O Inventor de Histórias

Terceiro dos cinco textos do projeto Arte na Comunidade 2 que estou publicando neste blog, “O Inventor de Histórias” faz referências e singela homenagem a Monte Alegre de Minas. O intérprete da história foi MARCELO RIBAS e as imagens são de THANERESSA LIMA e do meu arquivo pessoal.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, peço a gentileza da citação da origem.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 foi patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e contou com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata.

O Inventor de Histórias

Original de Valdo Resende

MÚSICA SUAVE. O CONTADOR ENTRA EMPURRANDO SUA MALA-BIBLIOTECA MANUSEANDO UMA MATRACA ENQUANTO PREPARA O AMBIENTE PARA CONTAR SUAS HISTÓRIAS. ABRE A MALA PARA SI, PROCURANDO OCULTAR O INTERIOR DA MESMA. TOCA A MATRACA E PARA, ABRUPTAMENTE, TIRANDO DA CAIXA UM “COLAR” COM DIFERENTES NARIZES.

 

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas e sua coleção de narizes em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

– Ah, olá! Todos estão bem? Olhem o que achei hoje nos meus guardados. Parte da minha pequena coleção de narizes. Eu coleciono Narizes! Esse aqui, por exemplo, é de Cyrano de Bergerac, um cara muito feio, mas muito feio mesmo! Escondia-se da moça que amava, com vergonha do nariz, mas conquistou a moça com poesia. Poesia! (pega outro nariz, de palhaço) Este seria um simples nariz de palhaço, não tivesse pertencido ao Arrelia, o melhor palhaço de todos os tempos. E este (pegando um terceiro, enorme) é o de Pinóquio. O boneco que virou menino, de quem todos sabem a história. Esse nariz bem que poderia ter sido de Alfredo, um garoto meu amigo, que conheci quando estive não faz muito tempo, em Monte Alegre de Minas.

(VOLTA A MÚSICA)

Senhoras e senhores, meninas e meninos de Monte Alegre! (PARA DE TOCAR A MATRACA E FAZ MESURAS, ENQUANTO PROSSEGUE A AUTOAPRESENTAÇÃO) Meu nome é Murilo Rosa Dourado! Obrigado pela simpática acolhida! Estou feliz com a atenção e o carinho de todos. Com grande prazer quero apresentar a vocês a verdadeira fortuna de um ser humano: uma biblioteca! (PEGA UM LIVRO DE AVENTURAS) Com Júlio Verne percorri as Vinte Mil Léguas Submarinas e após descansar com Monteiro Lobato (MOSTRA O SEGUNDO LIVRO) no Sítio do Pica-pau Amarelo voltei para minhas queridas viagens, dando a volta ao mundo em oitenta dias. Conheço todos os grandes heróis (SEMPRE MOSTRANDO LIVROS): Ulysses, Robin Wood, Batman e Macunaíma! E é, claro, nosso pequeno Alfredo. Aquele que poderia ter recebido o nariz de Pinóquio, mas não por mentir, por inventar histórias!

Detalhe da Praça Nicanor Parreira. Arquivo pessoal.
Detalhe da Praça Nicanor Parreira. Arquivo pessoal.

Imaginem o menino Alfredo, no coreto da Praça Nicanor Parreira, encarando toda a cidade. Veio de casa já vestido de índio e foi contando esse fato: (IMITANDO O MENINO, CONTA RAPIDAMENTE) “- Sou um Índio Tupi, irmão de Mani, a menina que tinha a pele mais branca de toda a tribo. Mani era uma menina feliz, mas ficou doente. O pajé não curou, nenhum ritual curou e, para tristeza de todos, Mani veio a falecer. Meus pais resolveram enterrar minha irmãzinha dentro da oca; passado alguns dias, a cova sendo regada a lágrimas, nasceu uma planta. A raiz da planta era marrom por fora e branquinha, muito branquinha por dentro, como Mani. Os índios da nossa tribo passaram a usar a raiz para fazer farinha. A raiz branquinha é a nossa mandioca, uma junção de Mani – minha irmãzinha – com oca, a nossa casa.”

