Tripulação Identificada

1 – Carlos Eduardo Costa – 2 – Vania de Toledo Piza – 3 – Vania Maria Lourenço Sanches

4 – Mitsuru  Higuchi Yanaze – 5 – Elen Gongora Moreira – 6 – Luis Américo Tancsik

7 – Victor Olszenski – 8 – Regina Cavalieri – 9 – Fernando Brengel

10 – Claudia Regina Bouman Olszenski – 11 – Valdo Resende (Intimamente identificado como “Eulindo”)

12 – Kelly Cristiane da Silva – 13 – Regina Ferreira Luppi

Um vídeo pela paz e trinta e seis aviões caça

Hoje recebi por e-mail um vídeo que é uma magnifica ação pela paz. O vídeo foi postado originalmente em março deste ano e, até agora, não creio ter tido a divulgação merecida. Nele, um jovem professor e designer, de Israel, envia mensagem de amor e paz ao Iran. Já ia deixando o vídeo cair no esquecimento quando li:

Brasil e França voltam a discutir em

novembro venda de aviões de caça

O Brasil negocia com a francesa Dassault, a sueca Saab e a Boeing, norte-americana. No negócio com os franceses, além dos 36 caças, está em pauta a compra de quatro submarinos e cinquenta helicópteros.  Tudo pela paz… do bolso de quem ganha comissões para comprar e ou vender armas. Veja a notícia completa clicando aqui.

Não precisamos de armas. Não precisamos de guerras! A mensagem do jovem professor deve ser propagada.

Fica aqui um humilde pedido pela paz. E um desejo sincero de que as pessoas tomem conhecimento desses fatos para que possam ampliar o apelo e assim, pressionar aqueles que, com dinheiro público, sustentam guerras que não interessam aos povos.

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Até mais!

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A falecida, uma morte e a suicida

Conhecer Nelson Rodrigues através dos textos agradáveis que ele escreveu é muito bom; filmes e especiais de TV com adaptações de sua obra agradam bastante. Todavia, é no teatro que se concretiza a magia do dramaturgo excepcional, com uma obra que merece as constantes montagens. De 1943 para cá, desde a estréia de “Vestido de Noiva”, Nelson Rodrigues é a referência obrigatória no dia-a-dia do teatro brasileiro.

Lembrando o centenário do autor, comemorado dia 23, quero registrar os dois encontros que tive com o teatro de Nelson Rodrigues. Vim morar em São Paulo em 1980 quando o Teatro Popular do SESI apresentava “A Falecida”, direção de Osmar Rodrigues Cruz, com Nize Silva como Zulmira. Guardei como objeto precioso o programa da peça.

O programa da peça, primeiro da minha coleção.

Meu primeiro grande impacto foi visual. O deslumbrante cenário de Flávio Império deixou o mineirinho de boca aberta. Com economia de elementos, o cenógrafo criou espaços luxuosos imensos, pequenos espaços populares como um bar (deste lembro uma mesa de sinuca, reclinada para facilitar a visualização da platéia) e provocando em todos, na cena final, a absoluta sensação de que estávamos no Maracanã, no meio da torcida do Vasco.

Nize Silva é uma ótima atriz, interpretando a suburbana que, nas palavras do próprio Nelson Rodrigues “uma mulher da classe média que, um belo dia, se convence de que é um fracasso como esposa, amante e em todos os sentidos. E começa a pensar. Então vai nascendo dentro dela, elaborado lentamente, que o ideal seria morrer, para ter um enterro de luxo, tudo aquilo que a vida não lhe deu”. A personagem gasta suas últimas energias para obter esse enterro. A ironia de Nelson Rodrigues mistura-se ao cômico, ao trágico.

Dessa montagem recordo, com emoção, a oportunidade de ver Elias Gleiser no papel de Timbira. Até então só conhecia esse grande ator via televisão. Estive muitas vezes vendo a montagem. Minhas noites eram livres e eu tentava descobrir os truques do cenógrafo, ria sempre com Elias Gleiser, ficava encantado com Nize Silva e me deliciava com a vingança de Tuninho, o marido traído, apostando o dinheiro do amante da esposa no Vasco com todo o público do Maracanã.

