Para os melhores amigos…

As melhores canções. Não dá pra escolher uma, porque há muitas e todas são emocionantes. Cada um tem a sua preferida e neste post estão aquelas que me ocorrem sempre quando penso nos meus grandes amigos (todos eles são melhores!)…

Para ler este post, seja manhã, tarde ou noite, clique aqui para ouvir Abílio Manoel. A canção é a inspiração básica para entrar no clima e relembrar outras sobre amizade. “Bom dia, amigo” é uma composição interpretada pelo autor, Abílio Manoel. Cantei muitas vezes essa música com grupos de criança e ao pensar esse texto, foi inevitável relembrá-la. Então, clique e deixe o som de fundo para continuar a ler.

Um lugar assim, para conviver com meus amigos.

Algumas canções são tiro e queda quando o tema é amizade. Em qualquer lista aparece, sem delongas, “Canção da América”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Quem pode negar que “Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”? O mais difícil desta música é escolher entre a interpretação de Elis Regina (clique para ouvir) e a do próprio Milton Nascimento; mas, essa é outra questão.

Outra que não falta em uma provável lista também é figurinha carimbada, presente em todo e qualquer boteco onde cantar ainda é possível: “Amigo é Pra Essas Coisas”, composta por Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc. Um diálogo transformado em sambinha dos bons;  marcou toda uma geração que sabe que “tua amizade basta” e que “o apreço não tem preço”. A interpretação do MPB-4 é imbatível.

Amigo que é amigo escuta, atentamente, todas as nossas agruras amorosas. Quando apaixonados, se o amor está em crise, diante de uma nova paixão, encucados por uma desavença, só mesmo um amigo pra nos ouvir. Para amores complicados Roberto Carlos e Erasmo Carlos criaram uma verdadeira obra-prima: “Amiga”. Originalmente a música foi criada especialmente pelo desejo de Roberto Carlos gravar com Maria Bethânia. Veja-os, em 1982.

Shangrila, para sonhar um lugar ideal para grandes amigos.

Foi nos anos 80 que Djavan criou “Nobreza”. Talvez a mais bela canção para a amizade verdadeira entre dois homens. Os versos são ousados para ouvidos conservadores e, provavelmente por isso, a música não é tão comum em bares e similares. É difícil para a maioria dos rapazes, mesmo diante do melhor amigo, cantar “uma bela amizade é assim: dois homens apaixonados…” Talvez um dia a coisa mude de rumo; mas que é uma belíssima música, é só ouvir e comprovar.

Chico Buarque, o melhor de todos os nossos compositores, criou com Francis Hime “Meu Caro Amigo”. É uma carta em forma de chorinho, para soltar o gogó amaciado por uma boa cerveja. E como amigo verdadeiro assume a família do outro, “a Marieta manda um beijo para os seus, um beijo na família, na Cecília, nas crianças…”

Se você chegou até aqui já leu minhas escolhas para a música preferida sobre amizade. Sinta-se livre para indicar outra fora desta relação, que talvez eu não conheça ou tenha deixado de fora. Caso indique outra, não deixe de mencionar os autores. Eles merecem.

Nosso Lar, para viver todas as vidas com meus amigos

A vida me presenteou com amigos incríveis – muitos! – só entendo uma música para expressar o que sinto por meus amigos; é a canção que escolhi para concluir este, na voz suave e inesquecível de Mercedes Sosa: Los Hermanos, de Atahualpa Yupanqui. Se você é realmente meu amigo, esta canção é pra você.

.

Bom final de semana!

.

Até!

Saudade do calor do Piauí

Meus sobrinhos João e Antônio felizes, no calor do Piauí.

Frio dói. Qualquer mínima parte do corpo, quando exposta, dói. Toca a ficar encolhido, envelopado, enrolado, acebolado. Saudade dos 40ºC de São Raimundo Nonato. Muita e real saudade. Calor, por maior que seja, incomoda, mas não dói. É só arranjar uma bela sombra, de preferência acomodado em uma rede, com uma boa jarra de suco de caju do lado, um bom livro, ou um bom som e a vida, vira canção.

