O efeito Gadú

Vício de quem faz blog, e de quem trabalha com comunicação, a verificação da audiência é um hábito. Os altos e baixos de um blog, por exemplo, relacionam-se com outras variáveis além dos assuntos abordados em cada post. Grata surpresa, de repente os números sobem muito, e já aprendi a descobrir razões; terça-feira, em menos de quarenta minutos, minha audiência triplicou e após descobrir o motivo, resolvi denominá-lo “efeito Gadú”.

Maria Gadú canta no seriado. Foto: Louco por elas/TV Globo

Ontem, na Rede Globo, Maria Gadú fez uma participação especial no programa “Louco por elas”. Foi como convidada de Violeta (Gloria Menezes) em um sarau familiar. A cantora não fez feio ao brincar de atriz e ainda mostrou-se simpática ao dividir vocais com Dudu (Thiago Martins), Dora (Laila Garin) e Santiago (Zéu Britto).

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Livre para amar

Conheci a música “O seu amor” com as vozes apaixonantes dos “Doces Bárbaros”. O quarteto formado por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia canta “O seu amor” em um momento mágico do show, registrado em disco em 1976. A harmonia dos quatro grandes artistas, amigos na vida e nos palcos, é de uma suavidade emocionante para a canção criada por Gilberto Gil.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ir onde quiser

No programa, durante o sarau familiar, Maria Gadú se acompanha ao violão e forma um inusitado quarteto com os personagens de ficção, também cantores na vida real. Foi simples e bonito, como a canção.

O seu amor

Ame-o e deixe-o brincar

Ame-o e deixe-o correr

Ame-o e deixe-o cansar

Ame-o e deixe-o dormir em paz

Os mais “Doces Bárbaros”

Um pouco após o final do programa, já finalizando o meu dia, fui verificar o número de visitantes do blog e me surpreendi com uma quantidade enorme de visitantes. O melhor, é que eles não paravam de crescer. As pessoas começaram a pesquisar “Maria Gadu Ame-o e deixe-o” e chegaram neste blog. Escrevendo sobre o aniversário de Caetano Veloso citei a cantora e a música em questão.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ser o que ele é.

O efeito Gadú continuou e, também na quarta-feira, tive uma audiência superior ao habitual. Resolvi escrever por duas razões: agradecer aos visitantes, fãs da cantora, e também por constatar algo que, penso, muitos concordarão comigo.

Há uma falta imensa de bons programas musicais na televisão. Temos programas que constantemente apresentam números musicais e outros, esporadicamente, como o seriado estrelado por Eduardo Moscovis e Deborah Secco. O brasileiro gosta de música. Gosta de boa música e posso dar dois exemplos que confirmam isto: as centenas de pessoas que buscam saber mais sobre uma canção interpretada por Maria Gadú em um seriado, apresentado após as 22h00 e, o segundo, o imenso sucesso do programa The Voice, com seus participantes com inegáveis qualidades musicais.

É frequente a imposição de muito lixo musical pelas grandes gravadoras, verdadeiras donas da programação de emissoras de rádio e similares. É ótimo saber que o público de uma jovem cantora como Gadú é levado por uma bela canção e, mais que a mera audição, sai buscando detalhes da mesma.

Se você chegou até aqui, clique, veja o grupo e ouça a canção com os mais “Doces Bárbaros”. Quem sabe, esta seja o impulso para conhecer outras canções e uma bela história, de um quarteto formado por quatro amigos…

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Até mais!

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Viagem fora desse mundo

Eita, mundo lindo!

Que ninguém fique chateado por estar no nosso velho planeta. Cair fora desse mundo já é possível para qualquer mortal com saúde e alguns milhares de dólares para gastar. A viagem é curta, apenas uma hora de duração. A distância também não é nenhum exagero: apenas 100 quilômetros. A questão é que essa horinha será no espaço e os quilômetros serão percorridos para cima. Quem topa?

