E a menina cantou nossa canção!

Últimos ensaios de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba” na cidade de Cruzeiro. Tomo o ônibus de volta para São Paulo e divido o assento com uma garota morena, de onze, doze anos de idade. Os pais, nos bancos da frente, colocaram a menina sem dar muita atenção ao acompanhante. Quase que instintivamente pensei na possibilidade de perturbações, mas mudei de ideia quando a menina, percebendo que a mãe falava muito alto ao telefone pediu, educadamente, para a mulher falar mais baixo. Arrumou-se e ficou quietinha enquanto tentei me distrair com um livro.

A Via Dutra apresentando o rotineiro pôr de sol atrás da Mantiqueira enquanto, à nossa esquerda um garoto, com uma tosse forte, profunda, ininterrupta, fez-me lembrar de outras épocas quando tal situação culminava com estadias nos sanatórios de Campos do Jordão, ali mesmo, no meio da Serra. A garotinha puxou assunto: “- Minha mãe também tosse assim. Sempre!”. E emendou, olhando meu livro: “- Você vai ler tudo isso, página por página?” Acenei que sim e ela: “- Eu gostaria de ler. Um dia vou gostar”. Achei a resposta engraçada e resolvi conversar com a garota: – Sua professora não indica livros, não pede leituras? “- Que ano você acha que estou?”

Escola dr arnolfo Azevedo
Conrado Sardinha na Dr. Arnolfo Azevedo; onde estará minha nova amiga?

Eu olhei e chutei. Terceira? Não, quinta série, ela respondeu e informou estudar na Doutor Arnolfo Azevedo, em Cruzeiro. A escola entrou para a história por ter sido o local onde assinaram documentos dando por fim a Revolução de 1932. Conrado Sardinha esteve lá apresentando as montagens do Arte na Comunidade 4. Resolvi perguntar se ela havia visto e o que se lembrava das peças. Para minha surpresa a menina começou a cantarolar:

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer…

Ela não tinha certeza da segunda parte e eu, já emocionado, cantei com ela:

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal.

A história a gente inventa

Ou conta aquela, já bem contada,

Que recontada, não tem igual.

Sábado à tarde, pôr de sol na Via Dutra. Uma garotinha cantando a música que fiz em parceria com Flávio Monteiro. Ela, sem perceber minha emoção, disse adorar o nome Menestrel.  “– É muito bonita essa palavra, Menestrel! Como era o primeiro nome do moço?” Pedro, Pedro Menestrel, respondi. E abrindo o celular mostrei fotos dos nossos ensaios, do Flávio e do Pedro, que na escola dela foi interpretado por Conrado Sardinha. “– Como, Conrado Sardinha? Por que mudar o nome?” Pedro é a personagem; Conrado é o nosso ator. “- Ele é muito bom! Engraçado!” Tenho certeza de que Conrado irá gostar, informei.

Já íntimos, mostrei fotos também de Rodolfo Oliveira, em Lavrinhas, e da Luciana Fonseca, em Queluz. Convidei a garota para nossa apresentação, no próximo sábado, dia 20, em Cruzeiro, na Praça da Rua 7. – Pede para o teu pai te levar! Foi o único momento em que ela mudou o semblante. “- Ele não é meu pai, é padrasto.” Preferi não identificar o sentimento com que concluiu a informação, como se fosse uma pequena vingança: “- Ele é muito mais velho que a minha mãe”.

O garoto, do outro lado, não parava de tossir, encolhido na poltrona. E minha companheira de viagem, esquecendo o padrasto, perguntou por que ele não se deitava, já que estava sozinho em duas poltronas. E de novo mudou de assunto, perguntando como se escreve Resende. Eu informei e a pequena, ardilosa, fingiu não entender, pedindo-me para que mostrasse no Facebook. Em seguida, já na minha página, ela falou-me o próprio nome e pediu que eu pesquisasse, para vê-la. Obedeci; olhamos algumas fotos e ela, confirmando o ardil: “- Me adiciona! É ali, no canto. Clica ali”.

Sábado estaremos em Cruzeiro. Espero rever minha nova amiguinha. Cansados de fotos, peças, mesmo com as tossidas do garoto, tiramos um cochilo, acordando já em São Paulo, em plena Marginal. Logo ela se foi no burburinho da rodoviária, sem olhar para trás, e eu voltei para casa, feliz! Há uma garota que canta a letra que escrevi, musicada por Flávio Monteiro. Há uma criança que acha Menestrel um lindo nome e que dificilmente irá se esquecer de Conrado Sardinha. Esse é o nosso trabalho, no Arte na Comunidade. Povoar cabecinhas de histórias e de boas lembranças. É isso que faz com que nos sintamos realizados, felizes.

