No próximo domingo, dia 28 de agosto, das 14h30 às 18h00, no Espaço de Eventos 8 de Março teremos a Mostra Teatral que encerra o Projeto Arte na Comunidade 4 na cidade de Queluz, no Vale do Paraíba. “Histórias para a hora do não”, de Carla Fioroni, com direção de João Acaiabe está na programação que também terá a apresentação de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”, texto e direção de Valdo Resende, autor também do poema abaixo:
Queluz (sp) Fotos Valdo Resende
A NOSSA QUELUZ
Queluz, no vale do Paraíba,
É minha cidade natal.
Não confunda, meu amigo,
Com a outra de Portugal.
Aquela é cidade de reis
A nossa, bem brasileira,
Para nós é sempre a primeira.
São duas belas cidades
Quem conhece assim afirma
No meu coração não tem igual
Por isso repito e te peço
Não confunda, meu amigo,
Com a outra de Portugal.
A montagem de Os Piraquaras do Vale do Paraíba foi feita exclusivamente para o encerramento do Arte na Comunidade 4. No elenco estão Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As músicas são de Flávio Monteiro e os figurinos de Carol Badra.
O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. É uma realização da Kavatant & Associados.
Do encerramento do Projeto Arte na Comunidade em Lavrinhas e Cruzeiro há algumas imagens para não esquecer: O trabalho de alunos e mestres em maquetes que valorizaram a visão da criança sobre a própria cidade e, também, o carinho do público para com nossa equipe, comparecendo em massa na Praça Dr. Antero Arantes para ver a exposição de trabalhos e a apresentação da peça OS PIRAQUARAS DO VALE DO PARAÍBA.
Meu agradecimento especial aos nossos parceiros nesta empreitada.
O Projeto Arte na Comunidade, idealizado por Sonia Kavantan, tem patrocínio da Alupar e Taesa, via Ministério da Cultura e Apoio Cultural das Usinas de Queluz e Lavrinhas. Realização da Kavatant & Associados.
Últimos ensaios de “Os Piraquaras do Vale do Paraíba” na cidade de Cruzeiro. Tomo o ônibus de volta para São Paulo e divido o assento com uma garota morena, de onze, doze anos de idade. Os pais, nos bancos da frente, colocaram a menina sem dar muita atenção ao acompanhante. Quase que instintivamente pensei na possibilidade de perturbações, mas mudei de ideia quando a menina, percebendo que a mãe falava muito alto ao telefone pediu, educadamente, para a mulher falar mais baixo. Arrumou-se e ficou quietinha enquanto tentei me distrair com um livro.
A Via Dutra apresentando o rotineiro pôr de sol atrás da Mantiqueira enquanto, à nossa esquerda um garoto, com uma tosse forte, profunda, ininterrupta, fez-me lembrar de outras épocas quando tal situação culminava com estadias nos sanatórios de Campos do Jordão, ali mesmo, no meio da Serra. A garotinha puxou assunto: “- Minha mãe também tosse assim. Sempre!”. E emendou, olhando meu livro: “- Você vai ler tudo isso, página por página?” Acenei que sim e ela: “- Eu gostaria de ler. Um dia vou gostar”. Achei a resposta engraçada e resolvi conversar com a garota: – Sua professora não indica livros, não pede leituras? “- Que ano você acha que estou?”
Conrado Sardinha na Dr. Arnolfo Azevedo; onde estará minha nova amiga?
Eu olhei e chutei. Terceira? Não, quinta série, ela respondeu e informou estudar na Doutor Arnolfo Azevedo, em Cruzeiro. A escola entrou para a história por ter sido o local onde assinaram documentos dando por fim a Revolução de 1932. Conrado Sardinha esteve lá apresentando as montagens do Arte na Comunidade 4. Resolvi perguntar se ela havia visto e o que se lembrava das peças. Para minha surpresa a menina começou a cantarolar:
Vamos brincar de teatro
Vamos brincar de ser
Viver muitos personagens
Nessa viagem e assim crescer…
Ela não tinha certeza da segunda parte e eu, já emocionado, cantei com ela:
O palco é a rua, a sala,
A praça ou o nosso quintal.