Há sempre uma adrenalina maior quando sobrevoamos nosso amado chão. Nossos costumeiros vôos raramente ultrapassam dez, onze mil metros. No alto, ficamos tensos ante a menor oscilação da aeronave. E aposto que a maioria das pessoas raramente pensa em acidentes quando entram no carro e pegam uma estrada, mas se o avião dá uma balançadinha… Então, só de imaginar que estou subindo, passando os dez, vinte, trinta, cem quilômetros… A vontade já começa a misturar-se com o medo. Deve ser uma viagem e tanto!

Segundo a notícia que li (inteirinha aqui) a nave, cujo nome é Lynx decola com um avião convencional e, no ar, se posiciona “com uma inclinação a 90 graus para alcançar sua velocidade máxima e sair da atmosfera terrestre. Uma vez no espaço, a aeronave flutuará em gravidade zero durante cinco minutos a uma altura de 100 quilômetros e depois planará em círculos até retornar a seu ponto de partida”.

O melhor da viagem, com frequência, é o antes e o depois. O “durante” é tão rápido e intenso que levamos grande tempo para digerir tudo o que vimos; tudo o que sentimos. Por isso não vejo nenhum problema em esperar até 2014, quando efetivamente ocorrerão as primeiras idas da Lynx para o espaço. Parece que a procura é grande e pode ser que a minha viagem ocorra só em 2015. Sem problemas; assim terei tempo para arranjar os US$ 107 mil da passagem.

Arranjar US$ 107 mil! Olha só que viagem! Eu, um professor; brasileiro e honesto. “sem parentes importantes; e vindo do interior” (e não sou caloteiro, como indicam as recentes notícias sobre Belchior, o autor do verso musical). Como arranjar US$ 107 mil?

Não creio que, na minha idade, vá surgir um casamento com alguma ricaça. Pela mesma razão, a idade, mais uma barriguinha que insiste em chegar aos locais antes que o dono, fica descartado a remota possibilidade de comercializar o corpinho. Resta, portanto, a esperança de todo cidadão comum: a loteria. Ou então um acaso, mas tão acaso, que não dá pra prever qual seja.

Minha amiga, quase carioca, disse-me que de tanto ver despachos em uma encruzilhada próxima, já pensa em colocar o santo de cabeça para baixo, dentro de um copo com água, até conseguir o que deseja. Enquanto voltava do final de semana fiquei pensando na viagem, na encruzilhada e se eu colocaria alguém na tal posição para conseguir viajar ao espaço. Em casa, bem ao lado do meu computador, a pequena escultura do Papai Noel… Ele que se cuide e que trate de me trazer os tais US$ 107 mil. Vou dar um prazo para esse velhinho. Enquanto isso, eu irei atrás de um copo que caiba o danado de cabeça para baixo…

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Boa semana!

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Para suavizar o final de ano

Nosso presépio, em Uberaba, Minas Gerais.

Novembro entra com tudo para com quase todo mundo. Dobra o volume de trabalho para muitos profissionais . Uma tensão danada! O  trânsito enlouquece, já que todos vão às compras, aumentando o movimento da cidade. Com frequência tudo fica sob água pesada com chuvas que prenunciam um verão difícil. No meio de todo o reboliço da cidade ressaltam-se os enfeites das decorações natalinas. Nossa triste São Paulo finge ignorar a violência e veste-se de luzes coloridas que deixam as noites menos densas, um tanto poéticas.

O natal está logo ali! Aquele logo ali de mineiro, que ainda demora pra chegar. Algumas árvores iluminadas, alguns estabelecimentos comerciais decorados e, por que não, a casa da gente? Gosto de natal. O tempo não me fez perder a esperança de tempos melhores. E, sem medo de ser feliz, gostaria de comprar presentes, muitos! E também gosto de ficar imaginando o que vou ganhar…

Há muito que faço questão de ter um presépio em casa. Minha forma preferida de trazer o Natal para dentro do nosso lar. As condições do nascimento de Cristo, as personagens envolvidas, a lembrança de um cenário que, por amor, estilizamos.

