As flores de maio do meu “jardim suspenso” resolveram aparecer agora, finalzinho de agosto, começo de setembro. Certamente vieram para que fossem oferecidas a todos os que acompanham este blog. E aqui não é incomum ter flores de maio neste momento; agora elas vieram em dupla, nos dois vasos. Minhas flores nascem quando bem entendem e quero acreditar que se vieram agora… Pimba! Foi para reforçar o segundo aniversário deste blog.
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Obrigado a todos os que passam por aqui. O sobe e desce das visualizações diz bem dos interesses, das aprovações e reprovações quanto ao que escrevo. Independendo de qualquer coisa quero registrar meu profundo respeito por todos aqueles que visitam este blog. E, sobretudo, meu sincero agradecimento. Façam de conta que essas flores, com toda a singela beleza está chegando aí, na casa ou escritório de cada leitor, amigo, conhecido e, até mesmo para aqueles que ainda não tive o prazer de conhecer.
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A foto do “dia” não ficou como deveria. Fiz esta, noturna, para que não role “ciúme” entre meus vasos rsrsr Fico devendo uma foto melhorzinha deste aqui.
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Por aqui continuarei escrevendo sobre arte, diferentes formas de arte. Contarei minhas histórias, registrarei descontentamentos e permanecerei contando, sempre, com a carinhosa acolhida de todos.
Eu queria ser Um tipo de compositor Capaz de cantar nosso amor Modesto…
Espero um setembro com altíssimo astral. Depois de tanto frio neste agosto, com sua cota de desgosto, quero mais é que este inverno fique para a história e de lá não volte tão cedo. No meio da tarde gelada foi a música de Francis Hime que deixou essa quarta-feira melhor.
Mas Deus quem me dera eu fosse um sábio que cala E diante da dor e da desilusão não se abala Mas pobre de mim que não sei nem de mim…
Se há razões para falar sobre o pianista Francis Hime nesta quarta-feira? Há, pois estou cansado de tanta coisa pesada. Assassinatos de um lado, diplomatas escondendo senadores de outro, um desabamento que expõe a corrupção de fiscais que não embargam obras, um apagão deixando bem claro que os investimentos não devem ficar restritos aos estádios… Estou cansado e pedindo que um “caro amigo” fale por mim:
Aqui na terra tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll Uns dias chove, noutros dias bate o sol Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta…
Francis Hime é parceiro de Chico Buarque em músicas memoráveis e o Chico já disse, em vídeo para a posteridade, que aprendeu com o Francis. De ambos, um chorinho como “caros amigos” ou uma canção de amor desesperado, como “atrás da porta” são só dois exemplos de excelência musical.
E me arrastei e te arranhei E me agarrei nos teus cabelos No teu peito, teu pijama Nos teus pés ao pé da cama Sem carinho, sem coberta…
Para quem acha que dois é pouco, três é demais, quatro extrapola, pode contar mais e mais. Com tanta precária mesmice em composições que ganham espaços em rádio e TV, os parceiros Francis e Chico provam desde sempre que qualidade se prova e comprova, mesmo se “trocando em miúdos”…
Aquela esperança de tudo se ajeitar Pode esquecer Aquela aliança, você pode empenhar Ou derreter Mas devo dizer que não vou lhe dar O enorme prazer de me ver chorar Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago…
Há que se ter alguém que faça letras como Chico Buarque; todavia é a melodia e o ritmo criados por Francis Hime que nos permite cantar e dançar sobre os “paralelepípedos” da cidade, nas incontáveis manifestações desses nossos dias.
Vai passar Nessa avenida um samba popular Cada paralelepípedo Da velha cidade Essa noite vai Se arrepiar…
Não vai passar. Está passando. A cidade é viva e nossos meninos carecem de médicos negros, brancos, índios, mulatos… Eita inverno difícil, em que cada saída, cada tentativa de solução vem acompanhada com o gelo da indiferença. A música de Francis continua atual, denunciando desde há muito o que ainda nem sonha ser solucionado.
