A rua do Bino

Bino no telão, durante homenagem.
Bino no telão, durante homenagem.

A Prefeitura de Uberaba e a Câmara Municipal de Uberaba realizaram uma cerimônia de denominação de logradouros públicos. O evento ocorreu na sexta, dia 6 de dezembro, no Cine Teatro Municipal Vera Cruz. Diversas personalidades da cidade passam a identificar ruas e praças da cidade, uma homenagem póstuma dos representantes municipais, de amigos e familiares aos que, sob diferentes formas, colaboraram ao longo de suas vidas no cotidiano de Uberaba.

Tive a honra de, em nome dos meus familiares, receber a placa comemorativa da rua identificada pelo nome do meu pai.Desde então a rua mais querida da nossa família, oficialmente denominada “Felisbino Francisco de Resende(Bino) está no jovem bairro Residencial Rio de Janeiro I. Minha mãe, Laura, e todos nós, filhos do Bino, estamos profundamente agradecidos e honrados pelo reconhecimento das diferentes pessoas que conviveram com o “Bino”.

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A história de meu pai com Uberaba começou em 1945. Convocado para lutar na II Guerra Mundial, Felisbino Francisco Rodrigues de Resende tomou um trem especial em Araguari, primeira etapa da viagem para conduzir os “Pracinhas” até ao Rio de Janeiro, de onde seguiriam para o front. Quando o trem passou por Uberaba chegou a notícia da primeira grande vitória dos Aliados. Papai chegou até ao Rio de Janeiro, mas não precisou embarcar para a Itália. A Guerra chegava ao fim e Felisbino guardou Uberaba como talismã, a cidade que lhe trouxe a boa sorte.

Trabalhando com Parque de Diversões, Felisbino fixou residência em Uberaba dez anos após a Guerra. Estava casado, com quatro filhos e foi aqui que nasceram outros dois, completando a família. Deixando o parque, ficou com um stand de tiro ao alvo. Colocava este nas festas religiosas da cidade (Nossa Senhora da Abadia, São Benedito, São Judas Tadeu, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Fátima) e na Exposição Nacional de Gado Zebu. Tornou-se conhecido de diversas gerações e fez incontáveis amigos pela cidade.

Anos depois, aproveitando a oficina que mantinha no quintal de casa, aqui no Bairro Boa Vista, papai construi um parque com suas próprias mãos. Cada barraca, cada stand, cada brinquedo foi moldado, construido peça a peça e montado no páteo da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, por gentileza do vigário de então,  Padre Nicola Rudge, a quem carinhosamente chamávamos Padre Nicolau. O “Parque Boa Vista” foi oficialmente inaugurado na quermesse em honra a Nossa Senhora das Graças e, por mais de vinte anos, percorreu os bairros de Uberaba e algumas cidades da região. Aposentado, o Parque Boa Vista foi vendido, mas o Bino, que gostava daquele trabalho e de estar entre amigos, insistiu em manter o stand de tiro ao alvo que, durante muitos anos, permaneceu montado na Rua Prudente de Moraes, no Bairro da Abadia.

Foi assim, levando alegria e diversão para as pessoas que papai fez, com certeza, milhares de amigos em Uberaba. Quando faleceu, em 2005, recebemos o consolo da amizade de centenas de pessoas. O Bino foi então homenageado em Sessão da Câmara Municipal e, posteriormente, pela Comunidade do Campinho.

MAMAE E PLACA COMEMORATIVA
D. Laura, nossa mãe, emocionada, segura a placa comemorativa

Neste ano de 2013 surge a Rua Felisbino Francisco Resende (Bino). Assim, o Bino entra oficialmente para a história da cidade. Algumas pessoas estiveram empenhadas para tal acontecimento, assim como diferentes lideranças municipais do exercício anterior e do atual exercício na Câmara Municipal de Uberaba. Entre todos, merecem nosso especial agradecimento a líder comunitária Edna Maria Idaló e ao Vereador Marcelo Machado Borges, o Borjão.

Muito obrigado, Uberaba. Certamente o Bino, mineiríssimo, sempre brincalhão, diria: – To parecendo o Juscelino Kubitschek!

Até mais!

