Sempre lembro uma canção quando penso em minha mãe. Neste domingo, em que ela faz aniversário e que estou longe, quero postar e dedicar a ela “You light up my life”, a canção interpretada por Debby Boone.
Havia um programa de TV que ensinava inglês através de canções. Um dia mamãe deixou de fazer o que estava fazendo para aproximar-se da TV, admirada com a interpretação da cantora americana. Foi um desses raros momentos em que duas pessoas comungam intensamente o mesmo interesse e admiração por algo.
Feliz aniversário, Mamãe! Deus a abençoe e lhe dê muita saúde.
Beijo carinhoso!
Ah, essa canção vai também para todas as mães que iluminam a vida dos filhos.
Alguns aspectos dignificam a profissão de professor. Quem pode olhar para uma turma de quarenta, cinquenta indivíduos e afirmar perante toda a sociedade: – Eu contribuí para a formação dessas pessoas! Cabe ressaltar aos distraídos que esta situação se repete anualmente na vida de profissionais da educação. Na última sexta-feira, ao lado das professoras Claudia Bouman Olszenski e Regina Cavalieri representei meus demais colegas de curso e fui paraninfo de uma turma de Propaganda e Marketing.
Em festa de formatura ocorrem três sensações absolutamente nítidas e similares: Os jovens sabem que estão ali graças ao esforço pessoal e ostentam a vitória; os pais olham para os filhos com orgulho, pois sabem o quanto batalharam por esse momento e os professores, testemunhas vitais dessa caminhada, olham para todos com a sensação de dever cumprido e, viciados em escola, já começam a indicar pós-graduação para todos os formandos.
No nosso país a educação ainda é, lamentavelmente, privilégio de minorias. Embora felizes com o resultado sentimos falta de alguns que ficaram ao longo do caminho. Entre as muitas razões quero ressaltar uma que envolve o mercado de trabalho: são raras as empresas que facilitam a vida estudantil de seus jovens funcionários. Não flexibilizam horários e não colaboram nem mesmo em dia de prova. É comum em dias de avaliação receber alunos que entram afobados, tensos, com muitos minutos de atraso. Não têm apoio de chefes, das empresas, nem mesmo em dias de exames.
A profissão de professor, volta e meia, é depreciada e virou senso comum lamentar o salário de professores, como se salário fosse a única razão que move um profissional. Há momentos para reivindicar melhores salários, melhores condições de trabalho, maior respeito por parte dos empregadores. Que venham esses momentos, mas não em uma colação de grau, nunca em uma comemoração de formatura. Nossos alunos venceram uma longa e árdua travessia e, por isso, merecem todas as festas.
Sinto-me honrado em ser professor e tenho certeza que divido essa honraria com minhas colegas acima citadas, e com outros, como Fernando Brengel, Carlos Henrique Ferreira e Renê Mesquita. Como tantos outros colegas encaramos nosso trabalho com seriedade e cumprimos nossa função com dignidade. E somos agraciados com um carinho imenso, todo especial, que vem de diferentes formas, conforme a característica de cada um de nossos alunos. E isso já ocorreu várias vezes e, tenho certeza, se repetirá nos próximos anos. Quantos profissionais podem ter tudo isso?
Transcrevo abaixo o final do meu discurso de ontem. É como desejo concluir este post:
DESEJO BOA SORTE A TODOS. ESPERO QUE AO LONGO DOS PRÓXIMOS ANOS TODOS VOCÊS POSSAM APLICAR O CONTEÚDO APRENDIDO NESTE CURSO. ESPERO TAMBÉM QUE NOSSA POSTURA PROFISSIONAL SEJA EXEMPLO E MOTIVO DE ORGULHO PARA VOCÊS. O FINAL DESTA ETAPA TERMINOU. ESPERO, SINCERAMENTE, QUE SEJA APENAS UM COMEÇO, UM ÓTIMO COMEÇO PARA TODOS.
Sonhei muito em ver de perto, pelo menos uma vez, o belo rosto de Catherine Deneuve. E ainda sonho vê-la, uma vez que seja, neste momento em que ela, belíssima, completa 70 anos (22/10/1943). Gosto de ver que o tempo passou, que Catherine Deneuve aceitou a vida e por isso carrega marcas da idade, sinais do tempo, longo tempo em que dura esse meu afeto.
