Novembro entra com tudo para com quase todo mundo. Dobra o volume de trabalho para muitos profissionais . Uma tensão danada! O trânsito enlouquece, já que todos vão às compras, aumentando o movimento da cidade. Com frequência tudo fica sob água pesada com chuvas que prenunciam um verão difícil. No meio de todo o reboliço da cidade ressaltam-se os enfeites das decorações natalinas. Nossa triste São Paulo finge ignorar a violência e veste-se de luzes coloridas que deixam as noites menos densas, um tanto poéticas.
O natal está logo ali! Aquele logo ali de mineiro, que ainda demora pra chegar. Algumas árvores iluminadas, alguns estabelecimentos comerciais decorados e, por que não, a casa da gente? Gosto de natal. O tempo não me fez perder a esperança de tempos melhores. E, sem medo de ser feliz, gostaria de comprar presentes, muitos! E também gosto de ficar imaginando o que vou ganhar…
Há muito que faço questão de ter um presépio em casa. Minha forma preferida de trazer o Natal para dentro do nosso lar. As condições do nascimento de Cristo, as personagens envolvidas, a lembrança de um cenário que, por amor, estilizamos.
Acima de tudo, presépios, guirlandas, arranjos, árvores enfeitadas, quebram a dureza cotidiana e enchem nossas casas de esperança, sinalizando uma etapa cumprida, apontando para novas possibilidades.
Em Uberaba montamos nosso pequeno e singelo presépio. No meio de tanta violência, morte, julgamentos pesados, colocamos alguns sinais visuais para amenizar a vida. Modificamos o ambiente para que a sensação de esperança cresça e, se possível, aumente a nossa fé em tempos melhores.
Nosso presépio está montado; simples como um semáforo que alterna suas cores chamando-nos a atenção. O ano está acabando; o natal vem aí. Vamos preparar bons momentos!
Seríamos mais tristes, e nossa música seria infinitamente mais pobre. Na galeria abaixo falta gente, muita gente. Não pretendi, nem pretendo que seja completa. O post recuperado (estava no extinto Papolog) é para manifestar carinho e afeto por todos, neste Dia da Consciência Negra.
LUIZ GONZAGA, CLEMENTINA DE JESUS, PIXINGUINHA, MILTON NASCIMENTO, ZEZÉ MOTTA e PAULINHO DA VIOLA
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PENA BRANCA e XAVANTINHO, JAIR RODRIGUES, ZÉ KETTI, ROSA MARIA, LECY BRANDÃO, MARTINÁLIA
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DJAVAN, JOÃO NOGUEIRA ELIZETE CARDOSO, DONA IVONE LARA, CHICO CÉSAR e CARLINHOS BROWN
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ATAULFO ALVES, DUDU NOBRE, ISMAEL SILVA, ALAÍDE COSTA, JORGE BENJOR e JOÃO DO VALE
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LUIZ MELODIA, GILBERTO GIL, MARTINHO DA VILA, TONY GARRIDO, ZÉ KETTI e PAULA LIMA.
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Poderia escrever um pouco sobre cada um. Optei para que a lembrança do artista seja de cada um, na medida em que olhe a foto. A minha lista, bastante pessoal, é afetiva. Se eu começar a escrever sobre toda essa gente que gosto tanto, um feriado seria pouco.
Já li críticas sobre as comemorações deste dia. Tudo bem; acho que há razões para discutir o assunto. De qualquer forma, acredito ser um bom momento para lembrar toda essa gente maravilhosa que faz a música do nosso país.
single, cd, e no comercial a expressão “compacto duplo”
Quando vi o comercial divulgando o “Compacto Duplo” de Roberto Carlos, pensei: – Bingo! Esses indivíduos sabem com quem estão falando. A mensagem estava endereçada para pessoas que sabem exatamente o que é um Compacto Duplo e que, certamente, estranhariam a expressão “CD – Single”.
Já nos habituamos com a expressão CD, que é Compact Disc, e ele vem “virgem” ou cheio de músicas, de imagens e diferentes possíveis arquivos. Agora, “CD – Single” é sempre uma dúvida, já que o dito cujo vem com uma ou várias canções. A mensagem do novo trabalho “Roberto Carlos – Esse cara sou eu” revive uma expressão que os milhões de fãs do Rei entendem bem. Se o “Brasa” lançasse um compacto simples, viriam duas canções. No atual, compacto duplo, vem quatro. A única vantagem do presente objeto: não precisa “Virar” o disco. As quatro canções, sabemos bem, estão na mesma face.
