Parceiros na estrada

Vamos em frente! A estrada ainda é longa, vamos caminhar!

Quero apresentar meus parceiros neste trabalho, “Um profissional para 2020”. Com a informalidade que nossas relações permite e que, se eu conseguir escrever legal,  facilitará ao leitor conhecer um aspecto humano de cada um dos autores, meus amigos. Tente imaginar um ambiente tranquilo, uma pizzaria, local onde muitas idéias foram trocadas. E para apresentá-los, eu faria assim:

Cae (Carlos Eduardo) é psicólogo; logo, há uma leve tendência para discutir a relação. Rapaz sério, do tipo aplicado que, se adolescente, seria nerd. Todo equilíbrio do cidadão entra em colapso quando, em campo, o Corinthians perde.

Claudia sorri sempre. Profissional de mídia, sabe quase tudo; discreta, revela aos poucos. Ponderada, sabe negociar e, ultimamente vem ensinando-me a manter o tal sorriso nas adversidades. A grande negociadora neste projeto.

Luis Américo sabe tudo de varejo. Feito para essa área é elegante e de fino trato. Quando ele está entre nós a gentileza flui por atacado. Trabalha muito; tanto que um dia pode até entrar para a lista das grandes fortunas entre os professores brasileiros…  (Fenômeno!)

Vania de Toledo trabalha com pesquisa, ou seja, diplomata. Tem aquele jeito para armar perguntas educadas, nos mais rígidos padrões do “por favor”, “obrigada”, “com licença”… Parece frágil, mas é de uma persistência inabalável.

Victor é aquele do marketing que, quando todos ficam descontrolados, fica frio e segura as pontas, analisa e aponta soluções viáveis. Como a humanidade não é puro marketing, pode discorrer sobre Caetano Veloso e doenças pulmonares… (???)

Brengel, o Fernando, é publicitário; ou seja, emocional, festivo, amoroso. Criativo, pode pintar, bordar e criar peças, muitas peças. Entre as suas criações mais recentes: narração comentada online de novelas. Patente registrada.

Regina já foi descrita aqui, em outra oportunidade. Eu não perderia a chance de um pequeno golpe: veja mais uma página deste blog e saiba mais sobre a professora!

No centro da foto (sim, comecei pela esquerda e segui, sentido horário) está Vania Maria, a moça dos resíduos sólidos, gestão ambiental e outras questões deste século XXI. A moça manja de ecorrelações … (hein? não, ela não abraça árvores!)

E assim estamos, mais uma vez, na estrada. Para este percurso outros agregados; Cae trouxe Elen e Regina Luppi; já Regina, a Cavalieri, nos trouxe a Kelly Cristiane; o livro pronto, e Victor apresentou nosso trabalho ao professor Mitsuru Yanaze. E há todo um pessoal na composição do livro, na edição, na revisão, no marketing… parcerias nascentes que serão oficialmente apresentadas para todos no dia 19 de setembro, 18h30, na Livraria Martins Fontes, 509, em São Paulo.

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Até mais!

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Nota: os nomes completos e corretos do pessoal citado:  Carlos Eduardo Costa, Claudia Regina Bouman Olszenski, Elen Gongora Moreira, Fernando Brengel, Kelly Cristiane da Silva, Luis Américo Tancsik, Mitsuru Higuchi Yanaze, Regina Cavalieri, Regina Ferreira Luppi, Vania de Toledo Piza, Vania Maria Lourenço Sanches, Victor Olszenski.

Um profissional para 2020

Caríssimos

Mistério desfeito. 10 autores, entre os quais me incluo, lançaremos a obra “Um profissional para 2020”. Conto com vocês nesse momento tão especial para todos nós. Como organizador apresento o projeto no primeiro vídeo e, no segundo, o meu capítulo. Entrem na página do Youtube e vejam outros videos do projeto. Agradeço desde já a atenção e carinho de todos.

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Até mais!

