Chico Buarque volta em turnê

O novo cd é base para o show

É bom ficar atento para o início das vendas dos ingressos. Chico Buarque voltará aos palcos e, certamente, serão eventos bastante concorridos. Uma rara oportunidade para ver, rever e conhecer a performance ao vivo do maior compositor brasileiro. Começa em novembro e o show terá como base o álbum “Chico”, lançado em julho passado.

As datas, cidades e locais previamente confirmados:

– Belo Horizonte: de 5 a 8 de novembro, no Palácio das Artes;

– Porto Alegre: de 28 e 29 de novembro, no Teatro Sesi;

– Curitiba: de 15 a 18 de dezembro, no Teatro Guaíra;

– Rio de Janeiro: de 5 a 29 de janeiro de 2012, no Vivo Rio;

– São Paulo: de 1 a 25 de março de 2012, no HSBC Brasil.

A assessoria do cantor anunciou que serão 28 músicas, cobrindo as diferentes fases da vitoriosa carreira de Chico, iniciada com sucessos inesquecíveis como “A Banda”, “Roda Viva” e outros, já tornados clássicos da música brasileira.  Fica aqui o toque; um lembrete para os fãs do cantor e compositor.

Um teatro para “Grande Otelo”


No próximo dia 12 será inaugurado o Teatro Grande Otelo no bairro Campos Elíseos, em São Paulo. Inserido no complexo dos padres Salesianos ( colégio, igreja e centro cultural) a nova casa presta homenagem ao ator e comediante Grande Otelo, um dos maiores artistas brasileiros.

Mineiro de Uberlândia, Grande Otelo (1915-1993) é referência de comédia no cinema nacional; em dupla com outro comediante, Oscarito, o ator fez história nos musicais e chanchadas. Grande Otelo tinha uma característica fundamental para o bom comediante: sabia rir de si mesmo. E fazendo piada com suas características pessoais, Grande Otelo tirou partido de um charme ingênuo e – a história prova – avassalador. Sim, rindo de si próprio, imprimia um jeito todo especial de seduzir; dava certo.

Não há grande atriz ou vedete – aquelas mulheres gostosas do Teatro de Revista, ou Teatro Rebolado – que não tenham feito um número com Grande Otelo. Também as melhores cantoras dividiram o palco com o artista. De Carmen Miranda e Elizeth Cardoso passando por Ângela Maria, Gal Costa e Wanderléa.

O clássico dos clássicos de Grande Otelo foi Boneca de Piche. Sabe-se lá como seria isso hoje, nos tempos de um duvidoso politicamente correto. Fico imaginando as reações dos proibidores de plantão se Otelo, ainda vivo, subisse em um palco, com alguma parceira da hora, para interpretar essa criação de Ary Barroso e Luiz Iglésias. Para lembrar Boneca de Piche, vejam o artista com Betty Faria:

Sem abandonar as comédias, Grande Otelo estraçalhou em filmes e novelas. Destas recordo uma, ele atuando com Marília Pêra, cumprimentando-a com sotaque italiano em “Uma Rosa Com Amor”. Grande Otelo podia tudo. De italiano do Bexiga a Macunaíma, passando por um sambista em cena histórica no filme “Rio, Zona Norte” quando, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, o ator mineiro interpreta um sambista que mostra, emocionado, uma criação pessoal para a grande Ângela Maria. A música é “Malvadeza Durão”, um senhor samba de Zé Keti. Vale a pena ver e rever.

De todos os momentos de Grande Otelo, registrados em vídeo e disponíveis no Youtube, não dá pra deixar de fora o encontro do mestre com Gal Costa. Era o ano de 1981 e, idade avançada, o ator já não tinha a mesma voz, mas mantinha-se afinado e resolvia tudo com graça e malandragem. Ao lado da extraordinária cantora, esbanja sedução. E Gal, com toda a sensualidade que sempre marcou sua carreira ataca, brejeira, faceira, evidenciando a plenitude da mulher brasileira, devolvendo charme e sedução ao parceiro. Um momento histórico.

São Paulo vai homenagear Grande Otelo. Deixo, abaixo, a programação de inauguração do teatro. Tomara venha, em breve, uma exposição, uma ampla mostra da carreira desse ator que merece sempre ser lembrado e reverenciado.

Estádios, shows e distribuição de renda

O público de grandes shows já está habituado a associar música ao estádio do Morumbi. Agora o Palmeiras anuncia que entra na briga para disputar esses grandes eventos com o São Paulo FC.

