Natal mineiro é o que estou vivenciando e o que desejo para todos. Um natal simples ao lado da familia, com profundo afeto e ternura. Desejando paz e harmonia em todos os lugares, agradeço a atenção e o carinho de todos para com este blog. Escolhi a música de Pena Branca e Xavantinho, com a lembrança das Folias de Reis, tão caras a todos nós, para homenagear amigos e companheiros de jornada.
Novelas de rádio, mais que qualquer outra forma, um exercício de imaginação,
60 anos de novela na TV brasileira!
Desde que me entendo por gente que a novela está presente na minha vida. E não é maneira de expressão; lá em Uberaba, bem pequeno, já tinha “dificuldade” em sair da cama. Minha mãe, que ouvia as novelas transmitidas pelo rádio, gritava de onde estava: “- Valdo, levanta! A novela das 10 já começou!” E eu ficava na cama ouvindo o capítulo até a novela das 10 terminar. Histórias europeias de duques, princesas, personagens com nome de Bianca, João Luiz!
Dias Gomes criou o "pavão misterioso" de Juca de Oliveira em Saramandaia
Havia, em casa, revistinhas com capítulos da então mais famosa novela do rádio brasileiro, “O direito de nascer”. Não ouvi a novela no rádio, nem vi a primeira versão da TV Tupi, com Nathália Timberg e Hamilton Fernandes nos papéis centrais. Assisti outra, com Eva Wilma fazendo a freira “Maria Helena” e a jovem Beth Goulart interpretando “Isabel Cristina”. E li os capítulos dos livrinhos de minha mãe e, por consequência, li fotonovelas, uma coisa quase esquecida hoje em dia.
Novela sobre "ETs" na Excelsior, teve Pelé com Regina Duarte e Stenio Garcia.
A primeira telenovela que me pegou, tornando-me fã, foi “O morro dos ventos uivantes”. A moça morta voltando e aparecendo para o galã… eu gostava daquela coisa de fantasma, que é o que me lembro. Creio que era novela da TV Excelsior; quase todas as primeiras novelas dessa fase da minha infância eram do extinto Canal 9, ou então da TV Record; depois veio a Tupi, a Globo. “A pequena Karen”, “A grande viagem”, “O rouxinol da Galileia”… cada coisa!!! Não sei se hoje aquelas histórias me fariam a cabeça. Mas, por exemplo, “A grande viagem” acontecia toda dentro de um navio. E eu, lá nas chapadas da minha terra não conhecia de perto nem canoa! Então, a novela era um negócio encantador.
O grande Sergio Cardoso ensinando muito sobre Portugal, na TV Tupi
Cresci vendo novelas, apaixonado por Eva Wilma, desde sempre minha atriz preferida. Gostava e gosto de outras; mas Eva é a maior paixão. A única a passar do drama para a comédia, a farsa, o melodrama, qualquer estilo, sempre com um impecável talento. Há outras, grandes atrizes: Regina Duarte, Fernanda Montenegro, Glória Pires, Yoná Magalhães, Nicete Bruno… Tenho e exerço o direito de preferir Eva Wilma.
Eva, Claudio Corrêa e Castro, Beth Mendes e Gianfrancesco Guarnieri: Inesquecíveis.
Tive a sorte de assistir “Beto Rockefeller”; Luiz Gustavo foi o ator que mudou radicalmente o conceito de galã. Admiro Francisco Cuoco desde uma lendária novela chamada “Redenção”, uma das mais longas da história da telenovela brasileira. Também curto Tarcísio Meira, Juca de Oliveira, Antonio Fagundes, Paulo José, Tony Ramos e Selton Mello. Sou fã de Paulo Goulart, Paulo Gracindo, Lima Duarte; da atual geração, também admiro Alexandre Borges e Murilo Benício. A parceria entre Luiz Gustavo e Eva Wilma, em “Elas por “las”, o par perfeito!
A Viagem, duas versões. Quando algo dá errado, sei que o "Alexandre" está por perto.
A novela brasileira completa 60 anos. Houve época em que eu ficava calado, porque rolava preconceito pesado contra quem curtia novelas. As coisas mudaram, todavia, volta e meia, o tal preconceito aparece. Já tenho idade suficiente para ignorar esse tipo de coisa. Creio que poderia ficar horas e horas lembrando novelas, capítulos, autores, cenas. Fica o registro e a homenagem aos milhares de profissionais que ao longo desses 60 anos tornaram a minha vida, como a de muitos brasileiros, mais divertida.
