Aproveitem que está acabando. A exposição com as gravuras de Marcelo Grassmann no “Espaço Cultural Citi” termina no próximo dia 3 de fevereiro. Uma oportunidade para conhecer o universo em que o gravador transita.
Matéria dos Sonhos, é o nome da exposição.
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A curadoria é de Jacob Klintowitz. Este se baseou em texto de Shakespeare, na peça “A Tempestade”, para dar nome a exposição, “Matéria dos Sonhos”. O autor inglês escreveu: “O mundo é feito da mesma matéria de que se fabricam sonhos”. É fácil concordar com a proposição; Grassmann viaja em mundos imaginários e materializa suas personagens.
Detalhes de alguns dos trabalhos expostos.
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Lamento não fotografar melhor. Máquina e fotógrafo amadores, distanciando-se da qualidade do material apresentado. Insisti na feitura e publicação dessas fotos porque elas estimulam mais que meras palavras. Marcelo Grassmann é daqueles artistas que, uma vez que tomamos contato com a obra, jamais o esqueceremos.
Donzelas, cavalheiros, seres míticos... as personagens de Grassmann
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Natural de São Simão, no interior de São Paulo, Marcelo Grassmann percorreu o caminho natural dos artistas brasileiros. Estudou mecânica e entalhe, atuou como ilustrador em jornais paulistanos e também no antigo Jornal do Estado da Guanabara. Depois das xilogravuras iniciais, estudou gravura em metal e litografia. Premiado, viaja para Viena, estudando na Academia de Artes Aplicadas. A casa em que nasceu, em São Simão, foi tornada museu. O artista completa 87 anos em 2012.
Detalhes de obras e a foto do artista, no painel da exposição.
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Na exposição encontra-se uma edição com toda a obra do artista, luxuosamente encadernada. Vale mais como curiosidade, já que não podem ser manuseadas. O bom mesmo é soltar a imaginação ao observar aos animais míticos, as damas, cavalheiros; estes com suas armaduras, com seus animais. Sonhos tornado reais pelo desenho mágico de Marcelo Grassmann.
O Espaço Cultural Citi fica na Avenida Paulista, 1111, térreo. Os dias e horários são de segunda a sexta-feira, das 9 às 19h00. Sábados, domingos e feriados, das 10 às 17h00. Entrada franca. Outras informações sobre o artista: www.marcelograssmann.blogspot.com
Fazendo o caminho contrário dos Bandeirantes, pela via de mesmo nome ou pela Anhanguera, sempre me senti em São Paulo quando o ônibus ou o carro corria paralelo ao Rio Tietê. Sei, por anos de estrada, que a paisagem urbana é vista a partir do quilômetro 31 da Rodovia dos Bandeirantes. Cidades periféricas, os primeiros bairros e a cidade mesmo era o encontro com o rio parado, lamacento, escuro e denso.
Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens
Onde me queres levar? (1)
Como qualquer migrante, temeroso ante o desconhecido, ávido para alcançar o futuro almejado, pouco sabia da cidade. O Pico do Jaraguá não era a cidade. A Editora Abril, a igreja de Nossa Senhora do Ó, o Estadão, o Play Center… aí sim, tinha a certeza de haver chegado na cidade que escolhera para viver.
Sou o compasso que une todos os compassos...
Sonho ser poeta e sinto-me distante ainda da poesia que São Paulo merece. Daí recorrer a Mário de Andrade para, nestes 2012, comemorar dignamente os 458 anos da cidade. Não sou poeta; sou antropófago tal qual Oswald de Andrade sugeriu. Por isso, aproprio-me dos versos do poeta da cidade, e tal e qual Macunaíma, faço-me parte do Clã do Jabuti e defino-me nestes versos:
Sou o compasso que une todos os compassos
E com a magia dos meus versos
Criando ambientes longínquos e piedosos
Transporto em realidades superiores
A mesquinhez da realidade. (2)
São Paulo tem a dimensão do mundo, e a síntese humana é reconhecida, visível, habita na cidade. A cidade é “Europa, França e Bahia”. Tudo e todos são bem recebidos e a capital paulista é a verdadeira síntese da miscigenação brasileira, indo além do português, do índio e do africano. Aqui, a japonesa namora o árabe, o grego namora a chilena e assim, tudo junto e misturado, vive o dia-a-dia da cidade.