Eric Clapton, no dia das crianças, aumentando a renda do São Paulo

Os números, sempre eles, são estimulantes para o Verdão: se o São Paulo chega a faturar R$1,2 milhão com um único show e em 2010 foram nove, isso equivale a receita de dez partidas de futebol. O Palmeiras, segundo noticiou o UOL, pretende arrecadar US$ 1 bilhão nos próximos 30 anos.

Shows no estádio do Palmeiras não são novidade. Eu, por exemplo, tive o privilégio de ver David Bowie no estádio do Palestra. Portanto, o que está sendo anunciado é a continuidade de um trabalho interrompido, já que todos os grandes shows, em tempos recentes, migraram para o Morumbi.

O aproveitamento de grandes estádios de futebol recebe críticas severas. Recentemente ouvimos, na Universidade, uma palestra onde uma profissional de futebol apontou problemas decorrentes do uso inadequado de nossos estádios. Eles ficam vazios e sem utilidade na maior parte do tempo. A desculpa mais comum costuma ser para proteger o gramado. Na realidade, o lance é grana. Quando entram grandes cifras, a proteção do gramado é balela. As reclamações quanto a qualidade do gramado do São Paulo são raras.

Os moradores da região do Pacaembu acabaram com os shows no estádio municipal. A população do Murumbi, sem o mesmo grau de mobilização, só aumenta a quantidade de reclamações decorrentes dos eventos no estádio local. O Palmeiras entra na briga, contando com a proximidade do Metrô e dos trens para o trânsito ágil do público. E o Corinthians; bem, vamos aguardar para saber se será lá a abertura da Copa e, um pouco mais, para saber o que virá depois.

Futuro estádio do Palmeiras, também para shows e similares

O que me levou a este texto foram duas notícias. A do Palmeiras e seus futuros shows e a outra, da FIFA, alardeando perdas com descontos nos ingressos dos jogos da Copa do Mundo. A entidade parece não respeitar a autonomia e as leis do país. Idosos e estudantes têm meia entrada garantida por lei. E a briga, parece, vai longe.

Essas grandes instituições, FIFA, São Paulo FC, Palmeiras e Corinthians só ganham: com ingressos, com patrocinadores, com direitos de imagem, com vendas de atletas e, além de canecas e camisetas, sabe-se lá o que mais.

Exceto pelo efêmera alegria de uma vitória em um jogo, um pouco maior quando é um campeonato, essas instituições com seus eventos geram distúrbios violentos e grandes congestionamentos, só para ficar em dois exemplos corriqueiros. Agora, qual a contrapartida? Se em cada jogo, ou show, os times e a FIFA enchem os bolsos, o que a cidade ganha além de contornar os problemas de trânsito e garantir a segurança entre torcidas?

Está na hora de a população cobrar dessas instituições uma ação que não seja exclusivamente comercial. Museus dão entrada livre um dia por semana para os cidadãos. Universidades cedem seus espaços para eventos da população de seus entornos. O que os grandes estádios podem fazer? Um dia de show, um jogo gratuito? O direito do time amador jogar lá, pelo menos uma vez ao ano?

Torcedores costumam perder o raciocínio diante da paixão pelo time. Não são os mais indicados para pensar em soluções. Nossos políticos, receando perda de votos, adiam discussões para depois. A única distribuição de renda advinda do futebol vem do fraco que alguns atletas têm por loiras. Não estaria na hora de que os milionários times da cidade pensassem um pouco na população?

Steve Jobs e a herança que interessa

E por ser humano faleceu; aos 56 anos de idade.

Todo aquele que usa um computador, que gosta dessa maquininha fabulosa, tem uma divida de gratidão para com Steve Jobs. Afinal, esse homem tornou acessível o bichinho para um número incalculável de pessoas. Jobs foi tema de um trabalho na universidade e foi assim que eu conheci quem era o criador, o poderoso, o milionário e, na medida do possível, o ser humano. E por ser humano faleceu; aos 56 anos; a idade que tenho hoje.

Poucas horas e já vi homenagens e piadas sobre a figura mundial. O cara que, segundo a revista Forbes deixou cerca de US$ 8,3 bilhões para, provavelmente, os três filhos. De tudo o que foi dito sobre esse acontecimento penso é no silêncio sobre a doença, sobre o verdadeiro mal que vitimou Steve Jobs.

