Em filme e exposição, Marilyn Monroe permanece

Uma das fotos que está na exposição da Cinemateca Brasileira

Marilyn Monroe frequentou os sonhos de homens do mundo inteiro. Morta há cinquenta anos tornou-se mito, a beleza eternizada. Desde então muitos tentam entender e retratar a mulher que, em vida, foi colocada em segundo plano pela estrela. A atriz americana está sempre por perto; às vezes mais, outras menos, mas sempre presente. No momento, presenciamos mais uma das voltas de Marilyn Monroe ao noticiário.

Não fosse a imbatível Meryl Streep, Marilyn Monroe poderia ter sido avessamente premiada com o Oscar de 2012. A indicada ao prêmio foi Michelle Williams, interpretando a estrela em “Sete dias com Marilyn”. A história é baseada em relato de Colin Clark, publicado postumamente, sobre uma semana em que Colin, então um jovem auxiliar de produção, acompanhou Marilyn Monroe em uma viagem pelo interior da Inglaterra. O garoto pode realizar o sonho de milhões de homens: estar sozinho com a maior estrela do cinema mundial. Mas, foi com a mulher que ele esteve; e este é o diferencial do relato e, portanto, do filme. A tentativa de desvendar Marilyn.

A mulher Marilyn Monroe ganhou notoriedade com a morte da estrela. Ninguém entendeu, e é difícil aceitar a morte prematura de uma pessoa linda, famosa e rica. O mundo ainda busca respostas, cinquenta anos após a morte, ocorrida em agosto de 1962. Em São Paulo, na Cinemateca Brasileira, ocorre uma exposição e mostra de filmes. O título sugere a força e a dimensão de Marilyn Monroe nos nossos dias: “Quero ser Marilyn Monroe”. Além dos filmes e de uma coleção de fotos, a exposição ainda conta com quadros célebres de artistas como Andy Warhol  e Peter Blake, entre outros, que tentaram revelar a mulher sob o mito.

Meu primeiro contato com Marilyn Monroe ocorreu quando uma exposição itinerante de um museu de cera ficou, temporariamente, em uma sala na Rua Artur Machado, em Uberaba. Eu era muito garoto e recordo uma escultura em tamanho real, protegida por uma caixa de vidro. Os cartazes, sensacionalistas, falavam de suicídio e sugeriam assassinato, conspiração, relações com John Kennedy. Fiquei na vontade, pois não me permitiram visitar tal exposição. Mas a loira bonita de vestido branco esvoaçante, morta misteriosamente, entrou na minha vida para ficar.

Fascina o jeito de criança de Marilyn Monroe. Penso que todo homem sente vontade de acariciar, proteger e amar a garota com aspecto inocente, parecendo ingênua. A doce menina que também é capaz de dominar, de ser determinada e, sobretudo, sensual.  E como os empresários de Hollywood nunca deram ponto sem nó, todas as fotos de Marilyn Monroe, no auge do estrelado, mostram pouco e sugerem tudo. Nada mais enlouquecedor que a promessa de uma sugestão. Lençóis, decotes, saias justas, vestidos leves… Todos os tecidos envolvem e mostram um corpo delicioso e, deste, sempre vemos o mínimo do máximo que a forma feminina pode ter.

Marilyn Monroe deixou bons filmes, alguns inesquecíveis. Prefiro “Como agarrar um milionário” e já escrevi que vejo este como o melhor momento da atriz. Todavia, mais que filmes de sucesso, Marilyn continua nos nossos sonhos. E este é, com certeza, o maior desafio para as estrelas dos dias atuais. Há mulheres lindíssimas, sensuais, provocantes, sedutoras; todavia, são consumíveis e, consumidas, logo substituídas.  Quantas mulheres atingiram o estrelato e, pouco tempo depois, já estão totalmente apagadas? Marilyn Monroe permanece. E parece que jamais irá desaparecer.

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Bom final de semana!

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Notas:

– Sete Dias com Marilyn tem previsão de estreia dia 23 de março em todo o Brasil.

–  A Cinemateca Brasileira fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, em São Paulo. A exposição sobre Marilyn acontece de 04 de março a 01 de abril. Outras informações pelo telefone: (11) 3512-6111 (ramal 215).

