Vamos de Trem das Lives!

No dia 20 de setembro fizemos nossa primeira live. Uma viagem deliciosa que vai longe e perto, sempre em frente. Os registros de cada encontro permanecem online e podem ser revistos nas nossas páginas do Instagram. Basta clicar aqui para ver ou rever.

Um carinhoso abraço aos nossos companheiros de viagem, Cris Bucco, Marisa Schmidt, Octavio Cariello, Rosângela Maschio, Nando Cury e aos demais viajantes, nossos companheiros de jornada.

Siga-nos nas redes sociais e acompanhem o Trem das Lives. Todos os domingos, 18h00.

Até mais.

A HORA DOS ARQUITETOS DO SOM (PARTE 2)

Nando Cury nasceu em Botucatu, SP. Mora no bairro do Sumaré, São Paulo. No próximo domingo nós o conheceremos um pouco mais. Das crônicas publicadas por ele escolhemos, para hoje, uma que envolve o universo musical. Sobre música, Nando Cury diz:

“Adoro música. Participei de algumas bandas como Os Jetsons e XPTO (em Botucatu, nos anos 60). Fui um dos vocalistas e compositores de O Quarteto, nos anos 70. Nos Anos 80, estudei harmonia na Escola de Música Travessia e fiz parte do grupo vocal Piruá. Agora sou um dos integrantes da banda Beatles For All.”

O Trem das Lives, com Nando Cury, será no próximo domingo, dia 4, 18h no Instagram do Trem das Lives (@tremdaslives). Veja abaixo um relato da experiência musical do autor:

A HORA DOS ARQUITETOS DO SOM (PARTE 2)

Quase caí da carteira, quando Mário Bock, meu colega de turma, me contou a novidade. Ele havia conseguido pra mim, em 1973, no nosso segundo ano da Faculdade de Comunicação Objetivo, um estágio no estúdio de Rogério Duprat. Continuei não acreditando, então fui falar com o grande regente e arranjador. Passei 20 dias dentro do Studio Vice Versa, meio paralisado, só observando o Sá, o Guarabyra e os músicos da banda O Terço elaborarem músicas com apelos publicitários. Que, depois do arremate final de Duprat – incluindo arranjos, vozes, instrumentos e mixagem – virariam jingles famosos de conhecidos produtos.

De formação erudita, Rogério Duprat fundou o Grupo Música Nova, em 1961, já indicando ares de vanguarda. Como professor da Universidade de Brasília, junto com Damiano Cozzela e Décio Pignatari, cuidou da modernização da teoria e da prática musical no Brasil. Expandiu sua técnica de composição numa temporada que passou na Europa, onde estudou com influentes compositores da música contemporânea eletroacústica, o francês Pierre Boulez e o alemão Stockhausen. Apesar de ter gerado trilhas premiadas para teatro e cinema, a fama de Duprat só foi alavancada na época dos inesquecíveis Festivais da Música Popular Brasileira da TV Record. Exatamente no IIIº Festival de 1967, considerado o mais competitivo e de melhor qualidade musical. Realizado no Teatro Paramount, na Brigadeiro Luiz Antônio em São Paulo, o IIIº Festival contou com uma plateia, em sua maioria, composta por ruidosos estudantes universitários. A TV Record bateu o recorde mundial de audiência, para espectadores fiéis. Tive o privilégio de ser um deles, assistindo com amigos, cada música de cada etapa, através da tela do televisor preto e branco, lá da nossa sala de estar em Botucatu. A disputa não era só pela melhor canção e melhor intérprete. Rogério Duprat ganhou o prêmio de melhor arranjo com “Domingo no Parque” de Gilberto Gil, segunda colocada no festival. Venceu outro gigante chamado Hermeto Paschoal, que fez o arranjo para Ponteio de Edu Lobo, a grande campeã. Duprat usou, como bases, o canto e o violão de Gil, misturando os naipes de cordas e metais da orquestra com berimbau, os backing vocais e sons dos instrumentos dos Mutantes, de Rita Lee, Arnaldo Baptista (baixo) e Sergio Dias (guitarra).

No ano seguinte, em 1968, Duprat criou os arranjos de Tropicália, que lançou o Tropicalismo, um dos mais importantes movimentos musicais brasileiros. Nesta obra, os inventivos arranjos de Duprat sincronizaram-se com a criatividade exuberante que aflorava de um grupo especial de novos compositores do país. As canções do álbum, em sua maioria, levaram a assinatura de Caetano e Gil, como em “Panis et Circenses”, interpretada pelos Mutantes. Caetano e Gil tiveram ainda a parceria de dois poetas que se destacavam naquele momento. Torquato Neto compôs com Gil “Geleia Geral”, interpretada por Gil. E com Caetano a canção “Mamãe Coragem”, cantada por Gal. Capinam fez “Miserere Nobis” com Gil, que também foi o intérprete. Caetano Veloso assinou “Enquanto seu lobo não vem”, cantada por ele e “Lindoneia”, que ficou perfeita na voz de Nara Leão. Tom Zé foi o autor de Parque Industrial, para o coro de Gil, Caetano, Gal e Os Mutantes. Gal Costa conduziu divinamente o hit “Baby” de Caetano.