O pessoal ficou olhando Alfredo e, lógico, duvidaram do menino, dizendo-se irmão de Mani “- Isso é mentira! Que mentiroso” é o que murmuravam. E o menino, com toda convicção do mundo respondeu: “- Eu afirmo que é verdade!”. O mestre de cerimônias, que estava conduzindo a apresentação, percebendo que Alfredo estava contando uma lenda como se fosse história dele, resolveu ver até onde o menino chegaria, perguntando: “- Pois então, senhor Índio Tupi, irmão de Mani; e agora, hoje, onde o senhor mora?” Alfredo, não titubeou! “- Eu moro no poço sem fundo!”

A biblioteca ambulante. Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima. (divulgação)
A biblioteca ambulante. Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima. (divulgação)

A praça caiu na gargalhada com a mentira do menino, que assegurou a todos: “- Eu afirmo que é verdade!”. Como que alguém pode morar em um poço onde nunca foi encontrado o fundo? Que mentira! E Alfredo, ali, sempre com convicção: “- Eu afirmo que é verdade!”. O mestre de cerimônias exigiu: – Você pode nos explicar como é isso, Sr. Alfredo?” E o menino: “- Alfredo, não, homem branco. Sou Quati, irmão de Mani.” Quati é um bichinho, parente do guaxinim, que tem um narigão! Quati! Como alguém pode se chamar Quati? “- Quati afirma que é verdade!”. Pois o Alfredo, digo, Quati, continuou sua história:

Detalhe do monumento em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai. Foto arquivo pessoal.
Detalhe do museu em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai. Foto arquivo pessoal.

“Há muito tempo vieram parar nessas terras muitos soldados. Vinham da guerra e estavam muito doentes. Era a bexiga. Mais tenebrosa que arma de guerra, a doença matou dezenas de soldados”. E o mestre, alimentando a história: “- Então, Quati viu os soldados da Retirada da Laguna, durante a guerra do Paraguai quando passaram por aqui?”. Alguém do público não se aguentou, falando baixinho, “- Que mentira” e antes de responder ao mestre, Quati, olhando para o dito cujo: “- Quati afirma que é verdade! Vi todos eles. Um por um e não peguei a doença porque sou protegido de Tupã. Mas muita gente da tribo foi infestada por doença de branco. Não podíamos ficar por aqui. Passou o tempo, acabou a guerra, e o homem branco foi tomando posse da terra, transformando mata em lavoura. A caça ficou escassa. O povo de Quati teve que buscar proteção, moradia em outro lugar”. A plateia era puro riso e burburinho. Que mentira! Aquilo era uma festa do folclore e não um festival de mentira. E Alfredo, mantendo a fé:  “- Quati afirma que é verdade!”.

O cemitério onde enterraram soldados vitimados pela varíola. Parte do monumento em memória à Retirada de Laguna. Foto arquivo pessoal.
O cemitério onde enterraram soldados vitimados pela varíola. Parte do monumento em memória à Retirada da Laguna. Foto arquivo pessoal.

“- Meu caro Quati, disse o apresentador da festa, como a tribo se protege da invasão do homem branco? Não seria melhor conviver? Onde seus irmãos foram morar?” E o menino: “- Estamos na floresta, que o homem branco pensa ser amaldiçoada! Somos nós que iluminamos a mata, para fazer que o homem branco pense em fantasmas, almas penadas. Assim ficam longe da floresta que nos resta e assim nos deixam em paz”.  Um menino gaiato, amigo de Alfredo, não se conteve: “- Escuta aqui, Quati, vocês usam lanterna ou luz elétrica na floresta?” E Quati, sério: “- Usamos tochas, pequeno bacuri. Apenas tochas!”.

