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O feriado acabando, o frio pegando pesado e ao dependermos da televisão as opções são, no máximo, morninhas. Teremos os filmes “B” na Globo, o humor baseado nas situações de sempre do CQC, as “profundas situações vivenciais” em A Fazenda e por aí vai. Não dói nada desligar a televisão e, mesmo em casa, há sempre a possibilidade de ver e fazer coisas interessantes. As sugestões abaixo também entram na categoria “férias”; se não for hoje, há possibilidade de programar uma terça-feira melhor.

Sugestão 1

Calvin e Haroldo para boas gargalhadas.

Ganhei dois livros do Calvin no meu recente natalício. Um veio do Cadu Blanco; o outro, do casal Olszenski (que nome chic esse!) Claudia e Victor. É lamentável saber que há pessoas que desconhecem Calvin e seu urso Haroldo (Calvin and Hobbes), criação do genial Bill Watterson. Para evitar lamentações, vamos apresentar a dupla:

Calvin tem seis anos de idade. É um garoto inteligente e solitário, que brinca com um urso de pelúcia. Para Calvin, o urso Haroldo tem vida e com ele o menino trava diálogos engraçados, apronta brincadeiras e peraltices enlouquecendo os pais, a professora, a vizinha. Para toda e qualquer situação Calvin tem tiradas ácidas, críticas, com um humor inteligente e sagaz.

Bill Watterson criou Calvin e Haroldo em 1985 e durante exatos dez anos publicou tirinhas em mais de 2000 jornais de todo o mundo com as aventuras do menino com seu brinquedo. Vencedor de prêmios pela qualidade de seu trabalho, Watterson tem uma visão de mundo bem clara e definida, exposta através das relações entre Calvin e os pais, a escola, os amigos e o mundo. As posições do autor aparecem nas ações das personagens; ele não permite a comercialização da imagem de Calvin, impedindo o lançamento de produtos que tenham relação com a personagem. Nem mesmo em vídeo Calvin será visto (como ocorreu com Mafalda, por exemplo). Os últimos lançamentos originais sobre Calvin ocorreram em dezembro de 1995.

Sugestão 2

Noites românticas ao som da voz quente de Maysa

Nem todo mundo tem um grande amor, mas há sempre algo para lembrar, algo para reviver. Quem está com o seu “benzinho” aí ao lado, cheio de calor para trocar, nessas noites de inverno, deve aproveitar o momento e embalar muitos carinhos com a voz e a beleza da inesquecível Maysa.

“Intensa Emoção” é o nome dado ao DVD da cantora, falecida prematuramente em 1977. Maysa deixou uma obra repleta de romance, amores profundos, relações pungentes em músicas inesquecíveis. Ouvir Maysa já é muito bom; melhor ainda rever os olhos belíssimos, o sorriso encantador, a bela e fina estampa de uma das maiores cantoras e compositoras brasileiras.

O DVD é registro de um programa exibido pela TV Cultura em 1975. Maysa fala e canta, na gravação que está nos moldes do programa Ensaio. Há os grandes êxitos da compositora, as interpretações inesquecíveis (só por Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel vale comprar o DVD), cobrindo todas as fases da carreira da cantora.

Sugestão 3

“Shame” Um filme denso para adultos

“Shame” (Vergonha) é um filme perturbador. Um homem vive em função de sexo. Todos os momentos da vida do cidadão são comandados por ações ou interesses sexuais. Ele é bonitão, profissional bem sucedido e o que poderia ser visto como “a vida que pedi a Deus” é, na realidade, um grande drama. Insatisfeito, sem amar ninguém, sem conseguir estabelecer uma relação saudável, o rapaz é refém de seus desejos, suas vontades. Sexo é algo além do ato físico e quando este algo mais não ocorre, o jeito é sair atrás de outra relação para complementar o que não se teve na primeira. E assim inicia-se uma onda que gera vício.

Michael Fassbender interpreta o publicitário obcecado por sexo. Com ele vive a irmã, com uma interpretação impecável de Carey Mulligan. Carente, a moça é aquele tipo que denominamos pegajosa, o que se traduz em atitudes possessivas. Os telefonemas que a moça, uma cantora noturna, dão são constantes, insistentes e de tão desesperadores chegam ao engraçado.

“Shame” foi dirigido por Steve McQueen e é opção para ver as consequências da vida nesse nosso mundo moderno.  O título foi mantido no Brasil. As personagens de Shame parecem condenadas a não encontrarem saída, solução. São centradas em si, em suas necessidades e não enxergam o outro. O embate entre os dois irmãos é explosivo. Um momento imperdível e que entra para a galeria de cenas inesquecíveis é quando Carey Mulligan canta New York, New York. A atriz reduz a grandiosidade da canção através da emissão de um fio de voz, tênue, tímido, sonhador, possibilitando outra visão da canção famosa e manjada.

As aventuras de Calvin, o som de Maysa, a reflexão e diversão profunda em “Shame”. Há sempre algo acessível, bem melhor que telas quentes e afins.

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Até mais!

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