No sinal fechado Ele transa chiclete E se chama pivete E pinta na janela Capricha na flanela Descola uma bereta Batalha na sarjeta…
Queria escrever mais sobre Francis Hime. As composições dizem por ele, para nós e por todos nós. Comecei a tarde ouvindo canções para amenizar este tempo tão denso, tão conturbado e se eu pensava em maneirar o Francis Hime, em parceria ímpar com o poeta Manuel Bandeira, deu-me uma lição para enfrentar o “desencanto” dessa noite que se anuncia gelada:
Eu faço versos como quem chora De desalento… de desencanto Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto
Meu caro Francis; há motivos pra risos e prantos. Há o frio sem aquecedores em um apagão que pode chegar aqui; há perguntas que mesmo respondidas não acalmarão aqueles que perderam seus entes… Há muita coisa! Até novela e mais futebol, um pouco de sol prometido para amanhã; logo ali, já vem setembro, para mandar o frio embora e, quem sabe, trazer tempos mais amenos.
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Até!
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Notas Musicais: as canções citadas são respectivamente: Amor Barato – Francis Hime e Chico Buarque / Choro Rasgado – Francis Hime e Olivia Hime / Meu caro amigo – Francis Hime e Chico Buarque / Atrás da Porta – Francis Hime e Chico Buarque / Trocando em Miúdos – Francis Hime e Chico Buarque / Vai Passar – Francis Hime e Chico Buarque / Pivete – Francis Hime e Chico Buarque / Desencanto – Francis Hime e Manuel Bandeira.
Em um esporte em que atacantes são divinizados, o goleiro Gylmar dos Santos Neves é exceção. Ele ocupa lugar ímpar no panteão dos deuses do futebol. Hoje lamentamos a morte do jogador que estabeleceu os parâmetros de como deve ser um goleiro da seleção brasileira.
Não posso afirmar que recordo plenamente de algum jogo da Copa do Mundo de 1958. Eu estava com três anos e, tenho certeza, foi lá que me habituei com a barulheira durante o certame. Aliás, certame é uma expressão comum daquela época pouco usada hoje em dia. Guardo imagens de toda minha família ao redor do rádio, ouvindo atentamente um locutor que falava rápido, muito rápido. Aprendi o significado da palavra gol vendo meu pai indo para o quintal para soltar fogos de artifício antes que o locutor terminasse de gritar. Ali ficou estabelecida uma certeza: quando papai estava muito feliz comprava fogos e fazia muito barulho.
Em 1958 Gylmar era goleiro do Corinthians. Sabe-se que ele sofreu 527 gols. Não consegui descobrir, com precisão, quantos gols ele defendeu; Sei que ele conquistou três títulos paulistas e um Rio-São Paulo. Vida de goleiro tem essa sina, dos gols que entraram todo mundo dá notícia, mas exatamente foram quantas defesas? Das mais simples às defesas fantásticas, heroicas, quantas vezes as mãos abençoadas de Gylmar impediram a vitória do adversário?
Gylmar foi para o Santos F.C. em 1961. Ignorei solenemente. Aos seis anos gostava de ver meu irmão Valdonei jogando no “Campinho”, no time do Hermes. Não me deixavam jogar; eu já era ruim de bola, mas me orgulhava do irmão que, por ciúme eu chamava de “7 grosso”, em referência ao número da camisa que ele vestia, tornado mítico quando em camisa usada por Garrincha.
Na Copa do Mundo de 1962 eu começava a entender o mundo e este se abria através da tela mágica de uma televisão. Nas tardes de então, ouvíamos no rádio o Brasil ganhar o segundo título mundial. Ao anoitecer, não sei quem colocava uma televisão na esquina mais próxima; foram essas as primeiras vezes em que vimos a seleção pela telinha. Eu, ainda criança, não tinha a noção do que era um videotape. Na minha concepção o Brasil jogava duas vezes no mesmo dia e vencia os dois jogos. Passei a ter Gylmar como um Deus.
Foi de lá, daquele aparelho de televisão colocado em uma esquina que guardei imagens de defesas geniais do grande goleiro Gylmar. Também de como ele soltava a bola em locais estratégicos, colaborando na armação do time brasileiro.
Gylmar faleceu hoje, 25 de agosto, em São Paulo. Ficam as histórias de um atleta que ficou no imaginário brasileiro sem ações de marketing, sem apelos publicitários comuns. Bi-campeão do mundo, foi grande entre os maiores craques de futebol deste país e assim será lembrado: nosso maior goleiro.
O título parece óbvio. Mas… Tanto quanto a APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais -, a AACD, a Fundação Pestalozzi, ADID e similares, todas as instituições especializadas em educação especial merecem respeito, apoio e, sobretudo, verbas decentes para que possam sobreviver com dignidade.
O novo Plano Nacional da Educação – PNE – pretende que “o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou superdotação deve ser universalizado na rede regular de ensino.” Isso significa que entidades especializadas poderão ser impedidas de substituir a educação escolar. Isso ocorrendo, crianças com necessidades especiais terão atendimento, junto com todas as demais, na rede de ensino regular.
