A avaliação do MEC é correta?

calvin

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O MEC (Ministério da Educação) divulgou hoje a avaliação do nível dos cursos e instituições de ensino superior. Ficamos conhecendo aquelas que receberam conceito máximo e soubemos de outras que estão com problemas. Um ex-aluno lançou a questão: “- A avaliação do MEC é feita da forma correta? A metodologia aplicada faz com que eles realmente possam atestar que uma escola ou faculdade é boa?”

Não sou especialista nessa questão, mas recordei o grande Millôr Fernandes, “livre pensar é só pensar”; então, meu caro aluno, vamos pensar e levar alguns fatos para a apreciação de todos e, assim, caminharmos para possíveis esclarecimentos sobre o tema.

Primeiro grande fato: nessa avaliação estão envolvidas altíssimas forças políticas (instituições públicas) e imensas forças financeiras (Rede Privada – sem demagogias, a educação aqui é negócio).  Ministros e secretários da educação respondem pela qualidade da educação pública e caso o MEC cometa erros eles chiarão e usarão da própria força política para mudar os parâmetros do Ministério. Os magnatas da educação, por seu lado, teriam total apoio da imprensa caso houvesse algo errado; afinal, nenhuma empresa de comunicação pode desprezar as verbas de publicidade oriundas das universidades privadas. Assim, creio que o MEC não esteja fazendo nada de errado, mas, sem dúvidas, há o que discutir…

A avaliação do MEC estabelece um índice e, para estabelecer este, considera o desempenho dos estudantes no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o grau de formação do corpo docente e a avaliação da infraestrutura das faculdades.

Nos dois primeiros itens (ENADE e Formação do corpo docente) o MEC avalia resultados e não os processos. O fato de um professor apresentar titulação adequada indica que ele seja realmente um bom profissional? Ao ministério interessa que sejam mestres, doutores, mas como desempenham a profissão é outra história. Fica implícito que o resultado do aluno no ENADE qualifica a instituição e também o quadro de professores.

Nesse triênio foram avaliados vários cursos; ciências sociais, geografia, história, letras, música, biologia, etc. Não é difícil imaginar a importância das peculiaridades regionais como fatores que atuam no processo de alguns cursos. A prova do ENADE é única por área. Mais uma questão para considerar: o MEC dispõe de especialistas formados em cada uma das regiões do país? O aluno que estudou ciências sociais na Amazônia tem a mesma experiência que o colega que concluiu o curso no Rio Grande do Sul?

Bastam os títulos para a qualificação de um professor? (Caricatura de Fernando Paes)
Títulos qualificam professores? (Ilustração: Fernando Paes)

O critério que avalia a Universidade pela formação dos professores é, no mínimo, capcioso. É de conhecimento geral que o ingresso de profissionais na rede pública é feito via concurso. Para ingressar, a titulação mínima exigida é a de mestre ou doutor.  Nos últimos anos o MEC aceitou a contratação de profissionais sem essas titulações para atuação na rede privada. Agora, avalia ambas as redes com o critério da formação dos professores! Ora essa, como assim?

Sabemos que diplomas de mestres e doutores são registrados em Brasília; logo, o MEC tem todas as condições de saber a quantidade de profissionais habilitados para atuação nas universidades. Quem autoriza o funcionamento de um curso é o próprio MEC; quando isso ocorreu, o ministério não viu a formação dos profissionais envolvidos? Uma Universidade Federal, a de Viçosa, Minas Gerais, está com problemas no corpo docente. Como será que foram os concursos para a contratação desses professores?

Falta uma breve reflexão sobre a questão da infraestrutura das faculdades. Aqui entram, por exemplo, bibliotecas e laboratórios. Resta saber se os fiscais do MEC verificam se todos os computadores funcionam, se há máquinas em quantidade suficiente para a quantidade de vagas oferecidas e se essas (câmeras, microscópios, instrumentos musicais) também estão em pleno funcionamento. Por outro lado, há aquecedores nas salas de aulas do sul? Há aparelhos de ar condicionado funcionando em todas as salas de aula do norte do país?