Atualmente, passo minhas tardes com Ruth e Raquel
Vou concluir lembrando Ivani Ribeiro, Janete Clair e Dias Gomes. São estes os primeiros grandes autores de nossas novelas, mágicos criadores de histórias que tornaram as novelas um hábito nacional. E, por gentileza, se possível, deixe suas preferências “noveleiras” nos comentários.
O bom de tudo é que não foi programado. Nenhuma instituição pública ou privada determinou o fechamento da Avenida Paulista nestas dias que antecedem o Natal e o Ano Novo. Os paulistanos abandonaram suas casas, deixaram a televisão com seu frequente sensacionalismo barato e com irmãos, amigos, filhos, mães, foram para a Paulista. Nesse Natal conquistamos uma avenida!
Paulistas trocam catástrofes televisivas pelas luzes da Paulista
É bem verdade que as empresas colaboraram, assim como o poder público, decorando os edifícios e prédios para as festas. Rendendo-se às evidências, fecharam o trânsito na Paulista. A festa ocorre desde há muito e os congestionamentos na avenida sempre aumentam neste período do ano. Ainda ocorre de, sem descer do carro, diminuindo a velocidade, o cidadão admirar o trabalho de decoradores, vitrinistas e artistas plásticos. Isso durante a semana. Agora mudou!
No dia-a-dia os congestionamentos persistem; motoristas e passageiros observam.
Neste 2011 o paulistano rendeu-se ao trabalho dos decoradores da avenida e abandonaram suas máquinas. Sem perceber, estão criando não uma data, mas todo um período em que a Paulista é do ser humano e não de motores poluentes de carros, motos e ônibus. Ontem, conversando com um gerente de uma rede hoteleira, ele comentou o aumento dos negócios. A Paulista tem como maiores atrações o Réveillon e a Parada Gay. Agora, são semanas, principalmente nos finais de semana, que a Avenida é tomada pela população, criando as tais oportunidades de negócios, mas fundamentalmente tornando a cidade mais humana.
Decoração natalina: o desafio de renovar-se ano após ano
Todas as tribos, todas as idades, a cidade representada na Avenida. Uma grande festa sem música barulhenta, sem álcool, sem comilança. A população reaprendendo gentilezas, cordialidades; tudo para que um local possa ser visto, um efeito compartilhado, algo belo possa ser fotografado. Assim é, penso, uma festa de Natal e, na Avenida Paulista, o Espírito Natalino acontecendo.
Feliz Natal, São Paulo!
Nas ruas transversais, nas paralelas, muito congestionamento. Quase silencioso; um ou outro desavisado aciona a buzina, acelerando tensamente. A maioria permite que as pessoas possam atravessar, tranquilamente, na faixa de pedestres. Depois falam que a cidade é desumana! Neste Natal, em vários locais e principalmente na sua principal Avenida, o paulistano esbanja humanidade, gestos fraternos, assinalando que a cidade é do ser humano e que nela ele pode passear tranquilamente, como se em um velho footing da São Paulos dos lampiões de gás.
Começo a semana homenageando três grandes figuras, cada uma delas ligada à uma área, das três principais áreas deste blog. O teatro ficou sem Sérgio Britto, a música de Cabo Verde ficou sem Cesária Évora e o carnaval brasileiro perdeu um grande gênio, o artista plástico Joãozinho Trinta.
Sérgio entre Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi, na época do Teatro dos Sete
O nome de Sérgio Britto me é familiar deste criança; ele foi diretor da novela A Muralha, exibida pela extinta TV Excelsior, em 1969. Fiquei encantado com a saga dos Bandeirantes e recordo estes bravos primeiros paulistas desbravando o Brasil. Recordo dessa novela um ataque à casa grande, com os homens fora, e a defesa sendo feita por mulheres. Duas atrizes já tinham total domínio do ofício e garantiam grandes cenas: Nathália Thimberg e Fernanda Montenegro. Estas têm suas histórias profissionais ligadas a Sérgio Britto. No TBC, no Teatro de Arena, no Teatro dos Sete. Escreveram a história do teatro brasileiro do século XX e continuam, neste XXI.
Conheci Sérgio Britto nas minhas andanças por São Paulo. Era simpático, falante, educado. Parecia sempre disposto a contar histórias do seu passado, da sua profissão. Uma generosidade em transmitir o que sabia que foi sistematizada na CAL – Casa de Arte das Laranjeiras, a escola da qual foi um dos fundadores e que está entre as nossas principais instituições de ensino de teatro.
