Tempo de trégua

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Por todos os cantos há a sensação de finitude

Acentuando-se conforme antevemos o novo ano

Um fim em que, por tempo restrito, prevalece a alegria.

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Acordo tácito para imensa trégua

Nenhuma notícia ruim abala, interfere

Estamos felizes. É tempo de ser feliz.

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Certa lei, implícita, determina que tudo valeu a pena

Ganhos, aprendizados, experiências, lucros.

Perdas e problemas vão para escaninho próprio e,

Se houver solução fica para o próximo ano.

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Dezembro é quando o sonho parece vida.

O vizinho, que nunca nos fala, deseja-nos feliz natal

Despedimo-nos dos colegas com solidariedade impecável

E escolhemos meticulosamente cada mimo para os seres amados

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Em dezembro a vida é sonho

Acreditamos na humanidade e somos unidos pelo deus menino

Tempo frágil de semeadura, de esperança.

De sonhos infinitamente maiores:

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Que a honestidade vença

Que a fraternidade prevaleça.

Que vivamos em paz.

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Valdo Resende, dezembro de 2013.

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Alimento para o coração

Outras praças, outra gente, somando momentos
Outras praças, outra gente, somando momentos

Final de ano bem próximo, as férias já praticamente presentes e tenho que refrear todas as vontades, melhor expressas por Fernando Pessoa através do heterônimo Álvaro de Campos em “Passagem das Horas”:

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

Quero mais. Quero rever lugares e pessoas. Conhecer outro tanto. Bem provável que escreva um pouco menos. Que aqui, neste blog, as postagens soem telegráficas. Compreendam, por gentileza. Estou em férias. Mas, não deixarei de passar por aqui, como sempre tenho feito. Acrescentarei um pouco mais ao que já “trago dentro do meu coração” e, com certeza, dividirei com todos aqueles que me prestigiam passando por aqui.

Boa semana para todos!

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A rua do Bino

Bino no telão, durante homenagem.
Bino no telão, durante homenagem.

A Prefeitura de Uberaba e a Câmara Municipal de Uberaba realizaram uma cerimônia de denominação de logradouros públicos. O evento ocorreu na sexta, dia 6 de dezembro, no Cine Teatro Municipal Vera Cruz. Diversas personalidades da cidade passam a identificar ruas e praças da cidade, uma homenagem póstuma dos representantes municipais, de amigos e familiares aos que, sob diferentes formas, colaboraram ao longo de suas vidas no cotidiano de Uberaba.

Tive a honra de, em nome dos meus familiares, receber a placa comemorativa da rua identificada pelo nome do meu pai.Desde então a rua mais querida da nossa família, oficialmente denominada “Felisbino Francisco de Resende(Bino) está no jovem bairro Residencial Rio de Janeiro I. Minha mãe, Laura, e todos nós, filhos do Bino, estamos profundamente agradecidos e honrados pelo reconhecimento das diferentes pessoas que conviveram com o “Bino”.

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A história de meu pai com Uberaba começou em 1945. Convocado para lutar na II Guerra Mundial, Felisbino Francisco Rodrigues de Resende tomou um trem especial em Araguari, primeira etapa da viagem para conduzir os “Pracinhas” até ao Rio de Janeiro, de onde seguiriam para o front. Quando o trem passou por Uberaba chegou a notícia da primeira grande vitória dos Aliados. Papai chegou até ao Rio de Janeiro, mas não precisou embarcar para a Itália. A Guerra chegava ao fim e Felisbino guardou Uberaba como talismã, a cidade que lhe trouxe a boa sorte.

Trabalhando com Parque de Diversões, Felisbino fixou residência em Uberaba dez anos após a Guerra. Estava casado, com quatro filhos e foi aqui que nasceram outros dois, completando a família. Deixando o parque, ficou com um stand de tiro ao alvo. Colocava este nas festas religiosas da cidade (Nossa Senhora da Abadia, São Benedito, São Judas Tadeu, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Fátima) e na Exposição Nacional de Gado Zebu. Tornou-se conhecido de diversas gerações e fez incontáveis amigos pela cidade.