Aos poucos, a plateia foi rendendo-se à história de Quati, quer dizer, de Alfredo, ou é de Quati? Bom, a história de Quati contada por Alfredo, reunindo algumas das mais gostosas histórias de Monte Alegre em uma única história. Do poço sem fundo, das luzes na floresta assombrada… e até histórias reais, como a passagem dos soldados na Guerra do Paraguai. Uma boa história, a gente sabe, tem que ter lógica. Não pode ser assim, sem pé nem cabeça. Tem que ter começo, meio, fim. E foi buscando toda a lógica da história de Quati, que uma pergunta se fez necessária: “Quati, onde fica o poço sem fundo? Ninguém mais diz onde ele está!” O menino, em tom de confidência, contou: “- Fica no meio, bem no meio da floresta amaldiçoada”. E em tom ameaçador: “E não adianta procurar que ninguém achará esse poço. Só pode ver quem é da família de Quati. E para evitar que alguém descubra, nunca entramos pelo poço, mas por outras entradas que há na região.”

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

Como? Então há outras entradas para o poço sem fundo? “- Quati afirma que é verdade!”. Segundo narrou Quati, essas entradas ficam em uma das cachoeiras do município. Pode ser a Cachoeira do Rio Piedade, a Esperança, ou a cachoeira da Usina Velha no Rio Babilônia. Por trás da queda d’água fica a entrada que conduz ao acampamento da família de Quati.

 

Acontece que revelando o segredo, Quati colocava a família em apuros. É claro que todo mundo iria tentar encontrar os índios que iluminam a floresta nas noites escuras, sem lua. Muita gente iria atrás desse poço, desses índios, saber como é que vivem lá, distantes de todos. Houve até quem propôs irem todos imediatamente. “- Nunca!” Gritou Quati, ameaçador! “-Nosso segredo está garantido e ninguém, nunca, encontrará o poço, nem chegará perto das luzes da floresta! Nem mesmo as almas penadas que vagam por essa cidade. Ninguém! Adeus! Vocês nunca mais encontrarão Quati!” E Quati, jogando uma bomba de fumaça, desapareceu do palco na frente de todos.

Quati saiu do coreto e nunca mais voltou. Quem voltou, rapidamente, já sem as roupas de indiozinho foi o Alfredo. Imenso aplauso ecoou por toda a praça Nicanor Parreira. Sem dúvida aquela era a melhor história contada na praça. Alfredo era justo merecedor do grande prêmio para contadores de histórias. Alguém, entre brincalhão e invejoso, não se aguentou: “Como esse Alfredo conta mentira! Merecia um nariz de Pinóquio!” E é claro, que Alfredo respondeu: “- Eu afirmo que é verdade!”.

 

Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
Marcelo Ribas em foto de Thaneressa Lima (divulgação)

(O CONTADOR TOCA A MATRACA E ENCERRA SUA APRESENTAÇÃO COM UM AGRADECIMENTO. VOLTA A MEXER NOS LIVROS, ANTES DE CONTINUAR SEU TRABALHO).

A Batalha do Conhecimento

“A batalha do conhecimento” é o segundo dos cinco textos do projeto Arte na Comunidade 2 que estou publicando neste blog. A segunda cidade, aqui o critério é alfabético, é Ituiutaba. “A batalha do conhecimento” foi interpretado por RONAN VAZ. As imagens são de THANERESSA LIMA e do meu arquivo pessoal.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, peço a gentileza da citação da origem.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 foi patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e contou com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata.

A Batalha do Conhecimento

Original de  Valdo Resende

O CONTADOR ENTRA EMPURRANDO SUA MALA-BIBLIOTECA. DESTA SAI O SOM ALEGRE DE BATIDAS DE TAMBORES. TOCA UM “TAMBOR DE CONGADA” ENQUANTO PREPARA O AMBIENTE PARA CONTAR SUAS HISTÓRIAS. BATE NO TAMBOR E DIZ, APRESENTANDO UMA BANDEIRA DE CONGADA, COM A IMAGEM DOS DOIS SANTOS.

ITUIUTABA 1
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

– Salve São Benedito! Salve! Nossa Senhora do Rosário que Abençoe a todos nós! (PEGA UM BANQUINHO E SENTANDO-SE NO MESMO, PROSSEGUE) Não custa nada pedir proteção aos santos. Nada mesmo! E a gente nunca sabe o que vai acontecer logo ali, não é mesmo? Há muitas formas de pedir proteção e cada pessoa pede para quem acha que deve. Mas que ninguém nunca deixe de contar com a proteção do alto!

