Estádios, shows e distribuição de renda

O público de grandes shows já está habituado a associar música ao estádio do Morumbi. Agora o Palmeiras anuncia que entra na briga para disputar esses grandes eventos com o São Paulo FC.

Eric Clapton, no dia das crianças, aumentando a renda do São Paulo

Os números, sempre eles, são estimulantes para o Verdão: se o São Paulo chega a faturar R$1,2 milhão com um único show e em 2010 foram nove, isso equivale a receita de dez partidas de futebol. O Palmeiras, segundo noticiou o UOL, pretende arrecadar US$ 1 bilhão nos próximos 30 anos.

Shows no estádio do Palmeiras não são novidade. Eu, por exemplo, tive o privilégio de ver David Bowie no estádio do Palestra. Portanto, o que está sendo anunciado é a continuidade de um trabalho interrompido, já que todos os grandes shows, em tempos recentes, migraram para o Morumbi.

O aproveitamento de grandes estádios de futebol recebe críticas severas. Recentemente ouvimos, na Universidade, uma palestra onde uma profissional de futebol apontou problemas decorrentes do uso inadequado de nossos estádios. Eles ficam vazios e sem utilidade na maior parte do tempo. A desculpa mais comum costuma ser para proteger o gramado. Na realidade, o lance é grana. Quando entram grandes cifras, a proteção do gramado é balela. As reclamações quanto a qualidade do gramado do São Paulo são raras.

Os moradores da região do Pacaembu acabaram com os shows no estádio municipal. A população do Murumbi, sem o mesmo grau de mobilização, só aumenta a quantidade de reclamações decorrentes dos eventos no estádio local. O Palmeiras entra na briga, contando com a proximidade do Metrô e dos trens para o trânsito ágil do público. E o Corinthians; bem, vamos aguardar para saber se será lá a abertura da Copa e, um pouco mais, para saber o que virá depois.

Futuro estádio do Palmeiras, também para shows e similares

O que me levou a este texto foram duas notícias. A do Palmeiras e seus futuros shows e a outra, da FIFA, alardeando perdas com descontos nos ingressos dos jogos da Copa do Mundo. A entidade parece não respeitar a autonomia e as leis do país. Idosos e estudantes têm meia entrada garantida por lei. E a briga, parece, vai longe.

Essas grandes instituições, FIFA, São Paulo FC, Palmeiras e Corinthians só ganham: com ingressos, com patrocinadores, com direitos de imagem, com vendas de atletas e, além de canecas e camisetas, sabe-se lá o que mais.

Exceto pelo efêmera alegria de uma vitória em um jogo, um pouco maior quando é um campeonato, essas instituições com seus eventos geram distúrbios violentos e grandes congestionamentos, só para ficar em dois exemplos corriqueiros. Agora, qual a contrapartida? Se em cada jogo, ou show, os times e a FIFA enchem os bolsos, o que a cidade ganha além de contornar os problemas de trânsito e garantir a segurança entre torcidas?

Está na hora de a população cobrar dessas instituições uma ação que não seja exclusivamente comercial. Museus dão entrada livre um dia por semana para os cidadãos. Universidades cedem seus espaços para eventos da população de seus entornos. O que os grandes estádios podem fazer? Um dia de show, um jogo gratuito? O direito do time amador jogar lá, pelo menos uma vez ao ano?

Torcedores costumam perder o raciocínio diante da paixão pelo time. Não são os mais indicados para pensar em soluções. Nossos políticos, receando perda de votos, adiam discussões para depois. A única distribuição de renda advinda do futebol vem do fraco que alguns atletas têm por loiras. Não estaria na hora de que os milionários times da cidade pensassem um pouco na população?

Steve Jobs e a herança que interessa

E por ser humano faleceu; aos 56 anos de idade.

Todo aquele que usa um computador, que gosta dessa maquininha fabulosa, tem uma divida de gratidão para com Steve Jobs. Afinal, esse homem tornou acessível o bichinho para um número incalculável de pessoas. Jobs foi tema de um trabalho na universidade e foi assim que eu conheci quem era o criador, o poderoso, o milionário e, na medida do possível, o ser humano. E por ser humano faleceu; aos 56 anos; a idade que tenho hoje.

Poucas horas e já vi homenagens e piadas sobre a figura mundial. O cara que, segundo a revista Forbes deixou cerca de US$ 8,3 bilhões para, provavelmente, os três filhos. De tudo o que foi dito sobre esse acontecimento penso é no silêncio sobre a doença, sobre o verdadeiro mal que vitimou Steve Jobs.