A cidade é do ser humano

Foi rápido; sem bicicleta, sem lenço e com documento, participei da pedalada nacional, ou “bicicletada” nacional, ou ainda como prefiro, um ato de protesto pela morte de ciclistas em nosso país. Primeiro, quero celebrar a liberdade de poder dizer publicamente, enfaticamente, que não aceito, não compactuo e não posso tolerar atropelamentos de ciclistas, pedestres ou de quem quer que seja.

Passei mais cedo pela Avenida Paulista; na altura de onde ocorreu o atropelamento da bióloga Juliana Dias pude ver uma bicicleta com placas, flores, velas. Os objetos, lembrança de morte, estavam postos como outros, encontrados em estradas de todo o país. Pensei na perda que a família chora, recordei o momento em que fui atropelado e tive o tornozelo esfacelado e agradeci pela minha vida. A moça, de 33 anos, não teve outra chance.

Saindo do trabalho, voltei pela Paulista, para reencontrar Octávio Cariello e, antes, encontrei a passeata. No sentido Paraíso, os ciclistas caminhavam, pedalando calmamente; no sentido oposto, em direção a Avenida Consolação, sentavam-se nos cruzamentos, parando o transito. Sem bicicleta, sem máquina fotográfica para registrar… Simbolicamente retomei a Avenida que tanto amo, acomodando-me para a lente do celular do meu amigo.

A cidade é nossa, é minha. A cidade é, sobretudo, do ser humano. Do motorista de ônibus, do motorista de taxi, dos motociclistas, ciclistas, de todos nós, pedestres. Porque somos pedestres; todos! Rodas são como extensões de nossas pernas; foi o que escreveu Mcluhan. Não são extensões de armas sob a condução de irresponsáveis. Pelo menos não deveriam ser. E devemos, com seriedade, buscar as causas. Ir além do motorista, para conhecer amplamente as circunstâncias que resultam em acidentes.

Na televisão estamos vendo uma campanha para que respeitem as faixas de pedestres. Dados da Secretaria de Engenharia de Tráfego informam que 439 ciclistas morreram no trânsito entre 2005 e 2010. E aqueles que saíram “apenas” machucados? Vi uma madame, daquelas tipo “você sabe com quem está falando”, vociferando, impedida de prosseguir. Lamento. Mas a maioria das pessoas só entende quando em condições desfavoráveis. E nossos líderes políticos só atendem pressionados pela opinião pública.

Na Paulista, bem perto de onde a bióloga foi atropelada, estão quatro esculturas (foto acima) fortemente protegidas por uma caixa de vidro. Há momentos em que penso nesta como única forma de sobrevivência nesta cidade. Uma caixa que nos proteja do ar poluído; que nos livre do barulho insuportável de gente que não respeita o ouvido alheio; uma caixa que garanta a proteção do nosso corpo perante máquinas que não deveriam ameaçar nossas vidas. Resistirei o quanto for possível. Pelo direito de ir e vir, com segurança, presto meu apoio e solidariedade ao movimento.

Em memória dos 439 ciclistas mortos!

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Um velório online para Zulmira

Cresci ouvindo a piada do mineiro, comprador de bonde. Depois aprendi, para rebater, que mineiro não compra bonde, já que inventou o avião. Nós, mineiros, definitivamente estamos muito além da imaginação. Em Minas Gerais já temos velórios online. E não é nada novo, já faz um tempinho. Eu é que, mal informado, só soube recentemente.

O “trem” veio de Governador Valadares, a tranquila cidade do Vale do Rio Doce. Para uma cidade que tem milhares de seus habitantes entre aqueles que saíram do país, visando melhores condições em terras estrangeiras, fica coerente a história do velório online. Aqueles que vivem como clandestinos nos EUA não conseguem visitar os vivos, muito menos voltam para uma última despedida. Então os mineiros, antenados, colocam seus defuntos na web.