A vida aqui só é ruim

Quando não chove no chão

Mas se chover dá de tudo

Fartura tem de montão…

Conheci bem o município de São Raimundo Nonato, no Piauí, antes de qualquer outra localidade nordestina. Cheguei de avião, cheio de curiosidade, em Petrolina; lá estava o aeroporto mais próximo para o sudeste do Piauí. Na cidade pernambucana fui molhar os pés no Rio São Francisco – atendendo pedido de meu pai – e atravessei a ponte para Juazeiro, na Bahia.

…Juazeiro nem te lembras desta tarde
Petrolina nem chegaste a perceber
Mais na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê…

Magicamente conheci três Estados nordestinos em uma única tarde. Desci em Petrolina, calor escaldante, aproveitei o frescor das águas cantarolando o verso de Caetano Veloso “Velho Chico vens de Minas” e, viajante, atravessei a ponte, de passagem pela Bahia para, poucas horas depois, entrar no Piauí.

Uma tarde no Rio Parnaíba, no Piaui. Nem tudo é caatinga por lá.

A caatinga é uma experiência inesquecível. O calor exasperante no clima semiárido assusta e principia nosso entendimento do que seja o vaqueiro, o sertanejo. De imediato recordei os cangaceiros e entendi suas roupas de couro, seus aboios tristes enfrentando os espinheiros, lutando pela própria vida. Mas é sol e as tardes são mornas, cálidas; as noites são gostosamente frias.

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

Ah, esse frio que dói. Demais! Muito! Só faz aumentar em mim o desejo de ir embora; quero viver meus últimos dias sob o sol! Sonho com o calor do nordeste. Um dia, pego minha Anarina, e vou. Quero o norte de Minas, o sul da Bahia, o sudeste do Piaui, o litoral das Alagoas…

Sombra, uma bela rede. Tudo é melhor no calor.

Enquanto isso não acontece, fico aqui, com minha taça de vinho tinto, quase “bebinho da silva”, correndo o risco de, enquanto bebum, chorar com cena de novela e invejando Gabriela, com todo o calor que ela não promete, tem.

.

Até mais.

.

.

.

Notas:

Os trechos citados, respectivamente, são:

O último pau de arara, canção de Venâncio,Corumbá e J. Guimarães

O ciúme, canção de Caetano Veloso

Brisa, poema de Manoel Bandeira

As fotos são do arquivo pessoal da minha comadre Vânia Lourenço Sanches

.

Esse tal de Roque Enrow!

Eu conheço pouco o cidadão, “esse tal de Roque Enrow”. Tenho a impressão que regrediu, que estacionou. E Dona Rita Lee (dona dos versos da canção, presentes abaixo) permanece atualíssima:

Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow!
Uma mosca, um mistério
Uma moda que passou
-Já Passou!
Ele! Quem é ele?

Estou mais para Os Sertões, o grupo que surgiu com o fim da banda Cordel do Fogo Encantado, cuja capa está antropofagicamente construída. Esse Roque Enrow eu gosto muito. Roque iniciado por Tarsila, Oswald e dona Pagu. Esses certamente ficariam satisfeitos com a capa do disco da banda Os Sertões. Esta:

Brinque: identifique os brasileiros abaixo!

Engraçado é que tenho a impressão de que quando se fala em roque enrow deixam os Beatles de lado. Pegam umas bandas de grunhidos duvidosos, som mais pra tosco que pra melódico e parecem crianças fazendo careta de capeta, escandalizando papai e mamãe para, na esquina, fumar escondido um baseadinho.

Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow!
Um planeta, um deserto
Uma bomba que estourou
Ele! Quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!

Por isso, no dia do roque e para o final de semana, deixo-vos com a lembrança e a indicação de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Esse aí, cuja capa é para não deixar a menor dúvida.

Brinque: cante cinco canções deste disco!

O resto, digo, os demais que aprendam. Senhores, roque enrow pede melodias refinadas, ritmos contagiantes, ousadia criativa e um olhar para muito além do momento presente. Isto é Sgt. Pepper’s, isto é roque enrow. Alguém discorda?

.

