Nosso belíssimo planeta

sebastiao-salgado-genesis-baobab-trees

O maior evento fotográfico do ano é editorial. O lançamento do livro Gênesis, de Sebastião Salgado, mais que acontecimento artístico, é um grandiloquente registro de um maravilhoso planeta: o nosso! Com todas as interferências humanas, para o bem e para o mal, nosso planeta resiste; belo, poderoso, absolutamente encantador. As expressivas imagens do fotógrafo mineiro, radicado em Paris, propiciam uma viagem alucinante, extasiante, poeticamente terna e reflexiva.

Sebastião-Salgado-Genesis-exposição-1

A viagem de Sebastião Salgado, para a feitura do livro, começou em 2004 e terminou em 2011, tendo passado por todas as regiões do mundo. A Antártica, no sul do planeta, abre o livro com imagens das Malvinas e da Patagônia. Depois vem capítulo denominado Santuários. Neste, as ilhas Galápagos, tribos da Indonésia, Madagascar e os planaltos de Papua – Nova Guiné.

Herd of buffalos, Kafue National Park, Zambia, 2010

África é capítulo contundente que começa pelo Saara e conclui com imagens da Etiópia. Após nos mostrar o que ainda há de selvagem nos EUA o fotógrafo encerra o livro com imagens da Amazônia e do Pantanal.

Sebastião-Salgado-Genesis-exposição-2

Publicado pela Taschen, editora alemã, é desejo do fotógrafo que o livro seja adquirido pelo maior número possível de pessoas. Comprei por um bom preço, via internet. Nas livrarias está bem mais caro; portanto, todo o cuidado é pouco já que o livro é um sucesso e as livrarias estão aproveitando para arrancar grana de quem não procura valores mais acessíveis.

O autor e a obra. As imagens deste post foram colhidas entre as disponíveis na Internet.
O autor e a obra. As imagens deste post foram colhidas entre as disponíveis na Internet.

245 imagens entre as publicadas no livro estão expostas no Sesc Belenzinho, em São Paulo. O evento começou no dia 5 de setembro e vai até 1º de dezembro, de terça a domingo. Um passeio e tanto para que, em meio ao caos paulistano, possamos redescobrir nosso planeta por meio das lentes mágicas de Sebastião Salgado.

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Bom final de semana!

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Amante indesejada

 

Sinto-a aproximando-se, já tomando conta do meu corpo

Provoca-me calafrios, arrepios,

Ondas frias que anunciam que sou refém

Totalmente dominado.

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Minhas mãos reconhecem regiões aquecidas por ela:

A testa, a nuca e as orelhas que, quando apalpadas

Respondem-me arrepios intensos.

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Devassa, penso eu, me quer por inteiro!

Derrotado, entrego-me à luxúria sob lençóis frios;

Tremendo, busco a respiração, também possuída, quase inerte.

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Promíscua, deixa claro que sou pouco para o que precisa

Exige drogas: fenilefrina, carbinoxamina…

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Extasiada e satisfeita com 800mg de paracetamol

Permite-me o sono reparador enquanto sai pelos ares

Pelo vento, por toda a cidade, buscando outro corpo.

Vagabunda insaciável, maldita gripe.

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Valdo Resende, Setembro/2013

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Dois anos deste blog! Obrigado.

flor de maio

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As flores de maio do meu “jardim suspenso” resolveram aparecer agora, finalzinho de agosto, começo de setembro. Certamente vieram para que fossem oferecidas a todos os que acompanham este blog. E aqui não é incomum ter flores de maio neste momento; agora elas vieram em dupla, nos dois vasos. Minhas flores nascem quando bem entendem e quero acreditar que se vieram agora…  Pimba! Foi para reforçar o segundo aniversário deste blog.