Fernanda Montenegro, a Zulmira na adaptação da peça para o cinema

Tenho certeza que Zulmira sonharia com um velório assim, online. Tudo com transmissão de áudio e vídeo em tempo real. A sala bonita, a urna luxuosa, castiçais imensos de prata sustentando as velas ornamentadas, tudo envolvido com uma deliciosa mistura de incenso perfumando o ambiente. Dentro da urna, Zulmira não seria a tuberculosa suburbana; pelos artifícios da tanatopraxia, estaria bela, com a maquiagem criando a impressão de que ela, ao invés de morta, dormiria o sono dos justos.

Tanatopraxia? Essa não é invenção mineira, mas parece que tem forte influência americana! É lá na terra do Tio Sam que já vimos, em filmes, as pessoas maquiando defuntos. Bem verdade que os egípcios já faziam isso na antiguidade. Agora, que o nome é sofisticado, disso não há dúvidas. O que eu duvido é que no distante 1953 a tuberculosa Zulmira soubesse da existência da tal tanatoestética, que em Minas, inclui a reparação facial.

Sônia Oiticica, Sérgio Cardoso e Leonardo Villar, na estreia de A Falecida.

Zulmira é personagem de Nelson Rodrigues. Uma pobre mulher do subúrbio carioca que sonha com um enterro de luxo. Deseja um velório que provoque a inveja da vizinhança, pelo tamanho dos arranjos de flores, pela riqueza da urna, pela pompa do carro funerário. A peça de Nelson Rodrigues, cujo centenário celebramos em 2012, estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 8 de Junho de 1953. O autor classificou a peça como “Tragédia Carioca”, mas um tom de comédia fica inevitável. Alguém que se realiza através de um enterro de luxo não pode ser levada a sério.

Fosse hoje e Zulmira pediria um velório online. Não importa onde, mas o cantor preferido poderia entoar um réquiem, assim como o padre superstar poderia enviar a benção de onde estivesse. Tudo “tuitado”, compartilhado em todas as redes sociais, para todo o planeta. Vídeos em tempo real mostrariam lágrimas reais e as “de crocodilo” e aquele interessado distante já poderia pedir uma geral do ambiente, garantindo a gravação dos bens do defunto que entrariam no inventário.

Minas Gerais sempre me surpreende. Na aparente imutabilidade dos hábitos dos mineiros, dentro dos casarios seculares onde, aparentemente, nada mudou, o futuro está presente e os mineiros de agora continuam não comprando bondes. Se fosse para comprar fariam via internet. Namoram, casam e até velório online já estão fazendo.  Tudo bem que ocorram velórios online em tudo quanto é lugar, mas em Minas? “Eita! Povo novidadeiro, sô! É pra se admirar.”

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Boa semana para todos!

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Notas:

– Os dados sobre a peça A Falecida foram extraídos do livro “O anjo pornográfico”, a biografia de Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro e publicada pela Companhia das Letras.

– Mineiros interessados em velórios online: http://www.funerariagonzaga.com.br

– A Falecida foi adaptada para o cinema em1965, com direção de Leon Hirszman

Chico Buarque, o terceiro

Tendo como medida minha amiga Fafá, devo afirmar que Chico Buarque é um caso sério. Não faz tanto tempo; estive com Fafá em uma entrevista coletiva com Chico (Só Chico; faz de conta que somos íntimos!), Edu Lobo e Lenine. Acho que ela não viu quase nada além dos olhos do Chico, a roupa, os movimentos, as palavras ditas pelo cantor e compositor. Lá pelas tantas, sem se agüentar, soltava pérolas do tipo: – Chico! Olha eu aqui! Chico!

Venha ouvir sem mais demora

A nossa música

Que estou roubando de outro compositor

E já retoco os versos com maior talento

Dou um polimento e exponho na televisão

O nosso amor…

(Rubato – Jorge Helder e Chico Buarque) 

Hoje, certamente, Fafá está choramingando pelos cantos. Não conseguiu ingressos para ver o Chico. Ela e milhões de outras mulheres. Mais fieis que Penélope. Passa o tempo, Chico longe, escrevendo livros ou jogando futebol, envolvido em múltiplas tarefas e relegando shows para planos secundários. Não importa. Ele anuncia a volta e os ingressos se esgotam com uma rapidez que deixa a colorida Restart em preto e branco de inveja.