Dessa mesma época, valem ser destacados os arranjos de orquestra que Duprat construiu, para tornar ainda mais originais e cobiçados, os três primeiros álbuns dos incomparáveis Mutantes de: 1968 (que traz “Panis et Circenses”), 1969 (que leva “Não vá se perder por aí”) e 1970 (Divina Comédia ou Ando meio desligado).

Capa do disco Tropicália: projetada pelo artista plástico Rubens Guerchman.

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Obs.: a PARTE 1, que aborda personagens da formação musical do autor está no Facebook. Faça uma visita e conheça outros contos e crônicas em https://www.facebook.com/nandocury

O CANTOR DA MADRUGADA

A próxima live do Trem das Lives, próximo domingo, 18h será no Instagram . Acesse e siga a página para ver e conhecer melhor NANDO CURY, escritor, autor do conto abaixo que mostra de maneira sensível as mudanças ambientais levando a novas situações de relacionamento entre o homem e os pássaros.

O CANTOR DA MADRUGADA

O belo canto melódico, que atravessa a minha janela fechada, parece ser de um sabiá laranjeira, aquele com a barriga cor de laranja. O pássaro é lindo, seu canto também. Mas, raios, o que está fazendo à estas horas da madrugada dentro do meu sono mais profundo?

Tenho um ouvido muito sensível. Desde que mudei pro meu apartamento, há 25 anos atrás, adotei o costume de, em algumas noites, utilizar o protetor auricular, aquele par de pequenos cones da 3M, por coincidência da cor laranja. Esta prática começou na madrugada de terça pra quarta, por causa da montagem da feira na minha rua. E, tem se repetido em algumas outras ocasiões noturnas, para tentar barrar possíveis sons altos, duradouros e repetitivos. Como uma sirene que dispara ou o canto de pássaros noturnos.

Eu andava mesmo chateado, implicado com o canto do sabiá. Culpando-o por cantar tão alto, tão demoradamente, tão repetitivamente. E não me deixar dormir. Mas, nesta semana resolvi investigar por que alguns tipos de pássaros, como ele, cantam de madrugada. E porque também não dormem.

O sabiá é um cantor nato. Descobri que lá no terreiro do interior ele canta mais cedo, quase no finzinho da tarde. Mas quando fugiu do terreiro e veio morar num galho de Sibipiruna de uma rua da grande cidade, enfrentou dificuldades para cantar. Seu canto é um instrumento de sobrevivência. Precisa aparecer forte para assustar inimigos, chamar a atenção dos seus parentes, daquela fêmea que pode ser a mãe de seus filhos. Na cidade grande, cantar de dia não dá pro sabiá. Ele tem a concorrência forte de muitas fontes de barulho, como o trânsito, equipamentos que geram energia, lavam carros, pets, cortam árvores, ferragens e outros materiais de construções.

Lá no interior, lá no meio do mato fica tudo escuro pro sabiá dormir. A cidade grande não fica escura nunca, mas é menos clara e menos barulhenta à noite, mais ainda na madrugada. Por essa razão, ele também tem insônia, atrasa o seu canto para a madrugada. E aí trava uma verdadeira disputa de cantoria com os pássaros da mesma espécie. Dizem os ornitólogos que o sabiá macho que cantar mais alto, mais rápido e com maior quantidade de notas, é aquele que tem mais chances de conquistar as sabiás mais bonitas, dengosas e parideiras.

Então, para completar minha curiosidade, resolvi analisar a frase melódica do canto do sabiá laranjeira. Acho que, é possível compará-la ao arpejar de um violino numa música clássica. Em alguma dessas noites, mais quentes, assim que ouvi-lo, estou pensando em levantar da cama e ir pra sacada tentar um dueto com ele.

Texto original publicado no perfil do Facebook. Para acessar, clique aqui e conheça outros textos do autor.

SEMÔNICA é o podcast de Nando Cury. Entre clicando aqui e ouça textos narrados pelo próprio autor.

ACIONEI OS MEUS CHIPS DE TECNOLOGIA E…

Nando Cury é o convidado do próximo Trem das Lives. Domingo, 18h. Abaixo, uma crônica do autor que atua também como professor.

ACIONEI OS MEUS CHIPS DE TECNOLOGIA E…

Foi na manhã de terça-feira passada. Acordei com a tradicional música do despertador do celular. Fiz meus exercícios de alongamento e pulei da cama. Nossa! Direto do conforto do meu escritório, sem precisar atravessar a cidade, ia realizar minhas tão sonhadas aulas ao vivo. Depois de um belo e tranquilo café, tomei meu banho relaxante, escolhi minha camisa polo preferida, vesti uma bermuda – dica dos apresentadores de TV – liguei meu laptop. Dei uma respirada bem funda de alegria. Cliquei no programa de vídeo conferência, a tela se abriu e entrei na sala virtual. Compartilhei meu arquivo de power point com os alunos, que já estavam me esperando. Então: – “Bom dia. Sejam bem vindas e bem vindos. Vamos começar as nossa aulas de hoje.”