Todas as vezes que me deparo com uma dessas mulheres de beleza ímpar, que foram vencidas por plásticas absurdas sinto uma espécie de traição. É como se elas estivessem enganando-me, fazendo-me crer que ainda são, mas que na verdade tornaram arremedos de si mesmas. Catherine tem alguns quilos acima do peso, rugas no canto dos olhos, a boca também sulcada por pequenas linhas. E assim mesmo mantém o porte de estrela, de mulher de beleza perturbadora, distante de um reles mortal como eu.
Quando adolescente, como muitos dos meninos de então, teci fantasias com a Bela da Tarde. Aprendi naquele filme de Buñuel que nenhum homem decifra totalmente uma mulher. O que ocorre atrás de um sorriso? Que fogo arde dentro de um olhar glacial? Aprendiz de machista, gostava da ideia de que há uma prostituta que se esconde no íntimo de cada mulher.
Um ano depois ela fez Mayerling. Dividindo a tela com outra deusa, Ava Gardner. Catherine fez uma pobre camponesa e eu já sabia que, infelizmente, nem toda camponesa russa é loura e maravilhosa, assim como nem toda italiana é bela como Sophia Loren. O que importa é que cinema é para sonhar e mulheres como Ava, Sophia e Catherine estrelaram infinitamente mais sonhos do que filmes.
A Bela da Tarde
Foi então que resolvi fazer um álbum de cinema. Nada muito sofisticado; colava recortes de jornais dos filmes que assistia e quando achava alguma foto do filme – coisa rara naquele tempo – colava junto ao recorte. Tomei gosto e acabei depois elaborando uma capa com três lindas louras: Jane Fonda, Sharon Tate e Catherine Deneuve. Havia Brigitte Bardot na contracapa, assim como Elizabeth Taylor na outra, e dezenas de deuses tornando meu álbum pra lá de bonito.
Esse álbum, já escrevi uma vez, ajudou-me a ter uma razoável memória cinematográfica. Foi coisa de adolescente; tanto é que não há nele o filme “Fome de Viver”, quando Catherine fez uma formidável vampira seduzindo Susan Sarandon. Nem Indochina, o grande filme da maturidade de Catherine, filmado em 1992.
Fome de Viver
Catherine faz 70 anos. E mantém o rosto humano, envelhecido e belo. Se ela fez alguma plástica, alguma correção facial, não estragou o rosto bonito, não tornou-se um fantasma plastificado. Ao lado daquelas que destruíram as próprias feições em nome de uma ilusória juventude, a idade e as feições de Catherine assumem um ar inequívoco de sabedoria, tranquilidade; sobretudo essa mulher, essa senhora francesa esbanja dignidade. Dignidade de estrela, de rainha.
Uma semana intensa impediu-me de homenagear Vinícius de Moraes na data de seu centenário, 19 de outubro. Gostei muito do que vi e li sobre o poeta, sobretudo de um, publicado no Portal Pv3. Flávio Monteiro é o autor de texto sobre os afro-sambas, um disco com nove canções de Vinícius de Moraes e Baden Powell. Vale a pena conhecer todo o texto. Veja o começo aqui e clique no link, logo abaixo, para conhecer todo o post do Flávio.
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Centenário de Vinícius de Moraes: Os Afro-Sambas
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Baden Powell e Vinícius de Moraes se uniram
para mudar os rumos da MPB
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É impossível reduzir a obra musical de Vinícius de Moraes a apenas um disco; um dos poucos que pode se orgulhar de ter trabalhado com inúmeros mestres da música brasileira, como Tom Jobim, Chico Buarque, Toquinho e, claro, Baden Powell (entre muitos outros), Vinícius compôs mais de 300 canções. Mas, como homenagem ao centenário de seu nascimento (19/10/1913), escolhi escrever sobre um dos mais importantes discos da música brasileira e que, coincidentemente, me apeguei muito nos últimos dias: Os Afro-Sambas.
Final de semana, aproveito um momento livre para comprar o objeto necessário. Na grande loja, enquanto espero pela disponibilidade de um vendedor, aproveito para observar alguns eletrodomésticos desejados. A vendedora aproxima-se; pergunto pelas condições de pagamento: – Caso o senhor tenha o cartão da própria loja pode pagar em até 18 prestações, sem acréscimo.