Ninguém ignora a inquietação do clima paulistano…
Desta cidade histórica, desta cidade completa,
Cheia de passado e presente, berço nobre onde nasci. (3)
Nasci em Minas e nasci em São Paulo. Se lá foi onde tudo começou, aqui fui me completando. E como eu, milhões. Lar, amigos, trabalho, escola, enfim, tudo somado ao que trouxe de Uberaba. Refiro-me a esta como minha cidade, e refiro-me a São Paulo como minha cidade. Geminianamente dividido retorno aos versos de Mário de Andrade:
Quando eu morrer quero ficar
Não contem aos meus inimigos
Sepultado em minha cidade
Saudade(4)
Sem mortes, sem tristezas. Hoje é aniversário da cidade de São Paulo. Que muitos possam, como eu, agradecer e comemorar com propriedade mais um ano da nossa cidade. Quem souber que faça versos; quem for capaz que componha canções. Todavia, que a cidade que acolhe tanta gente, receba o afeto, merecido, de todos que aqui vivem.
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Parabéns, São Paulo!
Quando eu morrer quero ficar...
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Até!
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Referências:
(1) Meditação sobre o Tietê – Mário de Andrade
(2) Clã do Jabuti – Carnaval Carioca – Mário de Andrade
(3) Marco da Viração – Momento – Mário de Andrade
(4) Lira Paulistana – Quando eu morrer – Mário de Andrade
Não precisa olhar calendário. De manhã, bem antes do horário bancário, quando há uma fila de aposentados na porta da agência estamos no quinto dia útil. Logo, logo, em uma dessas filas, não é que a gente pode dar de cara com dona Rita Lee?
…Deolinda dos sem rainha
Deusa pagã do Butantã
Heavy metal de Santa Izildinha
Joana dark do lexotan
Bendita Rita da lua cheia
Rogai por mim nesse começo do fim…
Foi estranho ver e ouvir a própria Rita Lee anunciando aposentadoria dos palcos. Há pouco soube de outra cantora, Nana Caymmi, também falando de afastamento. Ok! Todo mundo tem o direito de parar e, como disse a própria Nana, querer “… ver o sol nascer de forma diferente; e essa casa em Minas corresponde a tudo que eu preciso.” A Minas, de Nana, é Minas Gerais mesmo, onde a cantora escolheu viver. São Paulo é a terra de Rita Lee e é por aqui que ela deverá ficar.
Esta foi outra capa, em 1980
Rita Lee pretende parar com os shows. Da música – ela mesma disse – não se afastará nunca. De qualquer forma é estranho, muito estranho. Fico imaginando Rita Lee na fila do SUS, sentadinha em banco especial do metrô, na fila preferencial dos supermercados, farmácias… E nos bancos, recebendo o “fantástico” e “imenso” salário pago aos aposentados brasileiros!
Como vai você?
Assim como eu
Uma pessoa comum
Um filho de Deus
Nessa canoa furada
Remando contra a maré
Não acredito em nada
Até duvido da fé…
Ultimamente Rita Lee tem usado o Twitter para colocar a boca no trombone. Sem shows, mais tempo terá para o Corinthians, os bichinhos de estimação, os netos e, certamente, para a música. Aos 64 anos, a menina que encantou com a banda Os Mutantes e transformou-se, segundo Caetano Veloso, “na mais completa tradução” de Sampa, das mulheres de Sampa, fez uma trajetória única, plena de êxitos e agora, sem condições físicas, afasta-se dos palcos. Não deixa de ser melancólico.
A Roling Stone celebra a longa carreira de Rita Lee
Em 1972, ainda jovenzinha e com Os Mutantes, Rita Lee gravou “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida”. Essa música bateu na lembrança, na medida em que tomei conhecimento do anúncio da aposentadoria. Sem dramas, sem desespero. Apenas isso:
Hoje é o primeiro dia
Do resto da sua vida
E da minha também
E então
Sente no meu colo.
E assim o tempo passou e o hoje tem sido vivido por Rita Lee. De tantas mudanças que podemos verificar na vida da cantora e compositora, esta é, no final das contas, apenas mais uma: Rita Lee se aposenta dos palcos. Tudo bem! Vamos nessa, sempre bailando…
... Como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo.
Boa semana para todos.
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Notas musicais:
As músicas citadas neste post, respectivamente: Dona Doida – Rita Lee/Roberto de Carvalho (o título do post é verso desta canção); Pé de Meia – Rita Lee; Santa Rita de Sampa – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Nem Luxo Nem Lixo – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida – Arnaldo Baptista/Sergio Baptista; Baila Comigo – Rita Lee
Ontem, lembramos a morte de Elis. Em post anterior recordei Nara Leão– que faz aniversário no dia em que Elis morreu – e também Maysa. Três cantoras que namoraram, em épocas distintas, o mesmo homem. Li uma matéria publicada no UOL chamando a atenção para a “rivalidade” entre Elis e Nara. Incomodou bastante a agressão ao integrante da banda Restart. Daí a reflexão!