Meu caro aluno, isto é um post para um blog, não um tratado sobre as condições da educação no país. Todavia cabe semear, iniciar uma discussão, alimentar o debate. Conhecimento – a facilitação deste – é poder e presenciamos, na realidade brasileira, esse poder dividido, sem deixar de ser disputado, entre duas forças básicas: a pública e a privada.

Entre as 27 instituições que receberam a nota máxima estão quinze universidades públicas e doze instituições privadas. Quase um empate. Não afirmo que é justo.  Sei que não corresponde à realidade; afinal, a USP (Universidade de São Paulo), não é avaliada. A isto se denomina poder; a Universidade mantida pela União não se submete aos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Educação. Por qual razão as demais aceitam tal situação?

A avaliação do MEC é correta? É justa?  Corresponde à realidade das nossas salas de aula? Reflete a atuação dos nossos professores? Retrata com fidelidade, através do ENADE, o estudante brasileiro? Vamos pensar e refletir nessas férias; “livre pensar é só pensar”; pensar para colaborar em possíveis soluções; quando falamos de educação, falamos de nós mesmos.

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Até mais!

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Um pouco de delicadeza em 2013

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Chico Buarque chamou-nos a atenção, em 1990; o Brasil havia se transformado n’O País da Delicadeza Perdida. Vinte anos passados e o fenômeno denominado redes sociais aumentou o contato entre as pessoas, mas e a delicadeza?

Na rede social virtual presenciamos “bons dias”, “beijos” e uma série considerável de gentilezas escritas. Também estão presentes os ataques gratuitos, a intolerância, o rancor, a troca de insultos… Indelicadezas também estão em comentários aos posts e matérias jornalísticas em blogs e portais.

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Há críticas aos indivíduos que, entrando no Facebook, dirigem um “bom dia” aos receptores, supostamente amigos. A maioria entra sem pedir licença compartilhando coisas, contando piadas, fazendo críticas… Estou entre esses e percebo que adotei a ideia de que, estando na rede – onde sempre há alguém! – não há a necessidade de “bom dia”, ”por favor,”, “com licença”…

Além do que se publica na rede, em sites de relacionamento, há um comportamento similar na correspondência privada. Corre a ideia de que e-mail não se assina, já que o dito cujo pertence ao emissor, identificado no próprio. Principalmente quando esse e-mail circula entre pessoas de uma mesma empresa. Então, propaga-se a secura, a impessoalidade. Alguns hão de recordar os papéis timbrados, portanto identificados, onde não se desprezava a saudação inicial e a despedida.  As pessoas diferenciavam polidez de delicadeza.

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Estou evitando o discurso saudosista, pois o desejo é enfatizar o incômodo, a perturbação pela secura individualista; está além do aceitável a atitude do cidadão que não aguarda que alguém saia do metrô, do ônibus, do trem, do elevador, animalescamente dando cotoveladas nos outros. Está difícil tolerar os ataques gratuitos aos demais que não torcem pelo mesmo time, assim como é barbárie agredir pura e simplesmente aquele que venceu.  E há a falta daquelas expressões suaves, que determinam o grau de civilidade: por favor, com licença, bom dia, até logo…

Agora começarão as mensagens de natal, ano novo. E muita gente fará promessas, planos, expressará desejos para o próximo ano. O meu desejo é ampliar minhas saudações cotidianas; aos meus vizinhos, aos meus amigos, aos conhecidos, colegas de trabalho… Nem precisa chegar 2013. Fico aqui, pensando na pequena revolução que provocaria um “obrigado”, um “por favor” entre as pessoas… Quem entrará nessa?

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Até mais!