Há tantas expressões estrangeiras no mercado! Chega a irritar, principalmente quando percebemos que a idéia é “agregar valor”, ou seja, tornar a bugiganga mais cara por conta do “single”, saca! Vamos ao exemplo: o mais recente CD do cantor, “Roberto Carlos em Jerusalém”, é duplo (ou seja, dois CDs no álbum) com 11 canções no CD 1 e outras 11 canções no CD 2, e está sendo vendido por R$ 39,80, num site que está aberto aqui, enquanto escrevo. O CD – Single, com apenas 4 canções e dessas, duas inéditas, custa R$ 9,90, no mesmo site. Façam as contas!
Sem mesquinharia! Não há dinheiro que pague uma boa música. O que compramos é uma reprodução, podendo ouvir quantas vezes quisermos, onde e como der vontade. O ruim é alguém mudar o nome da coisa e cobrar muito mais caro, porque o velho compacto vira “single”. Essa é uma boa forma de incentivar a pirataria, porque o povo não é trouxa e já percebeu, há muito, que gente de má fé tenta vender “singles”, como se um “single” fosse melhor que uma “canção”!
Os negociantes estão aí, sempre tentando tirar a grana da gente. Nesse momento presenciamos a volta de um nome – Compacto Duplo – em um formato diferenciado por um preço alto. O pior é retirarem um produto do mercado, alegando que o novo é melhor e, em seguida, voltam com o tal produto, agora tornado “cult” (olha aí, novamente o valor agregado!) e por isso, cobram um preço mais que abusivo.
CD e Vinil, preços absolutamente distintos para o “produto”
Para exemplificar, minha amada, idolatrada, salve, salve, Maria Bethânia: A cantora lançou o CD “Oásis de Bethânia”; belíssimo e com a qualidade que faz dela uma das mais respeitadas intérpretes desse país. O CD está por razoáveis R$ 29,90 no mercado online. Este é o 50º disco da cantora e, para comemorar a data, a gravadora (leia-se negociante!) lançou um vinil.
Vinil é o nome que popularizam para o antigo LP, ou Long-Play. Faço parte de uma geração que comprou LPs de Roberto Carlos, Wanderléa, Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e, entre outras feras, é claro, Maria Bethânia. LP era um “discão” com cerca de 6 músicas de cada lado. O vinil é o material de que são feitos os tais LPs que sumiram um tempo do mercado após o surgimento do CD, com suposta nova tecnologia, melhor som, melhor qualidade, etc. O vinil era material que riscava, furava, quebrava, enfim, algo velho e acabado.
Depois que o mercado foi infestado de CDs e até de outros formatos, resolveram reviver o LP, dizendo que este é maravilhoso, sensacional, com um som diferenciado e único e, provavelmente, por todas essas excelentes qualidades, custa no mínimo duas vezes mais que o CD. Exemplo básico: “Oásis de Bethânia”, o CD, custa R$ 29,90. “Oásis de Bethânia”, o vinil, custa R$ 68,90. Estão me chamando de otário?
A tecnologia avança e o CD já é quase passado. Convivemos atualmente com o mp3 e outras mumunhas digitais. A “decadência” do CD já é anunciada e, provavelmente, ele desaparecerá para, algum tempo depois, voltar “cult”, como o antigo LP, atual Vinil. Quanto custaria um vinil de Roberto Carlos?
Pague quem quiser; pague mais caro quem puder. E prossigam com a “viagem na maionese” divagando sobre as diferenças sonoras entre o 78rpm (só os mais velhos conhecem este), o LP, o compacto simples, o duplo, o CD, o mp3… E toda a aparelhagem necessária para que esses objetos possam cumprir a função. A boa música, até que merece. Mas é bom não esquecer aquela canção interpretada com propriedade por Elis Regina que dizia:
…nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências não enganam não
Estão em casa guardados por Deus
Contando o vil metal…
Alguns desses ídolos, é bom prestar atenção, reclamam da falta de liberdade para gravar o que, quando, como entendem. Todavia, ficam caladinhos quando a discussão envolve o preço do disco, seja no formato que for, em suas belas casas, “contando o vil metal”. Roberto Carlos vende CDs e Compactos Duplos, assim como Maria Bethânia vende CD e Vinil. Se Roberto lançar um vinil, a máquina publicitária fará voltar o LP para o falar cotidiano. Tudo bem, desde que não esqueçamos que são meras peças da grande indústria que fatura alto, camuflando mesmices sob formatos diferenciados.