ITUIUTABA 2
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

(BENZE-SE E ACOMODA A BANDEIRA)

Senhoras e senhores, meninas e meninos de Ituiutaba! (TOCA O TAMBOR E FAZ MESURAS, ENQUANTO FAZ A AUTOAPRESENTAÇÃO) Meu nome é Autran Guimarães Cardoso! Muito Prazer! Estou agradecido pela carinhosa recepção. Quero, prioritariamente, apresentar a todos vocês o melhor lugar do mundo: Minha biblioteca! (PEGA UM LIVRO DE HISTÓRIA) Sou descendente direto de Chico Rei e guardo toda a história dos nossos antepassados que vieram do Congo! (PEGA OUTRO LIVRO) Conheço e posso contar a história de nossas tribos; suas lendas, seus costumes…  Construo com minha imaginação aquilo que está só nas entrelinhas da história e por isso naveguei com o capitão Gancho e seus piratas, lutei ao lado de Robin Wood e descobri os mistérios das escolas de Harry Potter! (PEGA MAIS UM LIVRO)… Neste livro aqui aprendo coisas, sobre quase tudo! Até sobre… Leite!

(APONTA PARA O LITRO DE LEITE; FOLHEIA O LIVRO, ANTES DE PROSSEGUIR)

ITUIUTABA 5
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

Para os nossos queridos professores o leite é um líquido branco, opaco, segregado pelas glândulas mamárias da fêmea dos mamíferos!(FAZ EXPRESSÕES DE ESTRANHAMENTO E PROSSEGUE). Para a grande maioria o leite é o líquido mágico que se transforma em… (BATE O TAMBOR) Pudim de leite! Chocolate ao leite! Doce de leite! Iogurte e Queijo! Ah! Muitos queijos! Prato, brie, camembert, muçarela, provolone, gorgonzola, roquefort, mascarpone, ricota, gruyére, parmesão e o mais querido, o mais amado, o mais gostoso: o queijo mineiro!

Aprendi tudo sobre queijos com um menino de Ituiutaba, o Camilo! Camilo! Um menino esperto, inteligente! Nunca teve uma vaquinha, mas sabia de leite porque colocou na cabeça que ia saber tudo de Ituiutaba. Se o leite é historicamente um dos principais produtos da cidade, Camilo sabe tudo sobre leite e seus derivados. E sabe também sobre arroz, sobre cana! Cana de açúcar! Cana de cadeia, não sei se sabe; cana de cachaça, acho que não, não sei. O certo é que Camilo sabia tudo de Ituiutaba e foi dele que ganhei esse tambor de congada, feito especialmente para celebrar a festa na cidade (BRINCA DE DANÇAR A CONGADA). Camilo é apaixonado pela cidade onde nasceu.

Camilo estudava na Escola Estadual João Pinheiro quando a professora, Dona Marília, inventou de fazer uma batalha dentro da sala. Uma batalha de conhecimento! A sala foi dividida em cinco grupos que deveriam estudar tudo sobre a cidade: geografia, história, folclore, economia, enfim, tudo! Em dia marcado pela professora os alunos passariam por uma batalha oral. Quando uma equipe não soubesse, aquele que acertasse ganharia os pontos. E o melhor, a equipe vencedora iria ganhar um monte de prêmios: Doces, livros, brinquedos e o prêmio maior: um final de semana inteirinho hospedados na fazenda Haras Barreiro, curtindo as belezas do maravilhoso museu da família Drummond.

Ninguém duvidava que Camilo fosse peça fundamental para a vitória de sua equipe. O menino sabia tudo e certamente sairiam vencedores, exceto por um problema. Um problema! Um único e seriíssimo problema (O ATOR DIRÁ GAGUEJANDO TODA A PRÓXIMA FRASE). Ca-mi-lo  e-ra  ga-go. To-tal-men-te  ga-go.  Ga-go!