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Dema conta Inezita Barroso

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São Paulo era uma cidade estranha para a criança que não conhecia a capital, mas que ouvia atentamente a música “Lampião de Gás”, com Inezita Barroso. Lá em Minas a gente pulava corda, brincava de roda e nossos amigos não atendiam pelos nomes Benjamin, Jagunço e Chiquinho; tinham outros nomes e, felizmente, eram muitos.

A gravação de Lampião de Gás que ouvíamos em casa dos avôs era pomposa, Inezita acompanhada por uma grande orquestra. Linda! Acho mesmo que foi ouvindo aquela música triste, melancólica, que passei a gostar da cidade. A composição de Zica Bergami é marcante na carreira de Inezita, tanto quanto outra canção, também triste: Maringá, que era cabocla e virou uma cidade que ainda não conheço. A música fala de separações por conta de uma seca. O autor, Joubert de Carvalho, nasceu em Uberaba. Aprendi a canção com minha professora primária, Maria Ignez Prata. Depois, fiquei mais admirado ouvindo a voz triste de Inezita ao interpretar a música.

Joubert de Carvalho teve outra canção de sucesso gravada pela cantora. “De papo pro ar”, parceria dele com o poeta Olegário Mariano. Já naquela época eu achava ótimo pensar que “se compro na feira, feijão, rapadura, pra que trabalhar?” Mas, também matutava: sem trabalhar, onde o dinheiro para as compras? Talvez “pescando no rio, de jereré…” Sei não. O certo é que ficar “De papo pro ar” nunca foi ruim.

De todas as canções gravadas por Inezita, a preferida de meu pai era a “Moda da Pinga”. A “marvada”, criada Ochelsis Laureano e Raul Torres, recebeu interpretação definitiva de Inezita Barroso. Eu sempre imagino a cena da moça voltando para casa “de braço dado com dois soldados, ai muito obrigado!”. E não consigo pensar em outra intérprete para essa “moda”.

Tenho vivido ouvindo Inezita Barroso. Uma entrevista aqui, uma reportagem ali e fui somando informações sobre a cantora de voz poderosa e personalidade ímpar. Agora chegou a hora de saber um pouco mais sobre a vida dessa grande artista.

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Valdemar Jorge, o nosso Dema

Valdemar Jorge, a quem tenho o privilégio de denominar Dema, é daqueles sujeitos donos de uma simpatia imbatível; um profissional competente com quem convivi por mais de uma década e que já me propiciou, entre outras coisas, estar na platéia na festa do aniversário de 30 anos do “Viola, Minha Viola”, o programa comandado por Inezita Barroso.

Dema trabalhou durante muitos anos na TV Cultura, tornando-se colega e amigo da cantora. Fruto saboroso dessa convivência é o livro que será lançado na próxima segunda-feira, 17 de dezembro. Em “Inezita Barroso, com a espada e a viola na mão”, Dema conta a trajetória da cantora. O livro é parte da coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Sempre, na universidade onde trabalhamos, tive em Dema o parceiro de “causos” e muitos “papos” sobre as artes no Brasil. O cidadão Valdemar Jorge, querido Dema, vive cultura; é participante da arte que se faz em São Paulo e, por isso, escreve, ou melhor, conta com propriedade; Estou orgulhoso e feliz pela concretização de um projeto sobre o qual conversamos bastante.

Pela certeza da competência do Dema, e pela admiração ao trabalho primoroso de Inezita Barroso, afirmo que este é um dos lançamentos mais importantes do ano. Na carreira profissional de Inezita Barroso temos, entre outros fatos, a vida do caipira paulista, as expressões musicais singelas e puras do cancioneiro regional do Brasil. Ela é parte essencial da nossa história, agora devidamente registrada pelo Dema, o Valdemar Jorge.

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Até lá!

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Nota:

O lançamento será no MIS – Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa 158, São Paulo – SP, 19h00. Com “Inezita Barroso – Com a espada e a viola na mão”, serão lançados mais 10 outros livros sobre personalidades da cultura brasileira.