Acima de tudo, presépios, guirlandas, arranjos, árvores enfeitadas, quebram a dureza cotidiana e enchem nossas casas de esperança, sinalizando uma etapa cumprida, apontando para novas possibilidades.

Em Uberaba montamos nosso pequeno e singelo presépio. No meio de tanta violência, morte, julgamentos pesados, colocamos alguns sinais visuais para amenizar a vida. Modificamos o ambiente para que a sensação de esperança cresça e, se possível, aumente a nossa fé em tempos melhores.

Nosso presépio está montado; simples como um semáforo que alterna suas cores chamando-nos a atenção. O ano está acabando; o natal vem aí. Vamos preparar bons momentos!

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Até mais!

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O que seria da música brasileira sem eles?

Seríamos mais tristes, e nossa música seria infinitamente mais pobre. Na galeria abaixo falta gente, muita gente. Não pretendi, nem pretendo que seja completa. O post recuperado (estava no extinto Papolog) é para manifestar carinho e afeto por todos, neste Dia da Consciência Negra.

LUIZ GONZAGA, CLEMENTINA DE JESUS, PIXINGUINHA, MILTON NASCIMENTO, ZEZÉ MOTTA e PAULINHO DA VIOLA

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PENA BRANCA e XAVANTINHO, JAIR RODRIGUES, ZÉ KETTI, ROSA MARIA, LECY BRANDÃO, MARTINÁLIA

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DJAVAN, JOÃO NOGUEIRA ELIZETE CARDOSO, DONA IVONE LARA, CHICO CÉSAR e CARLINHOS BROWN

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ATAULFO ALVES, DUDU NOBRE, ISMAEL SILVA, ALAÍDE COSTA, JORGE BENJOR e JOÃO DO VALE

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LUIZ MELODIA, GILBERTO GIL, MARTINHO DA VILA, TONY GARRIDO, ZÉ KETTI e PAULA LIMA.

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Poderia escrever um pouco sobre cada um. Optei para que a lembrança do artista seja de cada um, na medida em que olhe a foto. A minha lista, bastante pessoal, é afetiva.  Se eu começar a escrever sobre toda essa gente que gosto tanto, um feriado seria pouco.

Já li críticas sobre as comemorações deste dia.  Tudo bem; acho que há razões para discutir o assunto. De qualquer forma, acredito ser um bom momento para lembrar toda essa gente maravilhosa que faz a música do nosso país.

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Bom feriado.

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– Roberto, não traga de volta o LP!

single, cd, e no comercial a expressão “compacto duplo”

Quando vi o comercial divulgando o “Compacto Duplo” de Roberto Carlos, pensei: – Bingo! Esses indivíduos sabem com quem estão falando. A mensagem estava endereçada para pessoas que sabem exatamente o que é um Compacto Duplo e que, certamente, estranhariam a expressão “CD – Single”.

Já nos habituamos com a expressão CD, que é Compact Disc, e ele vem “virgem” ou cheio de músicas, de imagens e diferentes possíveis arquivos. Agora, “CD – Single” é sempre uma dúvida, já que o dito cujo vem com uma ou várias canções. A mensagem do novo trabalho “Roberto Carlos – Esse cara sou eu” revive uma expressão que os milhões de fãs do Rei entendem bem. Se o “Brasa” lançasse um compacto simples, viriam duas canções. No atual, compacto duplo, vem quatro. A única vantagem do presente objeto: não precisa “Virar” o disco. As quatro canções, sabemos bem, estão na mesma face.

Há tantas expressões estrangeiras no mercado! Chega a irritar, principalmente quando percebemos que a idéia é “agregar valor”, ou seja, tornar a bugiganga mais cara por conta do “single”, saca! Vamos ao exemplo: o mais recente CD do cantor, “Roberto Carlos em Jerusalém”, é duplo (ou seja, dois CDs no álbum) com 11 canções no CD 1 e outras 11 canções no CD 2, e está sendo vendido por  R$ 39,80, num site que está aberto aqui, enquanto escrevo.  O CD – Single, com apenas 4 canções e dessas, duas inéditas,  custa R$ 9,90, no mesmo site. Façam as contas!