Até mais

Cruzeiro recebe Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4

Após apresentações em Lavrinhas, na sexta, dia 19 , a Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4 estará em Cruzeiro, no sábado, dia 20. TODOS ESTÃO CONVIDADOS para uma manhã agradável com muitas atrações com entrada franca. Trabalho específico criado para o evento, a montagem de “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” abrirá a programação que conta também com o espetáculo “Histórias por Telefone”, da “Companhia Delas de Teatro”.

Escrita e dirigida por Valdo Resende, “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As composições e a direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra. Patrocinados pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas, o projeto Arte na Comunidade 4 é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Veja horário, endereço e outros detalhes do evento. Compareça. Ficaremos felizes com a presença de todos.

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Mostra Teatral em Lavrinhas

TODOS ESTÃO CONVIDADOS! No próximo dia 19 teremos o encerramento do Projeto Arte Na Comunidade 4 no município de Lavrinhas, no Vale do Paraíba. Veja abaixo a programação do evento. Nos próximos posts informarei detalhes também das mostras que ocorrerão em Cruzeiro e Queluz. Antecipo agradecimentos ao pessoal da cidade: professores, educadores, artistas e demais profissionais. Também aos nossos patrocinadores: Alupar e Taesa.Mostra teatral Lavrinhas

Pokémon Go indica o quanto está difícil cuidar da própria vida

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Um jogo entre tantos que andam por aí pode dizer bastante sobre um hábito antigo potencializado nos últimos tempos: querer determinar as ações do outro. Não basta impor  o que o outro deve fazer; vai-se além desancando, destratando, diminuindo o indivíduo que, no frigir dos ovos, quer apenas alguns momentos de diversão.

Jogos sempre existiram. Quantos não perderam horas diante de uma mesa jogando truco, tentando pegar varetas sem mexer nas demais ou, solitariamente, manipulando cartas na antiga paciência… São tantos!

Os detratores do Pokémon Go alertam para alguns perigos: Um deles a “idiotice” do jogo. No entanto estamos mais do que habituados a observar inúmeros e variados grupos de pessoas catatonicamente torcendo para que marmanjos coloquem uma bola além de três pedaços de pau. Também há outras, hipnotizadas, torcendo para aquele final de novela que todo mundo já sabe: o mocinho, invariavelmente, vai beijar a mocinha e serão felizes para sempre. E quantos não seguem semanalmente rumo às lotéricas para uma fezinha no grande cassino que é a Caixa, matreiramente autointitulada “Nossa Caixa”?

Li sobre uma “ameaça terrível”. Através do jogo os donos do próprio saberão aonde vou, quais meus hábitos e sei lá mais o quê. Será? Pode ser. Não guardo o segredo da felicidade e muito menos conheço os mistérios da pedra filosofal. Sendo um cidadão comum, ninguém carece de Pokémon para saber quais minhas possibilidades de consumo e também não é difícil verificar o parco perigo que represento para as instituições.

Soma-se a essa indelicada ação de patrulhar jogadores de Pokémon a dose cavalar de intolerância desses últimos tempos, caracterizando boa parcela de brasileiros, quando inimigo é aquele que não comunga com a ideologia do outro, com a opção partidária, com o credo religioso, com o gênero. Certamente atitudes que propiciam perigo maior para a convivência entre todos nós.

Parece que cuidar da vida do outro dá menos trabalho. Encarar os próprios hábitos e extirpar os que nos são nocivos é tarefa árdua, mas deveria tornar-se ação rotineira: O que eu ando fazendo com minha própria vida? O quanto estou prejudicando a mim e aos demais? Quanto devo insistir naquilo que a medicina diz que não devo; o que a lei determina e que não faço? Qual o grau de coerência entre minhas atitudes, ações e a crença que professo? Busco o bem coletivo ou olho exclusivamente para meu umbigo ao discutir política? O que há no mais profundo do meu ser que me provoca tanto incômodo ante a prática sexual do outro? E, entre várias possíveis, a pergunta que julgo a mais difícil de todas: qual o sentido da vida e para o que estou neste planeta?

Quantas perguntas! Que texto longo! Talvez, pensem alguns, o melhor é deixar isso para lá por bons momentos de bisbilhotice e intromissão na vida alheia. Quem quiser que fique à vontade para desancar com este que vos escreve; mas, atenção, não por ser jogador de Pokémon Go. Sou mais lento. Ainda estou nas primeiras etapas do Candy Crush.

Até mais!

Caipiras, caiçaras, piraquaras…

Sertanejo por herança paterna, caipira pelo lado de minha mãe, eu cresci como todo mundo e, enquanto criança, fui apenas um garoto mineiro nascido em Uberaba. Após muitas andanças comecei a descobrir o que era ser caipira através do teatro.