Essa era uma grande preocupação do grupo de Camilo. A professora colocou como regra o tempo de 15 segundos para cada resposta. Imagine só! 15 segundos para Camilo responder, por exemplo, o que aconteceu de triste para a cidade em novembro de 1938? Marquem o tempo! (FINGE SER O MENINO E GAGUEJANDO, RESPONDE:) – No di-a 31 de ou-tu-bro de 1-9-3-8 um  vi-o-len-to  in-cên-dio  des-troi a Ma-triz de São Jo-sé!

A Matriz de São José, restaurada, é um dos pontos turísticos da cidade
A Matriz de São José, restaurada, é um dos pontos turísticos da cidade

O mais preocupado e apreensivo era o próprio Camilo. Tinha vergonha de gaguejar. Alguns colegas riam, outros pediam que respondesse depressa; o que o deixava mais gago ainda. Em casa, deixou de comer e começou a dormir mal. Quanto mais se aproximava o dia da batalha, mais o menino se angustiava. Com muito custo Dona Tereza, a mamãe do Camilo, conseguiu que ele falasse o que estava acontecendo. Muito custo mesmo! Gaguejando, Camilo levou mais de uma hora pra contar tudo! (IMITA O MENINO). – Va-mos ter u-ma ba-ta-lha de co-nhe-ci-men-to na es-co-la e eu es-tou com medo de falar na frente dos meninos! E chorou copiosamente no colo da mãe.

Dona Tereza, a mãe, foi falar com Dona Marília, a professora. (IMITANDO A MÃE) “Escuta aqui, Dona Marília, meu filhinho Camilo está sofrendo muito com receio de falar na frente da sala. Falar, não! De gaguejar!” A professora, antenada com tudo que há de bom nesse mundo, respondeu: “Não posso excluir o Camilo, minha senhora. A participação de todos é um fator preponderante na nossa escola…”

Aquele lero-lero não convenceu a mãe do menino, preocupada em proteger o garoto. E o dia da batalha chegando. Camilo, mesmo com medo de ga-gue-jar na fren-te dos co-le-gas, estudava mais e mais. Aprendia mais sobre os Rios Grande e Paranaíba, sobre os ribeirões São Lourenço e São Vicente e gostava especialmente de ler sobre os índios caiapós, tupis-guaranis, aratus… Estudou tudo do rio Tejuco! Seu potencial hidrelétrico e as possibilidades de melhorias na transformação regional. De vez em quando se imaginava na frente dos colegas. Na cabeça do menino a professora perguntava e a resposta vinha, fácil, fluente! (IMITANDO PROFESSORA E ALUNO). “- Camilo, quais são nossos municípios limítrofes?” e o menino: “- Gurinhatã, Ipiaçú, Capinópolis, Canápolis, Santa Vitória, Monte Alegre de Minas, Prata e (GAGUEJANDO) Cam-pi-na Ver-de (CHORA NO FINAL, COMO SE FOSSE O GAROTO)”.

(O ATOR BATE O TAMBOR DA CONGADA, RETOMANDO A CENA)

Chegou o grande dia! O dia da grande batalha do conhecimento. Quem sabe mais sobre Ituiutaba? Antes de sair de casa, Camilo tremia como se a batalha fosse de espadas, bombas atômicas; Dona Tereza, concordando com as atitudes da professora, sabia que o filho precisava de estímulo e antes que o menino saísse de casa, lembrou-lhe: (IMITA A MÃE) “- Meu filho, Winston Churchill, o grande estadista inglês gaguejava, assim como o cientista Charles Darwin! Isaac Newton gaguejava também! Vai lá e mostre o que você sabe. Gaguejando ou não!”

ITUIUTABA 4
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

A batalha foi emocionante. A sala de Dona Marília virou um grande campo onde o conhecimento era a principal arma. O grupo de Camilo foi derrotando os demais por um estratagema simples: quando a professora fazia uma pergunta para outro grupo, Camilo gaguejava, quer dizer, respondia para os colegas de sua equipe. Assim, os adversários não sabendo a resposta, era a equipe de Camilo a primeira a levantar a mão e a responder corretamente!.