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Ary Barroso e o Dia Do Samba

ary barroso

Dizem que o samba nasceu na Bahia e se desenvolveu no terreiro da Tia Ciata, no Rio de Janeiro. Depois ganhou meio mundo! No próximo dia 2, segunda-feira, será comemorado o Dia Nacional do Samba. Dois lugares no Brasil costumam comemorar legal esse dia: a Bahia e o Rio de Janeiro. Nos demais estados a data passa quase esquecida. É engraçado perceber que, por exemplo, o “Dia das Bruxas” faz mais adeptos que o dia do samba. Resolvi lembrar com uma semana de antecedência, para reverenciar o samba dentro dos conformes.

Penso que Minas Gerais, por exemplo, deveria comemorar o Dia do Samba com maior pompa. Pelo menos na cidade de Ubá,onde nasceu ARY BARROSO. Para que não sabe, o Dia Nacional do Samba surgiu para comemorar a data em que, pela primeira vez, ARY BARROSO visitou Salvador. Uma justa homenagem ao grande compositor brasileiro.

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia

A morena mais frajola da Bahia

Pedi um beijo, não deu

Um abraço, sorriu

Pedi-lhe a mão não quis dar, fugiu!”

ARY compôs NA BAIXA DO SAPATEIRO sem conhecer Salvador. Eu não sabia desse fato quando, na capital baiana, fiz questão de conhecer o local. Pode ser que, no momento em que a música foi criada, aquele tenha sido um lugar bonito. Quando estive lá era um lugar bem feio, principalmente pelo fato de que outros locais, como a Praia de Itapuã ou o Pelourinho, continuam lindos.

As pessoas encantam-se quando alguém escreve sobre algo que não conhece fisicamente, pessoalmente. Uma das grandes qualidades de qualquer criador é saber colocar-se em situação; um pouco de pesquisa, vivência, experiências similares e imaginação. Bem antes de CHICO BUARQUE, nosso compositor de “alma feminina” por excelência, ARY já havia criado músicas extraordinárias, colocando-se no feminino:

Encontrei o meu pedaço na avenida

De camisa amarela

Cantando a Florisbela, a Florisbela

Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia

Exibiu-me um sorriso de ironia

E desapareceu no turbilhão da galeria…”

Em CAMISA AMARELA temos não só a perspectiva feminina, como um retrato de época da mulher brasileira, submissa e passiva ante o comportamento do homem. Os sambas de ARY BARROSO abordam diversas situações; é triste em NA BATUCADA DA VIDA, alegre em COMO VAES VOCÊ e, hoje, seria politicamente incorreto, como em BONECA DE PICHE.

Da cor do azeviche, da jabuticaba

Boneca de Piche, é tu que me acaba…”

ARY é sempre sambista; da melhor qualidade. Sabe brincar, como poucos com nossa língua, quando aborda situações dúbias, carregadas de humor e sugestões subentendidas:

-Eu dei!

-O que foi que você deu, meu bem!

-Eu dei!

-Guarde um pouco para mim também…”

Também, em se tratando de ARY BARROSO, fala-se muito do Ufanismo, o samba exaltação.Uma característica marcante do trabalho do compositor, carregando nos superlativos para falar do país ou, da Bahia. Para os baianos, além de NA BAIXA DO SAPATEIRO, ARY criou outros clássicos: “OS QUINDINS DE IAIÁ” e “NO TABULEIRO DA BAIANA”.

Uma das marcas musicais brasileiras perante o mundo, AQUARELA DO BRASIL é “irmã” do Hino Nacional. É a referência marcante quando nosso país é citado. E que referência! No universo do compositor, o Brasil é “mulato inzoneiro” cheio de “morenas sestrosas”. Para cantar tal país é preciso tirar “a mãe preta do cerrado” e botar “o rei congo no congado”. Um Brasil moreno!

Ah! Ouve essas fontes murmurantes

Onde eu mato a minha sede

E onde a lua vem brincar

Ah, esse Brasil lindo e trigueiro

É o meu Brasil brasileiro

Terra de samba e pandeiro…”

Para terminar essa simples, mas sincera, homenagem ao COMPOSITOR e ao SAMBA, escolhi os seguintes versos:

Foi num samba

De gente bamba

Ô,gente bamba!