Em tempos passados, presenciei indivíduos contaminados pelo vírus da AIDS. Fizeram de tudo para esconder esse fato das pessoas. Recentemente perdi um amigo de infância, vítima de câncer, que também escondeu o fato de, praticamente, todo mundo. Penso que todo o segredo sobre a doença de Jobs tem viés financeiro, embora possa estar enganado. Uma pessoa como ele, faz subir e descer ações nas bolsas de valores de todo o mundo. Só da poderosa Disney o empresário tinha 7% das ações, e os jornais noticiam que ele era o maior acionista físico dessa empresa.

A opinião pública pesa mesmo quando estamos diante da morte. E por isso as pessoas não dizem que estão doentes, não revelam a doença. Por outro lado, uma incrível característica humana, a esperança, mantém o interesse e os projetos dos doentes até nos últimos momentos. Ricos ou pobres, mesmo em estado terminal, os indivíduos se recusam a entregar os pontos. Já vi isso.

Como certas doenças não olham a personalidade, o caráter, a religião, o poder e a conta bancária das pessoas… Um poderoso morreu. E essa morte choca também por isso: ninguém compra saúde mesmo com US$ 8,3 bilhões. Morte é a prova concreta da impotência do ser humano perante a vida. Pensamos que somos, que temos, que podemos e ela chega. Pode começar no pâncreas ou no dedo mínimo, mas quando vem, nada pode ser feito.

É pela impotência, pela impossibilidade humana diante da morte que deveríamos aprender alguma coisa. Pela morte de um cara inteligente, rico e poderoso que deveríamos repensar nossas próprias vidas, nossas limitações. A morte de Steve Jobs nos propicia bastante reflexão sobre nossas precariedades. Talvez seja essa a última grande lição do mega empresário, do criador incansável e do dono de fabulosa fortuna: Somos frágeis e morreremos.

Reafirmo minha gratidão por Steve Jobs. Por todas as músicas, imagens e vídeos que guardo na maquininha aqui de casa. Por todas aquelas às quais tenho acesso graças aos caras todos do universo da computação. Sou grato ao Steve Jobs que, com suas atitudes, impulsionou a concorrência e favoreceu todo o planeta. Por isso podemos escrever mais, ler mais. Som, imagem, produção de texto e leitura em abundância para o mundo inteiro. Conhecimento e diversão! Esse sim é um legado admirável, uma herança incalculável.

Uma ideia: Lembre-se de Steve Jobs e de todos os criadores dessa revolucionária máquina no próximo “Ctrl C + Ctrl V”. É mais que uma simples homenagem; na real, é um pouco da verdadeira herança desses caras, seres humanos, entrando em nossas vidas.

Na, na, na, na, Nanana Nanana…

Meu amigo Marcos Ravena deu a dica enviando o link, que ele viu no blog do Saulo Mileti (http://www.brainstorm9.com.br) que, por sua vez, recebeu a dica de uma mulher que não conheço. E assim se faz a internet e aqui vou eu, ampliando e indo além com esse vídeo, simples e genial.

Um grupo de músicos – Jane Lui, Michael T., e Jonathan Batiste interpretam “A História das letras que não são letras”. Direção e criação de Joe Sabia. Vale a pena ver, lembrar e curtir velhas e novas canções através de trechos na base do “nananana”. Muito bom! Grato ao Ravena pela dica e aos demais envolvidos, pelos momentos de prazer.

Pichadores e grafiteiros

Expressão artística no caos urbano

Em aulas recentes, ocorreram acaloradas discussões sobre manifestações visuais – pichadores e grafiteiros – nas ruas de São Paulo. Arte urbana para uns, falta de respeito para outros. O debate é intenso. Ocorreu-me a necessidade de voltar ao assunto agora, tempos depois da lei municipal que proibiu a publicidade no espaço urbano.

Arte de rua e publicidade em São Paulo é passado

Como o assunto é longo, vamos por partes. Escolhi dois vídeos, pequenos documentários sobre essas manifestações. Serve para introduzir o assunto. Recebi de minha aluna, Sarah Granelli, a indicação do vídeo sobre os pichadores (é, a grafia correta é “ch” e não com “x”; a utilização deste certamente decorre do uso popular).

Manifestação que ignora a propriedade alheia

Vale à pena ver a ousadia, o underground exposto no documentário de João Weiner e Roberto Oliveira. As cenas dos garotos escalando o edifício são imperdíveis.