Acontece que a professora exigiu, pelo regulamento, um rodízio dos alunos respondentes. Assim, na última pergunta, não teve como. Camilo teria que dar a resposta perante a sala ou sua equipe perderia. Grande tensão! Grande expectativa! Camilo tremia, ameaçava cair no choro quando dona Tereza lascou a pergunta: – Camilo, qual o significado de ITUIUTABA? Quinze segundos! Silêncio mortal e o nosso querido gaguinho não pestanejou:

(IMITANDO O GAROTO)

“-I, I, I, I, I rio. Tuiu, tuiu, tuiu, tu-iu… tijuco. Ta-ba, ta-ba, ta-ba, al-deia, ci-da-de.” A sala permaneceu muda e Camilo, vitorioso, respirou fundo e repetiu: (SEM GAGUEJAR): “ –  I – TUIU-TABA. Cidade do Rio Tejuco!” (O ATOR FAZ GRANDE COMEMORAÇÃO). Camilo é o maior! Camilo é o maior, Camilo é o maior!

Naquele dia, Dona Marília ensinou a maior lição que toda e qualquer pessoa deve saber: não há limite para o conhecimento. Não há limites para quem estuda e aplica aquilo que sabe, independendo de quais características a natureza deu ao indivíduo.

ITUIUTABA 3
(Ronan Vaz em foto de Thaneressa Lima – Divulgação)

(O CONTADOR ENCERRA SUA APRESENTAÇÃO COM UM AGRADECIMENTO. FECHA A SUA MALA BIBLIOTECA E SAI DE CENA).

Monte Alegre de Minas e Canápolis Recebem Mostra Teatral do Projeto Arte na Comunidade 2

CONHEÇA A PROGRAMAÇÃO DE ENCERRAMENTO DO PROJETO ARTE NA COMUNIDADE 2:

prata 1
Ronan Vaz e Marcelo Ribas em “Histórias do Pontal de Minas”, foto by Thaneressa Lima

MONTE ALEGRE DE MINAS

Conheça as atrações do dia 5 de setembro sexta, às 18h00, na Praça Nicanor Parreira, em Monte Alegre de Minas.

Apresentação da Banda Municipal Maestro Victal Reis, sob a regência do Maestro Leonardo Reis, e da dupla Zé Bicho de Pé e Diva Bela.

Espetáculos
A peça “Histórias do Pontal de Minas”, de Valdo Resende, foi criada exclusivamente para compor o projeto Arte na comunidade 2. É o próprio autor quem dirige os atores José Luiz Filho, Marcelo Ribas e Ronan Vaz e a atriz Lilia Pitta.
“Balaio Popular”, do Grupontapé de Uberlândia, mostra as tradições populares e a religiosidade com enfoque no universo mineiro.

CANÁPOLIS

Em Canápolis, dia 7, domingo, às 16h00, na Praça 14 de Julho, uma tarde divertida, cheia de arte e histórias. Conheça a programação:

Apresentações de artistas locais: 
Roda de Capoeira
Banda Municipal José Alexandre da Silva
Dança: “Minha 1º Valsa” e “A Boneca Encantada” – 2º colocada no 14º DANÇARAXÁ (Araxá/ MG), com os alunos da Oficina de Ballet da Casa de Cultura

Espetáculos
A peça “Histórias do Pontal de Minas”, de Valdo Resende,  criada exclusivamente para compor o projeto Arte na comunidade 2. É o próprio autor quem dirige os atores José Luiz Filho, Marcelo Ribas, Ronan Vaz e Lilia Pitta.
Já “A História da Menina que Falava Muito e…” descobrimos com Falância – uma menina de nove anos como outra qualquer, com seus sonhos, vontades e uma energia típica dessa faixa etária e que não gosta de estudar – a importância da leitura e da busca pelo conhecimento.

Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 é patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com o apoio das Prefeituras de Canápolis, Monte Alegre, Ituiutaba e de Prata. Para mais informações, acesse a página no Facebook http://facebook.com/artenacomunidade e fique por dentro de toda a programação.

 

Aguardamos todos vocês!

“Arte na Comunidade 2” em Ituiutaba

Neste sábado, dia 30, às 19 horas, na Praça Getúlio Vargas, em Ituiutaba, teremos a Mostra Teatral que é parte da programação do projeto ARTE NA COMUNIDADE 2. Além das escolas participantes do projeto, serão apresentadas duas outras peças:

Slide2
Lilia Pitta e Ronan Vaz, Histórias do Pontal de Minas.

– “Histórias do Pontal de Minas”, de Valdo Resende, criada exclusivamente para o projeto Arte na comunidade 2. Fatos reais e fictícios das cidades participantes do projeto estão nas aventuras vividas pelas crianças da região, contadas e interpretadas pelos atores José Luiz Filho, Marcelo Ribas, Ronan Vaz e Lilia Pitta. É o próprio autor quem dirige a montagem.

– “Mágico de Oz”, musical com o Grupo Ciranda de Cena de Uberlândia, Minas Gerais,  resgata valores como a amizade, os ideais da família e a valorização da cultura popular. A trama conta a história de Dorothy, que vivia feliz com seus tios até ser levada por um furacão a outro mundo. Na tentativa de voltar para casa ela sai à procura do grande OZ, o único que poderá lhe ajudar. Nesta busca, Dorothy encontrará muitos perigos e desafios.

José Luiz Filho e Marcelo Ribas, Histórias do Pontal de Minas
José Luiz Filho e Marcelo Ribas, Histórias do Pontal de Minas

Após as apresentações haverá sorteio de prêmios para o público presente. Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 é patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata. Para mais informações, acesse a página do projeto no Facebook e fique por dentro de toda a programação.

Ficaremos honrados com a presença de toda a população de Ituiutaba e região. Compareçam!

.

Histórias do Pontal de Minas

O projeto ARTE NA COMUNIDADE 2, após realizar ações nas escolas dos municípios de Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata, está em fase final. A conclusão das atividades será através de Mostra Teatral que percorrerá os quatro municípios mineiros; das atrações constam a participação de grupos de Belo Horizonte, Uberlândia, além de artistas das cidades envolvidas.

O primeiro evento será no Prata. Na programação a peça “Histórias do Pontal de Minas”, com atores participantes do ARTE NA COMUNIDADE 2, o show “Concerto em Ré” do Grupo Maria Cutia, de Belo Horizonte, mais apresentações de artistas da cidade e sorteio de prêmios. Buscando incentivar novos talentos, também serão apresentados os trabalhos realizados pelos estudantes das escolas durante as atividades de contação de histórias que ocorreram entre os meses de abril, maio e junho. 

A peça  “Histórias do Pontal de Minas” será mostrada, pela primeira vez ao público de cada uma das cidades. O elenco é composto por José Luiz Filho, Lilia Pitta, Marcelo Ribas e Ronan Vaz. Com texto e direção de Valdo Resende, Histórias do Pontal de Minas é realização da Kavantan & Associados, para o projeto Arte na Comunidade 2 que é patrocinado pela Alupar e Cemig  por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura.

Aguardamos a presença de todos. Veja detalhes do evento abaixo.

 

cartaz mostra PRATA

 

Esperamos toda a população da cidade. Aqui, em breve, as informações sobre os detalhes dos eventos nos demais municípios. Acompanhe outros detalhes em https://www.facebook.com/artenacomunidade .

 

Pausa

Um pequeno recesso para repouso e voltarei no dia 1 de setembro. Espero reencontrar todos os que me honram com visitas ao blog, acompanhando minhas publicações. Pensei em “Nu com a minha música” de Caetano Veloso, deixando um pouco de poesia em forma de canção.

 

Penso em ficar quieto um pouquinho

Lá no meio do som

Peço salam aleikum, carinho, bênção, axé, shalom

Passo devagarinho o caminho

Que vai de tom a tom…

até a volta!