Luz, a novela!

Se eu fosse político estaria rico. Não sou e pouco entendo dessa “profissão”, mas certos fatos merecem comentários. Era uma vez… Uma presidenta prometeu dar a luz para o seu povo. Não; a presidenta não estava grávida; já havia passado da idade. E não era uma luz assim, metafórica, tipo a luz do conhecimento através de melhoras consideráveis na educação; nem era a luz divina, porque a presidenta, ocupada em presidir, pouco aparece em igrejas. Tratava-se de, concretamente, um desconto nas contas de luz do povo brasileiro.

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Melhor que desconto casual, a presidenta anunciou uma redução nas contas de luz. No país de tantas e tão altas tarifas, todo e qualquer desconto, ou redução, são aclamados com festa. Naqueles dias, quando foi anunciada a boa nova, acusaram a presidenta de golpe político. Ela estaria interessada em garantir algumas prefeituras para seu partido. Golpe ou não, a palavra foi dada e entre outras vitórias, o partido da presidenta levou a prefeitura da capital paulista, o que é um sinal luminoso para ser alardeado por qualquer partido.

Se eu fosse político… Não sou, mas fico tão irritado com certas jogadas! Passado o tempo, eleições finalizadas, volta o segundo capítulo do que, agora, será uma novela e tanto: duas companhias energéticas poderosas – a Cemig, lá da minha terrinha e a Cesp, aqui de São Paulo – resolveram jogar sombras sobre a presidenta. Através de recusas de concessões e outras negociatas que eu, leigo, pouco entendo, as tais empresas conseguiram minar a promessa da presidenta. Dos 20,2% prometidos, caiu-se para 16,7% e, para o consumidor final – NÓS! – algo em torno de meros 10%.

Chamem a Carminha, diriam alguns, que esta novela está um saco! Um saco escuro e tenebroso que carece de luz, muita luz. Parece que quem constrói usinas são os governos, que por trâmites vários estabelecem parcerias, concessões para efetivar as construções. Esse aspecto daria uns bons capítulos; é só lembrar a história de Itaipu, Sobradinho e, agora, estamos presenciando os embates para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Outro aspecto da luz, que começa na usina, bancada por governos, com o dinheiro dos impostos que pagamos, diz respeito à distribuição da energia. Isso é um NOVELÃO! Há, então, outras empresas, criadas só para trazer a energia da usina até o município interessado… Ou seja, uma segunda empresa para cobrar dos governos para que chegue às cidades a energia gerada com dinheiro do governo, ou seja, nosso.

Uma terceira empresa chega aqui em minha casa. A conta de luz não é da CESP – Companhia Energética de São Paulo, mas da AES Eletropaulo (Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S. A.). Ou seja, mais uma estrutura empresarial para lucrar com o dinheiro nosso do altíssimo imposto que pagamos. Ah, é bom contar os intermediários que recebem o pagamento de nossas contas mensais de luz e que, para fazer isso, levam outro tanto, tipo bancos, casas lotéricas, agências de correio, supermercados…

Vamos nortear o enredo da novela? Era uma vez uma presidenta que prometeu desconto na conta de luz. Seus opositores resolveram minar a idéia. Assim, o governo (nesse aspecto, o estadual) + a concessionária + mais a distribuidora regional + mais distribuidora local + mais os agentes recebedores estão retendo para benefício próprio o que foi prometido para benefício da população.  A parte que não será reduzida para o povo engordará as contas dessa gente toda.

O que é que sobra, nessa novela? Lembrando e parafraseando a Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, sobra o pai berrando para o filho adolescente apagar a luz; a mãe implicando com a empregada para que esta não use os eletrodomésticos e, da rede que realmente fica com a grana, o máximo que pode rolar por parte do cidadão comum é brigar com a atendente da casa lotérica por conta da enorme fila.