Também tive o privilégio de ver um show de Cesária Évora. Convidado pela também cantora Angélica Leutwiller fui conhecer a cantora de Cabo Verde. A apresentação foi inesquecível. Cesária pareceu-me uma mulher vivida, sofrida; nada do glamour que possa sugerir a expressão “Diva dos pés descalços”, como foi chamada em vida. Creio que o vídeo fale por si. A voz límpida, afinada, sobretudo uma voz forte e ao mesmo tempo de uma doçura incrível.
Daquele show de Cesária Évora guardei a lembrança da mulher tranquila que, com um sorriso sincero e simultaneamente gaiato, interrompeu o espetáculo por alguns minutos, anunciando que precisava ir “la fora” fumar. Voltou para concluir o show com voz tranquila, colocando Cabo Verde no mapa musical das minhas preferências.
Assim como Cesária Évora fez seu país ser lembrado por todos os lugares onde passou, Joãozinho Trinta colocou a escola de samba Beija-flor de Nilópolis na história do samba, marcando definitivamente o carnaval do Rio de Janeiro.
O carnaval de Joãozinho Trinta: Irreverência e protesto com humor
Joãozinho Trinta encarna um tipo diferente de artista, ligado às artes plásticas, com um invejável domínio de composição visual. Há que se considerar que um desfile de escola de samba é um monte de coisas: teatro, ópera, dança, enfim é um grande espetáculo com uma única apresentação. Compor dezenas de alas, alguns carros alegóricos, destaques diversos e colocar tudo isto em uma passarela com harmonia, beleza e ritmo contagiante não é coisa para qualquer mortal.
O carnavalesco Joãozinho Trinta será lembrado pelos imensos carros alegóricos com mulheres espetaculares; pela ousadia de, impedido de colocar uma escultura do Cristo Redentor – veja foto acima – responder com elegância e fé ao ato de proibição originado da própria igreja católica. Também será lembrado pela alegria, pelas referências ao seu amado Maranhão, sempre com a alegria que caracteriza sua gente.
Três diferentes grandes artistas. Sérgio Britto, Cesária Évora, Joãozinho Trinta. Os três falecidos no mesmo dia, 17 de dezembro de 2011. Vale lembrar, sobretudo homenagear e agradecer pelos incontáveis momentos de arte que nos proporcionaram.
A pintura em Lascaux, França, atingiu níveis admiráveis de sofisticação.
Mudanças! A pedra foi um primeiro suporte para a expressão humana; as pinturas rupestres são registros desse momento. O homem insatisfeito, já que pintar ou grafar pedra não é coisa fácil, usou outros suportes: pele, papiro e o papel, até chegar à tela que recebe o que escrevo; em outra tela você, leitor, recebe minha mensagem.
Movimento! A arte começou lá nas esculturas pré-históricas e mais uma vez o ser humano, por mero deleite ou por resposta às próprias inquietações, esculpiu pedra, madeira, mármore, bronze e soube captar formas, criar outras. Justamente porque aprendemos a dominar formas e a inseri-las no espaço é que somos capazes de construir foguetes, transatlânticos.
Botticelli, a primavera. A técnica utilizada nesta é a têmpera sobre madeira.
Transformações! A pintura rudimentar surgida nos primeiros tempos evoluiu; no Paleolítico atingiu níveis admiráveis de sofisticação. Nela também ocorreu, e ainda ocorre, a busca pelo melhor material, pelo suporte mais adequado. A importância de um determinado material para a evolução da expressão humana pode ser exemplificada no Renascimento pelos avanços da pintura, tanto em técnica quanto em materiais.
Todo esse preâmbulo para sinalizar que o ano está acabando e que o grande barato de viver é seguir em frente. Temos uma série de rituais para todos os dezembros. E rituais são fundamentais para sinalizar a passagem desses momentos. Mas, convenhamos, algumas mudanças são saudáveis, necessárias, bem-vindas. E pequenas alterações em “rituais eternos” vão transformando esses costumes, atualizando-os, colocando-os em sintonia com o que vivemos e sentimos. Agora, vamos matutar; como essas mudanças são difíceis!
Para algumas pessoas é impossível não rolar um peru (!); crianças ganharão presentes, adolescentes encherão a cara, namorados trocarão cartões melosos, uns perfumados, outros sonoros… Roberto Carlos, imutável, vai cantar “emoções” por aí. Teremos “Emoções em alto mar”, “Emoções em Jerusalém”, “Emoções sertanejas”, “Emoções na tv ou no aparelho de som”… A televisão reprisará filmes e alguns personagens, como Assis Valente, voltarão ao destaque.
Podemos disfarçar, mas certas "emoções" são sempre as mesmas.