Anos depois, aproveitando a oficina que mantinha no quintal de casa, aqui no Bairro Boa Vista, papai construi um parque com suas próprias mãos. Cada barraca, cada stand, cada brinquedo foi moldado, construido peça a peça e montado no páteo da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, por gentileza do vigário de então,  Padre Nicola Rudge, a quem carinhosamente chamávamos Padre Nicolau. O “Parque Boa Vista” foi oficialmente inaugurado na quermesse em honra a Nossa Senhora das Graças e, por mais de vinte anos, percorreu os bairros de Uberaba e algumas cidades da região. Aposentado, o Parque Boa Vista foi vendido, mas o Bino, que gostava daquele trabalho e de estar entre amigos, insistiu em manter o stand de tiro ao alvo que, durante muitos anos, permaneceu montado na Rua Prudente de Moraes, no Bairro da Abadia.

Foi assim, levando alegria e diversão para as pessoas que papai fez, com certeza, milhares de amigos em Uberaba. Quando faleceu, em 2005, recebemos o consolo da amizade de centenas de pessoas. O Bino foi então homenageado em Sessão da Câmara Municipal e, posteriormente, pela Comunidade do Campinho.

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D. Laura, nossa mãe, emocionada, segura a placa comemorativa

Neste ano de 2013 surge a Rua Felisbino Francisco Resende (Bino). Assim, o Bino entra oficialmente para a história da cidade. Algumas pessoas estiveram empenhadas para tal acontecimento, assim como diferentes lideranças municipais do exercício anterior e do atual exercício na Câmara Municipal de Uberaba. Entre todos, merecem nosso especial agradecimento a líder comunitária Edna Maria Idaló e ao Vereador Marcelo Machado Borges, o Borjão.

Muito obrigado, Uberaba. Certamente o Bino, mineiríssimo, sempre brincalhão, diria: – To parecendo o Juscelino Kubitschek!

Até mais!

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Outras lições de Dona Fernanda Montenegro

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Aprende-se muito com uma atriz como Fernanda Montenegro. A entrevista de hoje, por si, tem uma consistência fora do comum. Pincei  algumas frases que não devem ser esquecidas:

Todo velho tem uma zona de maluquera”.  

Sou um ser que nasceu pra me desdobrar em filhos.”

 “Viver é uma prova dos diabos.”

 “Não lamentar a vida.”

 “Eu não quero perder minha memória. Eu sou a minha memória”.

Foi sempre assim; ao longo de muitos anos guardei algumas frases, algumas atitudes de Fernanda Montenegro que me fizeram, além de respeitar profundamente a atriz, admirar a mulher, a Arlete que não conheço, mas que aparece nas ações da pessoa pública. Vou recordar, neste texto, aquilo que guardei na memória sobre Fernanda Montenegro.

Em um “Frente a frente”, Marília Gabriela perguntou o que a atriz, visivelmente bem cuidada, faz para manter-se bem. Fernanda Montenegro não titubeou: “- Eu tomo banho!”. A apresentadora fez menção de afirmar ser óbvio e a atriz continuou lembrando que muita gente não toma… Estive outro dia em uma festa. Recordei essa entrevista quando fui abraçado por alguém que, embora fosse dia de festa, não cheirava nada bem. A estampa era boa, à distância tudo parecia bem. Mas, faltou o banho…

Outra sábia lição da nossa grande atriz: Convidada para ser Ministra do Presidente José Sarney, recusou afirmando em carta não ser essa (a carreira de política profissional) a sua vocação. Fernanda Montenegro poderia ter sucumbido à vaidade e demais facilidades de uma vida no centro do poder. Preferiu o palco onde recebe justo reconhecimento e não precisa de bajulações. E quando se faz necessário, une-se à classe artística para reivindicar direitos.

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Como Picucha, em Doce de Mãe. Trabalho premiado.

O nome da atriz, nas produções Globais, sempre aparece por último. Nunca vi nenhum contrato, mas sou do tempo em que as emissoras cortavam as chamadas, os créditos anunciando os atores, aumentando o tempo de comerciais. Li que Fernanda Montenegro só assina contratos quando aceitam a exigência do nome dela por último, o contratante correndo o risco de multa caso isso não ocorra. Um meio eficaz de usar o próprio prestígio para favorecer aos colegas de classe.

