Os jardins suspensos do Vavá

Viver em apartamento tem suas limitações; entre as que não engulo é a falta de um pedacinho de terra. Não que eu componha “rocks rurais” ou queira “plantar amigos”, para lembrar a canção de Zé Rodrix e Tavito. O que eu gosto mesmo é da vida e do perfume que as plantas exalam confirmando o que disse o Cartola : elas não falam. Por gostar de plantas insisto nos “Jardins suspensos do Vavá”, o que implica em duas estantes e alguns vasos que… florescem!

Final de semana, acordei lembrando o feliz casamento da Ellen e do Wagner (Foi tudo muito bom!) e resolvi oficializar publicamente a chegada da primavera na minha casa; quem sabe, insistindo na informação, o frio vai embora de vez! Vamos às imagens:

Essas renasceram

O vasinho veio da feira e depois que “passa o tempo” insisti em manter o vaso. Água, paciência e o vasinho refloresceu. Uma pequena e feliz vitória!

Ambiente de trabalho

Atenção para o computador, ali ao fundo. Trabalho ao lado das minhas plantas. Essa veio logo após a chegada das “Flores de maio”; que em apartamento nascem em julho, agosto e que esse ano demorei para fotografar, e elas já se foram. Estou bem afeiçoado a esta, lindona!

Lírios da paz, da Lisa

O vaso com os lírios da paz foi presente da Lisa Yoko, minha querida amiga. Florescem o ano todo quando bem cuidados, mesmo nos períodos mais frios. Ao fundo, “Comigo ninguém pode” que podei, pois estava imenso. No primeiro plano, uma folha da “Espada de São Jorge”. Essas duas juntas, todo mundo sabe, livra a casa de um monte de coisas ruins.

Dezesseis anos de samanbaias

Essas Samambaias são antigas habitantes desse jardim. O vaso foi um presente de João Luiz. Este faleceu há muito, mas permanece companheiro no vaso e na imagem da Madona de fundo, pintada por ele.

Os jardins suspensos... rsrsrsr

Simples os meus jardins suspensos. Não há nenhuma super orquídea, nada muito raro e difícil; nem nada tão exótico que lembre os “rivais”, os da Babilônia. Um passatempo para curtir. Bem melhor que a violência na tv, infinitamente superior a toda a sujeira dos nossos políticos.

Para finalizar, uma outra lembrança de música: “As flores do jardim da nossa casa”, do Roberto Carlos e Erasmo Carlos. É uma música triste, contando que as flores todas foram embora com um grande amor. Como aqui em casa elas estão e permanecem, sinal que estou bem na fita! Ou seja, esse jardim vai continuar, enquanto Deus permitir.

Bom final de semana para todos.

Valsinha para um grande amor

Cerimônia de casamento é sinônimo de “Valsinha”, a música de Vinicius de Moraes e Chico Buarque, que está no disco “Construção”, de 1970. Tempos depois de o disco ter saído cantei essa canção para a entrada de minha irmã caçula, Walderez. Letra e melodia emocionam e fui convidado a cantar a mesma música para a entrada de outras noivas.

enlace
Enlaçadinhos!

Logo mais haverá um casamento. De Ellen e Wagner. Entre tantos alunos, ao longo de todos esses anos, prefiro identificá-los como sempre o fiz, pelos sobrenomes. Hoje é o dia do casório de Ellen Rotstein e Wagner Kojo. Não tenho a menor idéia de como será a cerimônia. Sei que lembrarei a velha música.

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar

Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar

E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar

E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar 

Ele, que hoje será o Wagner, é tipo quieto, fala pouco. Revejo o aluno tão aplicado quanto ambicioso. Boca dura e, próprio do jovem demais, um tanto ou quanto prepotente. No entanto, uma frase ficou como diferencial daquele aluno, no começo dos anos 2000; em meio aos colegas divididos entre Palmeiras, Corinthians e São Paulo FC, ele foi enfático: – Não tenho tempo para perder com essas coisas.

No pretenso país do futebol, foi bom conhecer um cara que não se deixa levar pela onda e tem objetivos bem determinados. Ficamos amigos, porque gosto de gente com personalidade marcante, e o tempo tem confirmado que o Wagner fez escolhas certas. É bem sucedido, dentro de parâmetros muito precisos, sem nunca ter deixado de ser um jovem contemporâneo, divertindo-se e vivendo um grande amor ao lado da Ellen.