Nossa Senhora da Luz, ilumine a todos nós com a luz da justiça, da verdade e da caridade.
Nossa Senhora da Luz, ilumine a todos nós com a luz da justiça, da verdade e da caridade.

Eu nunca tive 20% de aumento de salário. Se fosse político… Como a maioria do povo brasileiro não é, portanto também não recebe benefícios astronômicos. Quero os 20% prometidos para redução na minha conta de luz. Entendo que se há a possibilidade de reduzir essa conta, o mesmo poderá ocorrer com outras taxas e impostos. Essa novela ainda vai ser longa e nem sempre o bem vence, quando o tema é a realidade brasileira, mas não custa tentar; vale ficar atento e, se possível, pressionar! Quem vai nessa?

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Luz para todos!

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Publicado em: 5 de dezembro de 2012 às 23:26

O mundo que vem por aí

Um imenso e inusitado barulho, nesse final de semana, levou-me a pensar no fim do mundo. O som intenso, desagradável e inesperado fez-me, por segundos, acreditar que o fim seria assim, chegando como surpresa; visita inesperada e inevitável, já que a mesma sabe que estamos em casa. Fiquei bem quietinho, sem verbalizar meu receio e comecei a sonhar com um novo planeta, um mundo idealizado em meus sonhos.

Teatro de Marionetes da República Tcheca. Foto: Valdo Resende
Teatro de Marionetes da República Tcheca. Foto: Valdo Resende

Creio que eu manteria nesse novo mundo, os velhos castelos, monarcas de reinos distantes, reis e rainhas do maracatu e do congado. Soberanos justos, leais, honestos, que assumiriam o reino como extensão da própria família; que chamariam súditos de filhos e que seriam capazes de dar a própria vida pelos seus.

Marionetes de Praga Foto Valdo Resende

Sendo impensável um mundo sem música, eu impediria o fim de todos os bons instrumentistas. Junto com eles os compositores, os cantores para todos os tipos de gente, cantando em todos os ritmos, preservando as boas canções de todos os tempos. Músicos que fariam de seu trabalho a trilha sonora das gentes; que permaneceriam em todas as situações, colocando música em cada momento.

A exposição foi denominada "Gepetos de Praga", referência ao criador de Pinóquio.
A exposição foi denominada “Gepetos de Praga”, referência ao personagem criador de Pinóquio.

Nesse velho novo mundo, o dever deveria equilibrar-se com o lazer. O fruto do trabalho renderia uma vida agradável para patrões e empregados que, nesses tempos, assumiriam a condição de parceiros. Seria fundamental que na mudança, para que valha a pena mudar, os indivíduos entendessem que vivemos em uma cadeia onde somos absolutamente necessários uns aos outros.

Gepetos de Praga

No meu rápido esboço de mundo pensei nas idéias e pessoas divergentes que poderiam surgir. Alguns poderiam ansiar pelo poder, pela posse e inevitáveis lutas viriam. Portanto, do mundo que já temos, seria fundamental levar os heróis, os bravos, os sonhadores; todos prontos garantindo a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Que coisa boa, antiga…

foto valdo resende

Sábado, o mundo que esbocei na noite de insônia, apareceu materializado em marionetes vindas da República Tcheca, expostas no Centro Cultural da Caixa, logo ali, na Praça da Sé. Estava ali a mistura de sonho e realidade aprendida nos livros, em romances, em filmes e, sobretudo, no teatro. Conversei rapidamente com as monitoras que, preparando uma oficina, contaram-me do teatro que se faz em Praga.

Teatro de fantoches

Recordei, então, a época em que fiz teatro com fantoches e, diante dos expressivos bonecos tchecos, contei para a menina minha lembrança de Palomares, a impressionante e inesquecível montagem de Ana Maria Amaral. Os bonecos não são apenas personagens de aventuras, contos de fadas, comédias. Em Palomares, Ana Maria Amaral mostrou todas as possibilidades dramáticas de uma montagem com bonecos através da narrativa do incidente nuclear no vilarejo espanhol.