Em tempos passados, presenciei indivíduos contaminados pelo vírus da AIDS. Fizeram de tudo para esconder esse fato das pessoas. Recentemente perdi um amigo de infância, vítima de câncer, que também escondeu o fato de, praticamente, todo mundo. Penso que todo o segredo sobre a doença de Jobs tem viés financeiro, embora possa estar enganado. Uma pessoa como ele, faz subir e descer ações nas bolsas de valores de todo o mundo. Só da poderosa Disney o empresário tinha 7% das ações, e os jornais noticiam que ele era o maior acionista físico dessa empresa.

A opinião pública pesa mesmo quando estamos diante da morte. E por isso as pessoas não dizem que estão doentes, não revelam a doença. Por outro lado, uma incrível característica humana, a esperança, mantém o interesse e os projetos dos doentes até nos últimos momentos. Ricos ou pobres, mesmo em estado terminal, os indivíduos se recusam a entregar os pontos. Já vi isso.

Como certas doenças não olham a personalidade, o caráter, a religião, o poder e a conta bancária das pessoas… Um poderoso morreu. E essa morte choca também por isso: ninguém compra saúde mesmo com US$ 8,3 bilhões. Morte é a prova concreta da impotência do ser humano perante a vida. Pensamos que somos, que temos, que podemos e ela chega. Pode começar no pâncreas ou no dedo mínimo, mas quando vem, nada pode ser feito.

É pela impotência, pela impossibilidade humana diante da morte que deveríamos aprender alguma coisa. Pela morte de um cara inteligente, rico e poderoso que deveríamos repensar nossas próprias vidas, nossas limitações. A morte de Steve Jobs nos propicia bastante reflexão sobre nossas precariedades. Talvez seja essa a última grande lição do mega empresário, do criador incansável e do dono de fabulosa fortuna: Somos frágeis e morreremos.

Reafirmo minha gratidão por Steve Jobs. Por todas as músicas, imagens e vídeos que guardo na maquininha aqui de casa. Por todas aquelas às quais tenho acesso graças aos caras todos do universo da computação. Sou grato ao Steve Jobs que, com suas atitudes, impulsionou a concorrência e favoreceu todo o planeta. Por isso podemos escrever mais, ler mais. Som, imagem, produção de texto e leitura em abundância para o mundo inteiro. Conhecimento e diversão! Esse sim é um legado admirável, uma herança incalculável.

Uma ideia: Lembre-se de Steve Jobs e de todos os criadores dessa revolucionária máquina no próximo “Ctrl C + Ctrl V”. É mais que uma simples homenagem; na real, é um pouco da verdadeira herança desses caras, seres humanos, entrando em nossas vidas.

Na, na, na, na, Nanana Nanana…

Meu amigo Marcos Ravena deu a dica enviando o link, que ele viu no blog do Saulo Mileti (http://www.brainstorm9.com.br) que, por sua vez, recebeu a dica de uma mulher que não conheço. E assim se faz a internet e aqui vou eu, ampliando e indo além com esse vídeo, simples e genial.

Um grupo de músicos – Jane Lui, Michael T., e Jonathan Batiste interpretam “A História das letras que não são letras”. Direção e criação de Joe Sabia. Vale a pena ver, lembrar e curtir velhas e novas canções através de trechos na base do “nananana”. Muito bom! Grato ao Ravena pela dica e aos demais envolvidos, pelos momentos de prazer.

Pichadores e grafiteiros

Expressão artística no caos urbano

Em aulas recentes, ocorreram acaloradas discussões sobre manifestações visuais – pichadores e grafiteiros – nas ruas de São Paulo. Arte urbana para uns, falta de respeito para outros. O debate é intenso. Ocorreu-me a necessidade de voltar ao assunto agora, tempos depois da lei municipal que proibiu a publicidade no espaço urbano.

Arte de rua e publicidade em São Paulo é passado

Como o assunto é longo, vamos por partes. Escolhi dois vídeos, pequenos documentários sobre essas manifestações. Serve para introduzir o assunto. Recebi de minha aluna, Sarah Granelli, a indicação do vídeo sobre os pichadores (é, a grafia correta é “ch” e não com “x”; a utilização deste certamente decorre do uso popular).

Manifestação que ignora a propriedade alheia

Vale à pena ver a ousadia, o underground exposto no documentário de João Weiner e Roberto Oliveira. As cenas dos garotos escalando o edifício são imperdíveis.

Outro documentário, este feito por alunos da Universidade Metodista, é bem didático, abrangendo os fatos históricos e fazendo a distinção entre as diferentes manifestações, dando ênfase aos grafiteiros.