Bom final de semana.

.

Dois e dois são cinco

Outro dia sonhei com um elefante que, sendo irritado por um macaco, deixa este subir em sua tromba para depois esmagá-lo em um “abraço” mortal. Minha irmã sentenciou: 

– Traição. Vai dar cobra.

E lá se foi ela, botando fé e grana no jogo do bicho.  Em Uberaba, em São Paulo, nas demais cidades de todo o país, todo mundo sabe onde arriscar um palpite.

Incontáveis bares paulistanos têm uma mesinha, ou um pequeno balcão, com um cidadão munido de uma maquininha fazendo jogo do bicho. Na real, quase todo brasileiro tem relações com bicheiros. O Senador Demóstenes Torres perdeu o mandato. Provavelmente porque ganhou dinheiro sem jogar; mas ficou uma dúvida: O senador joga no bicho?

O Brasil é assim mesmo: tudo certo como dois e dois são cinco. A música de Caetano Veloso na voz de Roberto Carlos ou de Gal Costa nos cabe como luva. O nosso país é tão democrático que todo mundo pode jogar o jogo proibido. Eu não sei por qual motivo proíbem o jogo do bicho e, creio, a razão principal é proteger a Caixa Econômica Federal, que oferece mais jogos que cassino. A CEF tem dez tipos de loteria e, legalmente, é a dona desse mercado.

Longe estou de defender o Sr. Demóstenes. Bom saber que o país vai, aos poucos, botando ordem na casa. Mas também não dá para esquecer que, nesse nosso país, tem político procurado pela polícia internacional, o que não impede o dito cujo de trocar carícias com ex-presidente. Como ambos não são bicheiros, tudo bem! Quem sabe a justiça possa chegar para o senhor Maluf se ele jogar no jogo do bicho. Dois e dois, são cinco!

Estão dizendo que o senador cassado está inelegível até 2027. Ele já anunciou que vai recorrer. E a gente fica sem saber que bicho vai dar. Quem quiser que arrisque um palpite. Eu é que não jogarei em bicho nenhum, porque se há uma coisa certa nesse país é pobre ir parar na cadeia. De qualquer forma, 2 e2, igual a 22 que é tigre, 5 é cachorro, 25 é vaca e, pra garantir, vamos inverter, ou seja, 52 que é galo…

Quer saber; com licença! Vou fazer minha fezinha.

.

Até mais!

.

Opções para noites frias

O feriado acabando, o frio pegando pesado e ao dependermos da televisão as opções são, no máximo, morninhas. Teremos os filmes “B” na Globo, o humor baseado nas situações de sempre do CQC, as “profundas situações vivenciais” em A Fazenda e por aí vai. Não dói nada desligar a televisão e, mesmo em casa, há sempre a possibilidade de ver e fazer coisas interessantes. As sugestões abaixo também entram na categoria “férias”; se não for hoje, há possibilidade de programar uma terça-feira melhor.

Sugestão 1

Calvin e Haroldo para boas gargalhadas.

Ganhei dois livros do Calvin no meu recente natalício. Um veio do Cadu Blanco; o outro, do casal Olszenski (que nome chic esse!) Claudia e Victor. É lamentável saber que há pessoas que desconhecem Calvin e seu urso Haroldo (Calvin and Hobbes), criação do genial Bill Watterson. Para evitar lamentações, vamos apresentar a dupla:

Calvin tem seis anos de idade. É um garoto inteligente e solitário, que brinca com um urso de pelúcia. Para Calvin, o urso Haroldo tem vida e com ele o menino trava diálogos engraçados, apronta brincadeiras e peraltices enlouquecendo os pais, a professora, a vizinha. Para toda e qualquer situação Calvin tem tiradas ácidas, críticas, com um humor inteligente e sagaz.

