verão.

E a incômoda sensação de que só nos resta orar:

Pelas meninas, por todos nós

Por este insensato mundo.

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O Recife que aprendi a amar

O Recife que aprendi a amar

É cidade de poeta;

Um poeta. Manuel Bandeira!

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Sem Pasárgada. Esta fica para outro dia. Vou-me embora pra Recife

e levo, na bagagem, outros versos de Bandeira que, com prazer,

divido com quem me honra visitando e lendo este blog.

Teu corpo… a única ilha

No oceano do meu desejo.

(Poemeto erótico)

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo.

(Os sapos)

A mameluca é uma maluca.

Saiu sozinha da maloca…

(Berimbau)

Uns tomam éter, outros cocaína

Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.

(Não sei dançar)

És linda como uma história da Carochinha…

(Mulheres)

 

Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

(Poética)

 

Lagoas das Alagoas,

Rios do meu Pernambuco,

Campos de Minas Gerais!

(Sextilhas românticas)

 

Disse que ela era boa.

Que ela era gostosa,

Que ela era bonita pra burro:

Não fez efeito.

(Rondó de efeito)

 

Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô.

(Evocação de Recife)

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Até mais!

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Vamos sair pra ver o sol

…Quero que você me dê a mão, vamos sair

por ai, sem pensar no que foi que sonhei, que chorei, que sofri

pois a nossa manhã já me fez esquecer

Me dê a mão vamos sair pra ver o sol…

e se chover, a gente vê a chuva; se fizer frio, vamos nos aquecer em um gostoso abraço; e se não acontecer nada, a gente curte o silêncio. FELIZ  2014. E, por gentileza, ouçam a música. Nana Caymmi e o irmão, Dori, estraçalham. Um carinhoso abraço para todo mundo.

 

Até mais!

Lero-lero e ano novo

ano novo

Após todo o lero-lero de fraternidade e paz no natal vamos terminar o ano na real, com uma sessão de pancadaria digna do mundo violento em que vivemos. Com ares de espetáculo e fazendo de conta que é esporte, dois indivíduos vão mostrar como esmurrar, chutar e derrotar o próximo. Feliz ano novo!

Obviamente evoluímos. Tanto é que uma das grandes atrações desta noite será o encontro entre duas suaves moçoilas, Ronda e Mesha, que provarão que mulheres abandonaram unhadas e puxões de cabelo. Digníssimas fêmeas do nosso tempo trocarão sopapos como qualquer ser humano. Feliz ano novo!

Evoluímos também ao condenar a violência contra animais. Criamos leis para defender os bichinhos. Não somos capazes, porém, de colocar entre grades os indivíduos que batem em mulheres; a solução ideal então é colocar as meninas sobre tatames.

Após as lutas da noite estaremos mais próximos do ano de paz e harmonia do lero-lero das palavras. Esqueceremos a violência nos estádios, no cotidiano das cidades, no quarto fechado de inúmeras famílias e repetiremos as palavras decoradas desde que nos entendemos por gente: Feliz ano novo!

É só. Outras lutas virão. Feliz ano novo!

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