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Laura Vinagreiro Resende

Lá onde o céu é azul

Alem do Rio Grande

Uma luz tênue de vela

Roga aos céus, apela

Alguém!

Esse alguém é minha mãe; sempre pronta e disposta a rezar por todos nós. Ladainhas, terços, rosários… Antes, mais jovem, mamãe acendia velas para todos os santos. Sempre por nós; os filhos, os netos e, também, os irmãos dela, os sobrinhos, os primos, as tias…

Sempre confiei nas orações de minha mãe. Acredito que Deus ouve todas as mães, principalmente quando elas não pedem por si, mas pelo bem de todos os seus.

Além do Rio Grande fica Minas Gerais, Uberaba, onde minha mãe pede a intercessão de Nossa Senhora da Abadia, a proteção da Medalha Milagrosa. Santo Antônio ajuda-a a achar coisas; São José traz chuvas. Todos os santos e santos permeiam a vida de minha mãe que, às vezes, cochila um pouquinho entre uma reza e outra. Para quem pede tanto, alguns minutos de descanso são mais que merecidos.

Longe de si minha luta

Acima de mim seu afeto

Une espaço e tempo

Retém cada momento;

Alguém!

Nossa mãe nos deu asas; aquelas invencíveis, denominadas conhecimento. Fomos além até do que ela pode entender e adquirimos um vocabulário, às vezes, inatingível para seus conhecimentos. Não importa; ela conhece as coisas do gostar, do querer bem.

Mamãe fala com os que já foram como se estivessem ouvindo-a. Não, ela não é médium; papai, meus avós, meu irmão e tantos outros permanecem vivos no coração de minha mãe; na fala cotidiana de uma longa vida que desconhece as medidas de tempo. Estas medidas que são meras abstrações, distantes da realidade da alma. Da alma de todas as mães.

Livre, acho eu, liberta:

Acuada, talvez, pelo amor

Uma mulher pequena

Rindo-me, serena

Alguém!

Dona Laura, a nossa mãe, tratou de viver a vida como achou que devia. Foi longe para os parâmetros de meus avôs sem jamais deixar-se distante deles. Gosto de saber das lutas que teve e sou grato pelas batalhas que venceu principalmente por garantir a todos nós, seus filhos, uma vida melhor.

Aqui, sozinho neste momento e em tantos outros, sinto falta da mão de minha mãe sobre minha fronte. Nada neste mundo me acalma tanto, me propicia sono tranqüilo e momentos de intensa paz. Sempre que próximo, em toda e qualquer instância recebo de minha mãe o afago supremo, o remédio eficaz; o calor de sua mão sobre minha testa, fazendo-me fechar os olhos, em paz..

Os versos acima são de uma música, denominada Leréia  que fiz para minha mãe. Quero registrá-los aqui, desejando que mães e filhos possam ter um dia cheio de carinho e, sobretudo, afeto. Esse imenso afeto que, junto com meus irmãos, tenho por Laura, a minha mãe.

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Até!

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