Anos depois minha vida tinha mudado radicalmente. Comecei a trabalhar com Antunes Filho, no Centro de Pesquisa Teatral do SESC Vila Nova, o CPT. Ensaiávamos e criávamos novos trabalhos em tardes intensas. O Grupo de Teatro Macunaíma apresentava três encenações, dentro de um projeto de teatro de repertório. A adaptação de Macunaíma,  a histórica montagem de Romeu e Julieta tendo a música dos Beatles como trilha sonora; a terceira montagem foi denominada “Nelson 2 Rodrigues”. Em dois grandes atos, o grupo encenava Álbum de Família e Toda Nudez Será Castigada. Naquele momento, em que comecei a trabalhar com Antunes Filho, a estrela absoluta da companhia era Marlene Fortuna.

Capa do programa da montagem de Antunes Filho

A montagem que Antunes Filho fez de “Álbum de Família” soube mostrar com perfeição a contradição absurda que Nelson Rodrigues criou. As fotos do álbum sugeridas no texto do autor foram recriadas em cena, com os próprios atores alternando imagens doces e cálidas das fotografias com as situações dolorosas vividas pela família. Dona Senhorinha, a mãe da tal família, foi criada por uma Marlene Fortuna belíssima, mostrando suavidade, sensualidade contida, amor intenso pelos filhos homens e desprezo pelos homens, projetados na figura do marido. A “mãe fecunda”, expressão do próprio autor, se mostrava em “oportuno exemplo para as moças modernas que bebem refrigerante na própria garrafinha”. Genial!

Descrever as ações que Nelson Rodrigues elaborou é minimizar a peça. O crítico Sábato Magaldi descreve o enredo com eficácia; sem nenhum “crivo censor, compreende-se a sucessão de incestos, crimes e suicídio. É o homem afastado da disciplina social, exercendo a espontaneidade desenfreada, entregue ao desvario que aboliu a conveniência da razão (1).” A montagem de Antunes Filho equilibrou as difíceis situações do texto com o distanciamento concreto propiciado pela montagem das fotos feita em cena.

Com Marlene Fortuna estava um jovem e sensacional Marcos Oliveira, fazendo o marido Jonas. A cena em que o Jonas tenta estuprar a mulher era de uma força absurda, culminando com a morte de Jonas pelas mãos de Dona Senhorinha. Esta saía de cena, atendendo aos chamados do filho enlouquecido, correndo nu pelas imediações da casa. Após o intervalo, tudo novo, o universo de Nelson Rodrigues abria outra página, com outra família em “Toda nudez será castigada”.

Darlene Glória, intérprete marcante de Geni no cinema, me perdoe. Também não tinha idade para ver Cleide Yáconis, na primeira montagem da peça em 1965. Assim, Marlene Fortuna continua sendo minha Geni preferida. Preparando-me para escrever este texto encontrei um vídeo (que pode ser visto aqui) com alguns momentos da montagem de Antunes Filho. A imagem sintetiza bem a personagem, prostituta, que casa-se com Herculano – Oswaldo Boaretto Junior na montagem do CPT.

Nelson Rodrigues escreveu “Toda nudez será castigada” como uma obsessão em três atos. Uma família tradicional vive entre máscaras sociais e hipocrisia. O casamento entre Herculano e Geni vai fazer com que venham à tona as verdadeiras faces das personagens. O filho de Herculano tem uma relação edipiana com o pai; vinga-se deste ao seduzir a madrasta e depois se realiza no homossexualismo, fugindo com um ladrão boliviano. Esses acontecimentos levam Geni ao suicídio e assim, o “Nelson 2 Rodrigues”, de Antunes Filho, completa um painel onde a principal figura feminina quebra a estrutura familiar com um crime e um suicídio.

São esses os momentos, os mais marcantes que tive com a obra de Nelson Rodrigues e que, neste centenário, tenho o prazer em dividir com os leitores deste blog. Talvez venham outros; por enquanto, esses não me saem da cabeça.