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Obrigado a todos os que passam por aqui. O sobe e desce das visualizações diz bem dos interesses, das aprovações e reprovações quanto ao que escrevo. Independendo de qualquer coisa quero registrar meu profundo respeito por todos aqueles que visitam este blog. E, sobretudo, meu sincero agradecimento. Façam de conta que essas flores, com toda a singela beleza está chegando aí, na casa ou escritório de cada leitor, amigo, conhecido e, até mesmo para aqueles que ainda não tive o prazer de conhecer.

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aniversário 6
A foto do “dia” não ficou como deveria. Fiz esta, noturna, para que não role “ciúme” entre meus vasos rsrsr Fico devendo uma foto melhorzinha deste aqui.

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Por aqui continuarei escrevendo sobre arte, diferentes formas de arte. Contarei minhas histórias, registrarei descontentamentos e permanecerei contando, sempre, com a carinhosa acolhida de todos.

Mais uma vez, obrigado. Agradecer nunca é demais.

Beijos carinhosos.

Valdo Resende

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Francis Hime para maneirar esse frio denso

francis hime

Eu queria ser
Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Modesto…

Espero um setembro com altíssimo astral. Depois de tanto frio neste agosto, com sua cota de desgosto, quero mais é que este inverno fique para a história e de lá não volte tão cedo. No meio da tarde gelada foi a música de Francis Hime que deixou essa quarta-feira melhor.

Mas Deus quem me dera eu fosse um sábio que cala
E diante da dor e da desilusão não se abala
Mas pobre de mim que não sei nem de mim…

Se há razões para falar sobre o pianista Francis Hime nesta quarta-feira? Há, pois estou cansado de tanta coisa pesada. Assassinatos de um lado, diplomatas escondendo senadores de outro, um desabamento que expõe a corrupção de fiscais que não embargam obras, um apagão deixando bem claro que os investimentos não devem ficar restritos aos estádios… Estou cansado e pedindo que um “caro amigo” fale por mim:

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta…

Francis Hime é parceiro de Chico Buarque em músicas memoráveis e o Chico já disse, em vídeo para a posteridade, que aprendeu com o Francis. De ambos, um chorinho como “caros amigos” ou uma canção de amor desesperado, como “atrás da porta” são só dois exemplos de excelência musical.

E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta…

Para quem acha que dois é pouco, três é demais, quatro extrapola, pode contar mais e mais. Com tanta precária mesmice em composições que ganham espaços em rádio e TV, os parceiros Francis e Chico provam desde sempre que qualidade se prova e comprova, mesmo se “trocando em miúdos”…

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago…

Há que se ter alguém que faça letras como Chico Buarque; todavia é a melodia e o ritmo criados por Francis Hime que nos permite cantar e dançar sobre os “paralelepípedos” da cidade, nas incontáveis manifestações desses nossos dias.

Vai passar
Nessa avenida um samba
popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar…

Não vai passar. Está passando. A cidade é viva e nossos meninos carecem de médicos negros, brancos, índios, mulatos… Eita inverno difícil, em que cada saída, cada tentativa de solução vem acompanhada com o gelo da indiferença. A música de Francis continua atual, denunciando desde há muito o que ainda nem sonha ser solucionado.

No sinal fechado
Ele transa chiclete
E se chama pivete
E pinta na janela
Capricha na flanela
Descola uma bereta
Batalha na sarjeta…

Queria escrever mais sobre Francis Hime. As composições dizem por ele, para nós e por todos nós. Comecei a tarde ouvindo canções para amenizar este tempo tão denso, tão conturbado e se eu pensava em maneirar o Francis Hime, em parceria ímpar com o poeta Manuel Bandeira, deu-me uma lição para enfrentar o “desencanto” dessa noite que se anuncia gelada:

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu caro Francis; há motivos pra risos e prantos. Há o frio sem aquecedores em um apagão que pode chegar aqui; há perguntas que mesmo respondidas não acalmarão aqueles que perderam seus entes… Há muita coisa! Até novela e mais futebol, um pouco de sol prometido para amanhã; logo ali, já vem setembro, para mandar o frio embora e, quem sabe, trazer tempos mais amenos.