Tripulação Identificada

1 – Carlos Eduardo Costa – 2 – Vania de Toledo Piza – 3 – Vania Maria Lourenço Sanches

4 – Mitsuru  Higuchi Yanaze – 5 – Elen Gongora Moreira – 6 – Luis Américo Tancsik

7 – Victor Olszenski – 8 – Regina Cavalieri – 9 – Fernando Brengel

10 – Claudia Regina Bouman Olszenski – 11 – Valdo Resende (Intimamente identificado como “Eulindo”)

12 – Kelly Cristiane da Silva – 13 – Regina Ferreira Luppi

Um vídeo pela paz e trinta e seis aviões caça

Hoje recebi por e-mail um vídeo que é uma magnifica ação pela paz. O vídeo foi postado originalmente em março deste ano e, até agora, não creio ter tido a divulgação merecida. Nele, um jovem professor e designer, de Israel, envia mensagem de amor e paz ao Iran. Já ia deixando o vídeo cair no esquecimento quando li:

Brasil e França voltam a discutir em

novembro venda de aviões de caça

O Brasil negocia com a francesa Dassault, a sueca Saab e a Boeing, norte-americana. No negócio com os franceses, além dos 36 caças, está em pauta a compra de quatro submarinos e cinquenta helicópteros.  Tudo pela paz… do bolso de quem ganha comissões para comprar e ou vender armas. Veja a notícia completa clicando aqui.

Não precisamos de armas. Não precisamos de guerras! A mensagem do jovem professor deve ser propagada.

Fica aqui um humilde pedido pela paz. E um desejo sincero de que as pessoas tomem conhecimento desses fatos para que possam ampliar o apelo e assim, pressionar aqueles que, com dinheiro público, sustentam guerras que não interessam aos povos.

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Até mais!

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A falecida, uma morte e a suicida

Conhecer Nelson Rodrigues através dos textos agradáveis que ele escreveu é muito bom; filmes e especiais de TV com adaptações de sua obra agradam bastante. Todavia, é no teatro que se concretiza a magia do dramaturgo excepcional, com uma obra que merece as constantes montagens. De 1943 para cá, desde a estréia de “Vestido de Noiva”, Nelson Rodrigues é a referência obrigatória no dia-a-dia do teatro brasileiro.

Lembrando o centenário do autor, comemorado dia 23, quero registrar os dois encontros que tive com o teatro de Nelson Rodrigues. Vim morar em São Paulo em 1980 quando o Teatro Popular do SESI apresentava “A Falecida”, direção de Osmar Rodrigues Cruz, com Nize Silva como Zulmira. Guardei como objeto precioso o programa da peça.

O programa da peça, primeiro da minha coleção.

Meu primeiro grande impacto foi visual. O deslumbrante cenário de Flávio Império deixou o mineirinho de boca aberta. Com economia de elementos, o cenógrafo criou espaços luxuosos imensos, pequenos espaços populares como um bar (deste lembro uma mesa de sinuca, reclinada para facilitar a visualização da platéia) e provocando em todos, na cena final, a absoluta sensação de que estávamos no Maracanã, no meio da torcida do Vasco.

Nize Silva é uma ótima atriz, interpretando a suburbana que, nas palavras do próprio Nelson Rodrigues “uma mulher da classe média que, um belo dia, se convence de que é um fracasso como esposa, amante e em todos os sentidos. E começa a pensar. Então vai nascendo dentro dela, elaborado lentamente, que o ideal seria morrer, para ter um enterro de luxo, tudo aquilo que a vida não lhe deu”. A personagem gasta suas últimas energias para obter esse enterro. A ironia de Nelson Rodrigues mistura-se ao cômico, ao trágico.

Dessa montagem recordo, com emoção, a oportunidade de ver Elias Gleiser no papel de Timbira. Até então só conhecia esse grande ator via televisão. Estive muitas vezes vendo a montagem. Minhas noites eram livres e eu tentava descobrir os truques do cenógrafo, ria sempre com Elias Gleiser, ficava encantado com Nize Silva e me deliciava com a vingança de Tuninho, o marido traído, apostando o dinheiro do amante da esposa no Vasco com todo o público do Maracanã.