É evidente que nenhum político, por mais canalha que seja, determinará a exclusão ou o fim de qualquer instituição por conta do PNE. Todavia, a restrição do repasse de recursos – Grana! –deixaria a maioria dessas instituições em má situação. Assim, como é histórico em nosso país, só as crianças cujos pais tiverem posses receberiam tratamento específico.
Li que o senador José Pimentel – cuja origem profissional é na rede bancária, ou seja, deve entender muito de educação – justificou a redação do texto da PNE dizendo que “o atendimento especial substitutivo à educação escolar na rede regular, ofertado por entidades como a Apae, não encontra amparo legal”. Ou seja, no jogo de palavras da política irresponsável que se pratica em algumas instâncias governamentais, um indivíduo assinala com balelas o apoio (não repasse das verbas) a uma entidade. Uma situação inadmissível.
Sob a expressão “necessidade especial” encontram-se múltiplas necessidades e uma vastidão de especificidades que merecem além da atenção especializada de um educador, um ambiente adequadamente equipado tanto em mobiliário quanto em material de uso dos indivíduos. Escolas como APAE e PESTALOZZI prestam um serviço inestimável colaborando para que um grande número de crianças com necessidades especiais possam receber ensino adequado, ou vir a frequentar outras escolas com o máximo de aproveitamento possível.
Qual seria a verba para adequar TODAS as escolas, TODAS as salas de aula, para atendimento correto a TODAS as necessidades de nossas crianças? Em quanto tempo os signatários do PNE pretendem colocar professores com o mesmo nível de especialização dos profissionais dessas entidades, em TODAS as nossas escolas? Qual o prazo para que tenhamos salas adequadas em TODAS as escolas para receber tais alunos?
É direito dos pais escolherem onde colocar os filhos; se em escola regular ou especial. Inclusão, mais que modismo, é necessidade. Todavia, há crianças que carecem de um período de preparação específico para que possam conviver com outras crianças. E há aquelas que precisam de um tratamento tão peculiar que só em uma instituição especializada isso é possível. Quem duvidar disso, que visite a APAE mais próxima.
O novo Plano Nacional da Educação – PNE – está em tramitação e deve vigorar para os próximos dez anos; tempo suficiente para grandes estragos. O senador, que já foi bancário, anunciou para 2016 o fim do repasse para as instituições do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Com isso, já há data para que muitas instituições deixem de oferecer serviços específicos para nossas crianças.
Excluir verbas de escolas que prestam serviços únicos, necessários, para nossas crianças é algo que merece protestos, passeatas, atos de repúdio. Muitos! Aqui ficam os meus.
O deputado federal mais votado do Estado de São Paulo, em 1945, foi o baiano Jorge Amado. O escritor foi eleito pelo Partido Comunista Brasileiro. Dois anos depois o PCB foi declarado clandestino. A vontade dos que colocaram Jorge Amado na Assembléia Constituinte não foi respeitada; em 1948 os mandatos dos deputados do PCB foram extintos; sobrou para o escritor o exílio na Argentina e no Uruguai. Nesta terça-feira a Câmara dos Deputados devolveu simbolicamente o mandato de Jorge Amado e de outros que foram cassados em 1945. Embora tardia, cumpre-se a justiça.
Em “Os Subterrâneos da Liberdade” Jorge Amado aborda fatos desse período de luta contra a ditadura do Estado Novo. “Os ásperos tempos” é o primeiro livro da trilogia, completada por “A agonia da noite” e “A luz no túnel”. O escritor iniciou a obra na Tchecoslováquia, em 1952 e terminou no ano seguinte, no Rio de Janeiro. A primeira edição é de 1954.
A trajetória política de Jorge Amado tem um fato extraordinário. É dele a autoria da lei, ainda em vigor, que nos garante o direito à liberdade de culto religioso. Uma imensa ironia em um país onde se temia os comunistas ateus, como se o fato de ser ateu colocasse em risco a segurança nacional, a estabilidade do Estado…
Tento imaginar Jorge Amado, militante comunista “de carteirinha” sendo questionado sobre fé, religião, Deus. Aqueles que conheciam seus livros sabiam que, antes de ser eleito, Jorge já se definira contador de “histórias da beira do cais da Bahia”. Também que ele já havia afirmado em apresentação do livro “Mar Morto”, de 1936: “O povo de Iemanjá tem muito que contar”. Se Jorge, algum dia, foi ateu, sabia que seu povo era de Todos os Santos, da Rainha do Mar.