Sem mesquinharia! Não há dinheiro que pague uma boa música. O que compramos é uma reprodução, podendo ouvir quantas vezes quisermos, onde e como der vontade. O ruim é alguém mudar o nome da coisa e cobrar muito mais caro, porque o velho compacto vira “single”. Essa é uma boa forma de incentivar a pirataria, porque o povo não é trouxa e já percebeu, há muito, que gente de má fé tenta vender “singles”, como se um “single” fosse melhor que uma “canção”!

Os negociantes estão aí, sempre tentando tirar a grana da gente. Nesse momento presenciamos a volta de um nome – Compacto Duplo – em um formato diferenciado por um preço alto. O pior é retirarem um produto do mercado, alegando que o novo é melhor e, em seguida, voltam com o tal produto, agora tornado “cult” (olha aí, novamente o valor agregado!) e por isso, cobram um preço mais que abusivo.

CD e Vinil, preços absolutamente distintos para o “produto”

Para exemplificar, minha amada, idolatrada, salve, salve, Maria Bethânia: A cantora lançou o CD “Oásis de Bethânia”; belíssimo e com a qualidade que faz dela uma das mais respeitadas intérpretes desse país. O CD está por razoáveis R$ 29,90 no mercado online. Este é o 50º disco da cantora e, para comemorar a data, a gravadora (leia-se negociante!) lançou um vinil.

Vinil é o nome que popularizam para o antigo LP, ou Long-Play. Faço parte de uma geração que comprou LPs de Roberto Carlos, Wanderléa, Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e, entre outras feras, é claro, Maria Bethânia. LP era um “discão” com cerca de 6 músicas de cada lado. O vinil é o material de que são feitos os tais LPs que sumiram um tempo do mercado após o surgimento do CD, com suposta nova tecnologia, melhor som, melhor qualidade, etc. O vinil era material que riscava, furava, quebrava, enfim, algo velho e acabado.

Depois que o mercado foi infestado de CDs e até de outros formatos, resolveram reviver o LP, dizendo que este é maravilhoso, sensacional, com um som diferenciado e único e, provavelmente, por todas essas excelentes qualidades, custa  no mínimo duas vezes mais que o CD. Exemplo básico: “Oásis de Bethânia”, o CD, custa R$ 29,90. “Oásis de Bethânia”, o vinil, custa R$ 68,90. Estão me chamando de otário?

A tecnologia avança e o CD já é quase passado. Convivemos atualmente com o mp3 e outras mumunhas digitais. A “decadência” do CD já é anunciada e, provavelmente, ele desaparecerá para, algum tempo depois, voltar “cult”, como o antigo LP, atual Vinil. Quanto custaria um vinil de Roberto Carlos?

Pague quem quiser; pague mais caro quem puder. E prossigam com a “viagem na maionese” divagando sobre as diferenças sonoras entre o 78rpm (só os mais velhos conhecem este), o LP, o compacto simples, o duplo, o CD, o mp3…  E toda a aparelhagem necessária para que esses objetos possam cumprir a função. A boa música, até que merece. Mas é bom não esquecer aquela canção interpretada com propriedade por Elis Regina que dizia:

…nossos ídolos ainda são os mesmos

E as aparências não enganam não

Estão em casa guardados por Deus

Contando o vil metal…

Alguns desses ídolos, é bom prestar atenção, reclamam da falta de liberdade para gravar o que, quando, como entendem. Todavia, ficam caladinhos quando a discussão envolve o preço do disco, seja no formato que for, em suas belas casas, “contando o vil metal”. Roberto Carlos vende CDs e Compactos Duplos, assim como Maria Bethânia vende CD e Vinil. Se Roberto lançar um vinil, a máquina publicitária fará voltar o LP para o falar cotidiano. Tudo bem, desde que não esqueçamos que são meras peças da grande indústria que fatura alto, camuflando mesmices sob formatos diferenciados.

