“Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto “Arte na Comunidade 2”, patrocinado pela Alupar e Cemig por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura, será realizado em quatro cidades do interior de Minas Gerais, com o intuito de resgatar a cultura local de onde é apresentado. Depois de passar por municípios do interior do estado do Pará e do Maranhão, chegou a vez de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata, cidades cuja as prefeituras apoiam o projeto em sua nova versão.
O lançamento desta nova edição do projeto acontecerá nos dias 12 e 13 de abril. No primeiro dia, o evento será apresentado em Prata, das 9h às 11h, na Praça XV de Novembro e em Canápolis, das 16h às 18h, na Praça 14 de Julho. Já no dia 13, em Ituiutaba, acontecerá das 9h às 11h, na Praça Getúlio Vargas, enquanto que em Monte Alegre será das 16h às 18h, na Praça Nicanor Parreira. Em ambas as cidades o projeto será totalmente gratuito e aberto à população.” (Fonte: Divulgação)
Detalhe de uma apresentação em Santa Maria, no Pará.
O projeto “Arte na Comunidade 2” está no Triangulo Mineiro. Tive o privilégio de trabalhar na primeira versão desse evento idealizado pela Kavantan & Associados; fui o autor da peça “Vai que é bom, o casamento do Pará com o Maranhão”. Na ocasião levamos a montagem para diversas cidades dos dois estados; a peça teatral foi um entre outros elementos motivadores para incitar debates e encontros entre artistas e agentes culturais. O projeto teve ampla aceitação e dele guardamos imenso aprendizado.
Agora em Minas Gerais, o “Arte na Comunidade 2” leva o teatro como incentivador para as novas gerações de uma grata prática mineira: a “contação de histórias”. Serão visitadas quatro cidades, escolha feita em acordo com a ALUPAR, a empresa patrocinadora: Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata. Nessas cidades ocorrerão apresentações em praças públicas no lançamento do projeto; em seguida, outras apresentações serão feitas em escolas da rede pública, quando serão iniciadas as oficinas de criação de textos.
“Histórias do Pontal de Minas” é denominação geral para quatro montagens de contação de histórias. Os quatro textos tem como tema as cidades participantes e um quinto texto aborda o Triangulo Mineiro. Posteriormente escreverei sobre os detalhes do lançamento do projeto. Neste momento quero enfatizar um dos aspectos mais interessantes desta ação, que é trabalhar com artistas, técnicos e demais profissionais regionais.
Em Ituiutaba, a produtora analisando possibilidades para o evento.
Sonia Kavantan realiza diversos projetos que valorizam artistas de diferentes regiões do Brasil; “Mestres do Futuro”, por exemplo, é um trabalho que aproxima mestres artesãos de jovens através de cursos que garantem a continuidade do artesanato praticado por esses mestres. No projeto “Arte na Comunidade” a ênfase vai para os profissionais de artes cênicas de cada região.
Estou feliz e honrado com o convite de Sonia Kavantan; sou mineiro que volta a trabalhar em Minas como autor e diretor; tenho já a certeza de uma preciosa parceria com a atriz, e também diretora, Letícia Teixeira, que aceitou a assistência de direção neste projeto. Os atores que farão as montagens já estão definidos: Lilía Pitta, Deferson Melo, José Luiz Filho e Ronan Vaz.
Estamos intensificando os trabalhos e em breve teremos nosso encontro com os habitantes do Prata, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Canápolis. Muitas outras histórias virão e, com certeza, dividirei algumas, as melhores, por aqui.
Todo aquele que é da minha geração, tendo saído da casa dos pais e vindo para longe, trouxe na bagagem da memória duas canções; uma que nos afasta das origens colocando-nos reféns do destino; desnudando vontades, anseios e escancarando uma felicidade como prêmio nos versos finais:
Eu por aqui vou indo muito bem, de vez em quando brinco Carnaval E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim.
Quando jovem ostentamos uma coragem farsesca e somos portadores de grandes doses de petulância e autossuficiência. A canção acima começa assim:
Mamãe, mamãe não chore A vida é assim mesmo eu fui embora Mamãe, mamãe não chore Eu nunca mais vou voltar por aí Mamãe, mamãe não chore A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui…
“Mamãe, coragem” é de Caetano Veloso e Torquato Neto. Este mesmo Torquato Neto escreveu os versos de “Todo dia é dia D”, praticamente antítese da primeira canção, também guardada na bagagem da memória. Os versos são fortes em contraponto com uma melodia suave, criada por Carlos Pinto:
Desde que saí de casa trouxe a viagem da volta gravada na minha mão enterrada no umbigo dentro e fora assim comigo minha própria condução todo dia é dia dela pode não ser, pode ser abro a porta e a janela todo dia é dia D.