Pretendo voltar ao assunto. A idéia é sair e registrar algumas imagens do que há pela cidade. Refletir sobre essas manifestações agora sem a “competição” com as placas publicitárias. Vê-las em relação com a arte pública instituída – os grandes e pequenos monumentos – e em convivência com a arquitetura urbana. Sobretudo ver o que aproxima, gratifica e une a população da cidade,

Uma boa semana para todos

 

Stevie Wonder, lembrando velhas canções

Stevie Wonder lembra Antonio Carlos & Jocafi

Stevie Wonder, lembrando velhas canções
Stevie Wonder, lembrando velhas canções

Fui capturado pelo som de Stevie Wonder nesta madrugada e quebrei (Sem culpa!), a promessa de não ver o Rock in Rio via TV. Fazer o que; o cara é ótimo e, sacana, pegou-me pelo coração quando chamou uma de suas cantoras (Amigos, como o César, me alertaram: a moça é Aisha Morris, filha de Stevie) e atacou de “Garota de Ipanema”, com direito a improvisações de seus colegas instrumentistas. Um momento genial do encontro da música brasileira com o cantor e o grupo americano.

Stevie é velho conhecido de todos nós. A platéia canta junto, tranqüila e afinada, todos os grandes sucessos do astro. E o tempo vai e vem nas canções que são trilha de nossas vidas nesses cinqüenta anos de carreira desse artista. Ele transborda sinceridade quando diz que nos ama. Um amor antigo que começou lá atrás, quando Stevie Wonder cantou pela primeira vez no Brasil. Os jornais da época noticiaram que ele não queria voltar para os EUA, apaixonado que estava pelo nosso país.

É de lá, desse passado quase remoto, que Stevie Wonder resgatou um refrão, logo após “Garota de Ipanema”:

Você abusou

Tirou partido de mim abusou…

Não me restou alternativa exceto exclamar um sonoro palavrão; – Caramba! de onde ele tirou isso? A platéia foi na onda e repetiu o refrão, lindo, junto com a voz aguda de Stevie Wonder. Todavia os versos restantes, penso, ele esperava que a platéia cantasse; não rolou. Uma pena!

…Mas não faz mal,

é tão normal ter desamor

É tão cafona sofrer dor

Que eu já nem sei

se é meninice ou cafonice

O meu amor

Se o quadradismo dos meus versos

Vai de encontro aos intelectos

Que não usam o coração como expressão…

Foi lá, dos anos 70, que Stevie Wonder lembrou os versos de Antonio Carlos & Jocafi. Da música bonita que fez a cabeça de muita gente. Precisamente, nas férias de julho de 1971, eu não era o Tarzan, mas tinha uma namorada chamada Jane. E em um bailinho, onde tudo começou, conheci a garota (jamais esquecida, tinha uma semelhança com Barbra Streisand, sendo mais bonita que a cantora americana). Adivinha qual música dançamos de rosto e corpo coladinho?

…Que me perdoem

Se eu insisto nesse tema

Mas não sei fazer poema

Ou canção que fale de outra coisa

Que não seja o amor

Se o quadradismo dos meus versos

Vai de encontro…

Velho e bom Stevie Wonder, que além de todo o repertório fantástico que criou com suas composições – que continuarão atravessando gerações – ainda tem ouvidos para além, para as canções de outras terras, da nossa terra.

Quando ele começou os acordes de “Garota de Ipanema”, parei para ouvir o tratamento que daria ao grande sucesso de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A interpretação foi digna do peso que essa música tem para todos nós. No entanto, ao entrar nos acordes de “Você Abusou”, o músico americano deixou claro que vai muito além da superfície, ouvindo nossas canções com o afeto que elas merecem.

Eu, só posso agradecer pela grata lembrança. Da música, de Antonio Carlos & Jocafi, dos meus 16 anos ao lado da loirinha Jane, que não abusou, mas que deixou ótimas lembranças. Vamos lembrar a canção?

Stevie terminou sua apresentação cantando com Janelle Monáe, uma nova paixão de muita gente. Três da madrugada…

Ouçam a canção, é bonita!

É  para lembrar; e tenham um bom final de semana!

Na contramão com Gal

Parece que meio mundo foi para o Rio, para o Rock In Rio. Prometendo ficar em casa, fiquei, mas foi lá em Uberaba, com minha mãe e irmãs. Bom menino que fui e sou, só estive na missa domingo, pela manhã, na comemoração dos 500 anos da conversão de São Jerônimo Emiliani (Ainda escreverei com detalhes sobre esse santo). E só. Dentro de casa, quietinho.