O caso sério Chico faz poucos shows. Esse é o problema para a mulherada. Os empresários… Bom, como a casa fica lotada, vendem até uma cadeira com visão parcial por 120,00 reais! (Só se vê metade do Chico? O perfil direito ou o esquerdo? O cara vai ficar paradinho, como sempre, mas se resolver andar pelo palco, a visão é zero?). Desconheço qualquer reclamação quanto a esse tipo de venda de cadeira “torta”. As moças que conseguiram ingressos não reclamam; o cara abre a boca e, para elas, ele é sempre o “terceiro”:

…O terceiro me chegou

Como quem chega do nada

Ele não me trouxe nada

Também nada perguntou

Mal sei como ele se chama

Mas entendo o que ele quer

Se deitou na minha cama…

(Terezinha – Chico Buarque)

Se esse Chico conseguisse atingir metade das camas das moçoilas interessadas, teríamos mais “Buarques” que “Silvas” na lista telefônica. E o que sobraria para os outros? Para todos os outros caras, restaria e resta difamar o cidadão: ele está cheio de rugas, só joga futebol porque é dono do time e não escreve tão bem quanto compõe. Ah, e o Caetano é melhor cantor que ele. E enquanto ficamos com os cotovelos em carne viva, o carioca entra no palco ganhando paulistas, mineiras, baianas, paranaenses…

 Pensou que eu não vinha mais, pensou

Cansou de esperar por mim

Acenda o refletor

Apure o tamborim

Aqui é o meu lugar

Eu vim

(De volta ao samba – Chico Buarque)

O cidadão sabe das coisas de tal forma que, afirmam, conhece e traduz em versos a alma feminina. Melhor que discutir a relação, o cara fala por elas! Por isso coleciona namoradas; na praia, em bares, shows. Discreto, cavalheiro, faz pouco alarde e muito de vez em quando é flagrado; quando ocorre é com super gatas. Rival desse porte a gente chama para perto. Melhor aliar-se que lutar contra o dito cujo.

Quem tiver o ingresso, ou saco e tempo para ir ver a entrada do povo, verá quantos marmanjos presentes. Entre os vários motivos, a maioria vai porque Chico é mesmo bom. O melhor do Brasil. Chico Buarque faz cair por terra a história de música preferida. Só da lista divulgada para o show em cartaz, tenho pelo menos oito. E que ninguém venha me chamar de indeciso.  A única coisa que posso afirmar é que, entre minhas preferidas há “todo o sentimento”

Depois de te perder

Te encontro com certeza

Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada

Nada aconteceu

Apenas seguirei, como encantado

Ao lado teu

(Todo o sentimento – Cristóvão Bastos e Chico Buarque)

Encantado é uma boa palavra para definir o compositor Chico Buarque. Comecei o texto na hora em que anunciaram a passagem de som. Agora, noite alta, vejo a primeira matéria e o Uol informa que a apresentação do cara rola sob gritos da platéia: “Lindo! Lindo! Lindo!”. E fica aquela sensação de que o cara leva todas!

Fazer o que! Minha geração cresceu e amadureceu sabendo que cada namorada, amiga, mãe, parente e conhecida, todas elas, estão ali, doidinhas e prontinhas para uma entrega total e irrestrita ao compositor. Depois de cada show, elas voltam parcialmente satisfeitas, se é que me entendem… E resta-nos utilizar versos do próprio Chico para receber nossas queridas:

Se você crê em Deus

Encaminhe pros céus

Uma prece

E agradeça ao Senhor

Você tem o amor

Que merece.

(Sob Medida – Chico Buarque)

 

Até!

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Nota: As canções citadas acima estão no repertório do show.

O retorno de Reynaldo Gianecchini

Voltando aos palcos com a peça “Cruel”, ao lado de Maria Manoella e Erik Marmo, o ator Reynaldo Gianecchini sinaliza as possibilidades da ciência sobre uma doença avassaladora. O câncer ainda faz milhares de vítimas e somos, com freqüência, levados a uma sensação de derrota já no diagnóstico. A cura do ator é um sinal de esperança.