Sem saber que faço questão da distinção entre “necessário” e “desejado” a moça envia uma “atacante” na tentativa de que eu capitule, levando o tal cartão. A nova vendedora é sorridente, com olhos brilhantes e começa a desfiar as vantagens do cartão, evitando exatamente o que me interessa e que pode influir na minha decisão: – Qual a taxa de utilização, senhorita?
Quando percebeu que não conseguiria convencer-me a moça apelou: – O senhor precisa me ajudar. Respondo, sem titubear: – O Senhor ajuda a todos nós… Ela jogou a toalha e a primeira, só porque parei próximo de uma gôndola com programas antivírus, resolveu vender-me um programa 100% seguro. Pergunto se é o mesmo usado por Dilma Rousseff; caímos na gargalhada e ela permite que eu prossiga meu caminho.
Já com a compra efetuada enfrento uma fila para concretizar o pagamento. Um senhor, terceira idade, resolve descontar horas de silêncio em interminável papo com a senhora atrás dele. O problema é que ele está na boca do caixa e ignora os pedidos da funcionária para que coloque senha e termine a operação. A moça pede uma, duas, três vezes… O senhorzinho ignora solenemente enquanto conversa com a outra que, delicada, não indica ao mesmo que a caixa o aguarda. Tenho ímpetos assassinos.
Após pagar descubro que só consigo, no tal caixa, um comprovante que não dá direito a garantia. Para isso preciso da nota fiscal, em outro espaço, outra fila. A jogada me parece clara; ao evitar nova fila muitas pessoas saem sem o comprovante fiscal, o que favorece sonegação por parte da loja, e caso tenham problemas com o objeto comprado que reclamem ao bispo.
Segunda fila e obtenho a nota fiscal. Dia chuvoso, encaro a terceira fila aguardando que embrulhem e assim, projetam um pouco mais o objeto. Desta ouço o cidadão, tipo “autoridade”, querendo furar a fila para obter nota fiscal. Quando a atendente indica o final da fila, ele pede que chamem o gerente. A tal atendente enrola e vendo que a empacotadeira havia saído, resolve fazer o meu pacote. Percebo no ato que ela quer ganhar tempo para que o “autoridade” espere o máximo possível. Entro no jogo.
A empacotadeira improvisada, alegando que era a minha vez de ser atendido veio, calmamente e fez um horrendo pacote enquanto trocávamos sorrisos cúmplices, desdenhando do cidadão que mesmo com a vinda de uma gerente, só foi atendido depois que a fila terminou. Certamente saí da loja com o pior pacote de toda a minha vida, mas feliz com a compra mais a alegria da pequena vingança.
Voltei para casa pensando em Ademilde e na cantora de chorinhos que foi lembrada quando soube o nome da primeira vendedora. Também da segunda moça que tinha um nome cheio de consoantes, típica vítima da numerologia: Thayanny. Frances, a moça do caixa, estava calma, mesmo com a pressão de indicar uma nova fila a rabugentos como eu; e a moça da nota, a empacotadeira improvisada, minha querida cúmplice… Não guardei o nome.
Tento não ficar perturbado com o esquecimento do nome, mas sinto-me em dívida com a moça que, com graça e sutileza deu uma senhora lição ao sujeitinho. Permitiu-me aprender um pouco mais sobre relações comerciais e propiciou-me diversão em sessão de pacotes, sem qualquer acréscimo de preço, juros ou correção monetária.
Tibério e Candinha, Tarcísio e Fernanda (Foto divulgação)
Nestas últimas semanas, mesmo sem seguir totalmente a novela Saramandaia, fui atingido em cheio pelo talento de Tarcísio Meira e Fernanda Montenegro. Dona Redonda já explodiu e João Gibão fez vôos belíssimos; todavia, a emoção maior vem das relações humanas, de um grande amor duramente sufocado que nos últimos momentos da vida de dois velhos soberbos, derrota-os fazendo surgir um casal apaixonado.
Tibério e Candinha, por si, não são personagens fáceis. Dois líderes de famílias antagônicas que sufocaram um amor e que reatam por interferência dos netos já “seria pano pra manga”. Exigiram mais. Trataram de colocar Candinha cuidando de galinhas imaginárias e prenderam Tibério a raízes incômodas.