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Bom final de semana
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Nota:
Os versos acima são da música “Como nossos pais”, de Belchior.
O ser humano não escolhe apenas por instinto; diferente de qualquer animal, tem a capacidade de estabelecer critérios, analisar possibilidades e ponderar sobre as próprias decisões. Essa característica que coloca indivíduos em escala superior aos demais animais é um tanto mais complexa, já que existe o outro, o grupo familiar, a sociedade. Tomar uma decisão envolve ética, religião, filosofia, cultura, hábitos, a trajetória individual, a história…
“Lili Marlene” (Lili Marleen), o filme de Rainer Werner Fassbinder, é uma grande obra de arte por, entre outras qualidades, mostrar as diferentes nuances na escolha das personagens principais, uma cantora e um pianista. O cineasta alemão, morto em 1982, deixou alguns clássicos para o cinema do final do século XX. A filmografia de Fassbinder é vasta e possibilita-nos uma visão diferenciada do mundo. Aprendemos um pouco mais com a obra do diretor.
“Lili Marlene” é baseado na história da cantora Lale Andersen. A atriz Hanna Schygulla interpreta a cantora ariana Willie, apaixonada e correspondida pelo pianista judeu Robert, papel de Giancarlo Giannini. Em plena guerra, em 1939, ela grava a canção “Lili Marleen” e a música torna-se a preferida dos soldados alemães, também admirada pelos inimigos, do outro lado do front.
Duas pessoas de raça distintas; uma canção que atravessa todas as fronteiras. Fassbinder, com essas duas situações, traça um sutil painel do ser humano frente às possibilidades de escolha. A trajetória do sucesso da canção evidencia a ascensão e queda do nazismo. Poeticamente, a guerra dá um tempo, parando por minutos, estagnada ao som da canção. As cenas com soldados imóveis, ouvindo a canção, têm mais força que qualquer arma de fogo. Já o amor entre Willie e Robert é movimento constante, intenso; o casal é levado a escolher lados, a decidir sobre comportamentos, a optar pelo próprio futuro. Com agilidade, roteiro inteligente e atores de primeiríssima qualidade, Fassbinder deixa evidente que a Grande Guerra é mais que uma simples luta de dois lados.
Escolhas! As situações cotidianas obrigaram-nos pensar um pouco mais sobre decisões, julgamentos. Porque escolher supõe julgar. E justamente por haver infinitas motivações e nuances em determinadas ações humanas é que temos que tomar cuidado com julgamentos. E se o “evidente” criminoso estiver dizendo a verdade? Quais as reais intenções daquela decisão do governante? O juiz teria visto ou não a mão que tocou a bola? Na televisão escolheram o cantor porque é bom ou por ser bonito? Quais motivações movem a ação de relatores e ministros?
A guerra: pano de fundo que determina escolhas!
Opinamos baseando-nos em fatos. Escolhemos em função do que determinamos enquanto correto; todavia, nem tudo é o que parece e a história carrega fartos exemplos de mentiras que foram celebradas como verdade, de heróis que foram grandes bandidos e de criminosos que não passaram de vítimas das circunstâncias. Lale Andersen foi uma notável intérprete alemã em pleno nazismo. Elis Regina cantou para os militares em plena ditadura. Fassbinder mostra que Lale, através da personagem Willie, foi outra pessoa, assim como sabemos que Elis só cantou nas Olimpíadas do Exército, em 1972, porque sentiu-se pressionada.
Ponderar os fatos com a devida cautela e perceber além do aparente; posturas que só o ser humano pode adotar. “Lili Marlene” levou-me a pensar sobre isso. Não é nada demais refletir um pouco sobre essa capacidade tão humana perante tantas histórias que infestam nosso cotidiano.
