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Amedeo Modigliani está em São Paulo. No MASP. Italiano que fez parte da Escola de Paris, morto precocemente aos 36 anos em consequência de uma tuberculose. Diz a lenda, que foram essas as últimas palavras do artista: “Cara, cara Itália”. Pode ser mentira, mas cabe perfeitamente no espírito romântico à Lord Byron que permeia a vida de Modigliani.

Bebidas, mulheres, errante… palavras frequentes na biografia do pintor, escultor que, de origem abastada, conheceu a miséria da vida em Paris, vendendo desenhos por um copo de bebida. A obra de Modigliani é perceptível e única entre seus pares; suas personagens apresentam pescoços alongados em um traço distinto, que aqui chamo a atenção: as linhas de Modigliani.

Fortes, delicadas, grossas, finas, espessas, tênues… Nas linhas expressivas Modigliani mantém a tradição toscana  (Nascido em Livorno, passou por academias de Florença e Veneza) que, na visão dos críticos de arte são melodiosas, flexíveis. O grafismo de Modigliani é único com linhas que podem ser caracterizadas ainda mais: secas, elegantes, frágeis.

As linhas são o caminho vital, em Modigliani, para o domínio da forma. Vivendo entre os Cubistas, foi dono de um expressionismo que deforma em função de composições que mexem com o observador. Somos inclinados a acompanhar as linhas do artista e essas inclinam cabeças, alongam membros, tornando olhares vazios ou melancólicos; e as bocas, e os seios, os nus em Modigliani são vulneráveis, inocentes, desprendidos.

Como Tolouse-Lautrec, como Van Gogh, Modigliani preferiu gente simples como modelo para suas criações. Nessas escolhas – moças humildes, crianças frágeis – o olhar atento sobre a vida, as diferenças entre os homens, o sentimento humanitário frequentemente disfarçado em cinismo.

Artistas como Modigliani ficam distantes – em vida – do sistema que comercializa obras, tornando alguns muito ricos. É mais fácil encontrá-los em Montmartre, convivendo com boêmios, deserdados, embriagados, miseráveis. Por trilhar um caminho próprio vai ter uma única exposição que no dia da abertura foi fechada pela polícia. Os 33 nus que Modigliani expôs em 1917 escandalizaram Paris. O pintor faleceu em 1920, sem outra chance de mostrar oficialmente seu trabalho.

No MASP estão as linhas que o Modigliani traçou pelo espaço em formas únicas, tons quentes, indicando intimidade. Além das pinturas há desenhos e esculturas, permitindo aos visitantes uma visão maior de todo o trabalho do artista. O museu recebe visitantes de terça a domingo, das 11h00 às 18h00 e vai até o dia 15 de julho. Informações complementares pelo telefone 011 -3251 5644.

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Bom final de semana!

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