Ali, observando e brincando, nem comentei com o amigo, autor de algumas das fotos que estão aqui, sobre meus devaneios de fim de mundo. Todavia, enquanto tentava manipular o boneco fiquei pensando no que eu faria caso me fosse dado o poder para recomeçar…

Valdo Resende

Muito difícil manipular um boneco! Como pensar um novo mundo deixando para trás a tragédia grega, a comédia dell’arte, o teatro de Shakespeare, de Molière e, entre todos os outros, o Teatro de Marionetes de Praga? Decididamente, pouco tenho a acrescentar para uma nova vida, para um mundo que vem por aí. Talvez seja melhor pensar menos em fim de mundo e trabalhar mais, melhorando esse que temos. Afinal a insônia passou, a exposição acabou e o mundo tai, bonitinho tanto quanto é possível em uma segunda-feira.

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Boa semana!

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O efeito Gadú

Vício de quem faz blog, e de quem trabalha com comunicação, a verificação da audiência é um hábito. Os altos e baixos de um blog, por exemplo, relacionam-se com outras variáveis além dos assuntos abordados em cada post. Grata surpresa, de repente os números sobem muito, e já aprendi a descobrir razões; terça-feira, em menos de quarenta minutos, minha audiência triplicou e após descobrir o motivo, resolvi denominá-lo “efeito Gadú”.

Maria Gadú canta no seriado. Foto: Louco por elas/TV Globo

Ontem, na Rede Globo, Maria Gadú fez uma participação especial no programa “Louco por elas”. Foi como convidada de Violeta (Gloria Menezes) em um sarau familiar. A cantora não fez feio ao brincar de atriz e ainda mostrou-se simpática ao dividir vocais com Dudu (Thiago Martins), Dora (Laila Garin) e Santiago (Zéu Britto).

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Livre para amar

Conheci a música “O seu amor” com as vozes apaixonantes dos “Doces Bárbaros”. O quarteto formado por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia canta “O seu amor” em um momento mágico do show, registrado em disco em 1976. A harmonia dos quatro grandes artistas, amigos na vida e nos palcos, é de uma suavidade emocionante para a canção criada por Gilberto Gil.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ir onde quiser

No programa, durante o sarau familiar, Maria Gadú se acompanha ao violão e forma um inusitado quarteto com os personagens de ficção, também cantores na vida real. Foi simples e bonito, como a canção.

O seu amor

Ame-o e deixe-o brincar

Ame-o e deixe-o correr

Ame-o e deixe-o cansar

Ame-o e deixe-o dormir em paz

Os mais “Doces Bárbaros”

Um pouco após o final do programa, já finalizando o meu dia, fui verificar o número de visitantes do blog e me surpreendi com uma quantidade enorme de visitantes. O melhor, é que eles não paravam de crescer. As pessoas começaram a pesquisar “Maria Gadu Ame-o e deixe-o” e chegaram neste blog. Escrevendo sobre o aniversário de Caetano Veloso citei a cantora e a música em questão.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ser o que ele é.

O efeito Gadú continuou e, também na quarta-feira, tive uma audiência superior ao habitual. Resolvi escrever por duas razões: agradecer aos visitantes, fãs da cantora, e também por constatar algo que, penso, muitos concordarão comigo.

Há uma falta imensa de bons programas musicais na televisão. Temos programas que constantemente apresentam números musicais e outros, esporadicamente, como o seriado estrelado por Eduardo Moscovis e Deborah Secco. O brasileiro gosta de música. Gosta de boa música e posso dar dois exemplos que confirmam isto: as centenas de pessoas que buscam saber mais sobre uma canção interpretada por Maria Gadú em um seriado, apresentado após as 22h00 e, o segundo, o imenso sucesso do programa The Voice, com seus participantes com inegáveis qualidades musicais.