Esta outra lição eu assisti, durante um programa de Hebe Camargo. Beatriz Segall, que nunca foi simpática, lamentou o assédio do público, perguntando às colegas presentes (Fernanda Montenegro, Tonia Carrero e outras) se elas também se irritavam com pedidos de fotos e autógrafos. Fernanda foi incisiva, deixando claro que deve o sucesso e a própria carreira ao público e que o mínimo que um ator pode fazer é ser gentil com quem o aplaude.

Outra grande atriz, Bibi Ferreira, nunca fez novela. Sempre criticou ou deixou nas entrelinhas que o folhetim televisivo é algo menor. Em dado momento, Fernanda Montenegro afirmou: “-Sou uma atriz do meu tempo”, deixando evidente que a televisão é um meio deste tempo, assim como é o cinema, o teatro. Ao evidenciar sintonia com o tempo em que vive, Fernanda Montenegro caminha à frente de muitos outros e não por acaso se tornou referência da profissão.

Há tantas lições de Fernanda Montenegro! A maior de todas, penso, está na própria maneira de viver, trabalhando! Em nosso país há muita gente que só pensa em aposentadoria, em ficar de papo pro ar bebendo cerveja, querendo “curtir a vida”, é a expressão mais comum. Nossa grande atriz, aos 84 anos, não pensa em parar. Vê pouco os netos, pois trabalha muito. “-Mas estamos aí, juntos”. O Emmy, que é apenas o prêmio mais recente, foi dedicado aos três netos.

Todo barulho é pouco para essa grande mulher. Salve, Dona Fernanda Montenegro! Obrigado por tantas lições de vida!

Boa semana para todos.

Nota:

(Veja toda a entrevista de hoje clicando aqui)

Canta Brasil!

Esperar destaque para a música brasileira de um programa denominado The Voice é chover no molhado. Somos colonizados e há muitos, entre nós, que pensam que “gritar” em inglês faz do sujeito um grande cantor. O certo é que há um número considerável de brasileiros que entendem parcamente o que diz – canta – cada candidato; assim, pouco importa se o indivíduo pronuncia parcamente ou porcamente.

Nossa música é sofisticada; muito sofisticada! O suficiente para avaliar qualquer cantor, qualquer tipo em qualquer região vocal e sob diferentes aspectos. Por exemplo: quantos concorrentes do The Voice cantariam bem o “Brasileirinho” (Waldir Azevedo – Pereira da Costa) ou o “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu – Eurico Barreiros)? Sem firulas, sem exageros, pois não há necessidade disso. Precisa ter folego, dicção privilegiada, capacidade de interpretação acima do comum para interpretar tais canções.

Os concorrentes, dizem, gostam de mostrar extensão vocal. Bom, para esses, há ótimas possibilidades: “Na baixa do sapateiro” (Ary Barroso), “Carinhoso” (Pixinguinha – João de Barro) e “Rebento” (Gilberto Gil) são apenas algumas possibilidades. Entre as mais difíceis considero “Rosa-dos-Ventos”(Chico Buarque), “Sabiá” (Tom Jobim – Chico Buarque), “Eu te amo” (Caetano Veloso) e entre muitas canções de Milton Nascimento, gostaria de ver alguém encarando “Saudade dos aviões da Panair”. (Dele, Milton, com Fernando Brant, também conhecida como “Conversando no bar”).

 

Estou comemorando antecipadamente o “dia do samba” (dia 2 próximo) e quero mais samba, mais chorinho, samba-canção, enfim, de mais música brasileira. Em se tratando de samba, por exemplo, os candidatos de concursos vocais – se querem mostrar que realmente cantam – deveriam arriscar um “Cai dentro” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro) que, por sinal, só ficou excelente na voz de Elis Regina.

Sinto que esta é uma batalha perdida (apenas uma batalha!). O tempo costuma vencer todos os candidatos que, com suas músicas estrangeiras, caem no esquecimento. Sempre lembraremos Ney Matogrosso, Elza Soares (Hoje lembrada no The Voice pela excelente Cristal), Vicente Celestino, Gal Costa, Maria Bethânia, Nelson Gonçalves, Tom Zé, Maysa e, é claro, João Gilberto. Estou lembrando alguns grandes interpretes brasileiros que, com toda a certeza, em um ou outro momento cantaram música estrangeira. Todavia, gente como Maria Bethânia não será lembrada por “What is new”; esses intérpretes formidáveis (e podem aumentar a lista!) serão lembrados por sussurros afinados cantando Bossa Nova ou pela voz colocada com perfeição na personalíssima cadência do samba.