Que eu te conheci, faceira…”

Com esses versos recordo sempre dos BAMBAS DO FABRÍCIO, uma escola de samba, lá de Uberaba, que me ensinou a gostar do batuque. Eu era criança e eles ensaiavam bem perto da minha casa. Uma passista, FÁTIMA, era a maior sensação. Que moça faceira!(Por onde andará? Se alguém tiver notícias…) É para essa sambista de minha infância, que vai também minha homenagem. Muito antes de ARY BARROSO, foi FÁTIMA a dona do meu samba.

O Dia do Samba vem aí. Vamos comemorar. Aqui, neste blog, pretendo que seja a semana do samba. Com Ary Barroso e outros grandes sambistas do nosso país.

Isto aqui ô ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não

Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar

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Até!

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Notas Musicais:

Na Baixa do Sapateiro – Ary Barroso

Camisa Amarela – Ary Barroso

Boneca de Piche – Ary Barroso e Luis Iglésias

Eu dei! – Ary Barroso

Aquarela do Brasil – Ary Barroso

Faceira– Ary Barroso

Sandália de Prata – Ary Barroso

Gylmar, nosso maior goleiro!

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Em um esporte em que atacantes são divinizados, o goleiro Gylmar dos Santos Neves é exceção.  Ele ocupa lugar ímpar no panteão dos deuses do futebol. Hoje lamentamos a morte do jogador que estabeleceu os parâmetros de como deve ser um goleiro da seleção brasileira.

Não posso afirmar que recordo plenamente de algum jogo da Copa do Mundo de 1958. Eu estava com três anos e, tenho certeza, foi lá que me habituei com a barulheira durante o certame. Aliás, certame é uma expressão comum daquela época pouco usada hoje em dia. Guardo imagens de toda minha família ao redor do rádio, ouvindo atentamente um locutor que falava rápido, muito rápido. Aprendi o significado da palavra gol vendo meu pai indo para o quintal para soltar fogos de artifício antes que o locutor terminasse de gritar. Ali ficou estabelecida uma certeza: quando papai estava muito feliz comprava fogos e fazia muito barulho.

Em 1958 Gylmar era goleiro do Corinthians. Sabe-se que ele sofreu 527 gols. Não consegui descobrir, com precisão, quantos gols ele defendeu; Sei que ele conquistou três títulos paulistas e um Rio-São Paulo. Vida de goleiro tem essa sina, dos gols que entraram todo mundo dá notícia, mas exatamente foram quantas defesas? Das mais simples às defesas fantásticas, heroicas, quantas vezes as mãos abençoadas de Gylmar impediram a vitória do adversário?

Gylmar foi para o Santos F.C. em 1961. Ignorei solenemente. Aos seis anos gostava de ver meu irmão Valdonei jogando no “Campinho”, no time do Hermes. Não me deixavam jogar; eu já era ruim de bola, mas me orgulhava do irmão que, por ciúme eu chamava de “7 grosso”, em referência ao número da camisa que ele vestia, tornado mítico quando em camisa usada por Garrincha.

Na Copa do Mundo de 1962 eu começava a entender o mundo e este se abria através da tela mágica de uma televisão. Nas tardes de então, ouvíamos no rádio o Brasil ganhar o segundo título mundial. Ao anoitecer, não sei quem colocava uma televisão na esquina mais próxima; foram essas as primeiras vezes em que vimos a seleção pela telinha. Eu, ainda criança, não tinha a noção do que era um videotape. Na minha concepção o Brasil jogava duas vezes no mesmo dia e vencia os dois jogos. Passei a ter Gylmar como um Deus.

Foi de lá, daquele aparelho de televisão colocado em uma esquina que guardei imagens de defesas geniais do grande goleiro Gylmar. Também de como ele soltava a bola em locais estratégicos, colaborando na armação do time brasileiro.

Gylmar faleceu hoje, 25 de agosto, em São Paulo. Ficam as histórias de um atleta que ficou no imaginário brasileiro sem ações de marketing, sem apelos publicitários comuns. Bi-campeão do mundo, foi grande entre os maiores craques de futebol deste país e assim será lembrado: nosso maior goleiro.

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Até mais!