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar

Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar

Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar

E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

Tenho certeza que o vestido dessa ela que é a Ellen não cheira a guardado. Mesmo porque ela não é do tipo que espera, prefere fazer, ir atrás, brigar pelo que deseja.  Miudinha, sempre falante e sempre com um sorriso que é só dentes, muitos dentes! A aluna brigava pelo que queria e impunha-se perante os colegas.

Autônoma e decidida, por exemplo, atravessa a cidade para comer comida japonesa (e algumas vezes nos encontramos pela mesma afinidade). Houve um momento que achei que perderia Ellen para o Canadá; de outra vez, para Florianópolis. Inquieta, ela vai longe. Ela busca algo, além do comum. Talvez esteja na Igreja que freqüenta, na profissão que escolheu, ou na família que começa a construir.

Eu vi o começo desse namoro, vi o desenvolvimento com todas as nuances de um relacionamento real. E agora testemunharei o enlace fazendo-me padrinho. Espero ver muita dança na noite desta sexta-feira; muitos beijos loucos e espero, com muita vontade, que o final de “Valsinha” venha a repetir-se hoje, amanhã e sempre:

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou

E foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou

E foram tantos beijos loucos

Tantos gritos roucos como não se ouvia mais

Que o mundo compreendeu

E o dia amanheceu

Em paz

Ellen, Wagner, um grande beijo!

Vinicius de Moraes, para viver grandes amores

Vinicius nasceu em um 19 de outubro

Ter noventa e oito anos, pelos padrões atuais, não é uma idade exageradamente avançada. Certamente é a idade de um senhor, um velho, um ancião. Essas expressões – senhor, velho, ancião – perdem bastante o sentido se a referência é Vinícius de Moraes. Mas seria essa a idade do Poetinha, como foi chamado pelos amigos, se ainda estivesse por aqui.

Vinicius de Moraes faleceu em 1980, aos 66 anos, e para os padrões vigentes de então o poeta, tido como da velha geração, tinha a aura de um jovem e a alma apaixonada do adolescente. Parceiro de gente como Chico Buarque e Toquinho, dois exemplos com duas, quase três décadas mais jovens, era fatal visualizar a “idade avançada” de Vinicius. Como fui bobo por pensar assim!

Hoje consigo perceber a atemporalidade daquele homem. Poemas e canções estão vivos, atuais, tão jovens quanto nunca fui. Neles, Vinicius imprimiu verdades imbatíveis:

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais… 

Visto assim, fora do contexto que é toda a letra da canção “Tomara”, esses versos podem lembrar a sofreguidão que a velocidade contemporânea impôs aos incautos. Escrevo isto pensando na próxima sexta-feira, quando milhões de seres sairão em louca disparada, para viver “intensamente” uma noite, uma balada, como se fosse a última e a única coisa. Invariavelmente, na real, procuram alguém. Frequentemente retornam sem ninguém. Vinícius, que nunca ficou sozinho, tudo indica, não suportava correria.

Viver cada segundo, com intensidade, levou o poeta e compositor a ter muitos amores; chamas imensas, infinitas paixões enquanto duraram. Ler sobre suas paixões, ouvir os amigos contando as histórias e vem a certeza: no amor, Vinicius mergulhava de olhos fechados, doava-se tão completamente que cantava cada nova paixão como se fosse a primeira, como se fosse a última.

Essa capacidade de entregar-se por inteiro é artigo raro nos dias de hoje. Percebo muita gente sôfrega em academias, tentando esculpir um corpo que, perene por demais, logo se rebelará e voltará a ser flácido, ou gordo, ou velho; simplesmente um corpo humano. E em noites que deveriam ser puro deleite, vejo pessoas bebendo para camuflar suas inseguranças, para preencher o imenso vazio que permanece porque, literalmente, se jogam no movimento alucinante só da balada. Do amor, esperam obter algo, porque não sabem os versos de “Como dizia o poeta”, que também foi musicado por Toquinho.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair

Pra que somar se a gente pode dividir?

Eu francamente já não quero nem saber

De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração

Esse não vai ter perdão.

Vinicius trabalhou com jovens, como Chico Buarque

Vinícius, que nasceu em 19 de outubro, de um ano que já está no século passado continua jovem. Falando de amor (E é bom lembrar o quanto os jovens de hoje falam de amor!), vivendo o amor, tem muito, mas muito que ensinar a todos nós. E com tanta solidão que há por aí, acredito ser uma boa dica a poesia de Vinicius de Moraes, em bibliografia farta e disponível em bibliotecas e livrarias. Se o cidadão não gosta de ler, que tal colocar nesses aparelhinhos ambulantes as letras de Vinícius musicadas por Toquinho, Chico Buarque, Tom Jobim e muita, mas muita gente boa? De quebra, além de refinar o ouvido, a gente aprende a amar melhor.