Nunca é demais aplaudir aqueles que são verdadeiramente grandes; o ator imobilizado por quase todo o seriado e a atriz contracenando com animais irracionais cativaram milhões e garantiram, até agora, momentos de intensa emoção. E se a idade e os papéis restringem os movimentos, é através de um primoroso desempenho vocal que se evidencia o melhor do trabalho dos dois atores.
Fernanda Montenegro veio do rádio e de lá trouxe a primeira bagagem de domínio da prosódia, da boa entonação. Tarcísio Meira vem de escola similar, experiência aprofundada em longos anos de profissão. Ela sempre foi a primeira e, entre as melhores, tem o nome destacado. Ele é o eterno galã e, talvez, pela beleza e pelo carisma de homem sedutor, tenha tido em alguns momentos o talento minimizado. O tempo, melhor de todos os professores, tratou de deixar bem claro o quanto de competência há nesses dois atores.
Tarcísio e Fernanda, por imposição de terceiros, contracenaram com muita gente de talento duvidoso. O galã, tendo que dividir espaço com mocinhas bonitinhas e a atriz, emprestando competência ao texto quando para as bonitinhas restava o “eu te amo”. Sobreviveram! E como se a vida fosse justa (de vez em quando é!) surgiu o momento de ambos viverem o mocinho e a mocinha.
Dona Fernanda, belíssima aos 83 anos, virou menina brincando com um “tablet” para falar com o ser amado. Seu Tarcísio, aos 77 anos, ainda é o homem forte e viril, o galã que vence o impossível e rompe as próprias raízes para sair ao encontro da amada. “Roubaram a cena” é o jargão comum nessa situação. Nenhuma novidade é o que dirá todo aquele que ao longo dessas cinco, seis décadas, tem se deliciado com o magnífico trabalho desses dois atores geniais.
Parece familiar a denominação Largo do Machado. O noticiário ou folhetos de agências de turismo citam o local onde há uma estação do metrô e também um serviço que leva os interessados ao Corcovado. Gostei de estar hospedado nas imediações do Largo que parece praça antiga de cidade pequena, embora paire no ambiente o inequívoco espírito carioca.
Os finais de semana do Largo do Machado me pareceram tranquilos. As árvores frondosas favorecem a permanência de pessoas desfrutando bons momentos; a maioria é gente da terceira idade que pratica ginástica em aparelhos específicos. Há outro tanto de gente que ocupa mesas jogando cartas, jogando conversa fora em atitudes bem pacatas.
Não sendo do Rio de Janeiro fiquei associando o Machado do Largo ao Machado de Assis. Noite de sábado, algumas horas de lazer, saí com amigos de cá e de lá para comemorar a alegria de viver (Leia-se “muitos chopes!”). Antes de chegar ao bar passamos por uma praça menor, com a estátua de um sujeito sentado sobre uma cadeira, tipo escritor: Bingo! Machado de Assis! Distraído com a boa companhia nem percebi que estávamos a dois quarteirões do Largo do Machado e que seria, no mínimo, incoerente ter uma praça homenageando o escritor e o monumento em outra…
Passei novamente pelo Largo do Machado. Fiz algumas fotos, priorizando a estátua e a igreja de Nossa Senhora da Glória. Olhando as senhorinhas frequentadoras do local brinquei de imaginar que entre elas estaria alguma descendente de Capitu e, com preguiça de ir até a outra praça, não fotografei o “Machado sentado”.
Há pouco fiz descobertas embaraçosas… Para começar, o simpático Largo é Machado por conta de certo “André Nogueira Machado”, um oleiro que morou por ali. E não é só; também descobri que a estátua da praça ao lado é de José de Alencar, que por sinal dá nome ao local. Pior: tendo passado várias vezes pelo Engenho Novo, não me passou pela cabeça, nem por um momento, que fica naquele bairro a casa construída por Dom Casmurro… Que “grande conhecedor” de literatura e do Rio de Janeiro que sou!
Bem, continuo gostando do local. Lamento pelo oleiro, mas Machado será sempre o de Assis. Quem sabe um dia eu possa estar entre os velhinhos frequentadores do Largo, jogando cartas, brincando com a humanidade. Se isso acontecer e aparecer um mineiro radicado em Sampa que pensa que conhece o Rio, contarei ao dito cujo muitas histórias de Capitu passeando pelas imediações, sentando-se no mesmo banco que Helena, Iaiá Garcia e indicando ao incauto a estátua de Machado, na pracinha ao lado…