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Até!

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Notas Musicais: as canções citadas são respectivamente: Amor Barato – Francis Hime e Chico Buarque / Choro Rasgado – Francis Hime e Olivia Hime / Meu caro amigo – Francis Hime e Chico Buarque / Atrás da Porta – Francis Hime e Chico Buarque / Trocando em Miúdos – Francis Hime e Chico Buarque / Vai Passar – Francis Hime e Chico Buarque / Pivete – Francis Hime e Chico Buarque / Desencanto – Francis Hime e Manuel Bandeira.

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Gylmar, nosso maior goleiro!

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Em um esporte em que atacantes são divinizados, o goleiro Gylmar dos Santos Neves é exceção.  Ele ocupa lugar ímpar no panteão dos deuses do futebol. Hoje lamentamos a morte do jogador que estabeleceu os parâmetros de como deve ser um goleiro da seleção brasileira.

Não posso afirmar que recordo plenamente de algum jogo da Copa do Mundo de 1958. Eu estava com três anos e, tenho certeza, foi lá que me habituei com a barulheira durante o certame. Aliás, certame é uma expressão comum daquela época pouco usada hoje em dia. Guardo imagens de toda minha família ao redor do rádio, ouvindo atentamente um locutor que falava rápido, muito rápido. Aprendi o significado da palavra gol vendo meu pai indo para o quintal para soltar fogos de artifício antes que o locutor terminasse de gritar. Ali ficou estabelecida uma certeza: quando papai estava muito feliz comprava fogos e fazia muito barulho.

Em 1958 Gylmar era goleiro do Corinthians. Sabe-se que ele sofreu 527 gols. Não consegui descobrir, com precisão, quantos gols ele defendeu; Sei que ele conquistou três títulos paulistas e um Rio-São Paulo. Vida de goleiro tem essa sina, dos gols que entraram todo mundo dá notícia, mas exatamente foram quantas defesas? Das mais simples às defesas fantásticas, heroicas, quantas vezes as mãos abençoadas de Gylmar impediram a vitória do adversário?

Gylmar foi para o Santos F.C. em 1961. Ignorei solenemente. Aos seis anos gostava de ver meu irmão Valdonei jogando no “Campinho”, no time do Hermes. Não me deixavam jogar; eu já era ruim de bola, mas me orgulhava do irmão que, por ciúme eu chamava de “7 grosso”, em referência ao número da camisa que ele vestia, tornado mítico quando em camisa usada por Garrincha.

Na Copa do Mundo de 1962 eu começava a entender o mundo e este se abria através da tela mágica de uma televisão. Nas tardes de então, ouvíamos no rádio o Brasil ganhar o segundo título mundial. Ao anoitecer, não sei quem colocava uma televisão na esquina mais próxima; foram essas as primeiras vezes em que vimos a seleção pela telinha. Eu, ainda criança, não tinha a noção do que era um videotape. Na minha concepção o Brasil jogava duas vezes no mesmo dia e vencia os dois jogos. Passei a ter Gylmar como um Deus.

Foi de lá, daquele aparelho de televisão colocado em uma esquina que guardei imagens de defesas geniais do grande goleiro Gylmar. Também de como ele soltava a bola em locais estratégicos, colaborando na armação do time brasileiro.

Gylmar faleceu hoje, 25 de agosto, em São Paulo. Ficam as histórias de um atleta que ficou no imaginário brasileiro sem ações de marketing, sem apelos publicitários comuns. Bi-campeão do mundo, foi grande entre os maiores craques de futebol deste país e assim será lembrado: nosso maior goleiro.

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Até mais!