Quinta-feira, durante uma avaliação, havia uma aluna muito nervosa. Ela queria voltar logo para casa, por conta de um “toque de recolher”. A garota mora na zona norte da cidade de São Paulo. Na quarta, um amigo, que mora no outro extremo, também deixou a escola por conta de situação similar. São dois jovens sem sinais de histeria; o medo é real, a situação absurda.
Os números oficiais são assustadores. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública estadual, a SSP-SP, entre janeiro e setembro deste ano, a violência gerou 982 mortes de civis e 90 de policiais. Outros números, infelizmente, comprovam que vivemos um capítulo mais denso dessa novela que não acaba: Em setembro de 2011 tivemos 71 mortes. Em setembro de 2012, foram 139 (95% de aumento!).
Se no ano passado, só no mês de setembro, já tivemos 71 mortes, qual a razão da demora para buscar soluções? Para o poder público 71 mortes não contam, é isso? Como tivemos esse aumento imenso – 139 mortes só no mês de setembro – surgiu uma Agência de Atuação Integrada. O incrível é que só agora, em 2012, surge uma agência para unir governo estadual e federal em ação contra a violência! Não aconteceu antes por conta de pinimbas partidárias? Deixaram a coisa piorar por evitarem alianças em tempos de eleição?
Quem segue de perto o noticiário viu que havia uma “briguinha” entre o Ministro da Justiça e o Secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ou seja, enquanto arde a fogueira das vaidades e outros interesses não revelados imperam, o número de mortos vai aumentando. E só agora, após as eleições, o Governador do Estado (PSDB) e a Presidenta da República (PT) interferiram, acabando com a desavença dos compadres. Quais motivos justificam tanta demora?
Incomoda muito a banalidade com que a situação é tratada. Pessoas estão morrendo. E o que não fica totalmente claro é a identidade de todos esses mortos. Quantos inocentes caíram nessa batalha? Com 90 policiais mortos, como as forças militares estão combatendo a corrupção dentro da instituição, para evitar que presos perigosos possam agir, mesmo dentro das prisões? Quantos transeuntes morreram vítimas de balas endereçadas a outros?
Cidadão comum, receio apontar causas. Percebo notícias distorcidas, e silêncios convenientes como o que houve no último debate para a prefeitura de São Paulo; a violência foi praticamente ignorada na conversa dos candidatos; tenho certeza que o político, muito esperto, vai justificar que a segurança é responsabilidade das esferas estaduais e federais. Mas o problema está aí, afetando o município. Também sei que temos um sistema político organizado e o processo eleitoral brasileiro é exemplar em eficiência e utilização de tecnologia. Só não entendo como não conseguimos levar toda essa competência para a solução de problemas vitais para a tranquilidade da população.
Nossos políticos regulam com eficácia o processo eleitoral, são ágeis em aumentar os próprios salários e mais ágeis ainda para livrarem-se de processos quando pegos em falcatruas. Temos uma economia invejável e um crescimento incontestável, os números comprovam, mas não apresentamos resultados similares na saúde, na educação e na segurança pública. Com toda a competência que podemos comprovar, resta concluir que falta o que comumente se denomina vontade política.
Somos cidadãos comuns desarmados e sem poder bélico. Queremos viver com dignidade; temos o direito de transitar sem medo pelas ruas e avenidas da nossa cidade. Precisamos trabalhar e estudar, passear, ir ao médico e, acima de tudo, queremos terminar o dia com vida.
982 civis, 90 de policiais: 1072 mortos! É gente demais! Não podemos banalizar essa situação. É bem provável que a onda de crimes diminua ante as atividades de final de ano; então, o maior receio é de que venhamos a enfrentar mais 30, 40% de aumento da violência em 2013, outro tanto em 2014, o dobro em 2015… Nossos dirigentes guardados por fortes esquemas de segurança e a população à mercê de balas perdidas. Quantos ainda morrerão nessa guerra?
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Até mais!
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Nota:
Leia aqui um texto diferente do que vem sendo informado sobre a situação.
Domingo, dizem, é dia de descanso para repor energias. Além do repouso cabe um pouco de distração para relaxar, diminuir o estresse. Expectativa maior do dia era ver o desempenho de Juliana Gomes no programa “The Voice”. A jovem cantora, nascida em Uberaba, promete ir muito além desse primeiro passo nacional e o programa está com um excelente nível de candidatos.