Atuando no CPT – o Centro de Pesquisa Teatral dirigido por Antunes Filho – estudamos o universo do caipira paulista através da obra Os Parceiros do Rio Bonito, do professor Antonio Cândido. O objetivo era fundamentar montagem baseada no livro “Alice”, de José Antonio da Silva que depois estreou como “Rosa de Cabriúna”. Muito do que conheci na convivência com meus familiares emergiu com força. Nossas festas, nossas rezas, uma infinidade de hábitos e costumes tornados fonte preciosa para o exercício teatral.

No CPT conheci e tornei-me amigo de Marlene Fortuna. A grande atriz que, então, interpretava magnificamente a “Senhorinha” de “Álbum  de Família” e a “Geni”, de “Toda Nudez Será Castigada”, peças de Nelson Rodrigues no espetáculo denominado Nelson2Rodrigues. Dentro do projeto de teatro de repertório, Marlene Fortuna também fazia uma “Ama” formidável em “Romeu e Julieta” e várias outras personagens dentro do monumental “Macunaíma”.  Todavia, não foi o teatro a nos aproximar. Marlene é filha de José Fortuna, um dos maiores autores da música caipira, famoso também pela dupla Zé Fortuna e Pitangueira e imortalizado nas diversas gravações de “Índia” e “Meu Primeiro Amor”.

Um dia, perdido no tempo, eu estava em um dos corredores do Sesc Vila Nova cantando “Lembrança” (conheça no vídeo acima),  música do José Fortuna, sem saber que Marlene era filha do compositor. Ela aproximou-se, emocionada, e nos tornamos amigos ali; pouco depois eu pude participar de uma festa entre os familiares do compositor com a presença de grandes duplas caipiras. Inesquecível.

De caiçaras sempre ouvi falar e pude me aprofundar um pouco mais nas pesquisas realizadas para o Arte na Comunidade 3, realizado em 2015 na Baixada Santista. No nosso litoral estão pescadores artesanais que desenvolveram técnicas ao longo do tempo e do contato entre grupos indígenas e os portugueses que por aqui aportaram.

Estudei mais do que escrevi a respeito nos textos para as montagens realizadas em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. Peculiaridades do trabalho levaram-nos para outros aspectos da população pesquisada. Infelizmente, os grupos caiçaras que ainda sobrevivem no nosso litoral, sofrem constante violação dos direitos humanos.

Neste ano, para o Arte na Comunidade 4, chegou a vez de conhecer os piraquaras, nome dado aos habitantes ribeirinhos do Rio Paraíba do Sul. A vida de pescadores e camponeses do Vale do Paraíba é parte vital da pesquisa para o trabalho que estamos fazendo na região. Os problemas de poluição são grandes e mudaram hábitos e costumes locais. O progresso imenso transformou a paisagem e tanto o Vale quanto a Serra da Mantiqueira carecem de cuidados constantes garantindo a sobrevivência de todos os que vivem por lá.

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Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira estão em “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”

“Os Piraquaras do Vale do Paraíba” é o nome da peça final que apresentaremos no final de agosto. Será o encerramento do Arte na Comunidade 4 nas cidades de Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz. Tomara que os piraquaras voltem a pescar não só no Rio Paraíba do Sul, mas nos muitos rios da região (o município de Lavrinhas tem sete!). A região já produziu toneladas de peixes que abasteceram muito além do mercado local. Hoje, a pesca é cada vez mais rara e a limpeza dos rios é prioridade.

Caipiras, caiçaras, piraquaras… Peculiaridades da nossa gente que, somadas, formam a identidade do Brasileiro. Fico muito feliz em conhecer, em vivenciar e, mesmo que modestamente, lutar pela sobrevivência de tudo isso. Se o bom Deus me permitir, que venham os caboclos, os sertanejos, gaúchos, pantaneiros, candangos, seringueiros… Enfim, toda a gente do Brasil.

 

Até mais!

Novos amigos

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Hoje foi um dia em que se falou da intimidade entre amigos, do irmão que escolhemos, de almas gêmeas e outras expressões similares. Tudo lindo, profundo e verdadeiro. Bastou o acordar com o alerta: “- hoje é dia do amigo!” – e, com certeza, pensamos em pessoas queridas e próximas, amadas mesmo se distantes; íntimas em qualquer situação, confiáveis e fieis. Não importa o tempo, o espaço, a dimensão. Pensamos nos amigos e sorrimos. Em tempos de redes sociais, quando contabilizamos milhares de amigos, é bom refletir um pouquinho sobre o significado da amizade na vida da gente!

Amigos sempre foram categorizados. Há os íntimos, para os quais contamos tudo. Há os companheiros que nos dão segurança para ir até ao inferno. Os sábios, para quem sempre pedimos conselho e orientação; os fanfarrões que nos acompanham até o último trago… E por aí vai, o amigo está sempre ao nosso lado dando-nos confiança com um mero olhar, estendendo-nos a mão ante a queda ou simplesmente caminhando conosco.