As "rivais" que vendem discos e lotam shows
Tudo indica que é condição do ser humano querer ser o melhor. Alguns confundem melhor com “os mais bonitos”, os “mais gostosos” e por aí vai. Se a coisa caminha pelas tramas do gosto – pessoal, autônomo, ou mediante a adoção de patamares acordados por um grupo – o indivíduo precisa ter a clareza da relatividade da situação que elege o mais bonito, a mais gostosa, os mais “tudo”.
Há que se ficar alerta e não confundir o melhor com resultados circunstanciais, como a audiência de um programa de TV ou a vendagem de discos, livros ou revistas; o melhor pode ser medido, aferido, comparado, estabelecido a partir de regras precisas. Mesmo gostando de alguém – a querida Nara Leão, por exemplo – são padrões reconhecidos em todo o planeta que determinam Elis Regina como melhor cantora. Afinação, extensão vocal com domínio de graves e agudos e além de uma incapacidade incrível de, ritmicamente, dividir uma música, ou seja, colocar a frase verbal de forma peculiar dentro da melodia estão entre os itens que caracterizam Elis Regina.
Com a Bossa Nova, João Gilberto acabou com a tirania do “dó de peito”, das vozes volumosas. Um caminho onde Nara Leão reinou com absoluta tranqüilidade. E aqui cabe citar uma qualidade de Nara: a capacidade de interpretar uma canção com total suavidade e leveza. As trajetórias musicais de Elis Regina e Nara Leão são parecidas, mas distintas, pois ambas são dotadas de personalidade e caráter ímpar.
A rivalidade é uma coisa forte, intrincada, na vida de todos nós. Vamos lembrar algumas?
Começa geralmente na escola um certo Meninos X Meninas que na vida adulta resulta em Homem X mulher; passa pela rivalidade de cidades como Rio de Janeiro x São Paulo ou lá, na terrinha, Uberaba x Uberlândia. Chega aos grandes inimigos do futebol Corinthians X Palmeiras, bem local, e às eternas disputas entre Brasil X Argentina, Uruguai, Franceses, Ingleses, Italianos… Continuando em quase todos os aspectos da atividade humana.
Martinha e Wanderléa. As "rivais" da Jovem Guarda.
No campo da música há rivalidades históricas! São facilmente lembradas: Marlene X Emilinha Borba, nos tempos áureos do rádio; Nara Leão X Elis Regina na época da Bossa Nova; Wanderléa X Martinha durante a Jovem Guarda; Maria Bethânia X Elis Regina nos anos 70; Maria Bethânia (de novo!) X Simone nos anos 80…Recentemente, Sandy X Wanessa e atualmente, Ivete Sangalo X Claudia Leitte.
Psicólogos afirmam que a rivalidade entre mulheres é uma coisa velada e que entre homens é escancarada. Dois bons exemplos: Roberto Carlos e Paulo Sérgio, na Jovem Guarda, levando RC a gravar um disco, “O Inimitável”, em franca guerra contra o “rival”. Outro exemplo, em outra área, as farpas constantes no embate Pelé x Maradona.
É bom notar – fácil obter isso em pesquisa – que são revistas, jornais e similares que criam essas rivalidades e vendem absurdo com elas. Estão quentes na memória as insinuações quanto à pinimbas entre Ivete Sangalo e Claudia Leitte; as duas correm para desmentir desafetos. Ou seja, vende-se a “briga” e fatura-se um pouco mais, com a “reconciliação”.
Há, por outro lado, rivalidades verdadeiras, advindas de choque entre indivíduos de um mesmo grupo buscando impor sua maneira de ser, de criar. O mundo do Rock é rico em histórias, algumas irreconciliáveis. Pessoas que iniciaram um trabalho e que, com o conflito estabelecido, deram outro rumo às próprias carreiras. O mais clássico dos exemplos, John Lennon X McCartney e, no Brasil, Rita Lee X Arnaldo Batista. A lista poderia crescer bastante!