Anos depois minha vida tinha mudado radicalmente. Comecei a trabalhar com Antunes Filho, no Centro de Pesquisa Teatral do SESC Vila Nova, o CPT. Ensaiávamos e criávamos novos trabalhos em tardes intensas. O Grupo de Teatro Macunaíma apresentava três encenações, dentro de um projeto de teatro de repertório. A adaptação de Macunaíma,  a histórica montagem de Romeu e Julieta tendo a música dos Beatles como trilha sonora; a terceira montagem foi denominada “Nelson 2 Rodrigues”. Em dois grandes atos, o grupo encenava Álbum de Família e Toda Nudez Será Castigada. Naquele momento, em que comecei a trabalhar com Antunes Filho, a estrela absoluta da companhia era Marlene Fortuna.

Capa do programa da montagem de Antunes Filho

A montagem que Antunes Filho fez de “Álbum de Família” soube mostrar com perfeição a contradição absurda que Nelson Rodrigues criou. As fotos do álbum sugeridas no texto do autor foram recriadas em cena, com os próprios atores alternando imagens doces e cálidas das fotografias com as situações dolorosas vividas pela família. Dona Senhorinha, a mãe da tal família, foi criada por uma Marlene Fortuna belíssima, mostrando suavidade, sensualidade contida, amor intenso pelos filhos homens e desprezo pelos homens, projetados na figura do marido. A “mãe fecunda”, expressão do próprio autor, se mostrava em “oportuno exemplo para as moças modernas que bebem refrigerante na própria garrafinha”. Genial!

Descrever as ações que Nelson Rodrigues elaborou é minimizar a peça. O crítico Sábato Magaldi descreve o enredo com eficácia; sem nenhum “crivo censor, compreende-se a sucessão de incestos, crimes e suicídio. É o homem afastado da disciplina social, exercendo a espontaneidade desenfreada, entregue ao desvario que aboliu a conveniência da razão (1).” A montagem de Antunes Filho equilibrou as difíceis situações do texto com o distanciamento concreto propiciado pela montagem das fotos feita em cena.

Com Marlene Fortuna estava um jovem e sensacional Marcos Oliveira, fazendo o marido Jonas. A cena em que o Jonas tenta estuprar a mulher era de uma força absurda, culminando com a morte de Jonas pelas mãos de Dona Senhorinha. Esta saía de cena, atendendo aos chamados do filho enlouquecido, correndo nu pelas imediações da casa. Após o intervalo, tudo novo, o universo de Nelson Rodrigues abria outra página, com outra família em “Toda nudez será castigada”.

Darlene Glória, intérprete marcante de Geni no cinema, me perdoe. Também não tinha idade para ver Cleide Yáconis, na primeira montagem da peça em 1965. Assim, Marlene Fortuna continua sendo minha Geni preferida. Preparando-me para escrever este texto encontrei um vídeo (que pode ser visto aqui) com alguns momentos da montagem de Antunes Filho. A imagem sintetiza bem a personagem, prostituta, que casa-se com Herculano – Oswaldo Boaretto Junior na montagem do CPT.

Nelson Rodrigues escreveu “Toda nudez será castigada” como uma obsessão em três atos. Uma família tradicional vive entre máscaras sociais e hipocrisia. O casamento entre Herculano e Geni vai fazer com que venham à tona as verdadeiras faces das personagens. O filho de Herculano tem uma relação edipiana com o pai; vinga-se deste ao seduzir a madrasta e depois se realiza no homossexualismo, fugindo com um ladrão boliviano. Esses acontecimentos levam Geni ao suicídio e assim, o “Nelson 2 Rodrigues”, de Antunes Filho, completa um painel onde a principal figura feminina quebra a estrutura familiar com um crime e um suicídio.

São esses os momentos, os mais marcantes que tive com a obra de Nelson Rodrigues e que, neste centenário, tenho o prazer em dividir com os leitores deste blog. Talvez venham outros; por enquanto, esses não me saem da cabeça.

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Bom final de semana!

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Notas:

1 – A citação de Sábato Magaldi foi extraída do programa da montagem.

Outras informações sobre o Teatro Popular do Sesi estão em

http://institutoosmarrodriguescruz.blogspot.com.br/

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