Pequenas e necessárias mudanças

Mudanças incomodam, tiram-nos da comodidade cotidiana; todavia, são necessárias. Bem, muitos sabem e tem gente que não sabe. Tive um blog no Papolog.com, iniciado em 2008, indo até agosto deste 2011. Lá escrevi sobre música ou tendo a música como elemento norteador de temas diversos. Tudo tem seu tempo e o meu, com o Papolog, já foi. Guardo boas recordações e tenho, no coração, grandes e queridos amigos desse período, gente que conheci na e através da empresa.

Sou de gêmeos e gosto de mudanças

De tudo o que escrevi no blog anterior há coisas que quero preservar e centralizar em um único local. Meu atual espaço é este; por isso, estou selecionando e transferindo alguns posts do blog anterior. Aqui na página inicial, ao lado há um espaço denominado ARQUIVO e nele já estão três posts, copiados do meu outro blog. Infelizmente não é possível e inviável copiar os comentários de cada post. Esses guardarei em arquivo pessoal e na lembrança.

Outras pequenas mudanças na parte superior, com as páginas “Quem Sou”, “Teatro”, “Música”, “Artes Plásticas”,  e “Cotidiano”.  Através de cada página é possível acessar o conteúdo específico relacionado.

Fica aqui o convite para uma visita nos posts anteriores (veja as tags, se o assunto for de seu interesse, entre!) e em cada uma das páginas. E amanhã, quarta, teremos post novo.

Abraços!

A professora do dia

Os professores de hoje estão mudados. Exige-se outro perfil do profissional de ensino, quando comparado aos meus primeiros mestres ou ao estereótipo que ainda prevalece no subconsciente coletivo sobre o que seja a figura do professor. O professor taciturno, fechado em seus livros, trancado em uma saleta preparando aulas, corrigindo exercícios, cedeu lugar ao “antenado”, “descolado”, às vezes humorista, outras animador de auditório.

A professorinha meiga que dividia-se entre as tarefas domésticas e os trabalhos escolares, entre filhos e alunos, deu lugar a mulher dinâmica, forte e, para usar expressões do momento, “proativa” e “up to date”. E é fato que quando pertinente e se necessário, essas professoras também são tudo o que escrevi sobre o professor.

Regina, a professora do dia!

Um bom exemplo de tudo isso é Regina Cavalieri, com quem trabalho nos últimos séculos (sim, séculos! Tudo muito intenso!). Se há um ditado popular que não se aplica a Regina é o tal “salvem a professorinha!”. É mais fácil presenciar o mundo pedindo socorro a esta professora.

“Antenada”, mantêm-se atenta a tudo – daquela forma que só as mulheres conseguem: a gravidez da secretária, o crime que abala a cidade, os solos de guitarra do Eric Clapton, a plantação de alfaces e rúculas… e as questões escolares (que, para imbecis, não é trabalho). Por questões escolares, no caso de Regina Cavalieri, fica subentendido a gestão e administração de uma pequena cidade: são 13 mil alunos, cerca de 500 professores e coordenadores e 260 funcionários. Porque professor não é funcionário é uma questão fácil: atualmente, como Regina Cavalieri, o professor é multifuncional. Não cabe mais atuar em uma única disciplina, uma única atividade, um só interesse.

Pequena parcela dos 13 mil

Pense em administrar e conciliar interesses de tanta gente e… conflitos são estabelecidos. E Regina tem uma resposta ótima, começando o diálogo com um “-Por que eu sou uma pessoa clara, professor!” e finalizando com “Você está irritado porque não faço o que você quer!” Outras expressões também lembram nossa cara colega: “Impreterivelmente!” e “Zero é nota!” são as mais frequentes.

Regina, Brengel e eu, parte de uma equipe do balacobaco!

Hoje é dia do professor. Nossa equipe é formada por André Antas, Carlos Henrique Ferreira, Claudia Bouman, Daniela Palma, Fernando Brengel, Maria Schochter, Christina Guerino, Marcelo Abud, Nelson Gomes, Dema Jorge Filho, Vânia Toledo Piza e euzinho (o lindo!).  Todos nós sabemos que junto com a poderosa Regina Cavalieri que tentei descrever aqui, há também aquela professorinha antiga, que sofre com os alunos, chora quando eles se formam e, sobretudo, é a mulher que tem paixão pelo que faz.