Lamentamos o fim dos Beatles, o rompimento entre os primeiros integrantes de Os Mutantes. Mas, é bom ressaltar que nesse tipo de conflito continuamos ganhando. Cada indivíduo, no caminho escolhido, deixou ou tem deixado um trabalho digno dos grupos onde tudo começou. Com esse tipo de rivalidade, ganhamos. Com pinimbas criadas pela imprensa, ganha o dono do jornal! Embora seja fato certa cumplicidade entre a imprensa e alguns “rivais”.
Há artistas que só aparecem quando brigam com alguém, enquanto outros artistas passam ao largo dessa história de rivalidades. Gal Costa, por exemplo, foi amiga de Elis Regina e é amiga de Maria Bethânia. Ninguém conseguiu estabelecer uma briga entre Gal e quem quer que seja. É constatável historicamente que Bethânia espetava Elis afirmando ser “Gal é a melhor cantora do Brasil”. Gal, tranquila desde sempre, canta. Longe das encrencas das colegas.
Gal Costa soube neutralizar fofoqueiros sendo amiga de Elis e de Bethânia, assim como Ivete Sangalo soube neutralizar uma possível rivalidade com Daniela Mercury, declarando-se sempre fã da colega. Uma tática infalível, que não vingou em relação à Claudia Leitte.
Hoje é reconhecida a falsa rivalidade entre Marlene e Emilinha Borba nos tempos da Rádio Nacional
Verdadeiras ou falsas, as rivalidades resultam em sofrimento para aqueles que estão vivendo a situação, os próprios rivais. Gera frustração, tristeza, ciúme, inveja. No futebol, por exemplo, gera violência e morte; mas, como ficariam os programas esportivos sem esse aspecto? Complicado… Principalmente quando certos fãs confundem as coisas e resolvem jogar pedras em cantores e músicos.
É necessário que o indivíduo reconheça no artista, ou no time de futebol, as qualidades que tornam esses os melhores. Sem confundir com afeto, simpatia. Se não gostamos de um artista, basta evitá-lo. Agora, atirar pedra – Literalmente! – em um artista é, além de um crime, uma demonstração absurda de baixa auto-estima. Se for necessária violência para que reconheçam o “seu” artista como melhor, que raio de artista é esse? E que público é esse!
Um artista é bom ou ruim. Outra coisa é afeto. O que não pode é alimentar a rivalidade baixando o nível e chegando à violência. No futebol esta, em grande parte, é fruto de uma “guerra” alimentada em programas esportivos de rádio e televisão. Há que se rever os “jogos de vida e morte” para que estes não cheguem aos shows de música. Se vaias são desagradáveis; pedradas são inaceitáveis.
Que bom poder escrever sobre Elis Regina. Este post é para que os mais velhos relembrem e para que os jovens conheçam uma face da maior cantora do Brasil.
Não convivemos e, portanto, não conhecemos realmente Elis Regina. Temos uma idéia de como era a mulher sob as vestes da cantora. Temos os discos, alguns livros, revistas e cada texto, cada vídeo com uma entrevista mais os textos dos discos ajuda-nos a montar o intrincado quebra-cabeça que é a personalidade de um ser incomum. Um livro legal, que mostra um lado pouco divulgado sobre a cantora é da série “Histórias das Minhas Canções”, o volume sobre Paulo César Pinheiro.
Conhecedores de MPB associam imediatamente o nome de Paulo César Pinheiro à Clara Nunes, com quem foi casado e com quem realizou trabalhos maravilhosos. O compositor de inúmeros sucessos da mineira Clara Nunes, foi também o compositor de vários sucessos gravados por Elis Regina, como “Lapinha”, “Vou deitar e rolar”, “Eu, hein, Rosa!” e “Cai dentro”; Paulo César Pinheiro conta a história dessas canções e até de uma feita para Elis, que ela não gravou, “Última Forma”.
Paulo César Pinheiro descreve uma Elis Regina doce e suave com os amigos, ríspida perante adversários; e estes souberam perpetuar essa imagem, deixando para a história Elis como a “Pimentinha”. Entretanto, um aspecto legal que o compositor registra é o comportamento de Elis perante a “concorrência”. Quando, em 1977, dizia-se que havia uma grande cantora de samba no pedaço, Elis pediu ao compositor que, junto com Baden Powell, fizessem uma música pra que ela mostrasse como é que se canta samba. O resultado é “Cai dentro”. E é aqui que justifico o título acima; cante essa, malandro! Com a mesma competência que justifica o título de maior cantora brasileira para Elis Regina.