Saí de casa com 17 anos, 1972, mesmo ano em que Torquato Neto ligou o gás e suicidou-se. Ele estava com 28 anos. Eu já conhecia a música “Mamãe, coragem”, do disco “Tropicália ou panis et circensis”, de 1968. Um tempo depois de levar as primeiras aulas de “a vida como ela é”, ouvi “Todo dia é dia D”, música que saiu em um compacto simples, em 1973, junto com o livro “Os últimos dias de Paupéria”, coletânea de textos de Torquato Neto organizada por Waly Salomão e Ana Maria Duarte (essa foi esposa do compositor).
Eis que o tempo passou e continuei, sempre, cantarolando as duas canções. Sempre Gal Costa em “Mamãe, Coragem”, sempre Gilberto Gil em “Todo dia é dia D”. De repente, do inesperado vem uma proposta de trabalho e me chega um “dia D” voltar para Minas Gerais.
“…todo dia é dia dela pode não ser, pode ser…”
Este 2014 é para muitos o ano que começa agora, depois do carnaval; o ano de Copa do Mundo, de eleições. Na minha história é o ano de voltar e realizar um trabalho em minha terra. E este é o x da questão: voltar e realizar um trabalho em Minas Gerais. Nos próximos meses estarei geminianamente dividindo-me entre lá e aqui. O que farei? Depois eu conto. Tenham paciência; a mesma que tive durante todos esses anos aguardando a hora de voltar.
Começa hoje, oficialmente, o carnaval de São Paulo. Fui honrado mais uma vez com o convite de Rafael Nascimento para participar do juri do Troféu Nota 10, prêmio oferecido aos sambistas da cidade pelo jornal Diário de São Paulo.
A edição de hoje do Diário traz uma simpática matéria assinada por Danilo Dainezi e fotos de Mario Palhares, apresentando uma síntese do trabalho que faremos, colaborando com o editor Carlos Alencar.
Com ou sem chuva estaremos lá. Agradeço ao Diário de São Paulo pela oportunidade. Os vencedores serão anunciados na edição do dia 4, terça-feira próxima.
Um aluno pediu-me para escrever sobre Fátima Bernardes, Roberto Carlos e duas campanhas que estão no ar. Vai aqui um mote para posteriores reflexões com esse aluno e todos os demais:
Imagens de divulgação das campanhas
Uma mesma empresa, a JBS, lançou duas campanhas publicitárias. Uma com Fátima Bernardes e outra, com Roberto Carlos. A campanha estrelada pela apresentadora e jornalista é da agência WMcCann; a do cantor é da agência Lew Lara\TBWA. Um motivo comum justifica a escolha dessas personalidades: a mudança. Fátima Bernardes mudou de vida ao deixar o Jornal Nacional pelo programa matinal que apresenta na Rede Globo e Roberto Carlos, dizem, mudou hábitos alimentares. Não é mais vegetariano!
As críticas ao comercial com o cantor são pesadas e, até onde percebo, não há nenhuma manifestação contrária pela escolha de Fátima Bernardes. Roberto Carlos vem de uma polêmica participação quanto a direitos autorais onde grana tende a pender mais que intimidade; além disso, é cantor de versos contra a matança de baleias, constituindo-se motivo para vegetarianos manifestarem-se furiosos pelo cantor voltar a comer carne.
Fátima Bernardes carrega um título até aqui pouco divulgado: Em 2013, na 12ª edição da Pesquisa Marcas de Confiança, foi apontada como a apresentadora mais confiável do Brasil (Desbancou Silvio Santos!). Tem, então, a responsabilidade de corresponder ao público (74% de acordo com a pesquisa) divulgando produtos de qualidade. O que se espera é que a mãe de trigêmeos (ela sempre fala de si no programa) coloque os produtos que divulga para alimentar os próprios filhos.