A história a gente inventa
Ou conta aquela, já bem contada,
Que recontada, não tem igual.
Sábado à tarde, pôr de sol na Via Dutra. Uma garotinha cantando a música que fiz em parceria com Flávio Monteiro. Ela, sem perceber minha emoção, disse adorar o nome Menestrel. “– É muito bonita essa palavra, Menestrel! Como era o primeiro nome do moço?” Pedro, Pedro Menestrel, respondi. E abrindo o celular mostrei fotos dos nossos ensaios, do Flávio e do Pedro, que na escola dela foi interpretado por Conrado Sardinha. “– Como, Conrado Sardinha? Por que mudar o nome?” Pedro é a personagem; Conrado é o nosso ator. “- Ele é muito bom! Engraçado!” Tenho certeza de que Conrado irá gostar, informei.
Já íntimos, mostrei fotos também de Rodolfo Oliveira, em Lavrinhas, e da Luciana Fonseca, em Queluz. Convidei a garota para nossa apresentação, no próximo sábado, dia 20, em Cruzeiro, na Praça da Rua 7. – Pede para o teu pai te levar! Foi o único momento em que ela mudou o semblante. “- Ele não é meu pai, é padrasto.” Preferi não identificar o sentimento com que concluiu a informação, como se fosse uma pequena vingança: “- Ele é muito mais velho que a minha mãe”.
O garoto, do outro lado, não parava de tossir, encolhido na poltrona. E minha companheira de viagem, esquecendo o padrasto, perguntou por que ele não se deitava, já que estava sozinho em duas poltronas. E de novo mudou de assunto, perguntando como se escreve Resende. Eu informei e a pequena, ardilosa, fingiu não entender, pedindo-me para que mostrasse no Facebook. Em seguida, já na minha página, ela falou-me o próprio nome e pediu que eu pesquisasse, para vê-la. Obedeci; olhamos algumas fotos e ela, confirmando o ardil: “- Me adiciona! É ali, no canto. Clica ali”.
Sábado estaremos em Cruzeiro. Espero rever minha nova amiguinha. Cansados de fotos, peças, mesmo com as tossidas do garoto, tiramos um cochilo, acordando já em São Paulo, em plena Marginal. Logo ela se foi no burburinho da rodoviária, sem olhar para trás, e eu voltei para casa, feliz! Há uma garota que canta a letra que escrevi, musicada por Flávio Monteiro. Há uma criança que acha Menestrel um lindo nome e que dificilmente irá se esquecer de Conrado Sardinha. Esse é o nosso trabalho, no Arte na Comunidade. Povoar cabecinhas de histórias e de boas lembranças. É isso que faz com que nos sintamos realizados, felizes.
Após apresentações em Lavrinhas, na sexta, dia 19 , a Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 4 estará em Cruzeiro, no sábado, dia 20. TODOS ESTÃO CONVIDADOS para uma manhã agradável com muitas atrações com entrada franca. Trabalho específico criado para o evento, a montagem de “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” abrirá a programação que conta também com o espetáculo “Histórias por Telefone”, da “Companhia Delas de Teatro”.
Escrita e dirigida por Valdo Resende, “Os Piraquaras do Paraíba do Sul” conta com os atores Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira. As composições e a direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos são de Carol Badra. Patrocinados pela Alupar e Taesa e apoiado pela Usinas Queluz e Lavrinhas, o projeto Arte na Comunidade 4 é uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Veja horário, endereço e outros detalhes do evento. Compareça. Ficaremos felizes com a presença de todos.