Programa de televisão é aquela coisa, ninguém pode ter ilusões: quer audiência e a partir desta, faturar bastante. As coisas em televisão costumam ser rápidas, sem que se dê tempo para muita reflexão, ponderações adequadas e, quando a gente menos percebe, já acabou. E foi assim, com uma rápida apresentação da matemática do programa que o apresentador Tiago Leifert, informou que os “times” estavam completos e, dali para frente, seria “mata-mata”. Hein?
De acordo com as regras do programa cada artista – “Técnico” de um determinado grupo de concorrentes – tem um número máximo de jovens talentos para prosseguir em frente. Nove, se entendi bem. No início do programa de hoje valia a escolha de um concorrente, pelo “técnico”, e o outro poderia ser salvo pelos demais artistas-técnicos. Quando nenhum artista escolhe o candidato, este fica fora do programa. Perfeito. A questão é que esse critério valeu apenas para os primeiros concorrentes. Três outros ficaram de fora, pois com os times “cheios”, não puderam receber o voto que os manteria na competição.
Juliana Gomes formou a última dupla concorrente, ao lado de Thalita Pertuzatti. Não vi a primeira apresentação de Thalita, mas recordo que os quatro “técnicos” acionaram o dispositivo garantindo a presença de Juliana Gomes na segunda etapa. Ou seja, na primeira etapa, Lulu Santos, Daniel e Carlinhos Brown quiseram Juliana em seus times, quando a mineira escolheu Claudia Leitte. Na segunda etapa, por uma regra que valeu apenas para os últimos concorrentes, Juliana Gomes não pode ser escolhida, “salva” no jargão do programa, por um dos que votaram nela na primeira fase.
Não vou discutir os critérios de Claudia Leitte ao escolher Thalita Pertuzatti. Vou insistir na crítica, visível para quem viu e quiser ver o vídeo de apresentação das duas cantoras, de que a escolha da música, feita por Claudia Leitte, prejudicou Juliana Gomes. Vou insistir também na revolta dos fãs de todos os concorrentes que não foram beneficiados pelo “salvamento”, por uma regra que contempla quem participa no princípio do programa.
Acredito na voz e no carisma de Juliana Gomes. Gostei do fato de que esse programa deu visibilidade nacional para essa talentosa menina. Quando da primeira apresentação da garota, tendo escrito aqui sobre o fato, recebi mensagem de uma empresária, pedindo-me para que entrasse em contato com a cantora, já que era desejo da empresária contratar a menina. Um sinal do que pode ocorrer no futuro; portanto, de minha parte, vou continuar colaborando nessa ponte, pois desejo êxito para a cantora Juliana Gomes. Quanto ao programa… Lamentável! Que os concorrentes que lá permaneceram não sofram injustiças, nem sejam prejudicados por regras equivocadas.
Vale refletir sobre a visão do artista. Michelangelo sabia como veríamos o teto da capela papal.
A Igreja Católica comemora os quinhentos anos da Capela Sistina, que foi aberta ao público no dia 1 de Novembro de 1512. O trabalho de Michelangelo foi encomendado pelo Papa Júlio II. Entre as histórias que envolvem esse momento histórico, consta que Michelangelo não queria pintar a capela, pois preferia a escultura à pintura. Mas o Papa Júlio II não era do tipo de sujeito para ser contrariado. Dois indivíduos de gênio forte; com certeza foi um relacionamento tenso.
Seria fantástico visitar a Capela Sistina no meio da madrugada, ou nas primeiras horas da manhã, antes da entrada dos visitantes. É um local para ser contemplado, demoradamente contemplado, o que é muito difícil pela grande quantidade de turistas; afirma-se cerca de 10 mil diariamente, dobrando para 20 mil em dias de pico.
Estivemos lá, minha irmã e eu, e sinto-me bastante privilegiado por isso. Foi durante um curso de arte e chegamos à Capela Sistina após conhecer a escultura de Moisés, do próprio Michelangelo, que seria parte do conjunto escultórico para o túmulo do Papa Júlio II; também já havíamos passado pelo Capitólio e, na Basílica de São Pedro, havíamos parado para observar atentamente a Pietá. A Capela Sistina é um “golpe de misericórdia” em alguém que tente não sucumbir ao gênio de Michelangelo.