Sem entrar em questões religiosas, apenas enfatizando o final de um ciclo iniciado em janeiro passado: o que há realmente para comemorar? Seja no natal ou no ano novo. E sem embarcar nas realizações alheias, tipo “fomos campeões no sambódromo”. Também que fique bem claro que não penso em grandes acontecimentos; bastam pequenas atitudes, tipo não ficar berrando na beira do palco para o Roberto Carlos cantar “Emoções”; ou plantar um pé de jabuticaba, rabiscar uma poesia ou, sei lá, tentar combinar o tal peru natalino com cuscuz e tapioca.
Listar ações e atitudes, fazer um balanço de final de ano pode parecer burocrático demais. Todavia, penso que é fundamental sentir que algo novo foi feito, criado, para que a palavra evolução tenha mais peso que a palavra velhice. Quando criamos alguma coisa e fazemos disso um hábito, basta terminar essa coisa para começarmos a pensar na próxima. E o tempo deixa de ser aquele que passa para ser aquele tornado sempre insuficiente para tudo o que almejamos.
Eu não canto “Emoções”. Nada contra o autor e sua canção. Penso é na necessidade de sempre se colocar um pouco de arte na vida. Estudando o que já foi feito, experimentando fazer alguma coisa, descobrindo outro tanto. Não cantar “Emoções” para poder vivê-las! A arte evolui e podemos ir com ela; no mínimo tentar. O que não é válido é sentir o tempo como peso, como perda. Não dá medo pensar em passar a vida prostrado frente à tv, vendo Roberto Carlos cantar “Emoções”? Lembrar o que “chorei”, “sorri”, “senti”, o que “eu vivi”… tudo passado!
Todo começo costuma ser simples. Como um olhar para grandes amores, uma palavra inadequada para guerras imensas; ou o nascimento de uma criança, como resultado de um feliz encontro entre um homem e uma mulher. Até mesmo uma cidade como São Paulo nasceu na maior simplicidade, “na humildade”, diriam os “manos”.
E mesmo nossa São Paulo nasceu na maior simplicidade
O Natal, sendo a lembrança de um começo – o menino Deus nasceu! – poderia ser um momento bem simplesinho. Nós, seres humanos, complicamos muitas coisas só pra dizer que tal fato, pessoa ou acontecimento nos são importantes. Por essa mania, tão humana, é que tornamos o período natalino um “problema”. Por exemplo, enchemos o mês de dezembro de contagens regressivas; para o final de aulas, para a vinda do Natal, para a chegada do Ano Novo… e listas de compras, de compromissos, etc..
São Paulo está carregada de luzes e de cores. Exagerada em alguns locais, elegante em outros, tudo para o Natal, o Ano Novo. Parece também que todos os automóveis dos paulistanos estão nas ruas transportando pacotes enfeitados, ingredientes para ceias, muitos presentes, caríssimos ou simples lembrancinhas.
Nossa grande e complexa cidade já foi um dia muito simples. Foi isto que pensei com meus botões sem resistir a fotografar o Pátio do Colégio. Tentei visualizar o pequeno lugarejo iniciado pelos Jesuítas.
Tentei visualizar o pequeno lugarejo iniciado pelos Jesuítas
Já me habituei ao fato de que muitos paulistanos não conheçam o Pátio do Colégio. É comum encontrar pessoas com receio de caminhar pelo Centro Velho da capital, como se a violência estivesse circunscrita ao local. Em todos esses anos na cidade e sempre caminhando pela região da Sé, a Rua Boa Vista,onde fica o Pátio, o Largo de São Bento e adjacências, nunca fui assaltado. E, como narrei anteriormente, só presenciei assalto à mão armada na Avenida Paulista. Portanto, tenho o hábito e gosto de passear na região do Centro Velho.
Resolvi começar a falar de Natal pelo começo de São Paulo, pelo Pátio do Colégio. A primeira casa dos Padres Manoel de Nóbrega e José de Anchieta não perdeu seu charme. Tentei hoje brincar de ser um índio qualquer perdido nas selvas de então e deparando-me com a construção singela do Colégio Jesuíta. A arquitetura colonial é tão impar que torna as construções desse período sofisticadas, elegantes, sobretudo são portadoras de uma simplicidade encantadora.
Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo, obra Amadeo Zani
Nossos políticos adoram palácios. Muitos paulistanos deveriam cultuar a lembrança de que este simples local, o Pátio do Colégio, foi sede do governo paulista, por quase 150 anos. Obviamente que o local foi alterado várias vezes, cada político tentando deixar a própria marca. O atual conjunto lembra o primeiro, iniciado em 1556, não é reconstrução ou restauração. É bom salientar que mudanças de lugares simples não é privilégio de político brasileiro. Se os locais por onde o Cristo passou também sofreram intensas modificações, luxuosas modificações, imaginem o que não foi feito em todos os outros!