As vendas de carne empacotada e com logotipo aumentaram com Tony Ramos, que agora é narrador do comercial de Roberto Carlos. Resta saber se o cantor irá influenciar os hábitos de compras de seus fãs e qual o impacto que o comercial terá nos milhões de vegetarianos que há no país (9%, dados do IBOPE). Um resultado que os números, no final das campanhas, serão os reais avaliadores. Sim, os números! Mudanças são apenas temas transformados em apelos persuasivos pela publicidade. Afinal, a gente sabe, campanhas comerciais implicam basicamente uma coisa: faturar!
Penso em carnaval e recordo os versos de “O primeiro Clarim” , criação de Klécius Caldas e Rutinaldo Silva que tive o privilégio de ver Dircinha Batista cantar. Dircinha foi uma cantora extraordinária, talentosa tanto quanto sua irmã, Linda Batista.
“… Hoje eu não quero sofrer
Quem quiser que sofra em meu lugar…”
Algumas músicas de carnaval tem esse poder de alimentar sonhos e, incrível, fazer com que grandes tristezas sejam transformadas em belíssimos versos. E é possível sair pelos salões, quando há salões, cantando e dançando uma triste sensação de rejeição, como esse Malmequer,composiçãodeNewton Teixeira e Cristóvão de Alencar:
Eu perguntei a um malmequer
Se meu bem ainda me quer
E ele então me respondeu que não
Chorei, mas depois eu me lembrei
Que a flor também é uma mulher/
Que nunca teve coração…
Não é porque é carnaval que a gente perde o senso crítico. Algumas gravações para o carnaval de 2014 são no mínimo lamentáveis. Sabem-se lá quantas são as tramas dos negócios que permeiam “músicas para consumo”; todavia, na falta de algo que seja efetivamente bom, não seria legal regravar uma bela canção e fazê-la voltar na boca do povo? João de Barro e Noel Rosa e tantos outros merecem suas canções gravadas nas vozes de Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leitte. Mais que músicas e atitudes autopromocionais, esperamos grandes canções dessas profissionais. E a propagar versos precários e medíocres, porque não cantar, por exemplo, Estrela-do-Mar, de Marino Pinto e Paulo Soledade? De quebra ainda homenageariam a grande Dalva de Oliveira:
Um pequenino grão de areia
Que era um pobre sonhador
Olhando o céu viu uma estrela
E imaginou coisas de amor ô-ô-ô/
Passaram anos, muitos anos
Ela no céu, ele no mar
Dizem que nunca o pobrezinho
Pode com ela encontrar.
Talvez nossos cantores de agora não cantem esse tipo de música pela impossibilidade de enfiar um “tira o pé do chão” no meio da letra. Ou então, imaginem só Elizeth Cardoso dizendo um “Levanta o braço ai!” entre os versos de “As Pastorinhas”!
A estrela d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
João de Barro e Noel Rosa sempre tiraram o pé do chão. As canções de carnaval ou são marchinhas, ou marcha-ranchos… E são tão geniais que não carecem de um “Quem gostou faça barulho”, porque é impossível ficar calado quando a música é boa. Lá pelas tantas, o coro é geral e fortíssimo em versos como esses:
Linda criança
Tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar.
Emilinha Borba, Elizeth Cardoso e, abaixo,as irmãs Dircinha e Linda Batista
Tenho certeza de que as primeiras músicas de carnaval que me fizeram a cabeça foram cantadas por Marlene e Emilinha Borba. Esta última era extremamente popular com sua Chiquita Bacana e, na minha infância eu gostava da ideia de um “tomara que chova três dias sem parar”. Aliás, bem propícia para esse ano, quando estamos na eminência cantar com muita verdade que “a minha grande mágoa é lá em casa não ter água e eu preciso me lavar…”. Já Marlene, era a melhor. A mais bonita e a grande intérprete com seu “Apito no samba”, “Lata d’água” e tantos outros. Mas, há sempre um mas… A primeira paixão musical de carnaval veio com Dalva de Oliveira, uma das maiores cantoras deste país. Depois de “Máscara Negra” (Zé Kéti/Hildebrando Matos), o carnaval, marchinhas e marchas-rancho entraram definitivamente na minha vida. Há quem resista a esses versos?
Tanto riso
Oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão…
Se estiver difícil ouvir “bagunceiras” e outras bobagens, tente isso: Ao clicar nos títulos das canções abrirá um link para ouvir a música no Youtube. Há alguns vídeos com cenas interessantes. Divirtam-se!