Jorge Amado terminou seus dias como Obá no Ilê Axé Opô Afonjá (Corpo de Obá – ministros de Xangô – instituído por Eugênia Anna dos Santos, a fundadora do terreiro freqüentado pelo escritor). O deputado estava esquecido, mas o homem estava lá, ao lado do povo que amava e que imortalizou em seus romances. Agora Jorge Amado tem seu mandato restituído. Mais um fato para a incrível história do menino de Itabuna, que passou a infância em Ilhéus, comunista juramentado, escritor aclamado, ilustre integrante do mais antigo terreiro de candomblé da Bahia.
Estrela do Sul é uma simpática cidade do Triângulo Mineiro, mesma região de Uberaba. É uma das antigas povoações que têm sua história ligada ao desbravamento dos Bandeirantes, buscando riquezas e ampliando as fronteiras do Brasil.
Os Bandeirantes denominaram uma grande área, o Triângulo, como Sertão da Farinha Podre. Os dois primeiros municípios foram, respectivamente, Araxá e Uberaba. O local era habitado pelos índios Caiapós e estes foram para outras regiões, na medida em que os colonizadores foram tomando conta das terras.
A história do Sertão da Farinha Podre está ligada ao grande Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, líder da primeira Bandeira que passou pela região. Contam que um genro do Anhanguera, João Leite da Silva Ortiz, encontrou diamantes, no início do século XVIII. O fato atraiu muita gente e formou-se o arraial, Bagagem, cujo nome surgiu pelo local onde os garimpeiros deixavam seus pertences enquanto iam ao garimpo.
Anos depois do primeiro achado, precisamente em 1853, uma escrava de nome Rosa (Este é o mesmo nome da minha avó paterna, que veio de lá, de Estrela do Sul) encontrou um enorme diamante pesando 245,5 quilates. Lapidado na Europa, o tal diamante foi reduzido a 128,8 quilates e fez fama.
Estrela do Sul é o nome do tal diamante e este correu mundo. Foi batizado assim e ficou mundialmente conhecido por uma característica específica que é mudar de cor quando exposto à luz solar. Li, no histórico publicado pela prefeitura da cidade que a última notícia que se tem do Estrela do Sul foi durante a 22ª Bienal de Paris, quando a pedra esteve em leilão no Museu do Louvre, em 2004.
A descoberta do Estrela do Sul, o acontecimento que correu mundo, provocou nova corrida à região. Gente importante como D. Anna Jacintha de São José, nacionalmente conhecida como D. Beja, a Feiticeira do Araxá, mudou-se para Estrela do Sul na mesma época em que o diamante foi achado, lá permanecendo até falecer, em 1873.
Maria Rosa Resende, uma bela morena, viveu boa parte de sua vida em Estrela do Sul, a antiga Bagagem que trocou de nome por conta de um diamante. Casou-se, teve quatro filhos e, por pinimbas familiares desconheço as circunstâncias em que ela ficou viúva. Sei que ela conheceu Deolino Rodrigues e com ele, teve outros três filhos, entre esses Felisbino, o meu pai.
Papai é o garoto ao lado do meu avô.
Papai nasceu no início do século XX, quando o garimpo já não era proeminente em Estrela do Sul. Os aventureiros já haviam ido embora e a cidade era tranqüila, sempre pacata. Vovô Deolino conseguiu comprar terras em Araguari, ainda em Minas Gerais, e em Goiás, na região de Itumbiara. Foi em Araguari que meu pai cresceu, tornou-se o rapaz por quem minha mãe se apaixonou e com quem teve seis filhos.
Sinto que devo a meu pai conhecer mais e mais sobre a cidade de onde ele veio. Imagino-o criança em Estrela do Sul, aventureiro como sempre foi, certamente brincou de procurar pedras preciosas.
Sobre o tal diamante, o Estrela do Sul, fico devendo detalhes do destino da pedra. Pode ser que haja alguém interessado em saber se foi vendida no tal leilão; quem foi o comprador, onde está agora… Interessa, neste momento, lembrar hoje a cidade daquele que, para toda a minha família, é a pessoa mais importante entre os que nasceram em Estrela do Sul: Papai!
Para a cidade, Estrela do Sul, um desejo de paz e prosperidade neste domingo de agosto. Para nosso pai, a eterna lembrança e nosso imenso carinho, com todo o nosso amor.