Todo o pessoal do Campus Marquês sabe que Regina é durona. Mas há sempre o dia de festa, de pura emoção. Nesta sexta, por exemplo, Regina capitaneou uma guerra de confetes; com muito barulho, serpentina e pirulitos. E foi com o espírito de festa e despedida da turma do atual oitavo semestre de Propaganda e Marketing que sai de lá para, em casa, terminar este texto para Regina, para todos os professores meus colegas e todos os grandes mestres desse meu Brasil.

Chico Buarque volta em turnê

O novo cd é base para o show

É bom ficar atento para o início das vendas dos ingressos. Chico Buarque voltará aos palcos e, certamente, serão eventos bastante concorridos. Uma rara oportunidade para ver, rever e conhecer a performance ao vivo do maior compositor brasileiro. Começa em novembro e o show terá como base o álbum “Chico”, lançado em julho passado.

As datas, cidades e locais previamente confirmados:

– Belo Horizonte: de 5 a 8 de novembro, no Palácio das Artes;

– Porto Alegre: de 28 e 29 de novembro, no Teatro Sesi;

– Curitiba: de 15 a 18 de dezembro, no Teatro Guaíra;

– Rio de Janeiro: de 5 a 29 de janeiro de 2012, no Vivo Rio;

– São Paulo: de 1 a 25 de março de 2012, no HSBC Brasil.

A assessoria do cantor anunciou que serão 28 músicas, cobrindo as diferentes fases da vitoriosa carreira de Chico, iniciada com sucessos inesquecíveis como “A Banda”, “Roda Viva” e outros, já tornados clássicos da música brasileira.  Fica aqui o toque; um lembrete para os fãs do cantor e compositor.

Um teatro para “Grande Otelo”


No próximo dia 12 será inaugurado o Teatro Grande Otelo no bairro Campos Elíseos, em São Paulo. Inserido no complexo dos padres Salesianos ( colégio, igreja e centro cultural) a nova casa presta homenagem ao ator e comediante Grande Otelo, um dos maiores artistas brasileiros.

Mineiro de Uberlândia, Grande Otelo (1915-1993) é referência de comédia no cinema nacional; em dupla com outro comediante, Oscarito, o ator fez história nos musicais e chanchadas. Grande Otelo tinha uma característica fundamental para o bom comediante: sabia rir de si mesmo. E fazendo piada com suas características pessoais, Grande Otelo tirou partido de um charme ingênuo e – a história prova – avassalador. Sim, rindo de si próprio, imprimia um jeito todo especial de seduzir; dava certo.

Não há grande atriz ou vedete – aquelas mulheres gostosas do Teatro de Revista, ou Teatro Rebolado – que não tenham feito um número com Grande Otelo. Também as melhores cantoras dividiram o palco com o artista. De Carmen Miranda e Elizeth Cardoso passando por Ângela Maria, Gal Costa e Wanderléa.

O clássico dos clássicos de Grande Otelo foi Boneca de Piche. Sabe-se lá como seria isso hoje, nos tempos de um duvidoso politicamente correto. Fico imaginando as reações dos proibidores de plantão se Otelo, ainda vivo, subisse em um palco, com alguma parceira da hora, para interpretar essa criação de Ary Barroso e Luiz Iglésias. Para lembrar Boneca de Piche, vejam o artista com Betty Faria:

Sem abandonar as comédias, Grande Otelo estraçalhou em filmes e novelas. Destas recordo uma, ele atuando com Marília Pêra, cumprimentando-a com sotaque italiano em “Uma Rosa Com Amor”. Grande Otelo podia tudo. De italiano do Bexiga a Macunaíma, passando por um sambista em cena histórica no filme “Rio, Zona Norte” quando, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, o ator mineiro interpreta um sambista que mostra, emocionado, uma criação pessoal para a grande Ângela Maria. A música é “Malvadeza Durão”, um senhor samba de Zé Keti. Vale a pena ver e rever.

De todos os momentos de Grande Otelo, registrados em vídeo e disponíveis no Youtube, não dá pra deixar de fora o encontro do mestre com Gal Costa. Era o ano de 1981 e, idade avançada, o ator já não tinha a mesma voz, mas mantinha-se afinado e resolvia tudo com graça e malandragem. Ao lado da extraordinária cantora, esbanja sedução. E Gal, com toda a sensualidade que sempre marcou sua carreira ataca, brejeira, faceira, evidenciando a plenitude da mulher brasileira, devolvendo charme e sedução ao parceiro. Um momento histórico.

São Paulo vai homenagear Grande Otelo. Deixo, abaixo, a programação de inauguração do teatro. Tomara venha, em breve, uma exposição, uma ampla mostra da carreira desse ator que merece sempre ser lembrado e reverenciado.