TODOS ESTÃO CONVIDADOS! No próximo dia 19 teremos o encerramento do Projeto Arte Na Comunidade 4 no município de Lavrinhas, no Vale do Paraíba. Veja abaixo a programação do evento. Nos próximos posts informarei detalhes também das mostras que ocorrerão em Cruzeiro e Queluz. Antecipo agradecimentos ao pessoal da cidade: professores, educadores, artistas e demais profissionais. Também aos nossos patrocinadores: Alupar e Taesa.
Um jogo entre tantos que andam por aí pode dizer bastante sobre um hábito antigo potencializado nos últimos tempos: querer determinar as ações do outro. Não basta impor o que o outro deve fazer; vai-se além desancando, destratando, diminuindo o indivíduo que, no frigir dos ovos, quer apenas alguns momentos de diversão.
Jogos sempre existiram. Quantos não perderam horas diante de uma mesa jogando truco, tentando pegar varetas sem mexer nas demais ou, solitariamente, manipulando cartas na antiga paciência… São tantos!
Os detratores do Pokémon Go alertam para alguns perigos: Um deles a “idiotice” do jogo. No entanto estamos mais do que habituados a observar inúmeros e variados grupos de pessoas catatonicamente torcendo para que marmanjos coloquem uma bola além de três pedaços de pau. Também há outras, hipnotizadas, torcendo para aquele final de novela que todo mundo já sabe: o mocinho, invariavelmente, vai beijar a mocinha e serão felizes para sempre. E quantos não seguem semanalmente rumo às lotéricas para uma fezinha no grande cassino que é a Caixa, matreiramente autointitulada “Nossa Caixa”?
Li sobre uma “ameaça terrível”. Através do jogo os donos do próprio saberão aonde vou, quais meus hábitos e sei lá mais o quê. Será? Pode ser. Não guardo o segredo da felicidade e muito menos conheço os mistérios da pedra filosofal. Sendo um cidadão comum, ninguém carece de Pokémon para saber quais minhas possibilidades de consumo e também não é difícil verificar o parco perigo que represento para as instituições.
Soma-se a essa indelicada ação de patrulhar jogadores de Pokémon a dose cavalar de intolerância desses últimos tempos, caracterizando boa parcela de brasileiros, quando inimigo é aquele que não comunga com a ideologia do outro, com a opção partidária, com o credo religioso, com o gênero. Certamente atitudes que propiciam perigo maior para a convivência entre todos nós.
Parece que cuidar da vida do outro dá menos trabalho. Encarar os próprios hábitos e extirpar os que nos são nocivos é tarefa árdua, mas deveria tornar-se ação rotineira: O que eu ando fazendo com minha própria vida? O quanto estou prejudicando a mim e aos demais? Quanto devo insistir naquilo que a medicina diz que não devo; o que a lei determina e que não faço? Qual o grau de coerência entre minhas atitudes, ações e a crença que professo? Busco o bem coletivo ou olho exclusivamente para meu umbigo ao discutir política? O que há no mais profundo do meu ser que me provoca tanto incômodo ante a prática sexual do outro? E, entre várias possíveis, a pergunta que julgo a mais difícil de todas: qual o sentido da vida e para o que estou neste planeta?
Quantas perguntas! Que texto longo! Talvez, pensem alguns, o melhor é deixar isso para lá por bons momentos de bisbilhotice e intromissão na vida alheia. Quem quiser que fique à vontade para desancar com este que vos escreve; mas, atenção, não por ser jogador de Pokémon Go. Sou mais lento. Ainda estou nas primeiras etapas do Candy Crush.
Sertanejo por herança paterna, caipira pelo lado de minha mãe, eu cresci como todo mundo e, enquanto criança, fui apenas um garoto mineiro nascido em Uberaba. Após muitas andanças comecei a descobrir o que era ser caipira através do teatro.