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Bom final de semana!

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Notas:

1 – A citação de Sábato Magaldi foi extraída do programa da montagem.

Outras informações sobre o Teatro Popular do Sesi estão em

http://institutoosmarrodriguescruz.blogspot.com.br/

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O mundo dos espertos

“- Seja um voluntário na Copa do Mundo!” é o simpático convite de Dona Fifa, a sede de um monte de espertos. Serão necessários 18 mil voluntários; cerca de 1.500 para cada cidade sede. Vai ser uma grande honra para o cidadão brasileiro trabalhar de graça durante 20 dias seguidos. Li na imprensa: “Os escolhidos passarão por treinamento e terão uma rotina de trabalho rígida. Cada voluntário terá de cumprir turnos de até 10 horas de trabalho.” Sem salário, mas com alimentação, transporte e uniforme. Eles são bonzinhos!

Na televisão, uma jornalista entrou várias vezes, durante a tarde, dando a notícia; ela esclareceu a questão do transporte; “se você morar fora do município onde ocorrerá cada evento, a passagem até a cidade do mesmo é por sua conta”.

Adotando como base o pagamento de um salário mínimo de R$ 622,00 por pessoa, parece que Dona Fifa está economizando R$ 11.196.000,00. Muito dinheiro, dirão os que estão a serviço dos espertos. Dona Fifa, coitada, não ganha quase nada! Ela está realizando a Copa do Mundo na nossa terra! Imagina se vai ter que gastar toda essa grana! Espertinha!

Quanto Dona Fifa vai lucrar com esse evento? Pense apenas as cotas de patrocínio e os direitos de transmissão mundial da competição. É difícil imaginar? Veja então um único dado, sobre a arrecadação da Dona Fifa, publicado pela revista Isto É; a Sony “assinou contrato de US$ 305 milhões com a Fifa para se tornar parceira até 2014.” Atenção, leitor, são dólares! A revista publicou (veja aqui) vários números, estratosféricos, sobre os ganhos da seleção brasileira (em relação à Copa, parte vai para a Fifinha). Veja os “parcos” números e corra ao site de Dona Fifa, para colaborar gratuitamente com a pobrezinha.

Mesmo não sendo tão esperto, adoro notas de 100! Em qualquer moeda

Interessante notar que a campanha para voluntários de Dona Fifa começou simultaneamente com o horário eleitoral gratuito. Cartolas e políticos são, definitivamente, espertos. Políticos, indivíduos que criam leis em causa própria, aumentam sempre os próprios salários, raramente abdicam de uma regalia (aluguel, passagem, moradia) e em nome de supostos direitos democráticos impõem horários de enfadonhos programas televisivos e radiofônicos aos eleitores brasileiros.

Sejamos justos; nossos senadores, recentemente, abdicaram do 14º e 15º salários. Ficaram pobrezinhos, já que só recebem apenas13 salários durante o ano, no valor de R$ 26,7 mil cada. Aliás, senadores e deputados continuam recebendo de graça moradia, transporte e uma boa grana para pagar telefone, gráfica e correios.

Tão pobrezinhos esses espertos políticos; carecem realmente de horário gratuito para divulgação de ótimas intenções retiradas temporariamente do inferno, cheio dessas mesmas intenções. As emissoras de rádio e tv ficam muito chateadas com o horário político. Não faturam! Já com Dona Fifa estão satisfeitíssimas, dedicando várias chamadas para divulgação da solicitação de voluntários.  Isso se justifica, já que a maior parte das verbas publicitárias vai para a televisão.

Segundo o Media Book 2012, lançado pelo IBOPE, a tv aberta ficou com 53% da verba publicitária de 2011. Pensando em todos os investimentos que serão feitos pelas grandes patrocinadoras da Copa do Mundo, sem contar a Copa das Federações e o faturamento cotidiano de cada emissora, dá para entender a necessidade dessas pobres espertas empresas em pedir nossa ajuda para que elas façam caridade com nosso dinheiro. Disque 040 para doar quarenta reais!