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Bom final de semana

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Nota:

Os versos acima são da música “Como nossos pais”, de Belchior.

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Lili Marlene e as escolhas humanas

O ser humano não escolhe apenas por instinto; diferente de qualquer animal, tem a capacidade de estabelecer critérios, analisar possibilidades e ponderar sobre as próprias decisões. Essa característica que coloca indivíduos em escala superior aos demais animais é um tanto mais complexa, já que existe o outro, o grupo familiar, a sociedade. Tomar uma decisão envolve ética, religião, filosofia, cultura, hábitos, a trajetória individual, a história…

Lili Marleen

“Lili Marlene” (Lili Marleen), o filme de Rainer Werner Fassbinder, é uma grande obra de arte por, entre outras qualidades, mostrar as diferentes nuances na escolha das personagens principais, uma cantora e um pianista. O cineasta alemão, morto em 1982, deixou alguns clássicos para o cinema do final do século XX. A filmografia de Fassbinder  é vasta e possibilita-nos uma visão diferenciada do mundo. Aprendemos um pouco mais com a obra do diretor.

“Lili Marlene” é baseado na história da cantora Lale Andersen. A atriz Hanna Schygulla interpreta a cantora ariana Willie, apaixonada e correspondida pelo pianista judeu Robert, papel de Giancarlo Giannini. Em plena guerra, em 1939, ela grava a canção “Lili Marleen” e a música torna-se a preferida dos soldados alemães, também admirada pelos inimigos, do outro lado do front.

Duas pessoas de raça distintas; uma canção que atravessa todas as fronteiras. Fassbinder, com essas duas situações, traça um sutil painel do ser humano frente às possibilidades de escolha. A trajetória do sucesso da canção evidencia a ascensão e queda do nazismo. Poeticamente, a guerra dá um tempo, parando por minutos, estagnada ao som da canção. As cenas com soldados imóveis, ouvindo a canção, têm mais força que qualquer arma de fogo. Já o amor entre Willie e Robert é movimento constante, intenso; o casal é levado a escolher lados, a decidir sobre comportamentos, a optar pelo próprio futuro. Com agilidade, roteiro inteligente e atores de primeiríssima qualidade, Fassbinder deixa evidente que a Grande Guerra é mais que uma simples luta de dois lados.

Escolhas! As situações cotidianas obrigaram-nos pensar um pouco mais sobre decisões, julgamentos. Porque escolher supõe julgar. E justamente por haver infinitas motivações e nuances em determinadas ações humanas é que temos que tomar cuidado com julgamentos. E se o “evidente” criminoso estiver dizendo a verdade? Quais as reais intenções daquela decisão do governante?  O juiz teria visto ou não a mão que tocou a bola? Na televisão escolheram o cantor porque é bom ou por ser bonito? Quais motivações movem a ação de relatores e ministros?

Lili Marleen
A guerra: pano de fundo que determina escolhas!

Opinamos baseando-nos em fatos. Escolhemos em função do que determinamos enquanto correto; todavia, nem tudo é o que parece e a história carrega fartos exemplos de mentiras que foram celebradas como verdade, de heróis que foram grandes bandidos e de criminosos que não passaram de vítimas das circunstâncias. Lale Andersen foi uma notável intérprete  alemã em pleno nazismo. Elis Regina cantou para os militares em plena ditadura.  Fassbinder mostra que Lale, através da personagem Willie, foi outra pessoa, assim como sabemos que Elis só cantou nas Olimpíadas do Exército, em 1972,  porque sentiu-se pressionada.

Ponderar os fatos com a devida cautela e perceber além do aparente; posturas que só o ser humano pode adotar. “Lili Marlene” levou-me a pensar sobre isso. Não é nada demais refletir um pouco sobre essa capacidade tão humana perante tantas histórias que infestam nosso cotidiano.

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Boa semana para todos!

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Quantos morrerão nessa guerra?