Atuando no CPT – o Centro de Pesquisa Teatral dirigido por Antunes Filho – estudamos o universo do caipira paulista através da obra Os Parceiros do Rio Bonito, do professor Antonio Cândido. O objetivo era fundamentar montagem baseada no livro “Alice”, de José Antonio da Silva que depois estreou como “Rosa de Cabriúna”. Muito do que conheci na convivência com meus familiares emergiu com força. Nossas festas, nossas rezas, uma infinidade de hábitos e costumes tornados fonte preciosa para o exercício teatral.
No CPT conheci e tornei-me amigo de Marlene Fortuna. A grande atriz que, então, interpretava magnificamente a “Senhorinha” de “Álbum de Família” e a “Geni”, de “Toda Nudez Será Castigada”, peças de Nelson Rodrigues no espetáculo denominado Nelson2Rodrigues. Dentro do projeto de teatro de repertório, Marlene Fortuna também fazia uma “Ama” formidável em “Romeu e Julieta” e várias outras personagens dentro do monumental “Macunaíma”. Todavia, não foi o teatro a nos aproximar. Marlene é filha de José Fortuna, um dos maiores autores da música caipira, famoso também pela dupla Zé Fortuna e Pitangueira e imortalizado nas diversas gravações de “Índia” e “Meu Primeiro Amor”.
Um dia, perdido no tempo, eu estava em um dos corredores do Sesc Vila Nova cantando “Lembrança” (conheça no vídeo acima), música do José Fortuna, sem saber que Marlene era filha do compositor. Ela aproximou-se, emocionada, e nos tornamos amigos ali; pouco depois eu pude participar de uma festa entre os familiares do compositor com a presença de grandes duplas caipiras. Inesquecível.
De caiçaras sempre ouvi falar e pude me aprofundar um pouco mais nas pesquisas realizadas para o Arte na Comunidade 3, realizado em 2015 na Baixada Santista. No nosso litoral estão pescadores artesanais que desenvolveram técnicas ao longo do tempo e do contato entre grupos indígenas e os portugueses que por aqui aportaram.
Estudei mais do que escrevi a respeito nos textos para as montagens realizadas em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. Peculiaridades do trabalho levaram-nos para outros aspectos da população pesquisada. Infelizmente, os grupos caiçaras que ainda sobrevivem no nosso litoral, sofrem constante violação dos direitos humanos.
Neste ano, para o Arte na Comunidade 4, chegou a vez de conhecer os piraquaras, nome dado aos habitantes ribeirinhos do Rio Paraíba do Sul. A vida de pescadores e camponeses do Vale do Paraíba é parte vital da pesquisa para o trabalho que estamos fazendo na região. Os problemas de poluição são grandes e mudaram hábitos e costumes locais. O progresso imenso transformou a paisagem e tanto o Vale quanto a Serra da Mantiqueira carecem de cuidados constantes garantindo a sobrevivência de todos os que vivem por lá.
Conrado Sardinha, Luciana Fonseca e Rodolfo Oliveira estão em “Os Piraquaras do Vale do Paraíba”
“Os Piraquaras do Vale do Paraíba” é o nome da peça final que apresentaremos no final de agosto. Será o encerramento do Arte na Comunidade 4 nas cidades de Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz. Tomara que os piraquaras voltem a pescar não só no Rio Paraíba do Sul, mas nos muitos rios da região (o município de Lavrinhas tem sete!). A região já produziu toneladas de peixes que abasteceram muito além do mercado local. Hoje, a pesca é cada vez mais rara e a limpeza dos rios é prioridade.
Caipiras, caiçaras, piraquaras… Peculiaridades da nossa gente que, somadas, formam a identidade do Brasileiro. Fico muito feliz em conhecer, em vivenciar e, mesmo que modestamente, lutar pela sobrevivência de tudo isso. Se o bom Deus me permitir, que venham os caboclos, os sertanejos, gaúchos, pantaneiros, candangos, seringueiros… Enfim, toda a gente do Brasil.