COMO ERA GOSTOSO O NOSSO FRANCÊS

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PREPARATIVOS DE VIAGEM

Nando Cury, o convidado do Trem das Lives do próximo domingo, é um cronista genial que encanta semanalmente seus leitores e ouvintes – via Podcast – com temas que envolvem, propiciam reflexão, encantamento e diversão.

Uma pequena maratona dos textos de Nando Cury estarão aqui, neste blog, e na página do Facebook do Trem das Lives. Pensamos que a melhor maneira de apresentar nosso convidado é mostrar alguns exemplos do que ele faz.

Segue, abaixo, uma crônica muito bacana. Os links para os demais trabalhos de Cury estarão logo após o texto. Boa leitura!

COMO ERA GOSTOSO O NOSSO FRANCÊS

La vie em rose passava pelas telas dos vitrôs das casas. Nos românticos tempos do abajour, dos pechichés, dos bidês. Bibelôs enfeitando a sala e docinhos variados nas bombonières. Camas revestidas com edredons. Mulheres de mantôs e saias plissé. Nos rostos, os toques marcantes dos batons e rouges da Payot e da Coty.

La vie em rose enchia de fios e lãs os momentos de espera. De avó pra filha, de filha pra neta, multiplicavam-se as receitas de tricot e crochet. Logo viravam malhas, gorrinhos, meias e cachecóis.

Respirávamos as lectures mais chics do currículo do ginásio nas aulas de francês. Tentando enquadrar, nos passpartouts do cotidiano, as palavras dos nossos quase colonizadores. Professores inesquecíveis nos ensinavam, como pronunciar e escrever direito, o je suis, nous avons, voilá, trés bien, mercy beaucoup. E nossa frase preferida: amour, toujour, amour.

As cores em francês ficavam mais belas. Jaune para o amarelo, bleu para o azul, orange para o laranja, noir para o preto… Frutas, então, tinham outros sabores. Como naquele comercial do menino da Danone: “Voici la crème de yaourt Danone. Ces´t delicieux. Regardé: ananás (abacaxi), pêche (pêssego), la fraise (morango)…”

Bons ouvintes de Aznavour e de Piaf, Paul criou Michele e Stevie Wonder encantou-nos com Ma cherie amour. Numa bela tarde , enquanto esperávamos os novos filmes de Bardot e Delon, surgiu Deneuve em La Belle de Jour. As padarias lotaram de croissants, quiches e águas Perrier. Virou moda o cassoulet, o suflê, com o petit gateau de sobremesa. Vieram os carros franceses, a Michelin, o Carrefour, a Loreal, a Leroy Merlin, a Benetton…

Hoje o francês está mais pra Paris que pro Leblon. Mas, quem sabe, nessa virada dos tempos, brote novamente La vie en rose. E possamos comer o tradicional pãozinho, recém tirado do forno, com patês, queijos camembert e brie. Bem acompanhados dos bons vinhos de lá. Num nouvelle e vague frisson, en petit comitê.

-.-

Texto original publicado no perfil do Facebook. Para acessar, clique aqui e conheça outros textos do autor.

SEMÔNICA é o podcast de Nando Cury. Entre clicando aqui e ouça textos narrados pelo próprio autor.

2 comentários Adicione o seu

  1. às 18h00, certo? Estarei lá.

    1. valdoresende disse:

      Sim, querida. Se vc quiser, te envio o link do vídeo da anterior.
      bjs. Obrigado pelo retorno.

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