O registro acima é do disco de 1979, “Essa Mulher”. Para enfatizar as qualidades de Elis, optei por um segundo registro, com a apresentação que Elis fez no Festival de Montreux. Em ambos os momentos,no estúdio e ao vivo, a qualidade incrível da intérprete e da cantora, dona do próprio ofício. Mais que escrever, o melhor é ouvir. E cabe questionar: qual cantora atual seria capaz de cantar desse jeito?
Amanhã, dia 19, lembramos o trigésimo ano da morte de Elis Regina. Minha homenagem para a cantora vai através dessas canções que só ficaram bem na voz impecável e na perfeita afinação de Elis Regina. Entre as várias interpretações únicas de Elis Regina, ficam abaixo outras duas, também com as assinaturas de Paulo César Pinheiro e Baden Powell. Elis merece todas as reverências.
“Vou deitar e rolar” lembra o momento em que Elis separou-se de Ronaldo Bôscoli. O “quaquaraquaqua” é inimitável!
“Lapinha”, além de ter sido a vencedora da I Bienal do Samba, da TV Record, ainda merece destaque por ser a primeira composição de Paulo César Pinheiro, então com dezesseis anos, em parceria com Baden Powell. Note bem! É uma letra de um garoto com dezesseis anos!
Fica aqui, também, o convite para conhecerem o livro com as canções de Paulo César Pinheiro. Garanto que vale a pena!
Sem querer colocar dedo em alguma ferida; também não quero oferecer carapuças sem que me peçam. A intenção é refletir e, sem receio, mostrar experiências recentes.
Visitei alguns lugares na semana passada; o objetivo primeiro era escrever sobre os mesmos aqui no blog. Estamos em férias, vamos aproveitar! Estranhamente, os locais estavam vazios. Muito vazios. Postei uma única foto do espaço atual do Museu do Theatro Municipal e registrei a presença de um único rapaz, que chegou lá com um casal. Aqui outra foto, novo ângulo, do espaço pouco visitado.
Um imprevisto impediu-me de visitar Jennifer Monteiro (e faço questão de registrar aqui meu pedido de desculpas!) e resolvi voltar e refazer o itinerário anterior, em plena tarde de sábado, com um amigo. Foi por estar em agradável companhia que posso postar a próxima foto. De caso pensado, pedi uma imagem que deixasse evidente minha “solidão”. Ficou assim:
Brincamos e lembrei-me de Michael Jackson que fechava grandes lojas para não ser perturbado enquanto fazia suas escolhas. Em momentos ranzinzas já sonhei ser o Rei do Pop e fechar alguns museus para não ser perturbado pelo excesso de visitantes.
E não é que eu estava tendo um belo dia de Michael Jackson! Vejam! Imensos e belos espaços culturais a minha disposição. Guardadas as devidas proporções, não sou superstar, nem preciso de seguranças para caminhar pela cidade. Apenas de um “assessor” para fotos.
Fomos almoçar no shopping mais próximo e este sim, estava lotado. Filas para tudo. Caixas das lojas, escadas rolantes, praças de alimentação. Filas de consumidores vorazes.
As pessoas consomem aquilo que querem; aquilo com o qual se identificam. É um direito. Outro direito é esculhambar as escolhas alheias. E quando criticam algo publicamente, abrem a possibilidade de debate, mesmo quando a crítica é avassaladora, quase condenando ao extermínio aquele que não compartilha do mesmo gosto.
Há um imenso espaço nas redes sociais usado pelos críticos do cantor de sucesso da hora, do reality show do momento, só para ficar nos exemplos atuais que recebem opiniões contundentes. Ok! Repito que as pessoas têm o direito de criticar, penso que devem exercitar esse direito. A questão é que visitei um terceiro lugar… Também vazio.
É lamentável que em dois dias distintos, em pleno mês de férias, em dias ensolarados, belos espaços culturais da maior cidade da América do Sul estejam vazios. Em todos os lugares aqui evidenciados a entrada é gratuita!
Sinceramente, pouco ouvi a música de sucesso da hora. E só vi cenas do atual reality show enquanto aguardava o programa sobre Dercy Gonçalves. Longe de bancar o esnobe! Sigo “Mulheres de Areia” religiosamente e reitero minha paixão pela “Viúva Porcina”, na reprise de “Roque Santeiro” na madrugada (Férias!). E gosto de ver os comentários do Fernando Brengel enquanto rola “Fina Estampa”. Agora, fico bastante incomodado ao visitar espaços vazios, na cidade de milhões de habitantes.
