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Manter-se na mídia não é fácil. O sujeito tem que fazer das tripas coração para conseguir espaço, tempo de exposição. É caro; muito caro. Exceto quando a polícia ajuda; no caso, a polícia mineira, dando um “up” na carreira do rapper Emicida, prendendo o moço por um “disse que disse”.

Poderiam ter indiciado o rapaz, chamado para esclarecimentos, essas coisas da justiça; mas, olha só que chance, prender um artista! E assim contribuíram para que o país todo soubesse que o moço esteve em Belo Horizonte;  colocaram o rapaz no topo dos comentários de redes sociais, contribuíram para a divulgação da música “Dedo na ferida”. Bom trabalho, senhores!

Volta e meia fala-se em “serviço de inteligência”; expressão que indica a ação de profissionais específicos agindo com bases científicas para solucionar questões difíceis. Provavelmente são dessa estirpe os que estão no caso da atriz nua na internet. Essa gente inteligente encontrou pobres diabos vivendo em quartos também pobres; supostamente entre esses os autores do crime. Outros calcularam que as fotos de Carolina Dieckmann tiveram oito milhões de acessos entre os dias 4 e 8 passados, e continuam por aí, como foi constatado por quem, hoje, entrou no site da Cetesb-SP (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Nosso país é incrível. Um rapper é preso por suposto desacato e as fotos íntimas – agora públicas – de uma mãe de família são rastreadas até aos prováveis divulgadores (esses sim, com a absoluta intenção de socializar informações!). Tudo muito rápido; no entanto, há uma investigação em andamento de um servidor paulistano que adquiriu 106 imóveis por “suspeita de incompatibilidade em relação ao seu patrimônio”. Olha que chic! Propriedades incompatíveis com salário. Só falta o cara dizer que ganhou na loteria. Como isso envolve muita grana e gente poderosa, vai demorar muito para encontrar solução. Muito mesmo! Até minimizar a opinião pública.

A mesma demora em punição deverá ocorrer para o pessoal do Rio Grande do Norte. O escândalo tornou-se nacionalmente conhecido e comentado após reportagem no Fantástico, o programa dominical da Rede Globo. Uma mulher envolvida, com um descaramento impar, disse que foram retirados dos cofres públicos quase R$ 20 milhões. O mais irônico dessa notícia é ela cumpre prisão domiciliar! Ela e o marido, também envolvido no desvio de dinheiro.

Poderosos afanam dinheiro público e continuam na maior mordomia em prisão domiciliar, servidos por motoristas particulares, camareiras, cozinheiros, mordomos… O Emicida foi preso rapidinho e só livrou uma diária; ou será que o hotel cobrou a diária do rapaz que passou a noite no xilindró? Já os pequenos tarados por Carolina Dieckmann que vivem em locais bem pobrezinhos, cujo destaque no cenário moral e material fica por conta do domínio sobre o computador, logo estarão nas celas superlotadas de nossos presídios.

O pior dessas questões é sobrar a sensação de “pizza” ou de que polícia só existe para operações contra ou a favor de artistas. Para criminosos do setor público não há polícia, há justiça. A tal que é cega e – em nosso país – mais lenta que lesma paralítica. Para os artistas, porém, resta a fama. Carolina é mais comentada que as mocinhas das novelas de todos os horários; Emicida, penso eu, agradece toda essa “mídia espontânea” que será revertida em shows, venda de CDs e similares… E assim vamos vivendo, esperando justiça.

Até mais!