Outro documentário, este feito por alunos da Universidade Metodista, é bem didático, abrangendo os fatos históricos e fazendo a distinção entre as diferentes manifestações, dando ênfase aos grafiteiros.

Pretendo voltar ao assunto. A idéia é sair e registrar algumas imagens do que há pela cidade. Refletir sobre essas manifestações agora sem a “competição” com as placas publicitárias. Vê-las em relação com a arte pública instituída – os grandes e pequenos monumentos – e em convivência com a arquitetura urbana. Sobretudo ver o que aproxima, gratifica e une a população da cidade,

Uma boa semana para todos

 

Stevie Wonder, lembrando velhas canções

Stevie Wonder lembra Antonio Carlos & Jocafi

Stevie Wonder, lembrando velhas canções
Stevie Wonder, lembrando velhas canções

Fui capturado pelo som de Stevie Wonder nesta madrugada e quebrei (Sem culpa!), a promessa de não ver o Rock in Rio via TV. Fazer o que; o cara é ótimo e, sacana, pegou-me pelo coração quando chamou uma de suas cantoras (Amigos, como o César, me alertaram: a moça é Aisha Morris, filha de Stevie) e atacou de “Garota de Ipanema”, com direito a improvisações de seus colegas instrumentistas. Um momento genial do encontro da música brasileira com o cantor e o grupo americano.

Stevie é velho conhecido de todos nós. A platéia canta junto, tranqüila e afinada, todos os grandes sucessos do astro. E o tempo vai e vem nas canções que são trilha de nossas vidas nesses cinqüenta anos de carreira desse artista. Ele transborda sinceridade quando diz que nos ama. Um amor antigo que começou lá atrás, quando Stevie Wonder cantou pela primeira vez no Brasil. Os jornais da época noticiaram que ele não queria voltar para os EUA, apaixonado que estava pelo nosso país.

É de lá, desse passado quase remoto, que Stevie Wonder resgatou um refrão, logo após “Garota de Ipanema”:

Você abusou

Tirou partido de mim abusou…

Não me restou alternativa exceto exclamar um sonoro palavrão; – Caramba! de onde ele tirou isso? A platéia foi na onda e repetiu o refrão, lindo, junto com a voz aguda de Stevie Wonder. Todavia os versos restantes, penso, ele esperava que a platéia cantasse; não rolou. Uma pena!

…Mas não faz mal,

é tão normal ter desamor

É tão cafona sofrer dor

Que eu já nem sei

se é meninice ou cafonice

O meu amor

Se o quadradismo dos meus versos

Vai de encontro aos intelectos

Que não usam o coração como expressão…

Foi lá, dos anos 70, que Stevie Wonder lembrou os versos de Antonio Carlos & Jocafi. Da música bonita que fez a cabeça de muita gente. Precisamente, nas férias de julho de 1971, eu não era o Tarzan, mas tinha uma namorada chamada Jane. E em um bailinho, onde tudo começou, conheci a garota (jamais esquecida, tinha uma semelhança com Barbra Streisand, sendo mais bonita que a cantora americana). Adivinha qual música dançamos de rosto e corpo coladinho?

…Que me perdoem

Se eu insisto nesse tema

Mas não sei fazer poema

Ou canção que fale de outra coisa

Que não seja o amor

Se o quadradismo dos meus versos

Vai de encontro…

Velho e bom Stevie Wonder, que além de todo o repertório fantástico que criou com suas composições – que continuarão atravessando gerações – ainda tem ouvidos para além, para as canções de outras terras, da nossa terra.

Quando ele começou os acordes de “Garota de Ipanema”, parei para ouvir o tratamento que daria ao grande sucesso de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A interpretação foi digna do peso que essa música tem para todos nós. No entanto, ao entrar nos acordes de “Você Abusou”, o músico americano deixou claro que vai muito além da superfície, ouvindo nossas canções com o afeto que elas merecem.

Eu, só posso agradecer pela grata lembrança. Da música, de Antonio Carlos & Jocafi, dos meus 16 anos ao lado da loirinha Jane, que não abusou, mas que deixou ótimas lembranças. Vamos lembrar a canção?

Stevie terminou sua apresentação cantando com Janelle Monáe, uma nova paixão de muita gente. Três da madrugada…

Ouçam a canção, é bonita!

É  para lembrar; e tenham um bom final de semana!