O Pátio do Colégio esta aí, assinalando que a simplicidade é bela, comovente, sincera. Em um momento em que a cidade está carregada de cores e luzes, e em que os cidadãos estão sobrecarregados de trabalho, de tarefas, é bom lembrar a simplicidade, nossa origem. Por mais que tomemos posse de toda a parafernália complexa desse mundo, são nas coisas simples que nos deliciamos e somos felizes: um olhar, um aperto de mão, uma palavra carinhosa e uma casinha branca com janelas azuis para nos abrigar.
Na “humildade”, que tal um Natal simples e verdadeiro?
O autor da proposta de divisão do Pará não conheceu o Estado e os paraenses que eu conheci. Teria evitado uma derrota histórica. Os eleitores negaram em plebiscito neste domingo a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. O Pará segue em frente, sem divisões territoriais.
Meu trabalho: teatro em Santa Maria, no Pará
Quem conhece o Pará sabe que esse resultado seria previsível. Estive algumas vezes em Belém, a capital, passei por Castanhal e visitei Santa Maria. Naquele período pesquisei um pouco mais e levantei informações também sobre Breu Branco, Goianésia, Tailândia e Abaetetuba. Ficou evidente em todos esses lugares o amor e o orgulho dos paraenses pela própria terra.
A festa do Círio de Nazaré: O Pará é filho de uma única mãe
A festa do Círio de Nazaré impressiona e torna o Pará inesquecível. Todo o grande Estado é filho de uma única mãe (Os autores da divisão não consideraram isso?); todo o Paraense tem orgulho de ser nortista, de pertencer à Amazônia. E dizer-se da Amazônia é mais um elemento de união, entre muitos outros.
Quando cheguei ao Pará pela primeira vez achei estranha a preocupação do Governo em buscar patos no vizinho Maranhão. Depois descobri que o verdadeiro paraense não deixa de comer pato no tucupi no dia da procissão do Círio. Iniciando-me nos deliciosos mistérios do Pará experimentei tacacá, vi a chuva chegar e ir embora rapidinho. Sobretudo gostei da gente morena, bonita, com um jeito impecável de falar nossa língua.
Experimentando Tacacá ao lado de D. Maria do Carmo e Emanoel Freitas
A língua une assim como também a amazônia, o amor pela Virgem de Nazaré, o prazer em apreciar o açaí, outra delícia paraense. O que pretendiam com a separação? Aumentar o número de políticos com seus salários astronômicos? Quem realmente se beneficiaria com isto? Há uma diferença brutal entre descentralização do poder e divisão desse mesmo poder, assim como é diferente administração eficaz de aumento da máquina administrativa.
Já quiseram separar o Triangulo Mineiro de Minas Gerais. Tudo resolvido entre os donos do poder, sem qualquer consulta ao povo, como o louvável plebiscito que acaba de impedir a divisão do Pará. Até onde soube, o Triangulo manteve-se Mineiro por conta de certo prefeito que, para não ser processado por irregularidades, votou contra a separação. O que teria dito o povo, o meu povo?
Penso que devemos aprimorar os mecanismos de votação do país já que avançamos tanto em termos de eleições computadorizadas. Escrevo isso pensando em plebiscitos menos caros, feitos via internet. Se nós somos capazes de declarar impostos digitalmente, sem riscos de problemas, porque não podemos opinar sobre outras questões, tão importantes quanto a divisão de um Estado? Pode ser um pensamento utópico; espero que um dia torne-se realidade. O que importa, sobretudo, é que a voz do povo possa ser realmente a voz do povo.
Ouso sonhar que chegaremos a um momento em que, efetivamente, será a vontade da maioria que decidirá algumas questões nacionais. Assim, o “político esperto” pensará duas vezes antes de propor divisões ou soluções duvidosas.
Boa semana para os paraenses, boa semana pra todos nós!
Nota para quem chegou recentemente:
Convidado por Sonia Kavantan participei de uma produção que percorreu parte dos Estados do Pará e do Maranhão.
Para lembrar: o cartaz da nossa montagem
Um dos objetivos do trabalho era a valorização da cultura dos dois estados e, para que isso fosse possível sobre um palco, idealizei a peça “O Casamento do Pará com o Maranhão”. Sou o autor do texto e a produção foi feita com artistas paraenses, com direção de Emanoel Freitas. Tenho um orgulho danado de ter participado deste trabalho. O início desta história está registrado aqui. As fotos que ilustram o post de hoje são desse período.