Nossa São Paulo tem lugares estimulantes! Para todos os gostos, para todos os bolsos. Jennifer Monteiro e Fernando Brengel, os amigos citados neste post, aproveitaram as férias para uma visita ao incrível Museu do Futebol. Espero que tenham encontrado muitas pessoas por lá. Estudantes, crianças, pessoas de todas as idades, pois eu, decididamente, tendo dois dias de espaços culturais “exclusivos” não gostei da idéia de ser solitário como foi o querido Michael Jackson.
Boa semana!
Ops! Não coloquei legenda dos outros lugares visitados, não é! Aguardem. Escreverei sobre os mesmos.
Em tempos de chuva, uma tarde ou manhã no museu é garantia de passeio tranqüilo e divertido. De quebra, aprende-se muito. Sob o Viaduto do Chá há, por enquanto, duas instituições fundamentais para a vida cultural de São Paulo: a Escola Municipal de Bailados e o Museu do Theatro Municipal. Por enquanto, pois logo estarão em outro espaço, em construção, no Vale do Anhangabaú. Uma dica para o final de semana: conhecer ou visitar o Museu do Theatro Municipal.
A atual exposição, “Museu do Theatro Municipal Ícone e Memória”, possibilita uma ampla viagem. Há a lembrança de eventos como a “Semana de 1922” e de grandes montagens e apresentações marcantes de companhias nacionais e estrangeiras. A mostra evidencia, através de painéis e de objetos pertinentes ao universo do espetáculo cênico, a história da cultura paulistana pelos mais de 100 anos da história do principal teatro da cidade.
As visitas ao museu podem ser feitas de terça a domingo, das 10h às 18h e o espaço ainda oferece a oportunidade para pesquisadores, de terça a sexta, das 10h às 17h. Procurei sintetizar em imagens os principais itens da exposição em cartaz. Um estímulo e um convite para este mês de férias.
Começando pela música, forma artística primordial na história do Theatro Municipal. A ópera é reverenciada com fotos dos principais cantores líricos que se apresentaram no palco do Municipal. Também maestros, instrumentistas diversos, orquestras e cantores de jazz estão presentes.
Uma síntese dos principais itens pertinentes à ópera pode ser lida, em pequeno glossário exposto. Há também grandes vitrines com croquis de vestuários feitos especialmente para as montagens da casa; além das próprias peças confeccionadas, há adereços diversos que evidenciam o trabalho cuidadoso de profissionais que atuam nos bastidores dos grandes espetáculos.
De um espetáculo teatral, uma ópera ou um balé participam iluminadores, engenheiros de som, arquitetos e cenógrafos, além de muitos outros, conforme a necessidade da montagem em questão. Assim, outros grandes expoentes da arte brasileira estão presentes, como exemplo, nas maquetes que estão na exposição: as cores empregadas pelo cenógrafo Carlos Jacchieri, na ópera Werther, de Massenet, contrastam com a obra limpa da pintora Tomie Othake, descrita abaixo.
O balé é outra forma com participação marcante na história do Municipal. A Escola Municipal de bailados surgiu para garantir a presença de bailarinos acompanhando os espetáculos de grandes estrelas. Hoje, o Municipal tem corpo estável de baile, ou seja, companhias com vida própria, trabalho criativo. Pelo palco paulistano passaram as maiores estrelas do balé mundial.
Vitrines com os principais cartazes criados para os eventos produzidos, ou apresentados no Municipal permitem a avaliação dos avanços e das transformações do design nos últimos cem anos. Nestes também a presença de trabalhos realizados por grandes artistas gráficos ou outros, pintores, que deixaram seu talento registrado em produções do Theatro Municipal.
Finalmente, mas não menos importante, o teatro em si. A exposição “Museu do Theatro Municipal Ícone e Memória” reverencia os maiores nomes do teatro brasileiro. Procópio Ferreira, Itália Fausta, Fernanda Montenegro, Paulo Autran e Maria Della Costa estão entre os grandes ícones do teatro brasileiro. Há lembranças da passagem de astros estrangeiros como Vivien Leigh, que prestigiaram o palco da cidade.
A exposição está aí. Visite antes que acabe. O museu tem previsão de ser fechado no final do mês, quando será transferido para uma única sala, segundo informou uma funcionária da instituição: “O prefeito Kassab está acabando com tudo; o museu ficará em um espaço mínimo e certamente não teremos exposições como esta.”
O museu aguarda sua visita!
Bom final de semana.
Nota: As fotos originais tem seus respectivos autores; aqui, realizei montagens fotografando os painéis expostos, além de registrar algumas imagens do local.