Interessante esse mundo dos espertos. Nós trabalhamos duramente para que possamos trabalhar de graça para a Fifa, doar um pouco para a Rede Globo e assistir promessas dos nossos políticos que não serão cumpridas em tempo algum. Eles lucram! Um dia ainda aprendo a ser assim. Mas, caro leitor, fique tranquilo; por enquanto, não pedirei trabalho voluntário, nem doações, através desse blog. Em se tratando de política é bom alertar! Escreverei sempre o que penso.

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Até mais!

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A sensitiva da Vila Mariana

A solução de todos os problemas estava bem ali, próxima da Rua Domingos de Moraes.  Estava escrito em verde, todas as letras em verde, deixando o papel esverdeado de esperança. A sensitiva resolveria tudo. E lá fui com Vanilda, a tatuada, buscar resolver a vida da minha amiga. Sempre é bom lembrar que Vanilda é companheira de longa data; portadora de cinco tatuagens, apaixonada por música brasileira e por um bom trago, quando em boa companhia. Vanilda era presença constante nos meus escritos passados. Pediu-me que parasse.

– Odeio fama, Vavá!

Veio pedir-me companhia na consulta com a tal sensitiva. Concordei; desde que pudesse contar a história. Ela soltou palavrões, palavrões e mais palavrões… Tomamos rumo da Vila Mariana, eu insistindo para que ela me dissesse as razões da consulta.

– Estou com problemas financeiros, Vavá!

– A Dilma vetou um monte de coisas das diretrizes orçamentárias do país.

Vanilda lançou um olhar fulminante, desses que transmitem insultos, ignorando minha observação, continuando a dizer as razões em buscar ajuda espiritual.

– Meu namorado não aparece, minha mãe aparece sempre pra me encher, no meu trabalho tem uma “zinha”, mais infeliz que eu, me botando olho gordo.

– Como você sabe que a outra te coloca olho gordo, Vanilda?

– A gente sente, ora essa!

– Se sente, para que ir até a sensitiva?

Palavrões, insultos verbalizados, ameaças, chantagens e um “pelo amor de Deus, eu só quero a sua companhia silenciosa” e repetiu a expressão silenciosa, acentuando cada sílaba. Amuado, calei a boca e voltei a ler o papelzinho, peça eficiente; Vanilda era a comprovação da eficácia publicitária. Vinte reais a consulta.

– Vinte reais? Vanilda, isso não é muito popular?

– Você disse bem, me chamo Vanilda. Não sou Elizabeth, aquela de Windsor, rainha e partner do agente 007.  Você não prometeu que ficaria calado?

Eu não havia prometido. Estava sendo constrangido. E assim chegamos a um velho casarão em uma travessa da Rua Domingos de Morais. Estava caindo aos pedaços, sendo este um sinal evidente da ineficácia da sensitiva. Pensei em argumentar sobre a incapacidade da guru em resolver os próprios problemas financeiros; olhando para minha amiga, vi que estava tensa e só me manifestei quando ela balbuciou:

– O que é que eu estou fazendo aqui?

– Por problemas financeiros, seu namorado não aparece, sua mãe que aparece toda hora e para afastar a zinha do olho gordo!

– E amigo filho da mãe que fica me zoneando. Sabia que ela cura impotência?

Vanilda soltou o impropério justamente quando atravessávamos o portão, entrando direto em um espaço cheio de cadeiras ocupadas pelos clientes da sensitiva. Todos os olhares avaliaram o “impotente” que, para garantir a potência, mandou a amiga para aqueles lugares que o baixo calão permite, virando as costas e deixando-a sozinha, entre olhares curiosos. Uma senhorinha, empertigada e altiva, chamou a atenção de Vanilda.

– Isto não se faz. Vá pedir desculpas! Ande!

O “ande” foi tão alto e tão decisivo, que Vanilda correu e puxou-me pela mão, rindo.

– Vavá, volte ou a velhinha vai me bater!

– Você gosta de apanhar que eu sei!

– Nem bêbada! Vamos parar com isso, por favor. Viemos resolver problemas, não aumentá-los.

– Viemos, cara pálida? Você não namora, não tem grana, não se livra da mãe, nem da zinha do olho gordo! Viemos?

