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Tai uma pesquisa interessante: os nomes mais utilizados no país. A empresa ProScore utilizou 165 milhões de CPF’s de todo o Brasil. Infelizmente foram divulgados apenas os 50 primeiros nomes da lista. E penso que deve custar uma grana saber quantos “Valdos” tem por ai. Continuarei com a ilusão de que sou quase único; conheci outros dois ao longo da vida. O avesso desse sentimento é uma estranha sensação de solidão.

Se eu me chamasse Francisco, teria mais de dois milhões de xarás. Entre eles o Buarque de Holanda. E se eu fosse Raimundo, do vasto mundo que é rima, mas não é solução, teria a companhia de oitocentos mil outros Raimundos. E pensar que o Carlos que eu mais admiro, o Drummond de Andrade do “Raimundo vasto mundo”, tem mais de um milhão e trezentos mil outros “Carlos”…

Como não tenho os dados completos da pesquisa não sei se consideraram, por exemplo, os nomes duplos. Exemplo: o mais de um milhão de “Carlos” é nome simples, ou vem depois do Roberto, o rei Carlos. Pois se Carlos tem tudo isso e Roberto tem 480 mil, foi considerado o nome isolado ou há algum levantamento específico para nomes duplos?

Normalmente anunciamos nosso nome com orgulho, satisfação. Pessoas que não gostam do próprio nome, socialmente, já saem perdendo. Ficam inibidas nas apresentações: “- Prazer, meu nome é Tegucigalpa, mas prefiro que me chamem Teguinha.” A gente contém a sensação de estranhamento. Antes de continuar esclareço que curto muito o nome Tegucigalpa, a capital de Honduras. Não querendo aumentar a insatisfação de quem tem nome estranho, optei por Tegucigalpa: é diferente e, simultaneamente indica alguns absurdos que certos pais cometem ao batizar os filhos.

A vida me ensinou que a busca de nomes diferentes decorre, entre outras coisas, por preconceito. Por exemplo, o de que Benedita é nome de empregada, Jarbas é motorista e por ai vai. Os pais, buscando fugir do comum, acabam “cometendo” algumas “Tegucigalpas” no batismo dos filhos. Bobagem. Quem faz o nome é a pessoa. Ele, no máximo, indica gênero e a gente sabe a diferença primordial entre Antonia e Antonio.

Nomes também indicam a origem; posso estar enganado, mas a maioria dos Raimundos levantados na pesquisa são do Norte, Nordeste do país. Por conta principalmente de São Raimundo Nonato, o santo que também é nome da querida cidade em que estive, por várias vezes, no Piauí. Santos cristãos predominam no ranking, indicando a força que esses ainda têm entre nós. E se o Cristo se fez carne e habitou entre nós através de uma mulher, não é de se estranhar que em um país cristão tenhamos treze milhões de Marias.

Imagine treze milhões de Marias falando ao mesmo tempo! (rsrsr) Tudo bem… Trabalhando, cuidando dos filhos, lecionando, costurando, dirigindo empresas… Muitas Marias. E com tantas, fica difícil para qualquer brasileiro não ter uma Maria na própria vida. Minha primeira Maria, a querida avó. Depois as primas, uma namorada, duas grandes amigas, as colegas de trabalho…

Tantas Marias e ao mesmo tempo, tão especiais e únicas. Recordo entrevistas em que Chico Buarque diz “a Maria isso” ou a “Maria faz aquilo”. Todos nós sabemos que é a Bethânia. E ele, que é íntimo tem o direito de nominá-la assim, simplesmente Maria. Para o mundo é Maria Bethânia. E não dá pra falar dessa Maria Bethânia sem lembrar outra, Maria da Graça, que chamamos Gal. Já li que ela é chamada “Gracinha”,  mas desconheço quem a chame Maria.

Essas duas Marias, a Bethânia e a Gal, vieram depois da Abelim (esse nome deve ser raro!). Abelim Maria da Cunha, que o Brasil conhece como Ângela Maria. Junto com as baianas, veio a mineira Alcina, Maria também. E, mais recente, a Maria Gadú e a Maria Rita. Essas “Marias” dão bem a dimensão da certeza do quanto a pessoa faz o nome. E torna-o distinto, único. “Ângela Maria Alcina Bethânia Gadú Graça Rita”. Mesmo nome para mulheres tão singulares, tornadas únicas por aquilo que são: grandes cantoras!

“Rodando a minha saia

Eu comando os ventos

Quem vem a minha praia quer ver

A força que se espalha

De alguns movimentos

Que sei desfazer e refazer…”

Os fãs de Maria, a Bethânia, sabem que é ela quem canta “Nossos Momentos”, dos versos acima da canção de Caetano Veloso. Mas bem que são versos que remetem a todas as nossas Marias, famosas ou não, cantoras, atrizes, bailarinas, donas de casa, as Marias do Brasil.

Gostei muito de saber dessa pesquisa. Principalmente por saber que o Brasil é fruto de Maria(s), José(s), Antônio(s), João(s), Francisco(s)… Gente que carrega nome de santo e que um dia, com a ajuda de Deus, fará deste um país melhor.

(Clique aqui para ver matéria com a relação dos cinqüenta nomes mais utilizados)

Até sexta!