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Antes do baile

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Venho brincando de poesia e estou longe do “Pessoa”

Desenho histórias a léguas de “Amado”

Pardal vagabundo que aspira “Tinhorão”

Palpiteiro da esquina onde não há “Eco”

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Artesão da pedra que “entranha a alma”

Escrevo como quem explora “vasto mundo”

Sonhando com “Pasárgada”

Sobrevivendo na “pauliceia desvairada”

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Fernando Cabral, Jorge Drummond;

José Ramos Bandeira e Umberto de Andrade Bilac:

 Personagens da festa em que penso bailar

Convidando todo aquele que for

“Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

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Este blog está prestes a completar dois anos!

Quem topa uma festa virtual?

Aguardo confirmações!

Beijos.

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A APAE é necessária.

Para onde vamos?
Para onde vamos?

O título parece óbvio. Mas… Tanto quanto a APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais -, a AACD, a Fundação Pestalozzi, ADID e similares, todas as instituições especializadas em educação especial merecem respeito, apoio e, sobretudo, verbas decentes para que possam sobreviver com dignidade.

O novo Plano Nacional da Educação – PNE – pretende que “o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou superdotação deve ser universalizado na rede regular de ensino.” Isso significa que entidades especializadas poderão ser impedidas de substituir a educação escolar. Isso ocorrendo, crianças com necessidades especiais terão atendimento, junto com todas as demais, na rede de ensino regular.

É evidente que nenhum político, por mais canalha que seja, determinará a exclusão ou o fim de qualquer instituição por conta do PNE. Todavia, a restrição do repasse de recursos – Grana! –deixaria a maioria dessas instituições em má situação. Assim, como é histórico em nosso país, só as crianças cujos pais tiverem posses receberiam tratamento específico.

Li que o senador José Pimentel – cuja origem profissional é na rede bancária, ou seja, deve entender muito de educação – justificou a redação do texto da PNE dizendo que “o atendimento especial substitutivo à educação escolar na rede regular, ofertado por entidades como a Apae, não encontra amparo legal”. Ou seja, no jogo de palavras da política irresponsável que se pratica em algumas instâncias governamentais, um indivíduo assinala com balelas o apoio (não repasse das verbas) a uma entidade. Uma situação inadmissível.

Sob a expressão “necessidade especial” encontram-se múltiplas necessidades e uma vastidão de especificidades que merecem além da atenção especializada de um educador, um ambiente adequadamente equipado tanto em mobiliário quanto em material de uso dos indivíduos. Escolas como APAE e PESTALOZZI prestam um serviço inestimável colaborando para que um grande número de crianças com necessidades especiais possam receber ensino adequado, ou  vir a frequentar outras escolas com o máximo de aproveitamento possível.

Qual seria a verba para adequar TODAS as escolas, TODAS as salas de aula, para atendimento correto a TODAS as necessidades de nossas crianças? Em quanto tempo os signatários do PNE pretendem colocar professores com o mesmo nível de especialização dos profissionais dessas entidades, em TODAS as nossas escolas? Qual o prazo para que tenhamos salas adequadas em TODAS as escolas para receber tais alunos?

É direito dos pais escolherem onde colocar os filhos; se em escola regular ou especial. Inclusão, mais que modismo, é necessidade. Todavia, há crianças que carecem de um período de preparação específico para que possam conviver com outras crianças. E há aquelas que precisam de um tratamento tão peculiar que só em uma instituição especializada isso é possível. Quem duvidar disso, que visite a APAE mais próxima.

O novo Plano Nacional da Educação – PNE – está em tramitação e deve vigorar para os próximos dez anos; tempo suficiente para grandes estragos. O senador, que já foi bancário, anunciou para 2016 o fim do repasse para as instituições do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Com isso, já há data para que muitas instituições deixem de oferecer serviços específicos para nossas crianças.

Excluir verbas de escolas que prestam serviços únicos, necessários, para nossas crianças é algo que merece protestos, passeatas, atos de repúdio. Muitos! Aqui ficam os meus.

Até mais.

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