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Estrela do Sul

Estrela do Sul, Minas Gerais.
Estrela do Sul, Minas Gerais.

Estrela do Sul é uma simpática cidade do Triângulo Mineiro, mesma região de Uberaba. É uma das antigas povoações que têm sua história ligada ao desbravamento dos Bandeirantes, buscando riquezas e ampliando as fronteiras do Brasil.

Os Bandeirantes denominaram uma grande área, o Triângulo, como Sertão da Farinha Podre. Os dois primeiros municípios foram, respectivamente, Araxá e Uberaba. O local era habitado pelos índios Caiapós e estes foram para outras regiões, na medida em que os colonizadores foram tomando conta das terras.

A história do Sertão da Farinha Podre está ligada ao grande Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, líder da primeira Bandeira que passou pela região. Contam que um genro do Anhanguera, João Leite da Silva Ortiz, encontrou diamantes, no início do século XVIII. O fato atraiu muita gente e formou-se o arraial, Bagagem, cujo nome surgiu pelo local onde os garimpeiros deixavam seus pertences enquanto iam ao garimpo.

Anos depois do primeiro achado, precisamente em 1853, uma escrava de nome Rosa (Este é o mesmo nome da minha avó paterna, que veio de lá, de Estrela do Sul) encontrou um enorme diamante pesando 245,5 quilates. Lapidado na Europa, o tal diamante foi reduzido a 128,8 quilates e fez fama.

Estrela do Sul é o nome do tal diamante e este correu mundo. Foi batizado assim e ficou mundialmente conhecido por uma característica específica que é mudar de cor quando exposto à luz solar. Li, no histórico publicado pela prefeitura da cidade que a última notícia que se tem do Estrela do Sul foi durante a 22ª Bienal de Paris, quando a pedra esteve em leilão no Museu do Louvre, em 2004.

A descoberta do Estrela do Sul, o acontecimento que correu mundo, provocou nova corrida à região. Gente importante como D. Anna Jacintha de São José, nacionalmente conhecida como D. Beja, a Feiticeira do Araxá, mudou-se para Estrela do Sul na mesma época em que o diamante foi achado, lá permanecendo até falecer, em 1873.

Maria Rosa Resende, uma bela morena, viveu boa parte de sua vida em Estrela do Sul, a antiga Bagagem que trocou de nome por conta de um diamante. Casou-se, teve quatro filhos e, por pinimbas familiares desconheço as circunstâncias em que ela ficou viúva. Sei que ela conheceu Deolino Rodrigues e com ele, teve outros três filhos, entre esses Felisbino, o meu pai.

Papai é o garoto ao lado do meu avô.
Papai é o garoto ao lado do meu avô.

Papai nasceu no início do século XX, quando o garimpo já não era proeminente em Estrela do Sul. Os aventureiros já haviam ido embora e a cidade era tranqüila, sempre pacata. Vovô Deolino conseguiu comprar terras em Araguari, ainda em Minas Gerais, e em Goiás, na região de Itumbiara. Foi em Araguari que meu pai cresceu, tornou-se o rapaz por quem minha mãe se apaixonou e com quem teve seis filhos.

Sinto que devo a meu pai conhecer mais e mais sobre a cidade de onde ele veio. Imagino-o criança em Estrela do Sul, aventureiro como sempre foi, certamente brincou de procurar pedras preciosas.

Sobre o tal diamante, o Estrela do Sul, fico devendo detalhes do destino da pedra. Pode ser que haja alguém interessado em saber se foi vendida no tal leilão; quem foi o comprador, onde está agora… Interessa, neste momento, lembrar hoje a cidade daquele que, para toda a minha família, é a pessoa mais importante entre os que nasceram em Estrela do Sul: Papai!

Para a cidade, Estrela do Sul, um desejo de paz e prosperidade neste domingo de agosto. Para nosso pai, a eterna lembrança e nosso imenso carinho, com todo o nosso amor.

Feliz dia dos pais!