Foi em uma terça-feira; iríamos, Sonia Kavantan e eu, ver a peça “Cruel”. Mudamos o rumo, já que a apresentação havia sido suspensa. Soubemos depois os motivos. Como já tive a infelicidade de conviver de perto com situação similar, esperei o pior. Quando li as primeiras notícias sobre o restabelecimento fui apurar as informações e fiquei feliz. Toda e qualquer vitória sobre o câncer deve ser comemorada, alardeada. Por isso este texto.

Li bastante sobre essa doença e sei, por exemplo, que as pesquisas são isoladas. Que é comum um cientista que pesquisa o câncer em um determinado órgão, pouco saiba sobre a mesma doença em outra parte do corpo. Assim, sem uma troca consistente de informações, há a dificuldade nos processos de cura e ainda continua como grande incógnita o surgimento da doença. O câncer, quando aparece, é porque já existe e sendo diagnosticado a tempo, pode ser curado. Todavia, não há trabalho preventivo.

Penso que quanto mais se noticiar sobre a doença melhor. E um indivíduo famoso facilita o interesse da população sobre si, logo sobre a doença. Com maiores e melhores informações podemos percorrer um caminho diferenciado. Se há tratamentos possíveis podemos lutar para que sejam acessíveis a toda a população.

Gianecchini está de volta. A imprensa noticia mudanças de comportamento, de atitudes. Ninguém sai o mesmo após experiência desse tipo. A gente vai continuar observando, seguindo os passos do ator, torcendo para que ele fique plena e definitivamente curado. Portanto, vejamos as informações básicas sobre o retorno ao trabalho:

REYNALDO GIANECCHINI, MARIA MANOELLA e ERIK MARMO

Elias Andreato dirigiu, traduziu e adaptou “Creditors”, de August Strindberg: “Preferi Cruel ao título original, porque ele combina mais com a peça, com os personagens e com o autor, em relação à observação do cotidiano da alma humana”, informou o diretor.

A peça gira em torno de um triangulo onde Gustavo (Reynaldo Gianecchini) é o vetor da história. Adolfo (Erik Marmo) é um pintor inseguro, facilmente manipulado, mas sutilmente forte. Casado com Tekla, (Maria Manoella), uma bonita, sedutora e sagaz escritora, cai na armadilha do egocêntrico e cruel Gustavo, ex-marido de Tekla. 

No palco, mais do que ações e gestos, as mentes se enfrentam. A mais ardilosa vence a batalha. A mais ingênua perde a guerra, pois é considerada frágil e destrutível.  Com isso, é deflagrada uma corrente de forças, em que os personagens tentam ser vencedores de seus próprios conflitos. Cruel é, também, um xeque-mate a instituição do casamento.

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Serviço:  CRUEL

Teatro FAAP (400 lugares)

Rua Alagoas, 903 – Higienópolis.

Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234.

Segundas e Terças, às 21h. Ingressos: R$ 60 

De 13 de março a 15 de maio de 2012

Era pra ser assim

Se o final de semana fosse exclusivamente meu, seria:

Comemorar o aniversário daquele que é (quase!) irmão

Fazer parte da surpresa arranjada pelas filhas em festa para a amiga

Encontrar o viajante argentino que, antes de voltar, passa pelo Brasil.

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Tudo acontecido e pensaria ser capaz de conduzir a minha vida

Seria o feliz gerenciador da existência

Dono de mim, senhor do que me rodeia.

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Vem aquilo que a ocasião obriga-nos a chamar destino

Transforma, muda, obriga-me a faltar em tudo

E o mais, pois sim, teria mais, deixar para depois.

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A vida veio reiterar meus limites

E fez do final de semana o que bem quis.

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É madrugada, tento escrever e tudo parece vão

Nada importa, nada serve, nada é suficientemente bom

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Resta escrever a velha lição que teimamos em esquecer

Sobra-me assumir o que insistentemente tento ignorar:

Senhora de si, a vida faz e nos conduz para onde bem quer

E quando alguém morre (Mesmo se esse alguém sou eu!)

Nada acontece, exceto o fato inútil que é perceber o sino que badala na noite silenciosa.

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Até!