Quinta-feira, durante uma avaliação, havia uma aluna muito nervosa. Ela queria voltar logo para casa, por conta de um “toque de recolher”. A garota mora na zona norte da cidade de São Paulo. Na quarta, um amigo, que mora no outro extremo, também deixou a escola por conta de situação similar. São dois jovens sem sinais de histeria; o medo é real, a situação absurda.

Os números oficiais são assustadores. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública estadual, a SSP-SP, entre janeiro e setembro deste ano, a violência gerou 982 mortes de civis e 90 de policiais. Outros números, infelizmente, comprovam que vivemos um capítulo mais denso dessa novela que não acaba: Em setembro de 2011 tivemos 71 mortes. Em setembro de 2012, foram 139 (95% de aumento!).

Se no ano passado, só no mês de setembro, já tivemos 71 mortes, qual a razão da demora para buscar soluções? Para o poder público 71 mortes não contam, é isso? Como tivemos esse aumento imenso – 139 mortes só no mês de setembro – surgiu uma Agência de Atuação Integrada. O incrível é que só agora, em 2012, surge uma agência para unir governo estadual e federal em ação contra a violência! Não aconteceu antes por conta de pinimbas partidárias? Deixaram a coisa piorar por evitarem alianças em tempos de eleição?

Quem segue de perto o noticiário viu que havia uma “briguinha” entre o Ministro da Justiça e o Secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ou seja, enquanto arde a fogueira das vaidades e outros interesses não revelados imperam, o número de mortos vai aumentando. E só agora, após as eleições, o Governador do Estado (PSDB) e a Presidenta da República (PT) interferiram, acabando com a desavença dos compadres. Quais motivos justificam tanta demora?

Incomoda muito a banalidade com que a situação é tratada. Pessoas estão morrendo. E o que não fica totalmente claro é a identidade de todos esses mortos. Quantos inocentes caíram nessa batalha?  Com 90 policiais mortos, como as forças militares estão combatendo a corrupção dentro da instituição, para evitar que presos perigosos possam agir, mesmo dentro das prisões? Quantos transeuntes morreram vítimas de balas endereçadas a outros?

Cidadão comum, receio apontar causas. Percebo notícias distorcidas, e silêncios convenientes como o que houve no último debate para a prefeitura de São Paulo; a violência foi praticamente ignorada na conversa dos candidatos; tenho certeza que o político, muito esperto, vai justificar que a segurança é responsabilidade das esferas estaduais e federais. Mas o problema está aí, afetando o município. Também sei que temos um sistema político organizado e o processo eleitoral brasileiro é exemplar em eficiência e utilização de tecnologia. Só não entendo como não conseguimos levar toda essa competência para a solução de problemas vitais para a tranquilidade da população.

Nossos políticos regulam com eficácia o processo eleitoral, são ágeis em aumentar os próprios salários e mais ágeis ainda para livrarem-se de processos quando pegos em falcatruas. Temos uma economia invejável e um crescimento incontestável, os números comprovam, mas não apresentamos resultados similares na saúde, na educação e na segurança pública. Com toda a competência que podemos comprovar, resta concluir que falta o que comumente se denomina vontade política.

Somos cidadãos comuns desarmados e sem poder bélico. Queremos viver com dignidade; temos o direito de transitar sem medo pelas ruas e avenidas da nossa cidade. Precisamos trabalhar e estudar, passear, ir ao médico e, acima de tudo, queremos terminar o dia com vida.

982 civis, 90 de policiais: 1072 mortos! É gente demais! Não podemos banalizar essa situação. É bem provável que a onda de crimes diminua ante as atividades de final de ano; então, o maior receio é de que venhamos a enfrentar mais 30, 40% de aumento da violência em 2013, outro tanto em 2014, o dobro em 2015… Nossos dirigentes guardados por fortes esquemas de segurança e a população à mercê de balas perdidas. Quantos ainda morrerão nessa guerra?

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Até mais!

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Nota:

Leia aqui um texto diferente do que vem sendo informado sobre a situação.