Bill Watterson criou Calvin e Haroldo em 1985 e durante exatos dez anos publicou tirinhas em mais de 2000 jornais de todo o mundo com as aventuras do menino com seu brinquedo. Vencedor de prêmios pela qualidade de seu trabalho, Watterson tem uma visão de mundo bem clara e definida, exposta através das relações entre Calvin e os pais, a escola, os amigos e o mundo. As posições do autor aparecem nas ações das personagens; ele não permite a comercialização da imagem de Calvin, impedindo o lançamento de produtos que tenham relação com a personagem. Nem mesmo em vídeo Calvin será visto (como ocorreu com Mafalda, por exemplo). Os últimos lançamentos originais sobre Calvin ocorreram em dezembro de 1995.

Sugestão 2

Noites românticas ao som da voz quente de Maysa

Nem todo mundo tem um grande amor, mas há sempre algo para lembrar, algo para reviver. Quem está com o seu “benzinho” aí ao lado, cheio de calor para trocar, nessas noites de inverno, deve aproveitar o momento e embalar muitos carinhos com a voz e a beleza da inesquecível Maysa.

“Intensa Emoção” é o nome dado ao DVD da cantora, falecida prematuramente em 1977. Maysa deixou uma obra repleta de romance, amores profundos, relações pungentes em músicas inesquecíveis. Ouvir Maysa já é muito bom; melhor ainda rever os olhos belíssimos, o sorriso encantador, a bela e fina estampa de uma das maiores cantoras e compositoras brasileiras.

O DVD é registro de um programa exibido pela TV Cultura em 1975. Maysa fala e canta, na gravação que está nos moldes do programa Ensaio. Há os grandes êxitos da compositora, as interpretações inesquecíveis (só por Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel vale comprar o DVD), cobrindo todas as fases da carreira da cantora.

Sugestão 3

“Shame” Um filme denso para adultos

“Shame” (Vergonha) é um filme perturbador. Um homem vive em função de sexo. Todos os momentos da vida do cidadão são comandados por ações ou interesses sexuais. Ele é bonitão, profissional bem sucedido e o que poderia ser visto como “a vida que pedi a Deus” é, na realidade, um grande drama. Insatisfeito, sem amar ninguém, sem conseguir estabelecer uma relação saudável, o rapaz é refém de seus desejos, suas vontades. Sexo é algo além do ato físico e quando este algo mais não ocorre, o jeito é sair atrás de outra relação para complementar o que não se teve na primeira. E assim inicia-se uma onda que gera vício.

Michael Fassbender interpreta o publicitário obcecado por sexo. Com ele vive a irmã, com uma interpretação impecável de Carey Mulligan. Carente, a moça é aquele tipo que denominamos pegajosa, o que se traduz em atitudes possessivas. Os telefonemas que a moça, uma cantora noturna, dão são constantes, insistentes e de tão desesperadores chegam ao engraçado.

“Shame” foi dirigido por Steve McQueen e é opção para ver as consequências da vida nesse nosso mundo moderno.  O título foi mantido no Brasil. As personagens de Shame parecem condenadas a não encontrarem saída, solução. São centradas em si, em suas necessidades e não enxergam o outro. O embate entre os dois irmãos é explosivo. Um momento imperdível e que entra para a galeria de cenas inesquecíveis é quando Carey Mulligan canta New York, New York. A atriz reduz a grandiosidade da canção através da emissão de um fio de voz, tênue, tímido, sonhador, possibilitando outra visão da canção famosa e manjada.

As aventuras de Calvin, o som de Maysa, a reflexão e diversão profunda em “Shame”. Há sempre algo acessível, bem melhor que telas quentes e afins.

.

Até mais!

.

Tudo ainda é tal e qual

As esperas da vida. Passamos tanto tempo aguardando acontecimentos e, quando esses chegam, pouco ou nada acontece. De outro lado, há fatos que transformam nossas vidas e nem sempre damos a devida importância aos mesmos, ou os relegamos ao esquecimento. A primeira palavra escrita, por exemplo. Uma vez desenhei a palavra BINO no quintal lá de casa. Recordo como se fosse agora a alegria de meu pai e o que aquele momento significou; era só uma palavra, mas eu sabia escrever! Todos os aprendizados posteriores nada mais foram do que a repetição daquele primeiro instante em que minha mão, insegura, riscava no chão o nome de meu pai.