Mas, não foi bem isto o que aconteceu na primeira vez que precisei fazer minhas aulas, via internet. Tudo decidido rapidamente, no dia anterior. Acompanhei pelo whatsapp, as várias orientações enviadas pelos meus superiores acadêmicos. O tutorial oficial chegou no final da noite de segunda-feira. Aí, fiquei até as 3 da madrugada me preparando. Levantei às 7. Tomei um banho à jato. Engoli o café da manhã. Abri o lap top e, depois de clicar no programa de vídeo conferência, acionei os meus chips de tecnologia para entender o tutorial e… Como faço para desativar o som dos participantes? Como compartilho a tela do ppt? Viche! Às 7h50 li uma mensagem do meu coordenador de curso, me perguntando se tudo estava pronto. Eu ainda precisava fazer alguns passos. Como é que copio os links para a tela do professor online? As aulas começavam às 8h e 25 minutos. Entrei e saí várias vezes do tutorial… e do programa…Lógico, que o tempo foi passando, rapidamente. Voaaando…8h45h. Finalmente às 9h15, liguei pra ele. – “Consegui”. Não consegui. Ouvi a resposta que já esperava: minhas primeiras aulas virtuais haviam sido canceladas. Que pena! Meu sonho…Tinha que assimilar o baque. Fui à cozinha e tomei um café. Procurei um canto da casa para meditar. Voltei pro tutorial. Contatei novamente meus chips de tecnologia. E eles me responderam. Ufa! Respirei demoradamente, de alívio. –“Agora entendi”. Tudo fluindo. As aulas da noite me esperavam e estavam salvas.

+ Sobre o autor:

Nando Cury trabalhou em Empresas como Volkswagen, Philips e Eucatex. Em Agências como Lage & Magy, Setor e Chancela. Em Universidades, como professor dos cursos de Publicidade e Propaganda, PMK e ADM, lecionando na Anhembi-Morumbi, Belas Artes, Fecap, Oswaldo Cruz e Unip, onde leciona atualmente.

Texto original publicado no perfil do Facebook. Para acessar, clique aqui e conheça outros textos do autor.

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COMO ERA GOSTOSO O NOSSO FRANCÊS

PREPARATIVOS DE VIAGEM

Nando Cury, o convidado do Trem das Lives do próximo domingo, é um cronista genial que encanta semanalmente seus leitores e ouvintes – via Podcast – com temas que envolvem, propiciam reflexão, encantamento e diversão.

Uma pequena maratona dos textos de Nando Cury estarão aqui, neste blog, e na página do Facebook do Trem das Lives. Pensamos que a melhor maneira de apresentar nosso convidado é mostrar alguns exemplos do que ele faz.

Segue, abaixo, uma crônica muito bacana. Os links para os demais trabalhos de Cury estarão logo após o texto. Boa leitura!

COMO ERA GOSTOSO O NOSSO FRANCÊS

La vie em rose passava pelas telas dos vitrôs das casas. Nos românticos tempos do abajour, dos pechichés, dos bidês. Bibelôs enfeitando a sala e docinhos variados nas bombonières. Camas revestidas com edredons. Mulheres de mantôs e saias plissé. Nos rostos, os toques marcantes dos batons e rouges da Payot e da Coty.

La vie em rose enchia de fios e lãs os momentos de espera. De avó pra filha, de filha pra neta, multiplicavam-se as receitas de tricot e crochet. Logo viravam malhas, gorrinhos, meias e cachecóis.

Respirávamos as lectures mais chics do currículo do ginásio nas aulas de francês. Tentando enquadrar, nos passpartouts do cotidiano, as palavras dos nossos quase colonizadores. Professores inesquecíveis nos ensinavam, como pronunciar e escrever direito, o je suis, nous avons, voilá, trés bien, mercy beaucoup. E nossa frase preferida: amour, toujour, amour.

As cores em francês ficavam mais belas. Jaune para o amarelo, bleu para o azul, orange para o laranja, noir para o preto… Frutas, então, tinham outros sabores. Como naquele comercial do menino da Danone: “Voici la crème de yaourt Danone. Ces´t delicieux. Regardé: ananás (abacaxi), pêche (pêssego), la fraise (morango)…”

Bons ouvintes de Aznavour e de Piaf, Paul criou Michele e Stevie Wonder encantou-nos com Ma cherie amour. Numa bela tarde , enquanto esperávamos os novos filmes de Bardot e Delon, surgiu Deneuve em La Belle de Jour. As padarias lotaram de croissants, quiches e águas Perrier. Virou moda o cassoulet, o suflê, com o petit gateau de sobremesa. Vieram os carros franceses, a Michelin, o Carrefour, a Loreal, a Leroy Merlin, a Benetton…

Hoje o francês está mais pra Paris que pro Leblon. Mas, quem sabe, nessa virada dos tempos, brote novamente La vie en rose. E possamos comer o tradicional pãozinho, recém tirado do forno, com patês, queijos camembert e brie. Bem acompanhados dos bons vinhos de lá. Num nouvelle e vague frisson, en petit comitê.

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