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ary barroso

Dizem que o samba nasceu na Bahia e se desenvolveu no terreiro da Tia Ciata, no Rio de Janeiro. Depois ganhou meio mundo! No próximo dia 2, segunda-feira, será comemorado o Dia Nacional do Samba. Dois lugares no Brasil costumam comemorar legal esse dia: a Bahia e o Rio de Janeiro. Nos demais estados a data passa quase esquecida. É engraçado perceber que, por exemplo, o “Dia das Bruxas” faz mais adeptos que o dia do samba. Resolvi lembrar com uma semana de antecedência, para reverenciar o samba dentro dos conformes.

Penso que Minas Gerais, por exemplo, deveria comemorar o Dia do Samba com maior pompa. Pelo menos na cidade de Ubá,onde nasceu ARY BARROSO. Para que não sabe, o Dia Nacional do Samba surgiu para comemorar a data em que, pela primeira vez, ARY BARROSO visitou Salvador. Uma justa homenagem ao grande compositor brasileiro.

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia

A morena mais frajola da Bahia

Pedi um beijo, não deu

Um abraço, sorriu

Pedi-lhe a mão não quis dar, fugiu!”

ARY compôs NA BAIXA DO SAPATEIRO sem conhecer Salvador. Eu não sabia desse fato quando, na capital baiana, fiz questão de conhecer o local. Pode ser que, no momento em que a música foi criada, aquele tenha sido um lugar bonito. Quando estive lá era um lugar bem feio, principalmente pelo fato de que outros locais, como a Praia de Itapuã ou o Pelourinho, continuam lindos.

As pessoas encantam-se quando alguém escreve sobre algo que não conhece fisicamente, pessoalmente. Uma das grandes qualidades de qualquer criador é saber colocar-se em situação; um pouco de pesquisa, vivência, experiências similares e imaginação. Bem antes de CHICO BUARQUE, nosso compositor de “alma feminina” por excelência, ARY já havia criado músicas extraordinárias, colocando-se no feminino:

Encontrei o meu pedaço na avenida

De camisa amarela

Cantando a Florisbela, a Florisbela

Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia

Exibiu-me um sorriso de ironia

E desapareceu no turbilhão da galeria…”

Em CAMISA AMARELA temos não só a perspectiva feminina, como um retrato de época da mulher brasileira, submissa e passiva ante o comportamento do homem. Os sambas de ARY BARROSO abordam diversas situações; é triste em NA BATUCADA DA VIDA, alegre em COMO VAES VOCÊ e, hoje, seria politicamente incorreto, como em BONECA DE PICHE.

Da cor do azeviche, da jabuticaba

Boneca de Piche, é tu que me acaba…”

ARY é sempre sambista; da melhor qualidade. Sabe brincar, como poucos com nossa língua, quando aborda situações dúbias, carregadas de humor e sugestões subentendidas:

-Eu dei!

-O que foi que você deu, meu bem!

-Eu dei!

-Guarde um pouco para mim também…”

Também, em se tratando de ARY BARROSO, fala-se muito do Ufanismo, o samba exaltação.Uma característica marcante do trabalho do compositor, carregando nos superlativos para falar do país ou, da Bahia. Para os baianos, além de NA BAIXA DO SAPATEIRO, ARY criou outros clássicos: “OS QUINDINS DE IAIÁ” e “NO TABULEIRO DA BAIANA”.

Uma das marcas musicais brasileiras perante o mundo, AQUARELA DO BRASIL é “irmã” do Hino Nacional. É a referência marcante quando nosso país é citado. E que referência! No universo do compositor, o Brasil é “mulato inzoneiro” cheio de “morenas sestrosas”. Para cantar tal país é preciso tirar “a mãe preta do cerrado” e botar “o rei congo no congado”. Um Brasil moreno!

Ah! Ouve essas fontes murmurantes

Onde eu mato a minha sede

E onde a lua vem brincar

Ah, esse Brasil lindo e trigueiro

É o meu Brasil brasileiro

Terra de samba e pandeiro…”

Para terminar essa simples, mas sincera, homenagem ao COMPOSITOR e ao SAMBA, escolhi os seguintes versos:

Foi num samba

De gente bamba

Ô,gente bamba!

Que eu te conheci, faceira…”

Com esses versos recordo sempre dos BAMBAS DO FABRÍCIO, uma escola de samba, lá de Uberaba, que me ensinou a gostar do batuque. Eu era criança e eles ensaiavam bem perto da minha casa. Uma passista, FÁTIMA, era a maior sensação. Que moça faceira!(Por onde andará? Se alguém tiver notícias…) É para essa sambista de minha infância, que vai também minha homenagem. Muito antes de ARY BARROSO, foi FÁTIMA a dona do meu samba.

O Dia do Samba vem aí. Vamos comemorar. Aqui, neste blog, pretendo que seja a semana do samba. Com Ary Barroso e outros grandes sambistas do nosso país.

Isto aqui ô ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não

Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar

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Até!

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Notas Musicais:

Na Baixa do Sapateiro – Ary Barroso

Camisa Amarela – Ary Barroso

Boneca de Piche – Ary Barroso e Luis Iglésias

Eu dei! – Ary Barroso

Aquarela do Brasil – Ary Barroso

Faceira– Ary Barroso

Sandália de Prata – Ary Barroso