É frequente a imposição de muito lixo musical pelas grandes gravadoras, verdadeiras donas da programação de emissoras de rádio e similares. É ótimo saber que o público de uma jovem cantora como Gadú é levado por uma bela canção e, mais que a mera audição, sai buscando detalhes da mesma.

Se você chegou até aqui, clique, veja o grupo e ouça a canção com os mais “Doces Bárbaros”. Quem sabe, esta seja o impulso para conhecer outras canções e uma bela história, de um quarteto formado por quatro amigos…

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Até mais!

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Viagem fora desse mundo

Eita, mundo lindo!

Que ninguém fique chateado por estar no nosso velho planeta. Cair fora desse mundo já é possível para qualquer mortal com saúde e alguns milhares de dólares para gastar. A viagem é curta, apenas uma hora de duração. A distância também não é nenhum exagero: apenas 100 quilômetros. A questão é que essa horinha será no espaço e os quilômetros serão percorridos para cima. Quem topa?

Há sempre uma adrenalina maior quando sobrevoamos nosso amado chão. Nossos costumeiros vôos raramente ultrapassam dez, onze mil metros. No alto, ficamos tensos ante a menor oscilação da aeronave. E aposto que a maioria das pessoas raramente pensa em acidentes quando entram no carro e pegam uma estrada, mas se o avião dá uma balançadinha… Então, só de imaginar que estou subindo, passando os dez, vinte, trinta, cem quilômetros… A vontade já começa a misturar-se com o medo. Deve ser uma viagem e tanto!

Segundo a notícia que li (inteirinha aqui) a nave, cujo nome é Lynx decola com um avião convencional e, no ar, se posiciona “com uma inclinação a 90 graus para alcançar sua velocidade máxima e sair da atmosfera terrestre. Uma vez no espaço, a aeronave flutuará em gravidade zero durante cinco minutos a uma altura de 100 quilômetros e depois planará em círculos até retornar a seu ponto de partida”.

O melhor da viagem, com frequência, é o antes e o depois. O “durante” é tão rápido e intenso que levamos grande tempo para digerir tudo o que vimos; tudo o que sentimos. Por isso não vejo nenhum problema em esperar até 2014, quando efetivamente ocorrerão as primeiras idas da Lynx para o espaço. Parece que a procura é grande e pode ser que a minha viagem ocorra só em 2015. Sem problemas; assim terei tempo para arranjar os US$ 107 mil da passagem.

Arranjar US$ 107 mil! Olha só que viagem! Eu, um professor; brasileiro e honesto. “sem parentes importantes; e vindo do interior” (e não sou caloteiro, como indicam as recentes notícias sobre Belchior, o autor do verso musical). Como arranjar US$ 107 mil?

Não creio que, na minha idade, vá surgir um casamento com alguma ricaça. Pela mesma razão, a idade, mais uma barriguinha que insiste em chegar aos locais antes que o dono, fica descartado a remota possibilidade de comercializar o corpinho. Resta, portanto, a esperança de todo cidadão comum: a loteria. Ou então um acaso, mas tão acaso, que não dá pra prever qual seja.

Minha amiga, quase carioca, disse-me que de tanto ver despachos em uma encruzilhada próxima, já pensa em colocar o santo de cabeça para baixo, dentro de um copo com água, até conseguir o que deseja. Enquanto voltava do final de semana fiquei pensando na viagem, na encruzilhada e se eu colocaria alguém na tal posição para conseguir viajar ao espaço. Em casa, bem ao lado do meu computador, a pequena escultura do Papai Noel… Ele que se cuide e que trate de me trazer os tais US$ 107 mil. Vou dar um prazo para esse velhinho. Enquanto isso, eu irei atrás de um copo que caiba o danado de cabeça para baixo…

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Boa semana!

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