Há muito tempo um grande cantor, tão grande que foi chamado de “Rei da Voz”, gravou “Canta Brasil”. O nome desse cantor é Francisco Alves. Depois, veio a gravação de Ângela Maria e, bem depois, Gal Costa regravou a mesma canção, que é de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser. Vou concluir este post com a letra deste samba exaltação, pois sinto muita falta dessas canções na nossa televisão; quem sabe, em algum programa, o nosso Brasil musical possa ser prioridade!

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros E os negros trouxeram de longe reservas de pranto Os brancos falaram de amor em suas canções E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto

 

Brasil, minha voz enternecida Já dourou os teus brasões Na expressão mais comovida Das mais ardentes canções

 

Também, na beleza deste céu Onde o azul é mais azul Na aquarela do Brasil Eu cantei de norte a sul

 

Mas agora o teu cantar Meu Brasil quero escutar Nas preces da sertaneja Nas ondas do rio-mar

 

Oh! Este rio turbilhão Entre selvas e rojão Continente a caminhar No céu, no mar, na terra! Canta Brasil!!

 

Bom final de semana para todos!

Ary Barroso e o Dia Do Samba

ary barroso

Dizem que o samba nasceu na Bahia e se desenvolveu no terreiro da Tia Ciata, no Rio de Janeiro. Depois ganhou meio mundo! No próximo dia 2, segunda-feira, será comemorado o Dia Nacional do Samba. Dois lugares no Brasil costumam comemorar legal esse dia: a Bahia e o Rio de Janeiro. Nos demais estados a data passa quase esquecida. É engraçado perceber que, por exemplo, o “Dia das Bruxas” faz mais adeptos que o dia do samba. Resolvi lembrar com uma semana de antecedência, para reverenciar o samba dentro dos conformes.

Penso que Minas Gerais, por exemplo, deveria comemorar o Dia do Samba com maior pompa. Pelo menos na cidade de Ubá,onde nasceu ARY BARROSO. Para que não sabe, o Dia Nacional do Samba surgiu para comemorar a data em que, pela primeira vez, ARY BARROSO visitou Salvador. Uma justa homenagem ao grande compositor brasileiro.

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia

A morena mais frajola da Bahia

Pedi um beijo, não deu

Um abraço, sorriu

Pedi-lhe a mão não quis dar, fugiu!”

ARY compôs NA BAIXA DO SAPATEIRO sem conhecer Salvador. Eu não sabia desse fato quando, na capital baiana, fiz questão de conhecer o local. Pode ser que, no momento em que a música foi criada, aquele tenha sido um lugar bonito. Quando estive lá era um lugar bem feio, principalmente pelo fato de que outros locais, como a Praia de Itapuã ou o Pelourinho, continuam lindos.

As pessoas encantam-se quando alguém escreve sobre algo que não conhece fisicamente, pessoalmente. Uma das grandes qualidades de qualquer criador é saber colocar-se em situação; um pouco de pesquisa, vivência, experiências similares e imaginação. Bem antes de CHICO BUARQUE, nosso compositor de “alma feminina” por excelência, ARY já havia criado músicas extraordinárias, colocando-se no feminino:

Encontrei o meu pedaço na avenida

De camisa amarela

Cantando a Florisbela, a Florisbela

Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia

Exibiu-me um sorriso de ironia

E desapareceu no turbilhão da galeria…”

Em CAMISA AMARELA temos não só a perspectiva feminina, como um retrato de época da mulher brasileira, submissa e passiva ante o comportamento do homem. Os sambas de ARY BARROSO abordam diversas situações; é triste em NA BATUCADA DA VIDA, alegre em COMO VAES VOCÊ e, hoje, seria politicamente incorreto, como em BONECA DE PICHE.

Da cor do azeviche, da jabuticaba

Boneca de Piche, é tu que me acaba…”

ARY é sempre sambista; da melhor qualidade. Sabe brincar, como poucos com nossa língua, quando aborda situações dúbias, carregadas de humor e sugestões subentendidas:

-Eu dei!

-O que foi que você deu, meu bem!

-Eu dei!

