Quem me quer sem memória

(A força de um poema de Lêdo Ido: arma nesses tempos de luta pela educação.)

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Quem tapa minha boca
Não perde por esperar:
o silêncio de agora
amanhã é voz rouca
de tanto gritar.

Quem tapa meus olhos
nada esconde de mim.
Sei seu nome e seu rosto,
o lugar em que estou,
sua noite sem fim.

Quem tapa meus ouvidos
me faz escutar mais.
Igualei-me às muralhas
e o silêncio mais fundo
guarda o rumor do mundo.

Quem me quer sem memória
erra redondamente.
Lembro-me de tudo
e, cego, surdo e mudo,
até do esquecimento.

E quem me quer defunto
confunde verão e inverno.
Morto, sou insepulto.
Homem, sou sempre vivo.
Povo, sou eterno.

Lêdo Ido, ‘Precauções Inúteis’ in “Melhores Poemas”.

 

O Recife que aprendi a amar

O Recife que aprendi a amar

É cidade de poeta;

Um poeta. Manuel Bandeira!

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Sem Pasárgada. Esta fica para outro dia. Vou-me embora pra Recife

e levo, na bagagem, outros versos de Bandeira que, com prazer,

divido com quem me honra visitando e lendo este blog.

Teu corpo… a única ilha

No oceano do meu desejo.

(Poemeto erótico)

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo.

(Os sapos)

A mameluca é uma maluca.

Saiu sozinha da maloca…

(Berimbau)

Uns tomam éter, outros cocaína

Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.

(Não sei dançar)

És linda como uma história da Carochinha…

(Mulheres)

 

Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

(Poética)

 

Lagoas das Alagoas,

Rios do meu Pernambuco,

Campos de Minas Gerais!

(Sextilhas românticas)

 

Disse que ela era boa.

Que ela era gostosa,

Que ela era bonita pra burro:

Não fez efeito.

(Rondó de efeito)

 

Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô.

(Evocação de Recife)

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Até mais!

 .

Laura

Dois poemas para minha mãe; para todas as mães.

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Laura n° 2 (poemeto ilustrado)

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as mulheres todas, minha mãe

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namorada, estrela de cinema, mãe, avó…

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irmã, jovem, amiga, mulher…

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sobretudo mãe, nossa mãe!

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Feliz dia das mães!

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