Um Oscar para a música do Brasil

Vou torcer descaradamente para que Carlinhos Brown e Sergio Mendes tragam o primeiro Oscar para nosso país. Será neste domingo e espero sinceramente comemorar esse momento. Os dois compositores, mais a letrista americana Siedah Garret criaram “Real in Rio”, a música principal do filme “Rio”, animação de Carlos Saldanha, e terão como única concorrente, a canção “Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie.

Um verdadeiro e grandioso embate entre a tradicional música das Américas. De um lado, a canção norte-americana, com refrão fácil, daqueles que grudam na mente da gente, com notas que permitem interpretações suaves, com momentos acalorados; embora tudo muito melancólico o final é feliz: tipo o amor vence! De quebra, há a força dos bonecos que conhecemos desde há muito; acompanharam a infância de algumas gerações e retornaram, conquistando as atuais. No prêmio deste ano, as imagens terão sua força, alavancando preferências para as canções.

O Brasil é a América que não usa o próprio nome. Somos do sul e quase sempre não nos denominamos americanos. Há gente por aqui descendente de europeu; há os afro-brasileiros; os asiáticos – esses criaram expressões próprias identificando as diferentes gerações – e, há os índios. Todos se dizem brasileiros e penso que, diante da supremacia econômica e bélica norte-americana, no máximo, assumimos algo tipo o primo pobre, quando nos dizemos sul-americanos.

Deste lado de baixo, o sul, temos o sol, as cores, a natureza inigualável e uma alegria ímpar. Essas características são facilmente detectadas no samba-exaltação, a expressão correta para definir a música de Carlinhos Brown, Sérgio Mendes e Siedah Garret. O ritmo é contagiante, a melodia é vibrante, arrebatadora. “Real in Rio” é para, literalmente, fazer todo mundo dançar. Se não consegue que todos “tirem o pé do chão” faz, no mínimo, com que mexam dedos marcando compassadamente a canção.

Outros trunfos para “Rio”: a música, enquanto linguagem universal está mais próxima de se fazer entender por Raimundo e todo mundo. A letra, da americana, amplia o entendimento para os que não dominam nosso idioma, nossos hábitos. Ainda tem a presença de Will.i.am, dando um toque de rap, evidenciando as possibilidades de sempre do nosso samba: somar passado e presente com total eficácia.

Os dois brasileiros – Brown e Mendes – somam talentos e sintetizam a vocação internacional da música brasileira. Sergio Mendes estourou nos EUA em 1964 com a música “Mais que nada” de Jorge Ben Jor e por lá ficou. Gravou dezenas de discos e recebeu o Grammy de 1993 na categoria World Music.

Sergio Mendes e Carlinhos Brown

O carioca Sergio Mendes faz dupla com o baiano Carlinhos Brown. Conhecemos nacionalmente o músico desde “Meia lua inteira”, composição marcante do disco “Estrangeiro”, de Caetano Veloso. Depois nos habituamos com o percussionista extraordinário conduzindo o “Timbalada”, tornando-se referência brasileira para o mundo. Outro tanto, não menos importante, é o trabalho de Brown com Marisa Monte e Arnaldo Antunes; os “Tribalistas” fizeram a cabeça de milhões. O compositor não é novidade lá fora, tem uma carreira consistente no exterior e, especificamente nos EUA, fez o melhor momento musical, ele próprio cantando, em “Velocidade Máxima 2”.

Se o Brasil e o samba começaram na Bahia, nada melhor que um samba e um baiano recebam o Oscar, prêmio ainda inédito para o país. Consagrando a célebre mistura brasileira, baiano e carioca unem-se à americana e – tomara – conquistem o prêmio. Será uma justa lembrança aos grandes sambas de Ary Barroso, Dorival Caymmi que avançaram sobre os norte-americanos em desenhos de Walt Disney e na voz de Carmen Miranda. Será um belo exemplo de união de raças e povos distintos, via música, essa expressão humana que desconhece fronteiras. Esse momento merecia uma campanha maior. Os de lá fazem um enorme estardalhaço, tentando emplacar cada concorrente, nas diferentes categorias. Aqui, humildemente, faço o marketing da nossa canção. Vamos lá, com o trio de compositores, buscar o Oscar para “Rio”.

Bom final de semana!

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