Amizade é um acontecimento na vida do ser humano. Um grande acontecimento! Pode durar décadas ou dias e mesmo assim ser tão inesquecível quanto aquela relação que caminha conosco desde a infância. Pode acontecer várias ou raras vezes e a única certeza é ter como infeliz aquele que não tem nenhum amigo.

Há pessoas que pensam em amizade no sentido de posse. O “tenho amigos” é mais forte do que o “sou amigo”. Penso que o ser amigo é o que determina a profundidade de uma relação, mesmo que separada por anos a fio, por centenas de quilômetros.  É o ser amigo que restabelece a intimidade sem necessidade de fatos que corroborem uma ou outra atitude. Ser e ter se confundem, mas o ter carece de cuidado atento para não gerar ciúme, posse doentia, egoísmo que exige exclusividade. Já o ser amigo me faz retornar às redes sociais.

Na internet, penso, a amizade é acontecimento e fundamentalmente atitude. Atitude sim; essa palavra muito usada ultimamente e raras vezes com o sentido devido, mas que cabe bem no contexto das redes sociais.  Agir como amigo, receber com amizade, ter como norma o respeito, a confiança, a camaradagem. Dirão alguns que faltará a intimidade, o conhecimento profundo dos acontecimentos da vida de cada um, a convivência, os hábitos comuns, etc.. Todavia, poderia enumerar muitas situações que conduzem às atitudes amigas sem que seja necessário saber a data de aniversário do sujeito ou fatos da vida do mesmo, ou ainda ter convivido com a figura.

Tantas pessoas passam por nossas vidas. Aquelas com as quais brincamos na infância, os colegas de todas as escolas; os correligionários dos grupos religiosos, os companheiros de trabalho… Poucos permaneceram. Poucos estão alçados à categoria de amigos. Passaram, como o tempo.  A oportunidade ocorreu: o quintal, a rua, o pátio da escola, os bancos da igreja, o refeitório do trabalho, os botecos de todos os lugares.

Agora somamos as redes sociais aos espaços tradicionais propícios às amizades. Aceitamos alguém por que é amigo, irmão, colega ou conhecido de alguém. Pode ser também por uma circunstância momentânea: um curso, uma festa, um trabalho, uma viagem…  E, certamente, é o tempo, o cultivo adequado e uma infinidade de possíveis circunstâncias que determinarão as relações com esse ser do qual vemos fotos, sabemos preferências, conhecemos algumas opiniões.

Um amigo da rede social não é tal qual aquele que conhecemos nos espaços tradicionais. Com frequência vemos fotos, mas não conhecemos a voz, o som do riso, as reações imediatas sem a intermediação do meio de comunicação. Muito diferente, mas nem por isso mesmo deixa de ser incrível e maravilhoso.  Totalmente possível. Tenho amigos do tempo de criança, da escola, do meu primeiro trabalho… Todos com décadas de convivência. Algum dia, alguém escreverá: Há cinquenta anos conheci meu amigo pela internet! Essa amizade já está ocorrendo por aí. Não é bonito isso?

Até mais!

Este é o meu 502º post!

aprendendo a escrever

Escrevo porque não canto, nem toco algum instrumento…

É com prazer que escrevo. Sempre! Mesmo quando é obrigação profissional; mesmo se é desabafo íntimo, pedido de socorro, elogio ou mera questão para uma prova escolar. Há momentos em que encaro o ato de escrever uma missão – como se fosse imprescindível dizer algo, contar, lembrar – e em outros penso ser um vício. Por exemplo, estou em férias e, a rigor, não deveria fazer nada. Todavia, como deixar de escrever?

Costumo pensar que faço artesanato e não me constitui incômodo manusear as pecinhas do teclado na busca da expressão precisa, da palavra adequada, da rima… Fico feliz da vida quando vejo o texto como peça única, fechada, coesa, coerente e, se possível, bela, emocionante.

Gosto de exercer o ofício de escrever e se vislumbro o ato do artesão é por sonhar ir além, com arte! Buscar a delicadeza da palavra que fará emocionar o ser sisudo ou, então, a força do substantivo implacável, do adjetivo que desnuda e evidencia a ferida.

Outro dia descobri que escrevia o 500º post. Resolvi comemorar a persistência, a paciência, o hábito; mas, sobretudo o prazer de escrever. E, neste momento, penso em você que chegou até aqui; meu receptor! Obrigado! Acredite, é pra você que escrevo. Não tenha dúvida da importância desta mera frase à guisa de agradecimento: É pra você que escrevo!

 

Até mais.