Outro fato marcante na vida de qualquer cidadão é o primeiro salário. Pertenço àquela faixa da população que começou a trabalhar por necessidade, deixando a vocação para depois. Tive a sorte de pertencer a uma família que não dependeu do meu primeiro salário para nada;  então tive a sensação de autonomia que, não percebi, foi a de mero e restrito poder aquisitivo. O salário não era lá essas coisas, mas era meu. E eu poderia fazer o uso que quisesse. Tenho a nítida lembrança da sensação de poder sentida com aquelas cédulas em minhas mãos.

Amor a gente não espera, caça! Busca e procura são palavras suaves demais para a caça do adolescente. Fui daqueles que experimentou fases muito definidas: segurar outra mão e caminhar pela rua; roçar uma boca no primeiro beijo; formular a frase “- Quer namorar comigo?”, fazer sexo… Tudo muito marcante, transformando-me no ato. O amor podia ser ilusão, mas o aprendizado foi de extrema valia para a vida que veio depois.

As transformações vindas pelo conhecimento, pelo trabalho e pelo afeto estão entre as que valem. Há toda uma série de acontecimentos que não mudam nada.  Passagem de ano é um desses; transformamo-nos em bêbados mais ou menos felizes, sentimentais; passado o porre somos exatamente os mesmos. Maioridade é outra data esperada, mas tão transgredida antes que, ao chegar, já fizemos aquilo que queríamos fazer e ser quando nos tornássemos maiores de idade.

A Avenida 23 de maio estava assim, nesta quinta-feira. Nada mudou.

No país do futebol tivemos a Libertadores quarta, a Copa do Brasil quinta e vimos o anúncio da escalação para a seleção olímpica. As pessoas estão felizes, temporariamente. Estou feliz por elas. Todavia, a sensação de primeiro de janeiro não me sai da idéia. Para todo e qualquer lado que olho, reflito e constato que tudo permanece igual, apesar dos gritos de “É campeão!”. E aí, deu de pensar nas coisas que realmente nos transformam.

.

Bom final de semana.

.

Luiz Gonzaga é retorno garantido

O mercado musical costuma arriscar pouco. A lei que rege o setor é o lucro. Os diferentes lançamentos que envolvem o nome de Luiz Gonzaga são sinais evidentes da força do velho Lua. O mote vem pelo centenário de nascimento do sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano. As gravadoras prepararam uma série de lançamentos com discos inteiros dedicados à obra de Gonzaga; há coletâneas e gravações especiais como o CD do grupo Fala Mansa (sobre este escrevi aqui).

Há que se tomar cuidado com alguns lançamentos, como a coletânea “Gilberto Gil Canta Luiz Gonzaga”. Por exemplo, das 14 músicas do disco de Gil, 6 estão no disco “As canções de eu, tu, eles”, lançado em 2000. Pura repetição que nada vai acrescentar para os fãs de Gil; todavia, vale para quem gosta de Luiz Gonzaga e quer ver as canções do mestre na voz do cantor e compositor baiano. Outro disco de Gil, “Fé na festa, ao vivo” (2010), contém várias das músicas do lançamento atual. Tome mais repetição.

Já o produtor Thiago Marques Luiz apostou em 50 gravações inéditas para homenagear Luiz Gonzaga. Nos três CDs do projeto, denominado “100 Anos de Gonzagão” tem gente tão distinta quanto Eliana Pitman e Gaby Amarantos, Ednardo e Filipe Catto. Artistas nordestinos são previsíveis e estão no projeto: Amelinha, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Elba Ramalho; além desses há velhos parceiros de Gonzaga, como Dominguinhos, Anastácia e o neto do Rei do Baião, Daniel Gonzaga.

Thiago Marques foi fundo na idéia da universalidade de Gonzaga. Os meninos do Vanguart, por exemplo, estão entre Amelinha e Cida Moreira, duas intérpretes consagradas. Angela Ro Ro precede Jussara Silveira e Wanderléa abre o terceiro CD que é fechado pelo Nation Beat.  Há resgates de gente como Maria Creusa e Elke Maravilha (? Pois é…) e ótimas surpresas nas vozes de Rolando Boldrin (Ele canta Açucena Cheirosa) e Zezé Motta ( ela canta A vida do Viajante – veja relação completa de músicas e seus intérpretes abaixo).