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São Domingos em dia de céu azul

Uberaba, quarta-feira, com um céu de uma limpidez brutalmente encantadora. Prestem atenção no ponto branco da foto abaixo. É a lua, acreditem! Por volta das três horas de uma tarde deliciosa. São Domingos, Uberaba, Valdo Resende Não sou o fotógrafo que gostaria de ser, nem tenho a máquina com a qualidade necessária para melhorar o fotógrafo. Minha intenção é o registro, a tentativa de fazer com que se olhe um pouco mais para o céu absolutamente azul da minha cidade, valorizado ao extremo pelo belíssimo templo dedicado a São Domingos de Gusmão. São Domingos, Uberaba, Valdo Resende Na sacristia, um pequeno cartaz informa: Primeiro templo dominicano construído no Brasil, a Igreja de São Domingos foi erguida em terreno doado pelo Comendador Jose Bento do Vale e projetada pelos engenheiros Egídio Betti Monsagratti, Dr. Florent e construída pelo José Cotani. É uma grande referência para a ordem dominicana. A pedra fundamental foi lançada em 1899 e, em 1902, estava coberta. (continua) São Domingos, Uberaba, Valdo Resende Em sua construção foi utilizada a pedra tapiocanga, proveniente do rio grande. As telhas vieram da França. Em 1904 foi inaugurada solenemente, faltando apenas as torres em cobre inglês – concluídas em 1914 e as abóbadas centrais em 1939. (continua) São Domingos, Uberaba, Valdo Resende A Igreja tem estilo arquitetônico neogótico, possui formato de cruz, assim como as igrejas bizantinas da Idade Média, além de fortes símbolos da Ordem Dominicana. (continua) São Domingos, Uberaba, valdo resende A Igreja São Domingos foi tombada pelo CONPHAU – Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba em 2003. São Domingos, Uberaba, valdo resende Senti falta de maiores detalhes, maiores informações. Infelizmente não encontrei, por enquanto. São Domingos, Uberaba, Uberaba Uma ação de valorização do turismo, na cidade, deveria compreender a publicação de histórico consistente de um monumento como esse. São Domingos, Uberaba, Valdo resende Fiquei muito curioso para saber o nome dos vitrais, valorizados pela belíssimo dia de sol. Quando souber publicarei. Se alguém tem essas informações, por gentileza, coloquem nos comentários que anexarei ao corpo deste post. São Domingos, Uberaba, Valdo resende Após sair da nave, o céu estava lá. E a igreja, majestosa, aponta suas torres para o céu, convidando-nos a olhar para o alto. São Domingos, Uberaba, valdo resende Fica aqui um convite para que, visitando Uberaba, vejam o belo templo que, espero, tal passeio ocorra em um dia com esse incrível sol. São Domingos, Uberaba, valdo resende

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Até mais!

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O que haverá por trás da fábrica emperrada?

Fábrica?
Fábrica? Onde?

A construção de uma fábrica de planta de amônia, da Petrobrás, em Uberaba, Minas Gerais, está parada. O empreendimento que deve gerar 3.500 empregos foi interrompido há mais de um ano; o principal impedimento para a continuidade do projeto, publicamente alegado, é no mínimo absurdo: um parecer da AGU – Advocacia Geral da União diz que o local não poderia ser abastecido por um gasoduto proveniente da cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo.

A manchete de hoje, 16 de Julho, do Jornal O Tempo, é: “Burocracia ameaça tirar fábrica de R$ 1,2 bi de Minas”. Como assim, burocracia? Quais são as tramoias políticas a serviço de jogo escuso que impedem a continuidade do projeto? Minas Gerais e São Paulo estão em guerra? Não pode haver acordo entre as duas cidades? Estão sobrando empregos em Uberaba?

Tudo começou em março de 2011, quando D. Dilma Rousseff assinou protocolo de intenções para implantação da fábrica. Em outubro seguinte a Advocacia Geral da União (AGU) deu parecer contrário ao gasoduto de distribuição. Agora, em 2013, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Dorothea Werneck, exige uma solução, “mesmo que o resultado seja desfavorável a nós”.  Como assim, D. Dorothea? O que a senhora perderá com isso, já que seu emprego está garantido?

Gostaria muito de saber o que há realmente por trás de tudo isso. D. Dilma, que é PT, favoreceria tal empreendimento ao estado governado por Antonio Anastasia, que é do PSDB? Como fica nesse imbróglio a prefeitura de Uberaba, que é do PMDB? Os senhores da Advocacia Geral da União que certamente não recebem salário mínimo agiram pelo singelo desejo de preservar… O que mesmo?