A frase foi pequena vingança pelo recente impotente. Já estávamos de volta ao lar da “poderosa vidente das águas místicas”, e assim todos souberam os motivos que levaram Vanilda a consulta. A senhorinha empertigada solidarizou-se com minha amiga:

– Eu também estou sem namorado, minha filha. Vim consultar através dos búzios africanos. Eles irão indicar-me o que fazer para acabar com a solidão.

Um senhor, desse tipo bem bonachão, gordinho simpático, mostrou cumplicidade.

– Devo tanto, minha filha! Tenho tanta conta pra pagar! A sensitiva prometeu orientação para que eu resolva tudo. Estamos fazendo um trabalho.

– Quanto ela cobrou? Perguntei, sob olhar de censura de Vanilda, acompanhado de um beliscão.

– Sou marceneiro; estou pagando com pequenos trabalhos na cozinha e no banheiro aqui da casa.

Uma moça daquele tipo gostosona, 90cm daqui, 110cm ali no meio, tudo muito evidente por roupas justas, curtas, decotadas, entrou na conversa:

– Inveja é triste, não é? Olha, estou fazendo os banhos indicados pelo guia. Minhas colegas de firma não se agüentam, é pura inveja. A senhora fez muito bem em vir buscar proteção.

A moça aproximou-se, sentando ao meu lado e encostando a coxa generosa em minhas pernas. Vanilda arrepiou! Ciúmes sempre foi um grande problema para minha amiga!

– Querida, não carece testar a potência dele. Falei na hora da raiva. Cai fora!

A senhorinha empertigada voltou a exercitar a solidariedade à Vanilda:

– Isso, minha filha, muito bem. Por conta de uma piranha assim que fiquei sozinha.

A citação do peixe carnívoro provocou enorme bate-boca. Vanilda e a senhoria versus a jovem gostosona. O bafafá só não foi longe por conta da interferência da própria sensitiva, a vidente das águas místicas. Vestida de cigana da Rua 25 de Março, ou seja, saia e blusa estampadas de chita, bijuterias ordinárias e pintura exagerada, exigiu silêncio absoluto sob pena de não atender ninguém. Os presentes, certamente sofrendo com as próprias necessidades, calaram-se totalmente. Muitos e muitos minutos correram até que Vanilda fosse atendida.

O tempo passando e eu matutando sobre meu carma em pagar micos em nome da amizade. Vinte minutos de consulta e percebi vozes alteradas; aliás, a voz de Vanilda alterada.

– Não vou fazer chapinha de jeito nenhum!

A voz da minha amiga soou mais alta;

– Não vou morar com minha mãe!

Por fim, gritando, minha amiga saiu da sala, repetindo a última frase:

– Nem morta eu tiro minhas tatuagens! Nem morta! Vavá! Tire-me daqui! Leve-me para longe dessa caloteira!

Levantei para acompanhá-la quando a sensitiva nos alcançou, com voz que era puro ódio:

– Vai sair sem pagar, senhora? Quem é a caloteira aqui!

Vanilda soltou, sem respirar, dezessete palavrões. Somou pragas, desafiou os guias da outra e, pagando, saiu pisando duro, ignorando a bela tarde ensolarada da Vila Mariana. Conhecendo minha amiga, esperei que ela me dissesse a razão da tempestade.

– Vavá, para resolver problemas financeiros, eu devo morar com minha mãe; ou seja, transferir as dívidas para minha pobre mãe. A zinha do olho gordo tem inveja dos meus cabelos anelados, sabia disso? Portanto, para acabar com isso devo fazer chapinha. Que sensitiva é essa?

Eu já não segurava o riso. E Vanilda completou:

– E só terei meu namorado de volta após procurar um cirurgião plástico e tirar minhas tatuagens. Olha só, que vidente de meia tigela! E soltou palavrões, muitos palavrões enquanto ríamos muito. A vidente deveria ter perguntado a profissão do namorado de Vanilda. O gajo é o autor das cinco tatuagens ostentadas pela moça.

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Boa semana para todos!

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