Outro cd, ainda sem data para lançamento, é projeto da cantora Marina Elali. Ela é neta de Zé Dantas, um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga. Um disco só com canções de Dantas e Gonzaga trará a interpretação de Marina Elali para “Riacho do Navio”, “O Xote das Meninas”, “Cintura Fina” e outras. Dominguinhos e Elba Ramalho estão nos planos da cantora para a concretização do disco.

O mais importante de tudo: A Sony Music pretende reeditar toda a discografia de Luiz Gonzaga. Tomara que não fique só na proposta. Mais que registros de ocasião, carecemos de preservar a obra desse extraordinário compositor. Conforme noticiado, estão previstos 60 CDs, incluindo canções originalmente gravadas em 78 rotações. Vários discos de Luiz Gonzaga, falecido em 1989, nunca saíram em CD, o que justifica e amplia a importância desse projeto.

Bom saber que ha interesse mercadológico na música brasileira. Que grandes empresas, artistas e produtores investem na obra de um artista do porte de Luiz Gonzaga. Não é difícil imaginar o quanto de dinheiro já foi investido e o quanto poderá render para todos os envolvidos. Muito bom. Mas que o essencial não fique de fora: toda a obra de Gonzaga reeditada.

.

Até mais!

.

Conheça as músicas dos CDs da Lua Music:

CD 1 – SERTÃO
Asa Branca – Dominguinhos, Amelinha, Geraldo Azevedo, Ednardo e Anastácia; A Volta da Asa Branca – Fafá de Belém; A Morte do Vaqueiro – Zé Ramalho; No Meu Pé de Serra – Elba Ramalho; Estrada de Canindé – Geraldo Azevedo; Légua Tirana – Amelinha; Assum Preto – Vanguart; Acauã Cida Moreira;  Juazeiro – Daniel Gonzaga; Riacho do Navio – Ayrton Montarroyos; A Vida do Viajante – Zezé Motta; A Feira de Caruaru – Anastácia e Osvaldinho do Acordeon;  Vozes da Seca – Cátia de França; Baião da Garoa – Passoca; Pau de arara – Chico César; Ave Maria Sertaneja – Guadalupe e Liv Moraes; Boiadeiro – André Rio (com participação especial de Mestre Genaro); Noites Brasileiras – Gonzaga Leal

CD 2 – XAMÊGO
A Sorte É Cega – Filipe Catto; Orélia – Ylana Queiroga; Xamêgo – Maria Alcina; O Cheiro da Carolina – Forró in the Dark; Xanduzinha – Karina Buhr; Balance Eu – Thaís Gulin;  Vem Morena – Ednardo; Cintura Fina – Gaby Amarantos; Qui Nem Jiló – Angela Ro Ro; Sabiá – Jussara Silveira; A letra I – Verônica Ferriani e Chorando as Pitangas; Açucena Cheirosa – Rolando Boldrin e Regional Imperial; O Xote das Meninas / Capim Novo – Elke Maravilha e Trio Dona Zefa; Roendo a Unha – Célia; Dúvida – Maria Creuza; Olha pro Céu – Vânia Bastos

CD 3 – BAIÃO
Baião – Wanderléa; Respeita Januário – Zeca Baleiro; Daquele Jeito – Dominguinhos; Imbalança – Paulo Neto; Paraíba – Márcia Castro; Dezessete Légua e Meia – Milena; Forró de Mané Vito – Eliana Pittman; ABC do Sertão – Virgínia Rosa; Forró no Escuro – Simoninha; Baião de Dois – Claudette Soares e B3 Orgão Trio; Dezessete e Setecentos /Calango da Lacraia / O Torrado – Edy Star e Banda Monomotor; Deixa a Tanga Voar – Ela; Lorota Boa – Silvia Machete; Siri Jogando Bola – China; Derramaro o Gai – 5 a Seco;  Mangaratiba – Silvia Maria e Dalua; Madame Baião – Nation Beat