Assim continua a história do país. Por uma suposta burocracia (quem acredita nisto?) está emperrado um empreendimento já iniciado – portanto, gastos já foram feitos – e que deve gerar 3.500 empregos. O mais irritante é que alguém atrás de uma sigla, no caso a AGU, impede o andamento de um projeto que deve beneficiar milhares de pessoas. Quem é esse sujeito? Para qual “União” ele trabalha?

Também hoje, li um artigo de Leonardo Boff sobre as recentes idas do povo às ruas que, entre outras coisas diz: “Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo político palaciano, de costas para o povo ou manipulando diretamente os cidadãos.”  Sem acreditar nas instituições, resta gritar nas ruas pelos nossos direitos. Uberaba precisa de mais empregos. Tai uma causa que merece passeata.

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Até mais!

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Julho sem adrenalina no Museu de Arte Sacra

Museu de Arte Sacra foto by Valdo Resende

Férias começando, a adrenalina ainda pegando forte, eu procuro retomar a paz e o sossego no Mosteiro da luz, especificamente no Museu de Arte Sacra; nada como um lugar tranqüilo, onde o passado se faz presente e, de quebra, faz-me lembrar um pequeno pedaço de Minas Gerais, na querida São Paulo.

Abdias e Ezequiel, lembrando Minas Gerais.
Abdias e Ezequiel, lembrando Minas Gerais.

Fundado em 1970, o Museu de Arte Sacra de São Paulo abriga milhares de obras em seu acervo, priorizando imagens religiosas do século XVI ao século XX.  Está na ala mais antiga do Mosteiro da Luz, construído em 1774 e abriga uma clausura, da Ordem das Irmãs Concepcionistas (Mais um item  para lembrar Uberaba, onde as Irmãs residem na clausura da Igreja da Medalha Milagrosa).

Nos jardins estão quatro réplicas dos profetas criados por Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa) para o santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo, também Minas Gerais. Foram cedidas ao Museu de Arte Sacra pela Justiça Federal; pertenceram originalmente a Edemar Cid Ferreira, mas foram confiscadas quando do processo do indivíduo por lavagem de valores.

Os quatro profetas cedidos pela Justiça Federal
Os quatro profetas cedidos pela Justiça Federal

O local tem uma importante coleção de lampadários além de outros objetos sacros, objetos e mobiliário laicos. Tenho especial interesse nos oratórios barrocos, guardando imagens coloniais de rara beleza. Entre as obras do acervo, a escultura da imagem de Nossa Senhora das Dores, também de Aleijadinho, é de um requinte formal extraordinário e deixa evidente a capacidade do artista em expressar-se e captar expressões.

Museu de Arte Sacra foto by Valdo Resende

Visitar museu não é ação tipo caminha por corredores de shopping. É bom descansar o olhar, refletir, interiorizar o que está sendo visto ou, simplesmente curtir o silêncio que, no Mosteiro da Luz, é secular e continua absolutamente aconchegante. No pátio interno é possível ver, e ouvir, pássaros, isso sob o murmúrio da delicada fonte central.

Pátio do Mosteiro da Luz foto by valdo resende

O local é muito visitado também pelos fiéis de Frei Galvão, que está entre os fundadores do antigo Mosteiro. Após as orações na capela dedicada ao Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, como foi canonizado, é possível conseguir as pílulas que, para os crentes, são um santo remédio. O museu também abriga um importante acervo de presépios de diferentes regiões do mundo. Para quem não é de São Paulo, o endereço é Avenida Tiradentes, 676, bem próximo da Estação do Metrô Tiradentes e está aberto de terça a domingo.

Mosteiro da Luz foto by valdo resende

O Museu de Arte Sacra está em uma das regiões mais movimentadas da cidade. O barulho da avenida é intenso, todavia esquecido logo que se adentra ao velho prédio, como se uma viagem no tempo fosse iniciada observando as paredes seculares, o mobiliário antigo, as imagens e objetos que permearam a vida de nossos antepassados. É recomendável para todos nós, que vivemos nesse mundo acelerado; a gente sai de lá calminho, introspectivo, pronto para continuar a viver.

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Até mais!

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