Noite viajando, segundona braba, cheia de Metállica por todos os lados e continuarei na contramão. Com Gal Costa, que continua cantando como nunca e completando 65 aninhos hoje. Logo voltarei a escrever sobre essa moça, que tem a suavidade na voz. Ela está lançando um disco só de inéditas, todas de Caetano Veloso. Falarei sobre Gal, com prazer. O lance, hoje, é homenagear essa fera.

Pra não ficar totalmente na contramão, com tantas meninas levadas nesse Rock In Rio, vou lembrar um momento ousado da cantora baiana. Deu um falatório danado! E ela, tranqüila e serena, cantando como sempre. Ave Gal! Feliz aniversário.

Boa Semana para todos!

Rock para crianças bem nascidas

Indagaram se eu não escreveria sobre o Rock In Rio. Fui quase intimado a escrever, o que não se faz necessário, já que gosto mais de escrever do que de rock. Cheguei a cogitar de ir ao evento. Minha querida Juliana Ramalho até que mediou a venda de uns ingressos, que alguém ganhou e que estava passando adiante. Fui ver a programação do dia em questão; das vinte e cinco atrações oferecidas teria e tenho real interesse em três: Milton Nascimento, Esperanza  Spalding e a Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Para isso eu esbarraria em Nx Zero ou Tulipa Ruiz.  Não cometi pecado recente; não careço de punição. Declinei.

Fui verificar a programação...

Após desistir do tal dia, tentei interesse em algum outro dia e a média foi mantida. Três, às vezes duas, uma vez quatro atrações seriam realmente interessantes. Todavia, nada que eu não possa ver por aqui mesmo. Mas, tem o lance da tribo, da moçada, do ambiente. Bisbilhotei bastante o ambiente.

A “cidade do rock” é bonitinha. Pareceu-me segura. Se eu fosse mais jovem, minha querida mamãe não precisaria ficar preocupada. Não tem barro, assim, poderia ir com minhas roupas de “grife”. Também mamãe não ficaria perturbada, com receio de uma má alimentação: tem praça de comidinhas. E se eu ficasse entediado com Claudia Leitte teria o shopping ou o parque de diversões pra me distrair, aguardando outra “grande” atração. E tranqüilidade maior das mamãezinhas: todas as lojas e em todos os pontos de venda de qualquer coisa aceitarão cartões de crédito. E há caixas eletrônicos! Mamãe pode até mandar mais “algum” caso a criança gaste além da conta.

A Ivete até que é bem bonita! Dia 30.

Os tempos mudaram e as crianças de hoje vão lá chorar amores perdidos enquanto saracoteiam com algum bom som. Eu iria, se fosse de graça e bem pertinho, sem ter que encarar  um monte de “nãos”.

Não pode levar alimentos, tipo sanduba de mortadela (Tem que comprar!). Não pode levar uma boa câmera fotográfica (Investimento perdido!), nem pode levar guarda-chuva! (Santo Deus, quem pensaria em levar guarda-chuva pra um festival de rock?). E também não pode ir de carro particular, só de transporte público (aqui, a coisa não ficou muito clara; bicicleta ou moto, pode?).

Provavelmente terão alguns grandes momentos de rebeldia nesse Rock in Rio; Katy Perry ou Rihanna, Ke$ha ou Shakira, alguma dessas aí fará uma pose ousadíssima. O público, certamente, cantará junto com elas, com a Ivete Sangallo, com o Jota Quest… e tomará cerveja, muita cerveja. Certamente haverá overdose de cervejas. Depois, a criança irá para um banheiro químico expelir a “ceva”, se muito precisará de uma injeção de glicose… Nada que as mamães por aí não estejam acostumadas.

Também prometo não ver pela tv.

Desse Rock in Rio, lamentarei não ver Mutantes + Tom Zé no mesmo palco. E trocaria ingressos de todas as estrelas citadas só pra ver Janelle Monáe. Aguardarei outras oportunidades. Elas virão. A moçada da música do planeta descobriu que aqui no Brasil se ganha muito dinheiro, o povo tem de sobra pra pagar ingressos. Então, dá pra aguardar o festival de verão, o de inverno, o carnaval, o carnaval fora de hora, os festivais de todas as praias e tudo o mais que favorece o consumo que tanto desfalque dá na carteira do pai, mas que é a tranqüilidade da mamãe. Afinal, nas cidades do rock atuais, as crianças estão seguras.