-Guarde um pouco para mim também…”

Também, em se tratando de ARY BARROSO, fala-se muito do Ufanismo, o samba exaltação.Uma característica marcante do trabalho do compositor, carregando nos superlativos para falar do país ou, da Bahia. Para os baianos, além de NA BAIXA DO SAPATEIRO, ARY criou outros clássicos: “OS QUINDINS DE IAIÁ” e “NO TABULEIRO DA BAIANA”.

Uma das marcas musicais brasileiras perante o mundo, AQUARELA DO BRASIL é “irmã” do Hino Nacional. É a referência marcante quando nosso país é citado. E que referência! No universo do compositor, o Brasil é “mulato inzoneiro” cheio de “morenas sestrosas”. Para cantar tal país é preciso tirar “a mãe preta do cerrado” e botar “o rei congo no congado”. Um Brasil moreno!

Ah! Ouve essas fontes murmurantes

Onde eu mato a minha sede

E onde a lua vem brincar

Ah, esse Brasil lindo e trigueiro

É o meu Brasil brasileiro

Terra de samba e pandeiro…”

Para terminar essa simples, mas sincera, homenagem ao COMPOSITOR e ao SAMBA, escolhi os seguintes versos:

Foi num samba

De gente bamba

Ô,gente bamba!

Que eu te conheci, faceira…”

Com esses versos recordo sempre dos BAMBAS DO FABRÍCIO, uma escola de samba, lá de Uberaba, que me ensinou a gostar do batuque. Eu era criança e eles ensaiavam bem perto da minha casa. Uma passista, FÁTIMA, era a maior sensação. Que moça faceira!(Por onde andará? Se alguém tiver notícias…) É para essa sambista de minha infância, que vai também minha homenagem. Muito antes de ARY BARROSO, foi FÁTIMA a dona do meu samba.

O Dia do Samba vem aí. Vamos comemorar. Aqui, neste blog, pretendo que seja a semana do samba. Com Ary Barroso e outros grandes sambistas do nosso país.

Isto aqui ô ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não

Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar

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Até!

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Notas Musicais:

Na Baixa do Sapateiro – Ary Barroso

Camisa Amarela – Ary Barroso

Boneca de Piche – Ary Barroso e Luis Iglésias

Eu dei! – Ary Barroso

Aquarela do Brasil – Ary Barroso

Faceira– Ary Barroso

Sandália de Prata – Ary Barroso

“Mulheres que Encantam” no Parque da Independência

Eventos como este merecem toda a nossa atenção: O projeto “Mulheres que Encantam” apresenta 18 árias de óperas famosas de Heitor Villa-Lobos, Giacomo Puccini, George Gershwin, Franz Schubert, e entre outros, Leonard Bernstein. Intérpretes como Zizi Possi, Mônica Salmaso, e Fabiana Cozza estarão no palco. A entrada é franca. Será no próximo sábado, dia 23 de novembro, às 17h, no Parque da Independência.

Produzido pela Kavantan, parceira de longa data, a direção musical é de Nelson Ayres e o repertório divulgado para o evento é:

ZIZI POSSI: Élegie (Massenet) e Ave Maria (Schubert)

ROSANA LAMOSA: Valse Musette, de La Bohéme (Puccini) e Ária da Bachianas Brasileiras nº 5 (H. Villa-Lobos)

MÔNICA SALMASO: Melodia Sentimental (H. Villa-Lobos) e My Man is Gone Now, da ópera Porgy and Bess (G. Gershwin)

ROBERTA SÁ: Luar do Meu Bem (Claudio Santoro) e Summertime, da ópera Porgy and Bess (G. Gershwin)

MARIANA DE LA RIVA: I Love You Porgy, da ópera Porgy and Bess (G. Gershwin) e Estás en Mi Corazón (E. Lecuona)

FABIANA COZZA: Modinha (H. Villa-Lobos) e Berceuse da Onda que leva o Pequenino Náufrago (Lorenzo Fernandez)

SAULO JAVAN: Somewhere, da ópera West Side Story (Bernstein)

DUO ROSANA LAMOSA E SAULO JAVAN: Valsa, de A Viúva Alegre (F. Lehar)

DUO FABIANA COZZA E SAULO JAVAN: Amor em Lágrimas (Claudio Santoro).

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Bom sábado de sol e um ótimo final de semana para todos!

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