Pensada originalmente como capela papal privada, a Capela Sistina tem a função primordial de sediar os conclaves onde são eleitos os Papas.
No Museu do Vaticano recordo uma aula extensa, com uma professora que havia trabalhado na restauração do altar mor. Arte e história com uma riqueza de detalhes minuciosos, impressionantes. Tivemos como ilustração da aula dois imensos painéis reproduzindo o teto e o altar, e ainda outro, com as paredes laterais com cenas da vida de Moisés de um lado e, do outro, cenas da vida de Jesus Cristo. A aula foi concluída com a visita e ainda uma conclusão, para dúvidas finais.
Antes de entrar na Capela, passamos pelos quartos, pintados por Rafael Sanzio. Conta-se que os quartos papais foram destinados ao trabalho de Rafael, já que a Capela Sistina, originalmente criada para as orações privadas do Papa, havia sido destinada ao rival Michelangelo. Não vimos parte desses quartos, pois estavam em restauração, assim como parte da parede esquerda da Capela Sistina, que também estava sendo restaurada. Todavia, foi possível admirar a Escola de Atenas, na Stanza della Segnatura.
Nada é muito calmo e tranquilo durante a visita, apesar do clima respeitoso dentro da Capela. Padres com suas batinas negras, pesadas, organizam o ambiente, apressando todo mundo para que mais pessoas possam ter o prazer de conhecer o local. Pedem silêncio e “tocam a boiada” com eficiência e é por isso que os milhares de turistas que passam por Roma têm a oportunidade de contemplar o local. O tempo é escasso para observar os 1.100 metros quadrados do teto. Sem contar que ainda há as paredes laterais e o altar mor que merecem igual observação.
Neste momento o foco está no teto, com a comemoração dos quinhentos anos; logo será a vez de comemorar o aniversário do altar mor. Este foi pintado entre os anos de 1536 e 1541, duas décadas após a pintura do teto. O altar mor é estilisticamente muito diferente do teto e já anuncia as características iniciais do Barroco. Assim, o teto da Capela Sistina é o ápice do Renascimento e o altar mor, com a obra denominada “O Juízo Final”, com sua intensa expressividade, abre o espaço terreno tanto para o céu quanto para o inferno. Michelangelo é o grande mestre.
O Juízo Final, o imenso trabalho que recobre o altar mor, exemplo concreto da maturidade criativa de Michelangelo.
A Capela Sistina é apenas um detalhe do imenso complexo que é o Museu do Vaticano. Há roteiros diferenciados para visitar o local que, além das obras nos espaços internos, conta com um maravilhoso jardim também cheio de obras de arte. Todo esse imenso patrimônio foi amealhado durante dois milênios, contribuindo para as especulações e críticas sobre os tesouros da igreja católica.
Eu sou grato a quem soube preservar tão valioso patrimônio histórico e artístico. As obras de arte estão lá, para conhecimento e deleite de todos, independendo de religião. Por uma longa trajetória histórica estão sob a guarda da Igreja. Na França e Inglaterra, por exemplo, estão em instituições mantidas por governantes laicos. Tanto a Igreja quanto o Estado são eficientes na manutenção do patrimônio histórico e artístico universal. Ainda mais, souberam transformar esse patrimônio em fonte de divisas, atraindo turistas de todo do planeta.
Henrique VIII, ao romper com a Igreja Católica, favoreceu rumos muito diferentes para a arte na Inglaterra renascentista (lá, tivemos Shakespeare!). Da mesma forma, a posterior ação de Napoleão III, na França, ao criar o “Salão dos Excluídos” contribuiu para que o público parisiense tivesse conhecimento da primeira geração do Impressionismo. Religiosos ou leigos, os seres humanos garantem a sobrevivência de grandes trabalhos artísticos e essa é uma atitude para ser respeitada e imitada.
Creio ser esta a imagem mais popular da Capela. A “Criação de Adão” ocupa o espaço central do imenso teto. É um afresco de 280 cm x 570 cm.
Espero que, nos próximos dias, ocorram muitas reportagens sobre a Capela Sistina por todas as emissoras de televisão, em jornais, revistas, internet. Minha singela contribuição é esta que, espero, desperte um pouquinho da curiosidade das pessoas para essa maravilha da criação de Michelangelo.